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sábado, julho 17, 2010

Pastoral Pró-Aborto?


Do jeito que as coisas vão com a Igreja no Brasil é bem capaz que a pergunta acima em pouco tempo deixe de ser apenas um recurso retórico.

Só não vê quem não quer... Há anos muitos vem alertando aos senhores bispos sobre o que anda aprontando Brasil afora muita gente encastelada nas tais pastorais sociais da CNBB, com agendas que nada têm a ver com a missão da Igreja.

Aqui mesmo neste blog já tive a oportunidade de mostrar coisas graves, tais como uma coordenadora nacional de pastoral que deu declarações dizendo-se favorável à descriminalização do aborto. Um ano após este verdadeiro escândalo e tudo continuava na mesma.

O presidente da Comissão Episcopal para Caridade, Justiça e Paz, D. Pedro Luiz Stringhini, reponsável pela pastoral na qual atuava a tal coordenadora (PMM - Pastoral da Mulher Marginalizada), à época do escândalo deu a seguinte declaração:
"O mandato da atual coordenação termina em março e a nova coordenadora terá de ser afinada com a CNBB."
Enganou-se quem quis ser enganado... Parecia que para D. Stringhini o mais importante era o término normal do mandato da coordenadora do que o fato de ela se mostrar em frontal discordância aos ensinamentos católicos em relação a um grave assunto como o aborto.

O resultado desta complacência, desta passividade ao lidar com gente que vai frontalmente contra o que ensina a Igreja é que o problema só faz aumentar. Isto posto, não é de admirar que estejamos novamente frente a um escândalo.

Desta vez, é o braço na arquidiocese de Belo Horizonte da Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM-BH) que vem a público dar declarações contrárias ao que a Igreja ensina sobre o aborto.

Conforme podemos ver em uma postagem no blog da PMM-BH, é lamentada a tramitação no Congresso Nacional do "Estatudo do Nascituro", o Projeto de Lei 478/2007, de autoria dos Deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG). Este projeto pretende reforçar em nossa legislação a proteção necessária aos nascituros, que nos últimos anos vêm sendo alvo de obstinado ataque.

A totalidade das lideranças Pró-Vida no Brasil pronunciou-se favoravelmente a este projeto, iniciativa mais do que bem-vinda nos dias atuais, nos quais Governo, ONGs e o abortismo internacional dão as mãos para legalizarem o aborto no Brasil.

O próprio título da postagem do blog da PMM-BH -- "Direito ao aborto em caso de estupro está ameaçado" -- contém já uma óbvia manipulação, pois o aborto no Brasil jamais foi "um direito", mesmo em casos de gravidez devido a estupro. Segundo a legislação atual, abortos feito por médicos em mulheres vítimas de estupro não são puníveis, o que é bem diferente de se dizer que tal aborto passou a ser um "direito".

O chamado "aborto legal", este eufemismo criando por ONGs abortistas para esconder uma flagrante ilegalidade (mais uma...), não existe. Tampouco existe o tal "direito" ao aborto no Brasil. Aliás, fosse isto um "direito", seria por demais peculiar que ele estivesse elencado entre os "Crimes contra a vida" do Código Penal.

Deixando de lado a parafernália retórica abortista de quinta categoria explicitada já no título da postagem, é para se perguntar por que um blog de uma Pastoral Católica -- É de católicos que estamos falando, não? -- fica a se lamuriar por um projeto que ganhou elogios dos Pró-Vida brasileiros.

O caso é que o blog da PMM-BH nada mais fez que reverberar um comunicado da área da Secretaria de Políticas para as Mulheres, um dos principais órgãos governamentais envolvidos na luta pela liberação do aborto em nosso país. Uma simples busca pelo título do texto revela que ele foi reproduzido pela fina-flor da luta pelo aborto no Brasil: Católicas pelo Direito de Decidir, CFEMEA, IPAS, Observatório da Mulher, etc.

Pergunta-se: o que uma Pastoral faz no meio desta turma?

Se a PMM-BH achou por bem publicar o comunicado lamurioso da Secretaria de Política para as Mulheres, então é forçoso admitir que a pastoral concorda com tudo que ali vai escrito, que é um emaranhado de mentiras ("(...) leva várias mulheres à morte todos os anos") e chavões do onguismo feminista-abortista ("(...) trata de um retrocesso revogar um direito reconhecido à mulher").

E note-se que a humanidade do nascituro não é nem sequer mencionada. Não se toca no assunto! Para a PMM-BH há apenas o "direito da mulher de abortar".

A verdade é que a PMM-BH, como fica claro a quem lê seu blog, vai já completamente dominada por um troço que tem nada a ver com o catolicismo: o feminismo. Basta dar uma checada no blog da PMM-BH para termos certeza disto.

Esqueça-se busca por justiça, por igualdade de direitos políticos, trabalhistas, econômicos, etc.. Isto há muito ficou no passado. O que se tem atualmente é que o feminismo foi tomado por gente cuja única preocupação é incitar ódio de gênero sob a fachada de luta por igualdade. O resultado mais à vista de todos é exatamente que o atual feminismo anda de braços dados com o abortismo internacional.

E é este feminismo mais rasteiro, mais alinhado com o abortismo internacional, que dá as caras no blog da PMM-BH, que serve de caixa de ressonância do abortismo governista ao ir contra o Estatuto do Nascituro. E este posicionamento da PMM-BH é tão estranho, tão afastado do catolicismo, que até mesmo vai frontalmente contra o que diz a Pastoral Familiar da CNBB, que saudou a aprovação do Projeto de Lei:
"A aprovação do Estatuto do Nascituro. A luta foi grande. Pessoas, entidades, ONGs e a Igreja, com grande empenho da Comissão Nacional para a Vida e a Família da CNBB, colaboraram na aprovação do Estatuto do Nascituro. Nossos agradecimentos aos políticos que votaram em favor da vida. Assim, fica mais uma vez comprovado que a vida humana começa na fecundação e que o feto, o embrião, é ser humano e merece toda proteção, cuidado e respeito. Venceu a verdade, venceu a vida, venceu o bom senso."
Ou seja, enquanto uns aplaudem, outros lamentam? Uns querem que os nascituros tenham suas frágeis vidas protegidas e outros nem se importam com seu destino? É isto mesmo? As Pastorais não se entendem e acho que todos sabemos o que acontece com um reino dividido, não?

Ah, mas pode-se pensar que o acontecido no blog da PMM-BH foi apenas um lapso, um deslize. Um simples erro que levou à divulgação de um comunicado do governo abortista, uma coisa impensada talvez...

Será mesmo?

Difícil acreditar nisto quando vemos que em uma postagem no dia 23/09/2009 o blog da PMM-BH divulgava um evento de título "VII SEMINÁRIO GÊNERO EM QUESTÃO: DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS – O ABORTO EM DEBATE".

No cardápio do tal evento, fala de militantes pró-aborto e de ONGs tais como a Marcha Mundial das Mulheres (MMM). Esta ONG, aliás, tem uma já conhecida "parceria" com a Pastoral da Mulher Marginalizada em nível nacional, o que pode ser visto em uma postagem anterior aqui mesmo no blog.

Em suas publicações, a Marcha Mundial das Mulheres não esconde suas intenções:
"Para a Marcha Mundial, a luta pelo direito ao aborto é permanente e fundamental para a construção da autonomia e autodeterminação das mulheres."
Se não bastasse isto, a MMM sente-se tão à vontade que até participa do "Grito dos Excluídos", manifestação capitaneada pela própria CNBB, com direito a pegar assinaturas dos manifestantes a favor da descriminalização do aborto, como bem denuncou Wagner Moura em seu blog.

Fora isto, durante o evento houve também a apresentação do documentário "O fim do silêncio", uma peça produzida para ajudar a luta pelo aborto no Brasil. Este documentário, foi alvo de uma reportagem da Rede de TV Canção Nova. Na reportagem, a diretora do documentário, quando questionada sobre a saúde das crianças abortadas, gaguejou e teve a cara-de-pau de dizer que "E-eu estou falando sobre o aborto. É outro tema.".

É isto que a PMM-BH acha conveniente que uma Pastoral Católica -- É católica, certo? -- divulgue?

"Ah!", mas alguém pode dizer, "Mas a PMM-BH só queria ajudar no debate, colocar-se no lugar do outro, compreendê-lo, etc.". Então é bom que se diga com todas as letras: o direito à vida não é alvo de debates! Este bla-bla-blá relativista serve para nada quando o que está em jogo é a preservação da vida de seres humanos frageis e inocentes.

Não é porque um grupinho se junta para ver filminhos e fingir que debate algo, afetando uma suposta compaixão para com as mães em dificuldades enquanto se lixa para o destino de crianças abortadas, não é por isto que o direito à vida é minimamente diminuído.

Mas que haja um grupo de gente que queira se reunir para buscar as formas mais eficientes de ajudar a luta pelo aborto no Brasil não é de surpreender ninguém. O que é de causar surpresa (ou talvez não...) é que haja uma Pastoral Católica -- É isto mesmo? Católica? -- que se solidarize com isto e até ajude na divulgação. Isto é coisa que foge por completo à normalidade.

Mas esperar normalidade, ao menos a normalidade católica, talvez seja coisa irreal quando se trata da PMM-BH. Basta uma olhada nos sites indicados pelo blog e lá podemos ver um link para a página do IPAS-Brasil. Esta é a ONG que, entre outras coisas, produziu um documentário para capitalizar para a causa abortista o caso do aborto dos gêmeos de Alagoinha. É mesmo uma baita referência para uma Pastoral Católica colocar em seu blog, não?

O que fica claro a todo mundo é que há pastorais que estão completamente dominadas por gente com missão bem diferente da missão evangelizadora da Igreja. E se os senhores bispos não fizerem nada poderemos chegar um dia -- Deus não permita! -- que tenhamos gente tão à vontade em fazer o errado como se fosse certo que a idéia absurda e contraditória de uma "Pastoral Pró-Aborto" seja levada realmente a sério.


2 comentários:

Fausto Ramos disse...

Está aí uma excelente oportunidade para todos os que lerem este post se dirigirem para a página de contato da arquidiocese de BH (http://www.arquidiocesebh.org.br/site/contato.php) e perguntarem se o bispo compartilha o mesmo ponto de vista do blog da pastoral da mulher em relação ao aborto. Gente, vamos fazer uma enxurrada de perguntas! Pelo menos dará um sustinho neles...

Daniel Volpato disse...

A página foi retirada do ar. Porém, nota pedindo desculpas e reafirmando a postura católica sobre o assunto: ZERO!!!

Li que alguém denunciou a página no portal da CNBB, que respondeu e disseram que informariam o Bispo local. Se foi isso mesmo, deu certo. Fica a dica pra uma próxima.