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sexta-feira, março 03, 2006

"Nada de novo sob os céus do Vaticano" - Graças a Deus!

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Um editorial, disponível na página da Rede Feminista de Saúde (clique aqui), reclamou que não há "Nada de novo sob os céus do Vaticano" referindo-se à publicação da Encíclica "Deus caritas est".

Nós só podemos dizer: GRAÇAS A DEUS! A novidade que tais pessoas querem é que suas agendas sejam postas em prática. Melhor sorte na próxima vez, meninas...

O editorial tentou ir pelo caminho de um denuncismo, mas, na verdade, na verdade mesmo, só demonstrou total despreparo na abordagem escolhida e ao insistir em citar as "Confusas pelo Direito de Decidir".

O editorial começa até bem. O primeiro parágrafo e o segundo parágrafo poderiam ser escritos por qualquer pessoa fidelíssima ao Papa e à Igreja.

A partir do terceiro, começam os problemas. Fora a necessidade de uma revisão no texto ("trás" como verbo??), e a citação das "Confusas pelo Direito de Decidir" como se católicas fossem, ainda escorrega um pouco ao falar em retomada... Só haveria uma retomada se houvesse uma perda de rumo, o que jamais aconteceu. Se fossem mesmo católicas, saberiam que o próprio Jesus Cristo prometeu que, em relação à Igreja, "as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Isto significa que não há, segundo as palavras do próprio Cristo, a menor possibilidade que a Igreja por Ele fundada desvie-se de sua missão.

O editorial segue um pouco o caminho de entidades abortistas ao tentar mostrar um conflito entre hierarquia e fiéis. A benção aos relacionamentos heterosexuais não é apenas do "oficialato católico romano", mas de todos os que não caem no discurso que diariamente tentam nos enfiar goela abaixo, seja através de campanhas abertas ou até mesmo através de filmes (vide "Brokeback Mountain", a bola-da-vez). O fato é que os fiéis em sua ampla maioria rejeitam esta empulhação homossexual que tentam impor. Sabendo disto, os abortistas tentam criar controvérsias entre o clero e fiéis, tentando dividir para conquistar.

O editorial reclame que a Igreja "não usa o critério do amor dirigido às pessoas que não se enquadram no padrão heterossexual, nem fala diretamente das questões emergentes que exigem abordagens atualizadas e emergenciais, como AIDS, homossexualidade, violência de gênero, etc.". Vão muito enganadas estas senhoras... A Igreja é uma das poucas instituições que usa do Amor no trato com os homossexuais. O Amor, neste caso, é o verdadeiro, aquele que busca o bem do outro, o Amor que tem necessidade de ser transmitido, o Amor que nos torna preocupados com a situação de um irmão. Isto é bem diferente de apenas se utilizar a palavra "amor" como forma de bandeira para suas causas, é isto exatamente o tipo de distorção semântica de S.S. Bento XVI denunciou na "Deus caritas est". O Amor da Igreja pelos homossexuais é tanto que ela é das poucas instituições que tem a coragem de não ficar passando a mão na cabeça e compactuando com o erro. Isto lhe traz inúmeros inimigos, até mesmo alguns que se disponham a escrever editoriais como estes, mas os cristãos estão neste mundo exatamente para serem o "Sal da Terra".

Continua a editorialista reclamando que S.S. Bento XVI não abordou questões como a AIDS, homossexualidade, etc., que, segundo ela, necessitam de nova abordagem. Bem, o que se pode dizer é que quando a editorialista for a cabeça visível de uma Igreja com 1 bilhão de fiéis, ela pode escrever sobre qualquer coisa que lhe passe pela cabeça. Até então, ela deveria evitar estas toscas tentativas de pautar o que o Papa vai escrever. Isto pode funcionar muito bem para um presidente como o que temos atualmente no Brasil, mas duvido muito que funcione com S.S. Bento XVI.

Provavelmente, a intenção dela nem era pautar o texto de uma encíclica... Era mais "jogar para a galera" os pseudo-argumentos de sempre: AIDS, homossexuais, etc. Mais do mesmo de sempre. Se ela pretendesse mesmo falar sério sobre estas questões deveria divulgar que a Igreja, sozinha, é responsável por 25% do atendimento médico aos atingidos pelo flagelo da AIDS, o que a torna a maior combatente deste mal; ou talvez divulgar que o não vivenciamento da Moral proposta pela Igreja é um dos motivos de agigantamento do problema da AIDS; ou ainda, que uma maior atenção na família como célula da sociedade - tecla tantas vezes batida pelo falecido Papa João Paulo II - resolveria muitos dos problemas de violência de gênero.

O que se vai percebendo no editorial é que ou o mesmo não foi lido ou, se lido foi, sua leitura serviu apenas como pano-de-fundo para as mesmas palavras batidas de sempre, as mesmas cobranças de sempre: "[a Encíclica] nem considera as questões que tocam a vida das pessoas e não fala sobre o lugar das mulheres na doutrina católica". Quer dizer que abordar a importantíssima questão do Amor, fundamento da relação Deus-homem, é não tocar na vida das pessoas? O que se percebe é que, independente da abordagem escolhida, estas senhoras sempre teriam o que reclamar, tais como crianças mimadas que fazem beicinho ao serem contrariadas.

O último parágrafo do editorial é tão interessante que vale até a pena colocá-lo aqui na íntegra:

"Outra questão grave, segundo as Católicas pelo Direito de Decidir, diz respeito ao ecumenismo. Apesar de ser tratado, em muitos momentos, pela Igreja Católica, não há de fato o mesmo amor e acolhimento para com as outras culturas e outras religiões. No item 9 da encíclica o papa confirma sua visão do catolicismo com uma apresentação do seu Deus como único: “verdadeiramente os outros deuses não são Deus... aparece perfeitamente claro que não um deus qualquer, mas o único Deus verdadeiro.”

Ah... O abalizadíssimo e isento juízo das "Confusas pelo Direito de Decidir"! Mais uma pista de que a editorialista não leu coisa alguma da Encíclica. Este é o problema quando damos a um coleguinha o nosso dever de casa: teremos que aceitar qualquer besteira que ele escreva em nosso nome. O problema aqui é que tais pessoas confundem empenho ecumênico, que é um esforço no sentido de buscar pontos em comum, com uma subversão das próprias crenças. Um verdadeiro ecumenismo de forma alguma passa pela aceitação do Credo de uma outra religião. É, na verdade, um esforço pelo diálogo, pelo entendimento. Mais uma vez as "Confusas" deixam claro sua não-catolicidade ao fazerem análises deste tipo.

Dizer que o Papa "apresenta seu Deus como único" é proclamar o óbvio. Não só o Papa professa isto, mas qualquer fiel católico afirma a mesma coisa. Aliás, nem apenas qualquer católico, qualquer cristão afirmará a mesma coisa! Pode ser que a editorialista não saiba o que significa monoteísmo... Seria então o caso de perguntarmos: por que está escrevendo um editorial?

As "Confusas", teólogas brilhantes que são, parecem que se esqueceram da primeira frase do Símbolo niceno-constantinipolitano: "Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis". Se estas senhoras não entendem o que isto significa, o nome "Confusas" cai-lhes muitíssimo bem.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Confusas pelo Direito de Decidir - "Abortando a Igreja"

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As "Advogadas Medrosas", em seu oitavo "medo", disseram-se temerosas porque o Dr. Harada alegou que as CDDs ("Confusas" pelo Direito de Decidir) eram "soi disant" católicas. Elas, porém, alegam que as CDDs são realmente o que dizem ser.

Continue lendo:

https://contraoaborto.wordpress.com/2006/02/24/confusas-pelo-direito-de-decidir-abortando-a-igreja/

Um pouco de humor

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"Como ousas desafiar meu DIREITO de MATAR esta COISA?"

"Ninguém vai impedir que eu faça o que eu quiser com MEU CORPO!"


Compaixão abortista na 36a. semana.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Advogadas medrosas (5)

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Ainda faltam 2 "medos" das advogadas para entendermos.


Medo 8) "EU TENHO MEDO quando o senhor Presidente da Comissão de República e Democracia da OAB SP se refere a entidades da sociedade civil, que militam desinteressadamente em prol da dignidade da pessoa humana, como “soi-disant” católicas, quando de fato o são."

Este é um "medo" muito peculiar... Tão peculiar que nem é preciso demonstrar o ridículo que é tal temor. Será muito mais interessante mostrar o ridículo que é uma entidade utilizar do título de católico apenas como tática para seus objetivos obscuros. Tão peculiar que merecerá um tópico exclusivo neste blog. Neste futuro tópico poderemos ter uma real idéia do "desinteresse" que tal entidade demonstra. Uma coisa podemos dizer com certeza: quem pensa que as "Confusas pelo Direito de Decidir" são católicas deve achar também que existe mesmo um coelhinho da páscoa.


Medo 9) "EU TENHO MEDO quando uma advogada, que se auto-nomina membro da Comissão de Defesa da República e da Democracia da Seccional de São Paulo, considera a manifestação da socióloga Heleieth Saffiotti como ato de agressão, não livre manifestação de sua autora."

Primeiramente, qualquer livre manifestação pode ser um ato de agressão. Uma coisa não exclui a outra. A socióloga, sem se importar em rebater os argumentos do Dr. Harada, o que seria a forma correta de debater, desfia uma série de comentários maldosos e maliciosos, tais como:

- "O Dr. Procurador preferiu discutir a questão no campo religioso, tecendo loas ao Papa João Paulo II, o Papa da morte."

- "João Paulo II conhecia bem a sociedade do espetáculo, tendo-o preparado para seu enterro."

- "a Igreja, exceto no início do cristianismo, sempre se alinhou com os poderosos."

- "Ademais, Dr. Procurador, a história de sua Igreja revela que durante muitos séculos não proibiu o aborto."

Em comum, tais trechos têm a característica de serem fantasiosos, preconceituosos, desinformativos, distorcedores da verdade. É a livre manifestação do pensamento da autora e é, também, um ato de agressão gratuito contra pessoas e instituições, eivado de insinuações maliciosas sem quaisquer fundamentos. Agressão que fica, aliás, mais evidente quando se pensa que a socióloga é professora da PUC-SP.

Agora, perguntemos: de onde vem o "medo" das advogadas? Que uma mulher, uma advogada, venha a público apoiar o Dr. Cícero Harada? Talvez o medo seja ocasionado pela frustração da falta de argumentos que jamais conseguem responder eficazmente. Se a professora Saffioti achou conveniente escrever o que lhe passou pela cabeça, por que as sensíveis advogadas sentiram "medo" apenas quando a Dra. Gisela Zilsch emite sua opinião e classifica a réplica como agressão? Ou seja, a socióloga pode escrever qualquer absurdo enquanto que a Dra. Zilsch não pode nem emitir sua opinião? Curioso isto...

domingo, fevereiro 12, 2006

Advogadas medrosas (4)

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Mais um "medo"...

Medo 7) "EU TENHO MEDO quando o presidente da Comissão da República e da Democracia da OAB destrata e desqualifica a acadêmica Heleieth I.G. Saffioti, uma das maiores intelectuais desta nação, sempre comprometida com trabalhos de temáticas inovadoras, cujos estudos fornecem a quem tem a perspectiva da busca da igualdade, elementos precisos de análise e consciência."

Chamam as advogadas de destrato e desqualificação o fato de o procurador ter rebatido ponto por ponto ao furioso artigo da socióloga? Acusam o Dr. Harada de destratar a professora Saffioti pelo simples fata de ele, utilizando de fina ironia, enfatizar em sua tréplica ser a socióloga "autora de 12 livros"? Mas por que isto caracterizaria um destrato, se a própria professora fez questão de assim assinar a réplica, como que a querer utilizar sua autoridade acadêmica como forma de fundamentação de seus pseudo-argumentos.

A própria professora se desqualificou ao entrar em um debate e vir a público com um texto que em momento algum rebate qualquer dos argumentos expostos pelo seu oponente. É para se esperar mais de uma professora universitária, ainda mais uma que é "autora de 12 livros". Se tais livros seguem o padrão da réplica, é de se espantar que não sejam 120! Deve ser bem fácil escrevê-los...

Já que as advogadas sentiram-se amuadas com o irônico tratamento que a professora Saffioti teve por parte do Dr. Harada, talvez devessem sentir o mesmo quando a socióloga achou por bem (des)qualificar, através de distorção lógica o falecido Papa João Paulo II de "Papa da morte"! E fazendo o mesmo com o atual Papa Bento XVI, ao chamá-lo de "irmão gêmeo, em idéias" do falecido Papa.

Interessante o mundo em que vivem tais advogadas... Utilizar de ironia - fina ironia - como forma de enfatizar a fraqueza da pseudo-argumentação da parte contrária torna-se "destrato" e "desqualificação", enquanto que chamar um Sumo Pontífice, que dedicou sua inteira vida ao bem geral de todos, de "Papa da morte" não causa um pingo de indignação em suas consciências. Em vista disto, fica bem claro quem é que está destratando quem...

Se as advogadas ou por serem amigas da Dra. Heleieth Saffioti ou por serem admiradoras de seus "trabalhos de temáticas inovadoras" acham por bem defenderem a socióloga, que o façam simplesmente de peito aberto, trazendo argumentos. Isto de ficar dizendo-se com "medo" disto ou daquilo é bem deselegante em quem deveria se dispor a debater.

Mais "medos" em futuras entradas.

Advogadas medrosas (3)

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Continuando...


Medo 6) "EU TENHO MEDO quando a diretoria da OAB SP autoriza a publicação de ofício interno de Cícero Harada, dirigido ao presidente, no “mailing list” da OAB, no que parece ser uma atitude de democracia mas que esconde a arbitrariedade do uso do poder, garantindo a quem está na sua estrutura o uso da máquina da instituição."

Vamos listar cronologicamento os fatos.

I) Divulgação do artigo "O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto", de Cícero Harada. Este artigo apareceu na página da OAB-SP em 26/12/2005, porém o mesmo já circulava há dias através de mensagens e em outras páginas, uma das quais é a página do serviço de informações Zenit.

II) Divulgação na página da OAB-SP da réplica ao artigo escrita pela socióloga Heleieth Saffioti, no dia 12/01/2006. Esta veiculação foi motivada por requerimento das mesmas advogadas que assinaram o agora analisado "Eu tenho medo".

III) Publicação da tréplica de Cícero Harada na página da OAB-SP, em 19/01/2006.

IV) Após circulação através de mensagens na internet, aparece o "Eu tenho medo" em uma página, no dia 01/02/2006.


Muito bem, após colocados estes fatos, vamos tentar entender mais este "medo".

Segundo as advogadas, o "medo" vem do fato de a diretoria da OAB-SP permitir a publicação da tréplica do Dr. Harada, o que teria sido uma atitude que "esconde a arbitrariedade do uso do poder". As advogadas, ao fazerem uma tal denúncia, esquecem-se que o artigo da professora Heleieth Saffioti foi veiculado na página da OAB-SP exatamente para atender a um pedido delas próprias. Eis um trecho do requerimento, que pode ser lido na íntegra em "O direito da mulher ao respeito" (clique aqui):

"Como advogadas, requeremos que o artigo da Professora Doutora Heleieth Safiotti seja veiculado, como garantia do exercício da democracia e pluralidade de opiniões, no “mailing list” dessa OAB."

O requerimento foi atendido e o artigo publicado, mesmo sendo uma peça que nada acrescentava de positivo ao debate, pois não respondeu a nenhum dos argumentos dispostos pelo Dr. Cícero Harada, primando muito mais por ataques gratuitos a pessoas e instituições. Ou seja, parece que para as advogadas o exercício da democracia só vai até o ponto em que elas possam publicar a última palavra, mesmo que esta palavra seja um artigo que simplesmente evita contra-argumentar.

O Dr. Cícero Harada, após tomar conhecimento da réplica - bem... da tentativa de réplica - da socióloga, continuou em sua firme posição de debater o assunto. Assim o procurador expressou-se ao presidente da OAB-SP quando do envio de sua tréplica:

"Estabeleceu-se a discussão. Penso que a OAB-SP deveria capitanear esse debate. Ele acende paixões e o debate é da essência da democracia. Defender seus pontos de vista com ardor é próprio do advogado e das partes."

Foi a publicação desta tréplica como forma de dar prosseguimento ao debate que já havia se estabelecido que causou "medo" às advogadas? Onde está a atitude anti-democrática da diretoria da OAB-SP? Quando da publicação do artigo da professora Saffioti elas com muito gosto invocavam a "garantia do exercício da democracia e pluralidade de opiniões"; porém, quando da publicação da tréplica elas bradam que isto lhes dá "medo"?

Medo de que?? Só se for do debate, pois a tréplica do Dr. Harada evidenciou que a contra-argumentação foi totalmente evitada no texto da socióloga.

Mais "medos" na próxima entrada.

Advogadas medrosas (2)

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Continuo tentando entender os "medos" das advogadas...

Medo 3) "EU TENHO MEDO quando a Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo, para corrigir a afronta, marca um culto ecumênico no seu pequeno auditório."

Então a tal "afronta" foi a promoção de uma cerimônia católica? Se foi isto mesmo, que diferença faz se foi Padre Marcelo ou um outro padre qualquer que tenha rezado a Missa? Por que foi dado destaque a isto? Pode-se concluir que as senhoras advogadas estão querendo mesmo é criar simpatizantes aos seus "medos", primeiramente "denunciando" um conflito conservadorismo/progressismo em âmbito católico e agora com esta história de católico/não-católico.

Só se pode dizer uma coisa: que medos bobos estas senhoras têm...

Medo 4) "EU TENHO MEDO quando, desprezando os tratados internacionais assinados pelo Brasil, a Constituição da República, os estudos acadêmicos e a militância política - que procuram romper com valores onde a mulher é mera coadjuvante de um processo social - a Comissão da Mulher Advogada da OAB SP volta-se, quase que exclusivamente, para atividades que reforçam a mulher como coletora de brinquedos, alimentos e roupas, subtraindo-lhe sua capacidade de intervenção política transformadora, não meramente assistencialista."

Este "medo" pode ser colocado na mesma categoria que o primeiro, os únicos que não dizem respeito diretamente à questão do debate Cícero Harada x Heleieth Saffioti. Fica bem claro que isto é apenas cortina de fumaça, com a nítida intenção de angariar simpatizantes.

O que se pode dizer é que se as advogadas sentem-se incomodadas com as atividades da Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP, existem inúmeras formas de reverter esta situação, sem que seja necessário clamar publicamente um "medo" que ninguém entende de onde vem e que na verdade nada mais é que divergências naturais entre membros de uma mesma entidade.

Na página da Comissão estão listadas todas as suas atividades desde janeiro de 2004. Fazendo uma superficial pesquisa nestas atividades, podemos notar que campanhas para arrecadação de brinquedos e agasalhos estão bem distantes de serem "quase que exclusivamente" as atividades da Comissão. As advogadas poderiam deixar um pouco o "medo" de lado e trazer a público os dados que sustentam uma tal declaração e que indiquem desprezo a tratados internacionais, à Constituição, etc. Esta seria uma atitude bem melhor e mais construtiva.

Dizer qualquer coisa qualquer um diz; sustentar uma afirmação é uma história diferente.

Medo 5) "EU TENHO MEDO quando o advogado Cícero Harada, enquanto presidente da Comissão da República e da Democracia da OAB SP, veicula artigo afrontoso à dignidade da mulher, omitindo-se a diretoria da Seccional em publicamente esclarecer que a posição não reflete a da diretoria da entidade."

Quais foram as afrontas à dignidade da mulher feitas no artigo? Quem realmente leu o artigo do procurador Cícero Harada em momento nenhum se depara com qualquer palavra mais ríspida com relação às mulheres, muito menos qualquer palavra que seja afrontosa à dignidade da mulher. Ou as senhoras advogadas não leram o artigo ou não conseguem compreender o que lêem.

Lamentemos a primeira possibilidade, pois não se entende como alguém pode adentrar na aventura de lançar um artigo em tom alarmista como este e nem se dar ao trabalho de procurar ler sobre seus "medos". Imagino que as advogadas viram o artigo da socióloga, leram a frase "Nós não somos tartarugas" (clique aqui) e partiram para a briga às cegas. Saiu pela culatra: em momento algum Dr. Harada faz comparação entre mulheres e tartarugas; isto é coisa que somente a Dra. Saffioti conseguiu ver no artigo.

Lamentemos muito mais a segunda possibilidade, pois enxergar coisas não escritas em um texto é para lá de bizarro. Ou será que só vêem o que desejam? É uma tática para lá de batida ficar posando de vítima desta forma. Creio que tais senhoras poderiam fazer muito melhor se se ativessem ao texto do Dr. Harada, que em momento algum - repito - atingiu a dignidade da mulher.

Mais "medos" na próxima entrada.