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quinta-feira, agosto 21, 2014

Aborto, o tema esquecido nas eleições

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Ainda acontecem abortos no Brasil? A julgar pelas campanhas eleitorais, parece que o Brasil é praticamente o único país no mundo onde este crime hediondo não acontece. Os esquerdistas, que se dizem tão democráticos e dispostos ao debate, vêm conseguindo esconder o tema do aborto da campanha eleitoral, tudo, claro, com a conivência da grande mídia.

Esquerdistas em geral, e mais especificamente os petistas, sabem que o tema do aborto lhes é amplamente desfavorável, visto que a população brasileira é majoritariamente contrária à liberação deste crime contra a vida humana. 

Nas eleições passadas, o poste Dilma Rousseff sentiu um solavanco em sua campanha quando o tema aborto finalmente apareceu. Seu comando de campanha teve que elaborar uma carta de Dilma dirigida aos religiosos ("Mensagem da Dilma") para tentar acalmar os ânimos. "Acalmar os ânimos" no dialeto petista quer dizer mentir o quanto for necessário, pois em trechos da referida carta ela diz coisas como:
"Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto."
No dia seguinte à eleição de Dilma, o Diário Oficial da União publicou um adendo a um termo de cooperação entre o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz para estudos visando a despenalização do aborto (veja em "De boateiros e mentirosos"). Apenas 1 dia após a eleição de Dilma e o governo petista já abria novamente a porteira abortista!

Como o afã petista na busca pela total liberação do aborto no Brasil jamais é aplacada, Dilma Rousseff tomou posse e colocou no cargo de ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres a senhora Eleonor Menicucci, uma mulher que não apenas é militante pelo aborto, como admitiu ter realmente feito abortos na Colômbia, mesmo sendo esta uma prática criminosa naquele país. E Dilma, que se diz "pessoalmente contra o aborto", coloca uma mulher destas em uma pasta de política para as mulheres?

Mas como mentira de petistas nunca vem sozinha, eis um outro trecho da carta divulgada por Dilma:
"Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País."
Claríssimas palavras e, no entanto, totalmente mentirosas, como ficou claro quando covardemente apenas 3 dias após o encerramento da Jornada Mundial da Juventude e quando o Papa Francisco já se encontrava longe do Brasil, a presidente Dilma sancionou sem qualquer veto o que ficou conhecido como Lei Cavalo de Tróia (Lei 12845/2013), pois ficou claro a muitos do meio pró-vida -- infelizmente, não a todos -- que esta lei era apenas uma preparação para a liberação do aborto através de meios obscuros fora do escrutínio da opinião pública. Isto foi recentemente confirmado quando da iniciativa do Ministério da Saúde em publicar uma portaria que procurava liberar o aborto a pretexto de atender mulheres vítimas de violência sexual, utilizando como justificativa a Lei Cavalo de Tróia, exatamente como previsto por vários do movimento pró-vida. Felizmente, e talvez por estarmos em ano eleitoral, a iniciativa foi revista. Por enquanto.

Ou seja, as afirmações da candidata Dilma Rousseff que foram encaminhadas a religiosos -- já veremos quem eram os tais religiosos -- foram rematadas  e deslavadas mentiras, ditas apenas com o objetivo de ganhar uma eleição, como é tradicional entre a maioria dos políticos brasileiros, principalmente petistas e esquerdistas. 

Mas como para a sobrevivência de qualquer mentira é preciso que haja aqueles que queiram levá-la à frente, um grupo de religiosos e intelectuais resolveu divulgar carta de apoio à então candidata. Entre os religiosos, como não poderia deixar de ser, estava a fina flor do câncer da Igreja no Brasil, a Teologia de Libertação. Nada menos que 7 bispos católicos encabeçavam a lista dos que assinaram o documento, sem contar outros nomes tristemente conhecidos não pela sua fidelidade à Santa Igreja, mas por sua incansável disposição em buscar sua destruição, tais como o arroz-de-festa Frei Betto, a teóloga favorável ao aborto Ivone Gebara, e também políticos oportunistas no meio católico como Alessandro Molon.

É altamente recomendável a leitura do texto da carta divulgada pelos religiosos e intelectuais. Nela podemos ver até que ponto é capaz de ir a desfaçatez de quem quer enganar a população para atingir seus objetivos. Basta o primeiro trecho da mesma para que a mentira salte aos olhos de quem a lê:
"1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como "contrárias à moral".
A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: "se nos calarmos, até as pedras gritarão!" (Lc 19, 40)."
Ver bispos assinando uma carta destas, uma carta que chega ao cúmulo de utilizar trechos do Santo Evangelho e cujo teor é baseado na claríssima mentira de que Dilma Rousseff não seria favorável ao aborto, coisa afirmada pela própria muito antes do início da campanha eleitoral, dá bem uma idéia de a quantas anda a Igreja no Brasil. As atitudes de Dilma como presidente deixaram bem claro a todos quem afinal estava mentindo. No texto "De boateiros e mentirosos", está exposta a mentira a que bispos, padres, religiosos e políticos católicos se renderam para ajudar Dilma Rousseff a se eleger.

***

E, passados já 4 anos, e com a sanha abortista do PT a todo vapor, curiosamente o aborto não é assunto de campanha. A CNBB, a mesma que tristemente optou pelo veto parcial ao PLC 03/2013, não dá um pio sobre o assunto, o que seria muito simples, dado todo seu aparato de Comunicação Social e sua penetração junto à mídia. Claro que isto acontece quando há vontade, não é mesmo? Quando há "sem-terras" querendo bagunçar a CNBB arruma tempo; idem quando o que se pretende é preservar a cultura do infanticídio ainda presente em alguma tribos indígenas. Só o que não se consegue é a CNBB arrumar tempo para fazer que a defesa da vida seja um tema importante na eleição presidencial e parlamentar.

E assim vamos indo... Dilma Rousseff, a queridinha da Teologia da Libertação, tão querida que até arruma bispos e padres que assinem uma carta eivada de mentiras para enganar os eleitores, não é confrontada com suas mentiras sobre a questão do aborto. E também os outros candidatos tampouco são perguntados intensivamente sobre seus posicionamentos sobre esta questão importantíssima.

sexta-feira, julho 19, 2013

CNBB opta pelo veto parcial ao PLC 03/2013. Um pouco de Churchill faria muito bem nestes momentos...

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Chamberlain e o papel que ele achava que evitaria
a guerra contra os nazistas. Não funcionou...
Quem fizer uma pesquisa aqui no blog utilizando o marcador "CNBB" poderá se espantar com conteúdo que encontrará, mas tal surpresa talvez só aconteça na eventualidade de que tal pessoa tenha passado um bom tempo fora do Brasil. Para quem convive diariamente com vários aspectos vindos da CNBB, falar em surpresa não cabe de forma alguma.

Temas como infanticídio indígena, defesa do aborto, distribuição de camisinha, apoio a entidades abortistas, perseguição a padres de conhecida ortodoxia, políticos abortistas dando palestras a padres, etc., dá uma idéia dos assuntos nos quais a CNBB e órgãos e entidades a ela coligados se envolvem, quase sempre do lado errado. E olhe que estou apenas listando os temas que corriqueiramente são tratados aqui no blog... Quando o assunto envolve outros aspectos, que não são do âmbito deste blog, o buraco do poço só afunda.

A hierarquia da Igreja é coisa bem definida e por demais conhecida: Papa, bispos, padres; nesta ordem. Alguém viu a CNBB aí? Não? Pois é... Sua jurisdição é bem específica na Igreja e ela de forma alguma tem valor de um bispo, por pior que este seja. Fica pela conta do baguncismo do Brasil, mais ainda entre o meio católico, este pensar que a CNBB manda mais do que realmente manda.

Dúvidas? Nem precisamos ir muito longe... Basta ver que inúmeros bispos se mantém bem longe do que acontece nos corredores da CNBB, pois estão bem cientes do que vai por lá. Em primeiro lugar, em vários órgãos internos quem dá as cartas é algum leigo com agenda própria, e que muitas vezes tem muito pouco a ver com o que prega a Santa Igreja. É por isto que nós, católicos brasileiros, temos uma penitência que nos é imposta diariamente por gente que deveria zelar pela defesa da fé.

Mas desta vez a CNBB realmente se superou. O problema atual é o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 03/2013, que, a pretexto de buscar o auxílio às vítimas de violência sexual, na prática é mais uma tentativa obscura de procurar liberar o aborto no Brasil, o que pode ser visto no excelente artigo do Padre Paulo Ricardo. Embora várias lideranças pró-vida venham alertando para o verdadeiro "Cavalo-de-Tróia" que é esta peça legislativa e para a necessidade de veto total, a CNBB e outras entidades que representariam o lado pró-vida na questão optaram pelo VETO PARCIAL ao texto, solicitando à presidente Dilma que fossem retirados os trechos mais polêmicos.

A CNBB e as outras entidades optaram por não ver que o texto deste Projeto de Lei é repleto de problemas graves. Um exemplo: não se fala em prova de violência sexual ou mesmo da necessidade de um Boletim de Ocorrência junto aos órgãos competentes, tampouco se fala do tempo máximo após a violência para recorrer a este auxílio. Ou seja, se uma mulher em estado avançado de gravidez resolver fazer um aborto, basta que ela vá a uma unidade do SUS e diga que foi vítima de violência sexual. O único trecho em que é dito algo sobre o agressor é quando o médico que atender a mulher deverá coletar material para ser enviado para análise do serviço de Medicina Legal. Desnecessário dizer que este material será "perdido" em muitos casos.

Tudo isto é obscuro... E se o médico não conseguir coletar material, caso a gravidez esteja em estágio avançado? O que é, afinal, "profilaxia da gravidez"? O que isto significa: fornecimento de pílula abortiva, execução de um aborto, mesmo que em estágio avançado de gravidez?

Para quem lê o texto fica claríssimo que há muita coisa não esclarecida. Difícil é achar que isto não foi proposital. É evidente que foi! É uma jogada para a galera, como só os abortistas sabem fazer. Eles sabem bem que a aprovação de um texto propositadamente "meia-boca" é de grande serventia à sua causa, à liberação total do aborto. Já agora estão aparecendo notícias plantadas na grande mídia dizendo algo como religiosos são contra Projeto que auxilia mulheres vítimas de violência sexual... 

Talvez seja exatamente contra esta reação que seria insuflada pelos abortistas que a CNBB e outras entidades resolveram optar pela busca do veto parcial. A CNBB, com toda a experiência que tem ao lidar com os trâmites do poder, já devia a esta altura saber que uma lei ruim serve apenas para o proveito de quem não liga para a Lei e é este exatamente o caso. Como as piores heresias, que tem uma fina casca de verdade para enganar os incautos e esconder o caminho para o inferno, as piores leis são aquelas que misturam seu amargor junto às doçuras de boas causas. Mas parece que só a CNBB e estas entidades não sabem disto...

Se a CNBB e outras entidades buscam o veto parcial devido a um cálculo estratégico, sinto informar, mas isto é um desastre. Não é dando terreno ao inimigo -- é de inimigos que estamos tratando, sim! -- que se ganha uma guerra. E eis uma novidade para a CNBB em particular: suas táticas não dão certo há muito... Quantas foram as vezes que tivemos de ver algum bispo com cargo na CNBB vir a público e se mostrar preocupadíssimo com a diminuição do número de católicos? Quantos de nós temos que aguentar irmãos de fé sendo tragados pelos apelos nada teológicos vindos de seitas inúmeras, prometendo-lhes prosperidade, curas milagrosas, etc.? E o que fez a CNBB de concreto em relação a tudo isto?

"Ah, mas a CNBB faz muito!" -- pode alguém reclamar. Mesmo? Então talvez já seja a hora de ver que faz algo muito errado, isto sim, pois há anos e anos que nada muda, não é mesmo? Da mesma forma, há anos a CNBB é, digamos, diplomática com o PT, mais ainda quando este se tornou governo. E de que adiantou isto? Tomando como exemplo apenas a defesa da vida, o que podemos ver é que nunca a Cultura da Morte andou a passos tão largos como desde que o PT chegou ao poder. Ou seja, a diplomacia da CNBB vem servindo de bem pouco, e quando a diplomacia envolve a questão da vida, podemos ver o desastre diante de nossos olhos.

É evidente que a diplomacia tem seu valor, mas é bom que se diga que muitas vezes a fraqueza e a omissão, que é pecado, escondem-se atrás da diplomacia. Uma coisa é um bispo norte-americano buscar qualquer mínima vitória na defesa da vida, como ocorreu recentemente no Texas com o banimento de abortos a partir de 20 semanas de gestação, e outra, bem diferente, é a CNBB buscar um veto parcial em um Projeto de Lei, como se isto fosse o máximo que é possível. Isto não é diplomacia, é demonstração de fraqueza, que fica mais patente quando vemos que o povo católico espera uma posição firme e valorosa frente à Cultura da Morte. Nem mesmo a iminente visita do Papa Francisco foi capaz de mexer com os brios da CNBB, que terá esta carta na manga para os próximos dias. E demonstração de fraqueza frente a um inimigo encarnecido tem o mesmo efeito que gasolina na fogueira.

Mas é bom que se diga que se a CNBB mais uma vez faz um papel no mínimo lamentável (sobre as outras entidades, principalmente Brasil Sem Aborto, como bem ensinou São Bento, é melhor calar que falar algo...), onde estão nossos bispos? Será que muitos deles acham que podem deixar este caso gravíssimo na mão da CNBB? O que será preciso para que eles entendam que isto não funciona de forma alguma? 

Até o momento, apenas 2 bispos vieram a público para alertar seu rebanho sobre o perigo do PLC 03/2013: Dom Antonio Rossi Keller, de Frederico Westphalen-RS, e Dom Celso Marchiori, de Apucarana-PR. Isto é muito pouco e esta falta de ouvirmos a voz de nossos pastores em momentos tão graves só ajuda a alimentar esta ilusão que a CNBB responde pelos bispos ou de que sua voz tenha o mesmo valor que a voz de um bispo.

Para finalizar, é triste ver que tudo isto vem criando muita confusão entre os pró-vidas. Parece que encarar a política como "a arte do possível", como referido no blog Frates in Unum, já vai fazendo a cabeça de muitos... Outros acreditam nas entidades que dizem que o possível é o veto parcial. Eu prefiro pensar que quando nos acomodamos com o possível é sinal de que não merecemos o impossível.

Quanto a avaliações do que é ou não possível, já vi muitos erros de avaliação cometidos por gente que se achava muito conhecedor de tudo. Pena que as pessoas têm memória curta... Talvez poucos se lembrem que o PL 1135/91, que buscava a retirada do Código Penal da punição para o crime do aborto, teve sua votação na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados evitada várias devido ao conselho de muitos pró-vidas envolvidos com a questão, que diziam que os abortistas conseguiriam seus objetivos. Já outros pró-vidas indicavam que aquele era o momento ideal (isto ocorreu em 2007) para a votação, o que batia de frente com os que se diziam mais entendedores dos procedimentos legislativos. Por fim, após alguns adiamentos, a votação foi feita e a vitória pró-vida ocorreu de forma esmagadora, deixando claro que a avaliação dos entendidos estava completamente errada.

E quem garante que isto não é o que está acontecendo exatamente neste momento? Enquanto muitos caem no fácil discurso de fazer o que é o possível, vão abdicando do que é o correto.

Há limites ao se lidar com certos tipos de inimigos. Deveríamos talvez olhar para a primeira metade do século passado e o que a política de apaziguamento dos nazistas fez com a Europa. Corremos o risco de ficar na história como ficou o Primeiro-Ministro Neville Chamberlain, que foi negociar com Hitler e voltou com um pedaço de papel como garantia após ceder às exigências do líder nazista, tudo isto para evitar a guerra, que estouraria algum tempo depois. 

Neville, os ingleses, os franceses e toda a Europa aprenderam a duras penas que há limites para certos tipos de negociação. Este "laissez faire" defendido por muitos é desastroso quando o que está em risco são vidas humanas frágeis e inocentes. Se os abortistas produzem um texto sob medida para seus propósitos o mais certo seria rejeitá-lo de todo e mostrar à população tal tentativa sorrateira, e não tentar adaptar o texto para que não faça estragos. Apenas isto já é um verdadeiro estrago.

A CNBB e outras entidades parecem querer evitar de qualquer forma um enfrentamento com nossos governantes e com certas entidades e a mídia. Deviam aprender com Winston Churchill, que substituiu no cargo a Neville Chamberlain, e a quem disse estas palavras:
"Você teve a escolha entre a guerra e a desonra. Você escolheu a desonra, e terá a guerra."

Quem não acredita em veto total deveria aprender com Churchill e saber que o Senhor Deus, mais do que o que nos é possível, pede-nos para que lutemos até o final. Não é o caso de acreditar ou não, mas, sim, de lutar pelo que é o correto. O impossível só nos vem pela Graça, mas para isto é preciso confiança, e é o que parece que anda faltando muito.



terça-feira, julho 16, 2013

Dr. Paulo Fernando - CARTA ABERTA A CNBB - PELO VETO TOTAL AO PLC 3-2013

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O conhecido e atuante líder pró-vida Dr. Paulo Fernando (www.paulofernando.com.br), de Brasília-DF, escreveu uma Carta Aberta endereçada à CNBB pedindo o veto total ao PLC 03/2013, que busca, de forma enganosa e obscura, em uma afronta direta aos direitos democráticos da população, a implementação do aborto, mascarando tal ato como ajuda a mulheres que sofrem violência sexual.

É uma vergonha para os católicos brasileiros verem-se tão mal representados por sua Conferência Episcopal neste assunto.






***


CARTA ABERTA A CNBB - PELO VETO TOTAL AO PLC 3-2013


Vossas Excelências Reverendíssimas, 

Srs. Bispos da CNBB

Em nome do povo brasileiro, de modo especial dos católicos desta grande nação, rogamos à Vossas Excelências Reverendíssimas se pronunciem pelo VETO TOTAL ao PLC 3/2013 de autoria da deputada Iara Bernardi PT-SP. 

Aproveito-me em parte do editorial da gazeta do Povo “O PLC 3/2013 usa o pretexto meritório do atendimento à mulher vítima de violência para escancarar as portas à prática do aborto.

O Partido dos Trabalhadores finalmente está à beira de conseguir, da forma mais traiçoeira possível, legalizar o aborto no Brasil. Se a presidente Dilma Rousseff sancionar o PLC 3/2013, que está em sua mesa, terá coroado um esforço de décadas em favor da eliminação de seres humanos indefesos e inocentes. 

Em 1991, os então deputados petistas Eduardo Jorge e Sandra Starling já propunham projeto de lei prevendo a liberação da interrupção da gravidez, plataforma consagrada em resoluções aprovadas em diversos congressos do partido. Outras tentativas se seguiram, como o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) e o projeto de reforma do Código Penal proposto pelo Senado. Felizmente, políticos a favor da vida e a sociedade civil organizada sempre foram capazes de bloquear tais ações, defendendo a dignidade da vida humana.

Boa parte dos esforços feitos até então para legalizar o aborto buscava alterar os artigos 124 a 128 do Código Penal, segundo os quais o aborto é crime, embora não seja punido nos casos de gravidez resultante de estupro e de risco de vida para a mãe. No entanto, como movimentos e a bancada pró-vida sempre estiveram muito atentos a quaisquer tentativas de mudança na lei penal, os políticos pró-aborto mudaram de estratégia. Em nenhum momento o PLC 3/2013 menciona o Código Penal, ou os termos “aborto” e “interrupção da gravidez”. 

À primeira vista, é um projeto que trata do atendimento às vítimas de violência sexual (o que é meritório), sendo preciso encaixar muito bem as peças para descobrir os objetivos ocultos. Segundo o artigo 1.º, todo e qualquer hospital fica obrigado a “oferecer atendimento emergencial e integral decorrentes de violência sexual, e o encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social”. Esse atendimento imediato inclui, segundo os incisos IV e VII do artigo 3.º, a “profilaxia da gravidez” e o “fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais”, o que incluiria a administração da pílula do dia seguinte e o aborto.

Na prática, qualquer mulher que chegue a um hospital alegando ter tido uma relação sexual não consentida (a definição de “violência sexual” contida no PLC 3/2013) ganha, assim, o direito de ser encaminhada a um serviço de “aborto legal”. 

Como diversas normas técnicas do Ministério da Saúde já haviam eliminado a exigência de exame de corpo de delito ou de Boletim de Ocorrência para atestar o estupro, basta que uma mulher interessada em abortar se dirija a qualquer hospital e diga que engravidou após uma relação sexual não consentida, para se beneficiar da brecha legal que não pune o aborto cometido em caso de gravidez resultante de estupro. 

O pulo do gato do PLC 3/2013 é consagrar em lei, pela primeira vez, esse procedimento, e não incluir a possibilidade de objeção de consciência: instituições religiosas, por exemplo, ficariam obrigadas a encaminhar a gestante ao “aborto legal” independentemente de seus princípios.

A participação do PT no processo que levou à aprovação do PLC 3/2013 é evidente. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estava entre os que pediram à Câmara que desengavetasse o PL 60/1999, de autoria da petista Iara Bernardi. O deputado José Guimarães, líder do partido na Câmara, pediu urgência na tramitação, o que foi aceito quando presidia a Casa o paranaense petista André Vargas. O projeto foi aprovado rapidamente, e de forma unânime, no plenário da Câmara; já renomeado como PLC 3/2013, passou por duas comissões do Senado e, por fim, pelo plenário do Senado, sempre com 2 relatoras petistas. 

Uma tramitação-relâmpago com o objetivo evidente de impedir leituras mais atentas do projeto e que desmascarassem as intenções dos seus autores. Anteontem, vários deputados pró-vida reconheceram tanto a sagacidade dos autores do PLC 3/2013 quanto seu lapso em identificar a ameaça à vida.

Precisamos recordar o óbvio: o aborto é a eliminação deliberada de um ser humano indefeso e inocente. Uma sociedade que tolera tal tratamento provoca a própria degradação – não é o caso, no entanto, do Brasil, onde a maioria da população condena o aborto. Assim, o PT, ao promover de forma sorrateira a ampliação do acesso ao aborto, ofende não só a dignidade humana, como também o sentimento geral do povo brasileiro. Após repetidas e comprovadas declarações de apoio à legalização do aborto, a então candidata Dilma Rousseff declarou, em carta dirigida aos cristãos durante a campanha de 2010, “defender a manutenção da legislação atual sobre o assunto”, em referência ao aborto. 

O texto fala da "profilaxia da gravidez" eufemismo para a prática do aborto, além de asseverar que a mulher vítima terá direito a atendimento prioritário e emergencial sem estabelecer o tempo de gestação.

Não existe meia vida, portanto o veto parcial não atende aos ditames da defesa absoluta do direito à vida. Não caiam na cantilhena dos movimentos da cultura da morte feministas que apregoam o atendimento da mulher que sofre, mesmo porquê atualmente a legislação já assegura o atendimento gratuito pelo SUS.

Diante do exposto, na condição de cidadão, advogado e católico, militante do movimento pró-vida rogo à Vossas Reverendíssimas , que não sejam omissos nesta hora, pois a História haverá de cobrar – e mais – ainda o juízo de Deus, da decisão que tomarem. Vossas Excelências Reverendíssimas são chamadas hoje a se posicionar em defesa da vida – pelo VETO TOTAL ao PLC 03/2013. Assim quer a expressa maioria do povo brasileiro que é contra o aborto, assim exige o catecismo da Igreja católica e muitos documentos pontifícos, de modo especial a Evangelium Vitae.

Certos de que tomarão a decisão mais acertada, despeço-me

Fraternalmente,

Em Cristo,Jesus

Paulo Fernando Melo da Costa 


sexta-feira, março 09, 2012

Será preciso desenhar?

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Se a voz do povo é mesmo a voz do Senhor Deus, creio que os religiosos que tiveram a infeliz idéia de elaborar uma carta pedindo a cabeça de Padre Paulo Ricardo talvez agora entendam o tiro no próprio pé que deram.

Como o blogueiro Wagner Moura escreveu em seu blog, os números do apoio que o bom padre recebeu dos católicos são impressionantes. Mais de 10.000 foram os que assinaram uma petição online para mostrar que estão ao lado do padre. Mais de 300 foram os que se reuniram para rezar pelo padre em um santuário em sua diocese. Sem contar que se imaginarmos que estas pessoas falarão sobre o assunto com mais outras em suas paróquias e dioceses dá para ter uma idéia do tsunami que os religiosos que queriam calar o padre conseguiram provocar com seu ato pérfido.

Parece que está mesmo acabando o tempo em que a Teologia da Libertação dava as cartas livre e impunemente. Se ainda controlam, com a anuência de bispos, várias dioceses no Brasil, seus atos ao menos não ficam mais escondidos nos salões paroquiais, nas reuniões das CEBs, em pastorais "sociais", e mesmo, é forçoso dizer, comissões da CNBB controladas por leigos que se acham acima até de bispos.

Dizem que a luz do Sol é um ótimo germicida e neste caso isto se mostrou totalmente verdadeiro. A pretensiosa carta era endereçada a bispos, a padres e ao Povo de Deus. Pois bem, o Povo de Deus se manifestou de forma impressionantemente firme contra cada um dos pontos levantados na carta.

O Povo de Deus quer padres de batina, porque a Santa Igreja assim o quer. O Povo de Deus quer padres que lhes falem das coisas de Deus, exatamente como Padre Paulo Ricardo lhes fala. O Povo de Deus quer padres que se posicionem contra os desmandos políticos aos quais estamos assistindo há décadas e que vem sendo apoiados por não poucos religiosos, padres e bispos. 

Em resumo, o Povo de Deus quer padres que se portem como verdadeiros sacerdotes e não como burocratas, assistentes sociais, superstars ou políticos. Precisamos de verdadeiros sacerdotes e não de religiosos que se reúnam em turba para calar um padre que apenas fala daquilo que o Povo de Deus está sedento há muito tempo.

Dito isto, penso que é o tempo dos religiosos que assinaram a tal carta ouvirem a voz de Deus que Se fez ouvir até mesmo através de um twittaço. Ou será que precisaremos desenhar?

terça-feira, março 06, 2012

A perseguição a Padre Paulo Ricardo

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Só posso achar que veio das profundezas uma carta aberta pedindo o afastamento do Padre Paulo Ricardo. É esta conclusão lógica a que posso chegar, pois, afinal, quem é o pai da mentira?

Li a tal carta e digo que o bom Padre Paulo Ricardo é a voz de muitos católicos. Estamos sem paciência para padrecos de show, para assistentes sociais fantasiadas de freiras, para bispos que mais parecem políticos. Padre Paulo Ricardo fala de coisas que há muito os católicos esperam que seus religiosos e bispos falem.

Acima de tudo, ele porta-se como um verdadeiro sacerdote. Não fica contemporizando com o mal, não aceita o fácil e batido discurso de "ir aonde o povo está", que virou passaporte para padres virarem estrelas midiáticas e deixar seu serviço principal de lado: a conversão de almas para o Senhor Deus.

A batina, aos subscritores da tal carta, parece-lhes um grande incômodo, dizendo-se contra seu uso ideológico. Mesmo? E quando foi que tais religiosos usaram-na, afinal? Sabem, aliás, o significado do uso da batina? Sabem, aliás, que deviam utilizá-la? Interpretam "hábito eclesiástico conveniente" como uma permissão para, convenientemente, não usar hábito algum. 

Como não poderia deixar de ser, atacam as posições políticas do padre, pois ele não é da laia dos que viram a cara para o fato de que socialismo e catolicismo são realidades excludentes. Como já ensinado pelo Papa Pio XI, "ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Encíclica Quadragesimo Anno). Ele não é dos que há décadas faz do projeto político de certos partidos a razão de ser de seu sacerdócio. Ele não é dos que vendem seus dons para o serviço de uma ideologia que nada tem a ver com a missão da Santa Igreja.

Atacam-no em sua ortodoxia, chegando à desfaçatez de distorcer discursos de S.S. Bento XVI para antepô-los às atitudes do bom padre. Pois então que venham a público e mostrem em que não concordam com o discurso do padre, pois críticas abstratas de nada valem. Pois que tenham a coragem que o Padre Paulo Ricardo tem em suas denúncias e mostrem seus incômodos -- profundamente teológicos, não? -- com o discurso do padre. Creio que isto deva ser tarefa extremamente fácil já que foi tão forte a reação ao que o padre vem ensinando.

Os subscritores são, acima de tudo, covardes. Sim, pois é a mais pura covardia tentar jogar os fiéis, padres, religiosos, CNBB e até mesmo o bispo diocesano contra a pessoa do padre, chamando-o de diversos adjetivos pejorativos, coisa que em nada condiz em chamá-lo de "irmão" como o fazem no início da carta, afetando um cuidado que claro está não têm pela pessoa do padre.

E que fiquem certos que mesmo que consigam seu obscuro objetivo, que é calar a boca de um verdadeiro profeta, mesmo que o mal que desejam fazer prevaleça, a voz de Padre Paulo Ricardo não será calada, pois até mesmo as pedras falarão.

Assinei e recomendo aos verdadeiros católicos que assinem a petição online de apoio ao Padre Ricardo, por quem rezarei para que tenha forças para continuar a levar à frente seu humilde trabalho que é feito para a maior glória de Deus.

sexta-feira, novembro 05, 2010

De boateiros e mentirosos

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Isto que vai logo abaixo foi publicado no Diário Oficial da União em 04/10/2010, dia seguinte à eleição de Dilma Rousseff.

ESPÉCIE: PRIMEIRO TERMO ADITIVO AO TERMO DE COOPERAÇÃO Nº. 137/2009
CONVENENTES: Celebram entre si a União Federal, através do Ministério da Saúde - CNPJ nº. 00.530.493/0001-71, e FUNDACAO OSWALDO CRUZ, Estado do RIO DE JANEIRO - CNPJ nº. 33.781.055/0001-35.
OBJETO: Prorrogar a vigência do Termo de Cooperação nº. 137/2009, destinado Estudo e Pesquisa - Despenalisar o Aborto no Brasil, até 04/02/2011, a contar de seu vencimento.
PROCESSO: 25000.656836/2009-31.
VIGÊNCIA: Entrará em vigor a partir de sua assinatura até 04/ 02/ 2011.
DATA DE ASSINATURA: 29/09/2010.
SIGNATÁRIOS: ARIONALDO BOMFIM ROSENDO - C.P.F. nº. 182.782.991-53 - DIRETOR-EXECUTIVO DO FUNDO NACIONAL DE SAÚDE/MS; PAULO ERNANI GADELHA VIEIRA - C.P.F. nº. 422.312.997-04, PRESIDENTE , FUNDACAO OSWALDO CRUZ

É isto o que se tem. Nada de palanques, nada de manifestos, nada. Acabou a campanha e o que vai impresso é apenas uma mostra do que foi o governo Lula e o que será o governo Dilma. A luta pelo aborto está no DNA das esquerdas e negar isto é negar o óbvio.

Durante a campanha, um amontoado de gente que se diz religiosa, tomou para si a tarefa de impedir a perda de votos de Dilma e do PT. E fez isto escolhendo palavras interessantes:

"1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40)"
Melhor seria se realmente as pedras gritassem! Coisa triste é ver gente que vai tão cheia de uma ideologia, ideologia assassina, ideologia condenada há muito pela Igreja, que nem mesmo se importa em participar de uma farsa, de chamar de mentira o que é verdade.


Quem é que disse mentiras, D. Demétrio Valentini? Não foi o senhor que deu declarações a um jornal de Guarulhos, a diocese de D. Bergonzini, dizendo que a instituição (a CNBB Regional Sul I) havia sido "instrumentalizada politicamente com a conivência de alguns bispos"? E aí, D. Demétrio, quem instrumentalizou o quê?

D. Bergonzini deu firmes declarações contra Dilma e PT por serem favoráveis ao aborto, o que o próprio Diário Oficial confirma, mas não disse uma palavra a favor de José Serra... E o senhor, D. Demétrio? Como se sentiu declarando voto e apoiando, junto a outros bispos, padres e religiosos apoiando um governo e uma candidata que apóiam o aborto?

Quem disse algo inverossímel, D. Eccel? Onde havia mentira no texto divulgado pela Regional Sul I da CNBB? Cadê o boato, D. Eccel? O que vai escrito no Diário Oficial da União é boato também, assim como eram as declarações gravadas em vídeo e que mostravam a sra. Rousseff dizendo ser "absurdo" que o aborto não seja descriminalizado no Brasil?

Foi confortável ao olhar para o lado enquanto Lula, Dilma e o PT enganavam mais uma vez a população, D. Eccel? Foi bom participar desta farsa? Que gosto tem utilizar as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo para encobrir uma mentira? Valeu a pena?

E você, Alessandro Molon, cujos cabos eleitorais adoram panfletar em saídas de Missas, que alavancou sua carreira política passando a imagem de católico e de ético, como foi dizer que uma coisa era mentira enquanto via imagens de sua candidata dizendo-se favorável ao aborto?

Molon é fiel. Fiel ao partido, claro! Nas eleições de 2008 eu já havia escrito porque não voto em Molon. Sobre o mensalão, que então era o assunto, Molon mostrou seu lado pragmático assim como sua canina fidelidade partidária, coisa de fazer inveja a qualquer melhor amigo do homem:

"Perguntado sobre o porquê de ele, Alessandro Molon, não ter saído do PT devido às várias denúncias que apareceram durante o primeiro mandato do presidente Lula, o deputado declarou que "Eu acho que a gente não muda as instituições trocando de barco"."

É isto aí! Molon, o fiel, está até agora tentando mudar o PT. Os frutos da "influência" de Molon podem ser vistos em qualquer lado: a volta triunfante de José Dirceu, a ascensão e "queda" de Erenice Guerra, a farsa abortista do PT durante as eleições, a covarde tática do medo utilizada para falar sobre privatizações, etc.

Evidente que Molon não teve nada a ver com isto, e é este exatamente o ponto: Molon não está mudando o PT, como ele em 2008 queria nos fazer crer; mas garanto uma coisa: o petismo e o esquerdismo o está mudando muito.

Prova disto é que Molon aceitou, junto a bispos, padres e religiosos, fazer parte da farsa que dizia que o abortismo de Dilma Rousseff era mentira e boato. Uma olhadela no Diário Oficial da União, dá para ver quem é o mentiroso e boateiro, não é, Molon?

Molon é conhecido por sua transparência. Bem, o que posso dizer é que não reconheço isto... Durante a campanha, enviei 3 tweets para Molon entre os dias 21 e 26 de julho:



Nenhum dos três questionamentos teve resposta por parte do deputado. Molon deve ser um homem muito ocupado, não o culpo. Pode ser que haja coisas mais importantes para postar no Twitter que responder a um simples questionamento sobre aborto, não é mesmo.

Isto aqui é que é importante, por exemplo:


É isto aí! Falar sobre um festival de animação é mais importante que responder a um legítimo questionamento sobre um assunto importante como é o aborto. Isto faz muito sentido quando vemos que Alessandro Molon, assim como outros políticos esquerdistas que insistem em se dizerem católicos, ignoram a palavra do Magistério sobre o assunto.

Para quem ignora a palavra de Papas, ignorar os questionamentos de um blogueiro é café pequeno.

Enfim, o que temos é isto: bispos, padres, religiosos e políticos católicos aceitaram fazer parte de uma farsa cujo único objetivo era parar a sangria de votos da sra. Rousseff, sangria esta que começou quando seu posicionamento sobre o aborto veio à tona.

Ver religiosos varrendo para debaixo do tapete toda a sujeira de uma candidata e de um partido, ver religiosos declarando voto de forma vergonhosa é coisa que os fiéis católicos não mereciam.

Mas, como bem nos ensinou Santa Teresa, tudo isto passa! Até mesmo os mentirosos e boateiros passarão, assim como aqueles que chamam o mal de bem para enganar os mais humildes. Também estes passarão.

sexta-feira, outubro 29, 2010

AGORA EM VÍDEO: Bento XVI contra o aborto x Dilma Rousseff a favor

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Abaixo segue o vídeo em que S.S. Bento XVI discursa perante os bispos da Regional Nordeste V.



"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitae, 74)."

E agora vejam Dilma Rousseff dizendo seu "Credo":





Nem desenhar mais é necessário, não é mesmo?

quinta-feira, outubro 28, 2010

Bento XVI, martelo dos dissidentes

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E agora D. Demétrio? E agora, "frei" Betto? Com que cara ficarão estes e outros que assinaram uma imoral e irregular declaração de voto à candidata Dilma Rousseff?

O Papa Bento XVI pronunciou palavras firmes sobre a participação de religiosos na política, principalmente sobre a urgência em defender o direito à vida;
"(...) falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural"
Que contraste entre estas palavras e as palavras de um D. Demétrio Valentini, de um D. Tomás Balduíno. de um D. Luiz Eccel! Que vergonha ver que estes bispos colocaram suas assinaturas em uma irregular declaração de voto à Dilma Rousseff, e fizeram isto olhando deixando de lado o projeto abortista do PT, que sempre foi abortista.

Este discurso importantíssimo, de alcance mundial, será abordado novamente aqui no blog, mas no momento seguem as claríssimas palavras de S.S. Bento XVI.

Roma falou. Escutem, católicos!


***


Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Comissão Episcopal para Caridade, Justiça e Paz é o núcleo vermelho da CNBB

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A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à CNBB, reagiu com nota aos desdobramentos que o corajoso posicionamento contrário de alguns bispos frente a partidos e candidatos favoráveis ao aborto. Já era mesmo de se esperar tal reação. Demorou, até. Com toda certeza podemos dizer que somente o advento do 2o. turno nesta eleição presidencial é que fez o pessoal da CBJP se movimentar. Quando Lula e sua fantoche plastificada Dilma Rousseff estavam navegando por mares que lhes eram favoráveis, apesar de mostrarem um total afastamento em relação ao que prega a Igreja, a CBJP não movia uma palha.

Onde estava a CBJP quando o escândalo do Mensalão estourou? Onde estava a CBJP quando Lula espertamente enviou carta a bispos dizendo-se cristão enquanto seu governo fazia o possível em favor do aborto? Onde se escondia a CBJP quando padres da cidade de São Paulo faziam abertamente campanha para Marta Suplicy na sua tentativa de ser prefeita daquela cidade?

Existem vários outros exemplos que poderiam ser aqui elencados e em todos o único ponto em comum que teríamos seria a completa omissão da CBJP. Parece que a CBJP escolhe a dedo as brigas que quer brigar, não é mesmo?

Quem já teve a infeliz oportunidade de ler uma de suas "Análises de Cojuntura" pode bem facilmente notar o vocabulário típico de autores esquerdistas, com temas que são muito caros ao PT e partidos assemelhados. Alguém pode mesmo estranhar que agora eles sintam-se no dever de intervir?

Quando o assunto é corrupção no governo petista ou propaganda de padres a candidatos petistas, a CBJP acha melhor olhar para o outro lado. Já quando bispos dizem o óbvio -- que católicos não devem dar voto a abortistas --, aí a CBJP rasga as vestes indignada?

Toda a nota da CBJP é um desastre. Podemos ler trechos como:
"Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias."
Certo. AGORA a CBJP preocupa-se com o afastamento de muitos católicos? E que "afastamento" é este? De qual tipo de católicos estamos falando? De "católicos" como Dilma, como Lula? "Católicos" abortistas como ambos? Ora, se são deste tipo, a porta da rua é a serventia. De uma coisa que não necessita a Santa Igreja é de gente que bata palma ou que facilite o assassinato de crianças ainda no ventre de suas mães.

Lamentável mesmo é a omissão de quem diz que luta por Justiça e Paz. Que Justiça, que Paz podem ser alcançadas quando é tolerado ou incentivado o assassinato de bebês?

E na nota vemos trechos mesmo que beiram a desonestidade mais pusilânime:
"Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial."
É impressionante como quem fica tecendo louvores à "maturidade" de nossa democracia é quem fecha os olhos para a corrupção institucionalizada pelo PT, quem ignora o assalto sistemático feito às nossas instituições nos últimos tempos, quem pouco se importa com os destinos de crianças que serão abortadas. O "constrangimento" da CBJP parece ter mão única. Questões morais, como o aborto, não lhe parecem fazer corar o mínimo que seja. E é este mesmo pessoal que tem a cara-de-pau de vir falar em "comunhão eclesial"?

Mas o discurso da CBJP é tão caduco, tão sem propósito que é capaz até mesmo de se enrolar. Veja-se este trecho:
"Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos."
"Defesa da dignidade da pessoa humana"! É impressionante como quem produziu tal nota não consegue ignorar este ponto, mas, mesmo assim, prefere ficar enrolando, sacrificando o que é moralmente certo diante do altar de suas prioridades distorcidas.

Os referenciais éticos e da Doutrina da Igreja estão sendo defendidos pelos bispos que são contra o voto em abortistas, não pela CBJP e seu discurso cambaleante. Se é a ética e a DSI que servem de referência ao voto dos católicos, os senhores bispos fizeram muito bem em advertir aos fiéis sobre a impossibilidade de voto em partidos e candidatos comprometidos com a aprovação do aborto.

A CBJP deveria então responder se existe alguém mais excluído neste mundo do que um bebê ao qual foi negado o direito de vir à luz? Existe ser mais empobrecido do que os pequeninos que vão parar em latas de lixo hospitalar? Do que aqueles que vão parar nas redes de esgoto após abortos do dia seguinte?

E é contra quem levanta sua voz para impedir que se dê votos a quem é favorável a esta violência que a CBJP vem a público? Faria a CBJP muito melhor se se juntasse ao côro dos bipos.

Mas quem compreende ao menos um pouco o que se passa lá pela CBJP sabe muito bem que o catolicismo tem nada a ver com o que por lá vai. Como já mostrou o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog, o Secretário-Executivo da CBJP é um petista de carteirinha, ou seja, tem credibilidade zero ao tratar do tema e ao dar conselhos a cristãos.

Mas se a coisa vai feia na CBJP, na qual um petista acha por bem que deve divulgar nota espinafrando bispos que não seguem sua cartilha petista, a coisa fica mais feia ainda quando olhamos cria de quem é a CBJP.

A CBJP é ligada à Comissão Episcopal para o serviço da Caridade, Justiça e Paz, que por sua vez é presidida por D. Pedro Luiz Stringhini, que no caso dos padres que faziam campanha para Marta Suplicy achou que deveria apenas "aconselhar" seus padres a não fazerem tal papel. Deu no que deu.

D. Pedro Luiz Stringhini esteve presente em outra polêmica, na qual uma coordenadra de pastoral deu declarações a favor da descriminalização do aborto. Pois bem, à época, quando confrontado com o fato, D. Pedro disse apenas que o mandato da coordenadora estava por terminar.

Um outro bispo, também bem conhecido aqui neste blog, D. Demétrio Valentini, deu declarações na época da polêmica, já que a coordenadora era de uma pastoral sob sua responsabilidade. O posicionamento de D. Demétrio à época é no mínimo estranho vindo de um bispo católico.

Recentemente, D. Demétrio também entrou na atual polêmica envolvendo a questão do voto católico nestas eleições. Evidentemente, mais um vez ele estava do lado errado, o que pode bem ser visto em uma postagem recente aqui neste blog.

Enfim o que fica claríssimo a todos que estão um pouco atentos a estes fatos é que a Comissão Episcopal para Caridade, Justiça e Paz é o núcleo vermelho da CNBB. Quando temos polêmicas relacionadas ao aborto, é de pastorais ligadas a esta Comissão que elas vêm. Quando o PT e assemelhados precisam de gente de dentro da Igreja para passar pito e tentar desautorizar até mesmo bispos, é de gente subordinada a esta Comissão que saem notas à imprensa, como foi o caso da Nota da CBJP.

E isto é só o que atinge a luz do dia... Imaginemos o que por lá acontece na calada da noite.

quarta-feira, outubro 06, 2010

D. Demetrio Valentini: suas obras

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Como acho por demais constrangedor ter que abordar as palavras de bispos, creio que seja bem mais produtivo mostrar suas obras e deixar que elas falem por si só.

O bispo em questão é D. Demétrio Valentini, que mais uma vez veio a público criticar irmãos seus no episcopado que não partilham de sua cartilha esquerdista.

Aqui neste blog, D. Demétrio é velho conhecido. Em fevereiro de 2008, às vésperas da Campanha da Fraternidade que abordaria o tema da defesa da vida, coisa muito esperada pela militância pró-vida brasileira, estourou um escândalo de uma coordenadora nacional de pastoral que deu declarações favoráveis à descriminalização do aborto.

Que fez D. Demétrio, que era o bispo responsável pela Pastoral? Ora, saiu em defesa da coordenadora. Eis um trecho:
  • “Posições radicais e fechadas em torno de temas como o aborto correm o risco de comprometer a Campanha da Fraternidade, a ser lançada na próxima quarta-feira”
  • “é válido o depoimento de Bernadete, pois é um grito que vem não do teórico mas de quem conhece e vive com as mulheres marginalizadas”
  • “O homem comete aborto toda vez que se desinteressa pela vida do filho que pôs na barriga da mulher.”

Pois é... Para D. Demétrio o absurdo não é que uma coordenadora nacional de pastoral defenda a legalidade do aborto, o absurdo é que haja "posições radicais e fechadas" em temas como o aborto.

A coisa fica ainda mais confusa quando vemos que D. Demétrio já assinou carta emitida pela CNBB na qual o aborto era chamado de "delito grave contra a vida humana, pois representa a morte de um ser humano inocente e indefeso".

Ah, sim... Tal carta foi emitida em Roma, quando D. Demétrio participava de um Sínodo dos Bispos para a América. Ou seja, em Roma, junto do Papa, D. Demétrio chama o aborto de "delito grave contra a vida humana..."; em Jales, no conforto de sua diocese, D. Demétrio dá declarações nas quais "posições radicais e fechadas" em relação ao aborto não são aceitáveis.

Afinal, a qual D. Demétrio que devemos dar crédito?

Mas há mais...

A Pastoral da Mulher Marginalizada, que era da responsabilidade de D. Demétrio, exibia em seu site que tinha apoio de inúmeras organizações feministas/abortistas, o que pode ser visto aqui, aqui, aqui e aqui.

Alguém pode dizer que tais apoios deviam ser um descuido ou coisa parecida. Ok. Pode ser. Parece então que o descuido é transmissível, pois no site da Cáritas do Brasil também apareceu com um banner de apoio a uma organização feminista que tem o aborto como uma de suas bandeiras, o que pode ser visto aqui e aqui.

Mas, afinal, o que têm em comum do site da Pastoral da Mulher Marginalizada e o site da Cáritas do Brasil para ambos mostrarem apoios de entidades feministas/abortistas? Se há mais coisas em comum, eu não sei, mas o que sei é que ambas as entidades têm como bispo responsável o próprio D. Demétrio Valentini.

Que baita, que estrondosa coincidência, não?

Deve ser uma destas coincidências absurdas também que levaram D. Demétrio Valentini a rotular seus irmãos no episcopado de fundamentalistas apenas porque na última Assembléia Geral da CNBB inúmeros bispos falaram firmemente contra o tristemente famoso PNDH-3, um pacotão do governo Lula que incluía aborto, cerceamento da liberdade de expressão, uniões gays entre outras coisas mais.

Estas são as obras de D. Demétrio. Quando ele não gosta de uma coisa, não lhe falta mídia para que ele possa até chamar outros bispos de fundamentalistas. Recentemente, D. Demétrio mostrou-se amuado que inúmeros bispos tenham lançado declaração alertando seus fiéis sobre o perigo de se dar votos a candidatos abortistas. Eis o que o prelado declarou ao jornal Diário de Guarulhos:
"A gente sabe que em tempo de propaganda eleitoral a realidade se complica por expedientes antiéticos, sobretudo pela disseminação de acusações, que visam deturpar o nome dos adversários, e tirar vantagem eleitoral. Aí aparecem situações que precisam ser esclarecidas."

Virou antiético bispos abordarem questões morais? O que foi mesmo que os bispos com posições contrárias às de D. Demétrio "deturparam"? Ou D. Demétrio prova por A+B que Dilma Rousseff é contrária ao aborto ou suas palavras voltam-se contra ele mesmo.

Já eu, simples leigo, acho profundamente antiético que entidades católicas mostrem apoio de entidades feministas/abortistas em seus sites. Mas isto sou eu...

Mas D. Demétrio fala mais ao Diário de Guarulhos:
"A nossa instituição foi instrumentalizada politicamente com a conivência de alguns bispos. Eu faço parte da Regional Sul 1 e não fui consultado sobre apoiar ou não essa atitude. Como podem afirmar que é algo que partiu da CNBB?"
Instrumentalização da CNBB? Sério??? Isto acontece? Desde quando? Não é possível este absurdo! Liguem para o Vaticano!

Ora, D. Demétrio... Quando a CNBB faz o papel que agrada a um monte de gente, bispos incluídos, de ficar convocando calote de dívidas, de desapropriação de terras de seus legítimos donos, de desarmamento, etc. e outros absurdos que não encontram qualquer respaldo na Doutrina, ninguém vê este pessoal reclamando.

Agora, quando a CNBB é utilizada para alertar aos fiéis para uma questão moral de suma importância, aí ela é "instrumentalizada". Ora... Tome-nos por bobos, mas não por idiotas.

Mas a grande questão que permanece é o que realmente incomodou D. Demétrio? Se os bispos somente divulgaram coisa que devia ser óbvia, de que um católico consciente de sua missão não deve dar votos para políticos e partidos abortistas, qual o problema?

Faça-nos um favor e aponte o erro de seus irmãos bispos, D. Demétrio. Afinal, todos estamos muito curiosos em saber qual D. Demétrio que está presente entre nós: aquele que chama o aborto de "delito grave contra a vida humana" ou aquele que critica posições "radicais e fechadas" contra o aborto.

Ou será que tudo se resume ao fato de estar em Roma ou na Diocese de Jales?

sábado, julho 24, 2010

PMM-BH se pronuncia. E novamente faz besteira...

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Pressionada, a Pastoral da Mulher Marginalizada Arquidiocese de Belo Horizonte (PMM-BH) retirou a postagem em seu blog que reverberava a opinião emitida pela Secretaria de Política para as Mulheres, órgão do Governo Federal envolvido na luta pela liberação do aborto no Brasil.

Claro está que divulgar uma peça deste teor equivale a concordar com o que vai ali escrito. A PMM-BH começa sua "explicação" do ocorrido com as seguintes palavras:
"A respeito da repercussão sobre o texto que aborda o Projeto de Lei que dispõe sobre a proteção do nascituro e retira o direito da mulher, hoje garantido por lei, de abortar em caso de estupro (...)
Não há o tal "direito" da mulher de abortar um bebê que foi concebido em um estupro. Isto, basicamente, é retórica de militância pró-aborto. O que existe na legislação atual, e que é completamente errada sob o ponto de vista moral, é que não há punição em abortos feitos por médicos em casos desta natureza. Tirar daí que existe um "direito" de matar uma criança gerada por estupro quando ainda está no ventre de sua mãe não tem qualquer fundamento no ensinamento católico e era de se esperar que uma Pastoral Católica -- é isto, certo? -- soubesse deste "pequeno" detalhe.

Em seguida a esta introdução desastrosa, a PMM-BH chega ao ponto de divulgar o link para o texto no qual a postagem retirada ajudava a divulgar. Esperteza pouca é bobagem, não é mesmo?

Tomando a todos como idiotas, a PMM-BH retira do ar o texto e deixa em seu lugar um link para continuar divulgando o mesmíssimo texto. Que coisa edificante é ver uma Pastoral Católica -- é católica mesmo? -- tripudiando daqueles que estranharam que uma entidade católica gaste tempo e esforços para divulgar mensagens da militância pró-aborto.

Querendo sair bem do imbróglio, a PMM-BH tenta justificar sua postagem anterior escrevendo que o acontecido era apenas uma informação e foi devido à sua disposição para o debate.

Para responder a mais esta esperteza da PMM-BH, primeiramente devemos dizer que é desnecessário que a militância pró-aborto tenha mais ajuda para levar sua mensagem à população, pois a grande mídia faz isto muito bem. E é absurdo que uma Pastoral Católica -- é disto mesmo que estamos falando? -- ache que tenha que fazer parte desta turma.

Em segundo lugar, já que a PMM-BH quer contribuir para o debate, talvez ela pudesse indicar quando foi que em seu blog houve divulgação de um evento Pró-Vida. Se a PMM-BH quisesse mesmo contribuir para o tal debate, seria natural que ela desse atenção aos dois lados da questão. Como não dá, é natural que se pense que ela tem sim um posicionamento já definido por um dos lados do debate, e este lado é justamente o que vai contra os ensinamentos católicos.

Em terceiro e último lugar, a PMM-BH acha mesmo que o aborto, seja por qual motivo for, é alvo de debate na Igreja? Se acha isto, talvez a PMM-BH devesse dar aulas a nossos bispos, que em 2006, durante a Semana Nacional da Vida, divulgaram a seguinte mensagem:

"(...) De modo especial salientamos o valor sagrado da Vida Humana, sem nos esquecermos de todas as demais dimensões que esta abrange. Diante de tantos ataques que a Vida vem sofrendo em nossos dias é nossa missão reafirmar sua importância inalienável e inegociável. Ela é o fundamento sobre o qual se apóiam todos os demais valores. Desejamos que todos se empenhem nestes dias nesse sentido."

"Inalienável e inegociável"! Será preciso dizer mais? Será mesmo que alguém, ao ler tais palavras de nossos bispos, que seguem exatamente palavras já emitidas pelo Papa Bento XVI, pode dizer que há abertura para debate em relação à proteção da vida humana?

Por fim, a PMM-BH diz que as pessoas que teceram comentários "abusivos e ofensivos" em relação à entidade poderiam ter dialogado e apresentado críticas construtivas.

Pois bem, parece que a PMM-BH prefere coar um mosquito e engolir um camelo, pois lança uma nota explicativa tentando justificar o injustificável e ainda diz que os críticos foram "abusivos e ofensivos".

"Abusivo e ofensivo" é imaginarmos que uma entidade católica mostre-se aberta ao debate sobre coisa que o Papa e os bispos em comunhão com ele já disseram que é um ponto inegociável. "Abusivo e ofensivo" é chamar de "direito" que uma mãe possa fazer o aborto de uma criança concebida em um estupro, pois não se elimina uma violência cometendo outra violência.

Eu chamo de "abusivo e ofensivo", beirando mesmo a tripudiação com a inteligência de gente séria, que a PMM-BH lance uma nota explicativa sobre a postagem que havia anteriormente indicando um link para que o mesmo texto possa ser lido em outra página. Qual a necessidade disto?

E se a PMM-BH quer mesmo uma crítica construtiva, poderia começar retirando de seu blog a divulgação que foi feita em 23/09/2009 de um evento da militância pró-aborto, exatamente como já mostrado aqui neste blog em postagem anterior.

Se a PMM-BH quiser mais críticas construtivas, que tal começar retirando de seu blog os links para páginas de conhecidas entidades pró-aborto, tais como a Marcha Mundial das Mulheres e IPAS-Brasil, entre outros. O curioso é que não há sequer um link para qualquer entidade Pró-Vida do Brasil ou de fora.

A PMM-BH termina sua nota assim:
"Estamos na batalha pela justiça social, em busca de um mundo mais humano, sem violência contra a mulher, sem exploração. Vamos unir forças, nos manifestar e denunciar as estruturas injustas e tudo que atenta contra a vida."
É bom então a PMM-BH saber que justiça social alguma será alcançada se a morte de bebês ainda no ventre de suas mães for chamada de "direito", pois o direito à vida é o primeiro de todos os direitos. E dentro do "tudo que atenta contra a vida", o primeiro atentado dos dias atuais é exatamente o que é feito contra a vida humana ainda frágil e inocente, a vida do nascituro.

É esta "estrutura injusta" que devemos denunciar em primeiro lugar, mas parece que tem gente que não quer compreender isto.