/* Google Analytics */ /* Google Analytics */

terça-feira, julho 13, 2010

A instrumentalização do prazer

Há coisas que mesmo que não procuremos acabam caindo em nossas mãos... Procurando dados sobre os candidatos a presidente e a questão do aborto, acabei caindo em um site pró-aborto já conhecido meu.

O singelo nome de "Aborto em Debate" faz parte da conhecida tática pró-aborto para confundir a população, pois se há coisa da qual fogem é de debater seriamente o assunto. De fazer lobby tais grupos entendem, mas mostrar a verdade para a opinião pública acham irrelevante. Se isto fosse mentira, os abortistas não fariam tudo ao seu alcance para lutar contra a CPI do Aborto.

Mas nem o site nem o seu conteúdo são temas desta postagem... A surpresa veio no último comentarista da página que acessei no tal site, que era apenas uma compilação do site G1:


Este comentário, feito pela usuária do Twitter que deu a infeliz declaração, mostra um pouco mais da irresponsabilidade com que ela encara toda a situação.

Em primeiro lugar, a usuária parece não perceber que o que ela chama de "comunidade pró-vida" lida com estas questões -- "bebês anencéfalos" -- há muito, e o ineditismo de sua infeliz postagem no Twitter não é o comentar sobre este tema, mas, sim, que ela tenha qualquer coisa que chame de prazer ao contribuir, por mínimo que seja, para uma coisa que, em última instância, deixará uma morte em seu caminho.

Este é o ponto principal: este raríssimo e infeliz prazer. Uma coisa que causa tanta estranheza até mesmo a quem já está acostumado ao discurso abortista. E olhe que o discurso abortista é coisa de arrepiar, pois varia desde a desqualificação do fruto da concepção como humano até a admissão pura e simples que aborto é mesmo a morte de um ser humano. Varia sempre de acordo com os objetivos imediatos e com a tática mais adequada às situações locais.

E mesmo este discurso abortista, mutante até não mais poder, praticamente passa ao largo de qualquer referência a prazer. Curioso, não? Até mesmo entre abortistas o tal "prazer" é tabu.

Mas igualmente ruim é a tentativa de auto-vitimização, este expediente típico de quem quer apenas confundir o outro para levá-lo a compartilhar sua agenda, escondendo deste último dados que lhes sejam desfavoráveis.

Houve um blogueiro que já alertava para a iminência deste movimento da usuária do Twitter:
"(...) Militantes, em geral, têm a auto-vitimização como parte integrante de seu ser. Assim, ter na manga o Coringa que possibilita a todos dizer “sofri perseguições” é muito conveniente. (...)"
Mesmo sendo postada dia 11, na postagem de Bruno Maia está claro que ele não conhecia o que a usuária estava postando em um site pró-aborto, e, no entanto, ele atingiu na veia o próximo movimento dela.

E qual mesmo foi o "crime" de quem se horrorizou com o prazer inusitado? Este: guardar a imagem de uma postagem pública no Twitter! E também -- Horror dos horrores! -- blogar a respeito disto!

Então ficamos assim: twittar para o mundo inteiro sobre um raro prazer é ok, é fashion, está na moda. Já mostrar o horror que vai embutido no tal prazer é que é "medonho". Então tá.

E tampouco houve, ao menos nas postagens, quem houvesse gasto tempo difamando-a. Ela realmente parece não entender o que nos move: "Amar o pecador e odiar o pecado".

E Bruno Maia, em sua postagem profética vai direto ao ponto da mente militante:
"(...) Especulo que retirar um blog do ar por “motivo de perseguição” é uma grande jogada de marketing. Veja bem, não estou dizendo que a senhorita falou isso ou fará, antes que coloquem isso na minha boca, (talvez ela tenha tirado o twitter do ar devido ao stress que posts polêmicos causam), estou afirmando que é praxe desse pessoal, se ela vai fazer ou não, cabe-lhe a cartada final em fóruns, mídia, revistas, jornais.  Se eu fosse militante, como já fui um dia, seria o Santo Graal sair numa Carta Capital da vida, falando sobre “criminalização dos movimentos sociais”, etc."
Eu, até me deparar com o comentário da usuária do Twitter no site pró-aborto, acreditava mesmo que ela havia fechado o acesso público a seu Twitter por causa do stress. Acreditava que talvez fosse o caso de que a consciência estivesse revendo conceitos, que Deus estivesse agindo.

Os novos desdobramentos, porém, levam-nos a acreditar que estamos na verdade em uma nova fase, a da instrumentalização de toda a confusão. Pois como interpretar que ela alegue, em um site pró-aborto, mantido por conhecida entidade pró-aborto, que tem medo do que pode acontecer com ela ou com sua família?

Onde ela quis debater, as portas lhe foram abertas (aqui e aqui, como exemplos) e ela falhou fragorosamente. Em momento algum alguém lhe fez qualquer tipo de ameaça. Qual é, então, o sentido desta falsa alegação sobre perseguição ou qual o motivo do "medo"?

A verdade é que ela foi apanhada dizendo coisa que abortistas calejados evitam a todo custo, pois isto lhes faz muito mal junto à opinião pública. Juntar ao horror que é o aborto qualquer coisa que se assemelhe a "prazer" é prejudicial para a causa abortista.

Militantes pró-aborto já velhas de guerra são (ou tentam ser, ao menos...) bem mais sorrateiras, como está escrito na revista Estudos Feministas, vol. 0 n° 0 do 2° semestre de 1992:
"(...) o único valor da proposta de lei sobre o aborto com indicação embriopática (...) a partir do ângulo da integridade e autonomia das mulheres, reside no fato de ampliar o leque de possibilidades de abortamento, como etapa tática para alcançar, dentro de uma estratégia de luta, a liberação mais ampla dos casos permitidos na lei para a interrupção da gravidez."
É isto aí... Nada de compaixão às pobres mães de bebês anencéfalos! Nada de atenção ao drama de famílias que passam por este problema! Nada disto! Para os militantes pró-aborto tudo é apenas uma "etapa tática" para um fim bem mais amplo: a liberação total do aborto.

É a instrumentalização pura e simples de casos dramáticos como a gravidez de bebês anencéfalos para servir à causa abortista. E somente isto.

Da mesma forma, alegar perseguições ou temer por si mesma ou por sua família sem qualquer motivo, vai mostrando uma instrumentalização fria de uma coisa que é muito séria.

Pouco depois de postar no site pró-aborto, a senhorita em questão assim escreveu em comentário no blog "Darwinismo":
"Agora, matar um feto quase sem cérebro? Ai que horror. Na cabeça de vocês o feto anencéfalo será serrado, brutalmente assassinado, arrancando-se cada braço, um filme de terror de chocar Cannes. Quanta imaginação."
Ironias rasteiras à parte, ela realmente não sabe como são feitos certos abortos. Ela não tem a menor idéia de como são procedimentos cirúrgicos para abortos (e não só de bebês anencéfalos). Aqui vai uma curta explicação, dada por um médico abortista:

""O cirurgião então introduz o fórceps (...) através dos canais vaginal e cervical (...) Ele então move a ponta do instrumento cuidadosamente até uma das extremidades inferiores do feto e puxa esta extremidade até a vagina (...) O cirurgião então utiliza seus dedos para puxar a outra extremidade, e depois o torso, depois os ombros, e as extremidades superiores. O crânio está fixado mais internamente. O feto é posicionado (...) a coluna vertebral mantida ereta (...) O cirurgião então pega com a mão direita uma tesoura curva Metzenbaum de ponta achatada (...) força a tesoura na base do crânio -- abre a tesoura para alargar a abertura. O cirurgião introduz então um catéter de sucção neste buraco e suga o conteúdo do crânio."

É disto que estamos falando... E é por isto que qualquer prazer não acha lugar de encaixe em qualquer fase deste processo horroroso, seja em uma higiênica sala de cirurgia, na privacidade de um apartamento com pílulas de Cytotec à mão ou nos balcões da Defensoria Pública.

E a única atitude (nada a ver com ameaças) que cabe, ao menos de nossa parte, é rezar, e rezar muito, por todos nós. Pedir misericórdia a Deus por nossos gravíssimos erros que levam ao estado de coisas atual.

Rezar e deixar o Senhor Deus agir, pois só Ele transforma os corações e nós necessitamos muito disto.

2 comentários:

Mats disse...

Bem, essa descrição do aborto é um horror. Como é possível tratarem um ser humano assim?

William Murat disse...

Pois é, caro Mats...

Uma das primeiras coisas que tentam é desumanizar o fruto da concepção.

E ainda querem que o aborto seja encarado como algo caridoso...

[]'s