/* Google Analytics */ /* Google Analytics */

quinta-feira, abril 03, 2014

O homem que jogou fora o Prêmio Nobel

0 comentários ###
Dr. Jérôme Lejeune e pacientes
Eis um breve trecho do livro "Poder Global e Religião Universal", escrito pelo Monsenhor Juan Claudio Sanahuja, publicado pela Editora Ecclesiae.

***

"A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence — a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Essa atitude nos fará cair na opção do mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.

Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jérôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejeune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a 'trissomia do 21', e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética Fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.

Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o malminorismo que infectou os católicos da França; estes supunham que cedendo ao aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isto e, mais ainda, longe de frear males maiores, o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total deste crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.

Também em 1970, participou de uma reunião da OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial de Saúde, que disse: 'eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte'. Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo:: 'Hoje eu joguei fora o Prêmio Nobel'. Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim mais poder influir.

João Paulo II, em sua carta ao Cardeal Jean-Marie Lustinger, então arcebispo de Paris, por ocasião da morte de Lejeune, disse:
'Como cientista e biólogo era um apaixonado pela vida. Ele se tornou o maior defensor da vida, especialmente a vida dos nascituros, tão ameaçada na sociedade contemporânea, de modo que se pode pensar que seja uma ameaça programada. Lejeune assumiu plenamente a particular responsabilidade do cientista, disposto a ser um sinal de contradição, ignorando a pressão da sociedade permissiva e do ostracismo do qual era vítima'."

***

Dr. Lejeune, cientista de raro talento, sofreu na pele por sua defesa da vida humana nascente. Em um momento chave de sua carreira, ele teve a plena consciência de que estava deixando de lado a maior glória mundana que existe para um cientista, o Prêmio Nobel. Nem por isto ele deixou de lado suas convicções, seus princípios. Ele escolheu jamais perder o seu sabor, escolheu ser o Sal da Terra.

Que as atitudes de Dr. Lejeune frente ao mal nos sirvam de lição para o tempo presente em que tantos pedem aos cristãos que aceitem mudanças que são totalmente contrárias não apenas às nossas convicções, mas à própria Lei Natural, a lei que está inscrita no coração de cada um de nós. Que a tentação do malminorismo não encontre espaço em nossos corações, pois a defesa da vida humana necessita de pessoas conscientes de que não se negocia com a vida dos frágeis e inocentes.

Amar e ser amada: a escolha de Elizabeth Joice

0 comentários ###
Elizabeth, Max e a pequenina Lily
Elizabeth Joice, uma novaiorquina, foi diagnosticada com câncer em 2010. Após cirurgia e tratamento quimioterápico, ela foi dada como curada da grave doença. 

Vencida esta barreira, Elizabeth e seu marido Max -- ele a propôs em casamento no dia em que ela recebeu os resultados indicando a doença -- decidiram ter um filho. Os médicos, porém, disseram-lhes que seria virtualmente impossível que ela engravidasse. Mas, como aconteceu com o câncer, sua luta deu resultado e no verão norte-americano de 2013 Elizabeth e Max anunciaram a amigos e parentes que eles estavam grávidos. Desnecessário dizer que a alegria de todos foi imensa.

Apenas um mês depois do feliz anúncio, Elizabeth foi informada por seus médicos de que o câncer havia retornado. Ela e seu marido estavam agora diante de uma difícil escolha: abortar a criança e iniciar imediatamente o tratamento ou adiar o quanto possível o tratamento para preservar a vida de sua filha em gestação.

Elizabeth decidiu adiar o tratamento e dar uma chance à sua filhinha. "Ter um filho era uma das coisas mais importantes no mundo para ela", declarou Max ao jornal New York Post.

Apesar de marcada para o início de março, a cesariana que trouxe sua filhinha Lily à luz teve de ser feita em janeiro, pois Elizabeth precisava o quanto antes entrar em tratamento. Cinco dias após o parto, Elizabeth foi para casa e passou lá sua única noite junto a Max e Lily em sua residência, pois depois ela teve que ir para o hospital iniciar o difícil tratamento.

Infelizmente, já era tarde demais. O câncer havia voltado de forma violenta e Elizabeth Joice veio a falecer no dia 9 de março. Max estava ao seu lado. Ele disse isto de sua falecida esposa:
"Ela tinha esta energia positiva que nos fazia ser o melhor que pudéssemos. Ela não tolerava auto-piedade."

***

O exemplo de Elizabeth Joice, que deu sua vida pela vida de sua filha, mostra-nos do que são feitas as mães. Ela foi uma heroína, tais como foram Stacie Crimm, Edivaine Cristina e Lorraine Allard.

Em uma época em que tantas mulheres pensam que expor seus corpos equivale a protestar, em que o aborto é buscado como um "direito humano", são exemplos como o de Elizabeth Joice e tantas outras mães e pais que se sacrificam diariamente por seus filhos, chegando até um sacrifício extremo como no relato que aqui se pode ler, que nos mostram que a melhor resposta aos ataques à vida humana é mostrar que fomos feitos para amar e para sermos amados.



segunda-feira, março 31, 2014

Legalização da prostituição - o Brasil na vanguarda do atraso

0 comentários ###
Recentemente vazou ao público a versão provisória de um documento da Anistia Internacional no qual esta entidade posiciona-se explicitamente favorável à legalização da prostituição. 

Não se pode dizer que esta opção da Anistia Internacional cause surpresa. Na verdade, é exatamente o contrário. Apenas para listar um único exemplo, a Anistia Internacional alinha-se ao abortismo internacional e nos dias atuais é defensora do aborto sob o conhecido eufemismo dos "direitos reprodutivos femininos". É o que também acontece com outras entidades, tais como a UNESCO, a UNICEF e inúmeras outras.

Pois bem, as maiores críticas ao documento vazado vieram de entidades de mulheres que foram resgatadas do abismo da prostituição. Pois é! Quem vai de encontro ao que pensa a Anistia Internacional sobre o assunto são aquelas mulheres que passaram pelo horror e degradação da prostituição. São aquelas que passaram pelas humilhações e maus tratos de seus cafetões, que passaram pelos abusos físicos de "clientes", sendo sempre tratadas como meros objetos em troca de dinheiro. 

Claro que existem entidades feministas que compartilham da mesma agenda da Anistia Internacional em relação à legalização da prostituição. Sobre tais entidades e sobre o que elas defendem, vejamos o que escreveu Robin Morgan, uma conhecida feminista norte-americana e militante anti-prostituição:
"Por 50 anos as organizações de mulheres ao redor do mundo têm lutado contra a compra e venda de seres humanos, coisa que tem nome: escravidão. Há décadas as feministas buscam a criminalização dos clientes ao mesmo tempo que procuram a descriminalização das mulheres que são prostituídas; oferecem a tais mulheres apoio que vai do simples acolhimento até programas de reabilitação de drogas ou educação profissional; e buscam também o endurecimento de leis que criminalizam cafetões, traficantes de pessoas e donos de bordéis. 
A resposta a estas iniciativas foi que nada disto funcionaria (e que feministas eram puritanas loucas e anti-sexo).
A indústria do sexo contra-atacou, tanto abertamente -- 'É a profissão mais velha do mundo. Isto sempre aconteceu'; representa a 'liberação sexual' -- e também por debaixo dos panos através do financiamento de grupos do tipo 'prostitutas são felizes', renomeando a prostituição para 'trabalho sexual' e louvando-a como uma escolha de carreira como outra qualquer. Alguém já encontrou alguma menina de 8 anos que tenha dito 'Quando eu crescer quero ser prostituta'?"
É bom que se diga que Robin Morgan não tem nada de conservadora. Esquerdista, ela apóia, entre outras coisas, o direito ao aborto. Isto dá bem a idéia do absurdo ao qual a Anistia Internacional ensaia dar seu amplo apoio, pois até mesmo feministas que estão na mesma trincheira vem denunciando tal posição.

Sobre a denominação de "trabalhadoras do sexo", termo que vem sendo muito utilizado no Brasil, Robin Morgan tem as seguintes palavras:
"(...) o termo 'trabalhadora do sexo' virou moda entre pessoas bem-intencionadas, que assumem que este signifique respeito às mulheres envolvidas nesta situação, mas isto na verdade significa aprovação ao contexto em que tais mulheres tentam ao menos manterem-se vivas ou do qual vem tentando escapar."
As críticas ao documento da Anistia Internacional vieram de inúmeras entidades. Uma delas protestou contra o documento dizendo que este teria a finalidade de criar um suposto "direito de os homens comprarem sexo".

Não posso deixar de dizer o quanto o cheiro de ironia no ar é forte quando se vê esta briga de feministas contra feministas por causa de um assunto que deveria ser consenso. Enquanto um grupo chama a prostituição de "estupro pago" o outro diz que o ato de prostituir-se pode ser encarado como empoderamento da mulher, como mais uma etapa de sua libertação do jugo machista da sociedade. Que coisa, não? O duplipensar destes grupos vai tão longe que chegam a chamar a prostituição de estupro ou libertação. Isto mostra bem como vai indo o movimento feminista atual.

E o que acontece por aqui no Brasil? Como sempre, somos a vanguarda do atraso. O tristemente famoso deputado Jean Wyllis -- aquele mesmo que não teria votos para ser síndico de seu prédio, mas que nosso ultrapassado sistema eleitoral permitiu-lhe ter vaga no parlamento --, continuando com seu objetivo de BBB-ização da política nacional, vem lutando pela legalização da prostituição no Brasil. O mínimo que se pode dizer é que tal causa merece tal porta-voz.

No Brasil, segundo vem aparecendo na imprensa, as associações de prostitutas vêm se mostrando favoráveis à legalização da profissão. Em um país viciado em Estado como o nosso, até as prostitutas são levadas a crer que a legalização da profissão a tornará isenta de seu estigma, como parece acreditar Cida Vieira, presidente da Associação de Prostitutas de Minas Gerais:
"A partir do momento que for legalizada, a prostituta vai ver que é uma profissão como outra qualquer e isso vai ajudar a diminuir a discriminação."

É exatamente neste momento, quando uma Cida Vieira quer crer -- e também levar os outros a isto -- que a prostituição é uma "profissão como outra qualquer", que a frase fictícia colocada por Robin Morgan na boca de uma garota de 8 anos -- "Quando eu crescer quero ser prostituta" --  faz todo o sentido. Alguém acha mesmo que esta frase será algum dia dita com a mesma naturalidade em relação a outras profissões, como as de médica, advogada e professora?

Enganam-se, e enganam-se conscientes disto, tais prostitutas e associações. E são enganadas por políticos que apenas desejam seus votos, tais como um Jean Wyllis, que se aproveita da questão para vender esperanças a quem tenta se agarrar a qualquer fio de esperança.

Porém, não é a legalização da prostituição que dará dignidade às mulheres que estão nesta vida. Todas têm a dignidade de filhas de Deus e devem lutar para saírem deste abismo de abusos e humilhações diárias, coisa que dinheiro algum pode pagar. E os políticos, ONGs e outras entidades fariam muito melhor se procurassem meios proporcionar que tais mulheres tivessem ajuda para buscar meios dignos de sustento, meios que não impliquem serem tratadas como objetos nas mãos de homens inescrupulosos. 


-----
Fonte: Does Amnesty International want legal prostitution?

segunda-feira, março 24, 2014

O horror do aborto: corpos de bebês utilizados até como combustível para sistema de aquecimento

0 comentários ###
Conforme divulgado pelo site Libertad Digital, o canal inglês Channel 4 divulgou uma reportagem na qual é mostrado como nos últimos anos os corpos de milhares de fetos abortados foram incinerados junto ao lixo hospitalar de vários hospitais do Reino Unido. Até o momento as informações são que isto aconteceu com mais de 15.500 corpos de fetos nos últimos 2 anos. Muitos destes corpos foram utilizados até mesmo como combustível para o sistema de aquecimento destes hospitais.

Aos pais que abortaram seus filhos informava-se que os corpos eram incinerados separadamente, mas na verdade incineração ocorria junto aos resíduos comuns dos hospitais.

Uma notícia como esta é mais um item no já extenso rol de bizarrices da indústria do aborto. Não há surpresa alguma aqui, pois quem nega a dignidade a cada um destes pequeninos seres humanos quando ainda vivos por que lhes daria qualquer dignidade após a morte?

Isto mostra o nível de depravação que há na indústria do aborto, onde qualquer traço de humanidade é negado aos nascituros. E que não se pense que entre os hospitais participantes de toda esta nojeira estão hospitais de pouca importância. Não mesmo. Para se ter uma idéia, entre os hospitais envolvidos nesta prática está o reconhecido Addrenbroke´s Hospital, ligado à prestigiada Universidade de Cambridge.

Tampouco se pense que isto que agora vem à tona é apenas um ponto fora da curva. Aqui mesmo neste blog já tivemos oportunidade de mostrar como bebês abortados que nascem vivos são abandonados à morte em hospitais da Grã-Bretanha, uma coisa de gelar o coração dos mais indiferentes. Em outro caso, uma mãe foi obrigada a assistir, impotente, à morte de seu filho nascido prematuramente, apenas porque seu tempo de gestação não lhe dava direito a qualquer atendimento médico segundo o protocolo vigente naquela nação.

Quem quiser ver o abismo ético em que vai se jogando a medicina da Grã-Bretanha, basta dar uma lida rápida em um artigo aqui no blog publicado em 2009: "Uma espiada no Inferno". Lá alguém poderá concluir que usar corpos de fetos para aquecer hospitais não parece ser qualquer problema por lá há muito tempo.

quinta-feira, março 13, 2014

João Helio, Ana Clara, Yorrally... E vamos aqui aguardando a próxima vítima

0 comentários ###
João Helio - assassinado em 07/02/2007
Há 7 anos, mais precisamente no dia 07/02/2007, o menino João Helio, aos seis anos de idade, foi arrastado por vários bairros do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, preso pelo cinto de segurança do automóvel de sua mãe que havia sido roubado. 

Justificadamente, houve comoção nacional com a tragédia. Manchetes foram escritas, especialistas em Segurança Pública foram ouvidos, sociólogos foram entrevistados, etc. Como a atrocidade aconteceu perto da época do Carnaval, chegou-se ao ponto de algumas escolas de samba "homenagearem" João Helio através de cartazes nos desfiles, de coreografias... Claro, nada como se mostrar solidário com o drama vivido pelos familiares do menino antes de cair no samba, não é mesmo? Nossa cara-de-pau parece não ter limites...

Mas no meio de toda esta pantomima, tão comum entre nós sempre que acontece uma tragédia de tal porte, havia também uma indignação sincera da população contra um crime tão bárbaro cometido contra uma criança. Somava-se a isto o fato de entre os bandidos haver um rapaz ainda menor de idade, e a população sabe bem o que isto significa: impunidade, mesmo para os crimes mais hediondos que se possa imaginar. 

Como era natural, o tema da redução da maioridade penal voltou a surgir, pois sequer imaginar que alguém possa participar de um crime como aquele e sair impune após meros 3 anos de medidas sócio-educativas é para revoltar qualquer um. Como era também natural, naturalíssimo até, os suspeitos usuais vieram a público para, do alto de seus pedestais, dar o alerta para o perigo de uma precipitação em relação ao assunto, para o risco de nos deixarmos levar pelo calor do momento. Houve até quem dissesse que pensar em tal assunto naquele momento fosse sinal de barbaridade. Foi isto o que declarou à época o sociólogo Ignacio Cano:
"Isso seria uma resposta bárbara a um crime bárbaro que só faria aumentar a espiral da barbárie. Vejo nisso uma repercussão excessiva, apesar do caráter extremamente perturbador do crime, um raciocínio primitivo porque as pessoas estão reagindo emocionalmente. Tentar extrair políticas públicas de um caso extremo como esse é demais.”
Pois é... Para o professor Cano, bárbaros somos nós que nos indignamos que um rapaz possa participar do trucidamento de um menino de 6 anos e passar apenas 3 anos em repouso em uma unidade correcional, boa parte deste tempo provavelmente em regime semi-aberto. O sociólogo faria bem melhor em explicar a nós mortais como a "espiral da barbárie" poderia aumentar quando apenas se deseja que os culpados cumpram penas de acordo com a natureza de seus crimes. E faria mais bem ainda se nos ensinasse como um criminoso cumprir apenas 3 anos de medidas sócio-educativas, após tratar uma criança com menos dignidade do que a devida a um animal, fará para diminuir a tal "espiral da barbárie".

Na verdade, o que aconteceu mesmo com a "espiral da barbárie" -- para continuar a utilizar o vocabulário do professor -- foi que o menor de idade cresceu, atingiu a maioridade e a última notícia que se tem dele é que voltou a cometer crimes, sendo autuado por posse ilegal de arma de fogo, tráfico e corrupção. Ao que parece, a "espiral da barbárie" não segue os ditames de certos especialistas. 
Ana Clara, queimada viva em 03/01/2014

Na verdade, a barbárie vinda dos bandidos continua recrudescendo: no dia 3 de janeiro deste ano, a menina Ana Clara e mais outros 5 passageiros ficaram queimados após o ônibus em que seguiam ser parado e incendiado a mando de encarcerados no sistema prisional do Condado dos Sarneys, também conhecido como estado do Maranhão. Com 95% de seu corpo queimado, Ana Clara, também de 6 anos de idade, como João Helio, não resistiu aos graves ferimentos, vindo a falecer 3 dias após o ataque.

Segundo informações, dos seis detidos acusados de participação no crime, dois são menores de idade. Alguém está mesmo surpreso com isto? Como os bandidos, bem ao contrário de certos sociólogos, sabem muito bem detectar as mensagens que a realidade lhes passa, a utilização de menores em tais tipos de ataques é cada vez maior, pois eles sabem que a pena na eventualidade remota de alguém ser preso será muito branda, totalmente desproporcional ao crime praticado. Você sabe que um país está sem rumo quando os bandidos são mais realistas que os sociólogos, poderia alguém dizer...

Mas como a barbaridade não encontra freio em nossa Justiça ou nas políticas públicas, ontem fomos brindados com a notícia de que um "menino" de 17 anos e 364 dias de idade assassinou friamente Yorrally, de 14 anos, sua ex-namorada, com um tiro no olho. Não satisfeito, o "menino", do qual eu não posso sequer citar o nome, gravou seu crime e o enviou aos seus amigos. 

Yorrally Ferreira
No primeiro quadro, um frame do vídeo feito
pelo ex-namorado mostrando o assassinato

Premeditação, motivo fútil, falta de remorso, etc. Dá para se pensar em um monte de agravantes para o crime cometido pelo "menino", mas nada disto adiantará, pois ele passará no máximo 3 anos de sua vida em medidas sócio-educativas e depois poderá sair para conhecer outras meninas e, quem sabe?, novas vítimas. Tudo com a conivência de muita gente bem pensante.

Há 7 anos morria João Helio. Há alguns poucos meses morreu Ana Clara. Há um dia morreu Yorrally. E muitos outros morreram em crimes cometidos por menores de idade. E aí? Será que agora podemos rever a legislação referente à maioridade penal ou será que ainda estamos "reagindo emocionalmente"? Ou será que estamos contribuindo para aumentar a "espiral da barbárie"? Quando será que teremos a permissão para nos indignar sem que sejamos nós os bárbaros?

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Zion Isaiah Blick: lição de amor e eternidade em 10 dias

0 comentários ###

Onde foi que perdemos a verdadeira alegria? Onde deixamos nossa capacidade de nos emocionarmos com o que realmente importa? Em uma sociedade em que tanta gente -- muitos, aliás, que sequer têm a desculpa da ignorância -- acha lindo a TV glamourizar um comportamento anti-natural e anti-família, tudo sob o falso prazer de se sentir progressista, talvez cause espanto o exemplo de Robbyn e Josh Blick e de seu pequenino filho Zion, que mostra a quem quiser ver o que é realmente que importa.

Esperar contra toda a esperança é típico dos crentes, como o patriarca Abraão, e foi o caso do casal Blick quando exames feitos na 20a. semana de gestação mostraram que seu filho Zion Isaiah era portador de Trissomia 18 (Síndrome de Edwards). Mesmo com os médicos lhes dizendo que a doença de seu filho "não era compatível com a vida", o casal Blick decidiu esperar em Deus, o Senhor de toda a vida. "Nossa escolha é sempre pela vida e por dar ao nosso filho uma chance" -- disse Robbyn Blick.

Zion e sua mãe, Robbyn
A escolha pela vida nunca falha e Zion foi ultrapassando os obstáculos. Primeiro os médicos diziam que ele poderia morrer durante a gestação, o que não ocorreu. Depois disseram que ele poderia morrer durante o parto, o que também não aconteceu, e Zion veio à luz em 11/01/2014, para alegria de seus pais, familiares e amigos, de todos nós!

Depois do parto, os médicos disseram a seus pais para que se preparassem para apenas alguns minutos com ele, mas Zion manteve-se em luta, como que agradecendo pela escolha de seus pais. Familiares e amigos foram ao hospital para visitar o pequenino Zion (tinha apenas 2 Kg) e Zion foi mantendo-se entre nós, apesar de sua grave doença. 

Foi uma grande graça quando Robbyn e Josh puderam levar seu "pequenino milagre" para casa, onde seus outros quatro filhos rezavam para que seu irmãozinho pudesse sair do hospital e ir para junto deles.

Zion esteve entre nós por 10 dias, falecendo em 21/01/2014, de forma calma e pacífica, rodeado por seus familiares, que tanto o amaram nestes poucos dias e que se sentiram também profundamente amados por ele e por sua luta pela vida, uma vida que anda tão desvalorizada atualmente.

Pena que a sociedade, tão embevecida em si mesma, tão sem tempo para os valores que realmente importam, prefere dar ouvidos àqueles que lhe querem arrastar para o abismo moral no qual a relativização da vida nascente é apenas o primeiro passo para destruir nossa própria humanidade. E uma vida como a do pequenino e enfermo Zion, lutando contra tantas dificuldades e que em apenas 10 dias teve um impacto tão profundo em tantas pessoas, mostra que não é o tamanho de uma pessoa ou a longevidade de sua vida que conta, o que conta é a própria vida, este dom precioso que recebemos do Senhor Deus.


Zion Isaiah Blick, R.I.P.
* 11/01/2014
+ 21/01/2014

-----

sábado, dezembro 14, 2013

"Gimme Shelter" - Mais um filme pró-vida para os críticos odiarem

0 comentários ###
"Gimme Shelter" é um novo filme com temática pró-vida que chegará aos cinemas norte-americanos em 24 de janeiro de 2014. Baseado em fatos reais, traz a história de uma jovem de 16 anos que se torna sem-teto após abandonar sua casa devido à péssima relação que tinha com sua abusiva e viciada mãe. Vivendo nas ruas, onde engravida, e vendo-se sem alternativas, a jovem procura abrigo com seu pai que sempre esteve ausente de sua vida. Este, um bem sucedido financista, a pressiona a fazer um aborto. A menina chega a ir até à clínica, mas foge.

Após colocar sua vida e a vida de seu bebê em perigo, ela tem um encontro com o capelão do hospital onde estava internada e este a encaminha para um abrigo onde adolescentes grávidas e sem teto são acolhidas. No trailler abaixo, dá para se ter uma idéia da mensagem forte que este filme nos passa.

Mas a história não é apenas a generalização de uma realidade por nós já conhecida, ela é baseada em fatos reais. O abrigo para jovens sem-teto e grávidas no qual se baseia o filme, foi fundado por Kathy DiFiore, que em 1981 sentiu que em sua vida, apesar do sucesso profissional como executiva em Wall Street, ainda havia um grande vazio espiritual. Kathy sentiu-se inspirada a fazer algo mais concreto pelo próximo ao se aprofundar mais na vida de São Francisco de Assis e resolveu acolher uma adolescente grávida e sem-teto em sua própria casa. Foi o começo de tudo e então ela soube que esta era sua missão.

Em 1984, porém, Kathy foi multada pelo estado de New Jersey por ser responsável por uma entidade sem a documentação adequada.  Ela argumentou com o governador que apenas utilizava sua casa como abrigo para as jovens necessitadas, mas isto não bastou e a multa deveria ser paga. É a própria Kathy DiFiore que explica como a questão foi resolvida:
"Durante minhas preces matinais, eu ouvi uma voz que me dizia 'Entre em contato com Madre Teresa de Calcutá'. E foi o que fiz. Eu conhecia alguém que trabalhava em uma de suas obras de caridade e ele me colocou em contato com ela. Ela então disse que iria me ajudar. Um dia ela encontrou-se com o governador e o convenceu para que eu conseguisse levar minha missão à frente."
Kathy DiFiore e Madre Teresa

No anos seguintes o projeto de Kathy cresceu e tornou-se o Several Sources Shelters, uma rede de cinco abrigos em New Jersey nos quais já foram salvas milhares de vidas de bebês que corriam risco de serem abortados e também suas mães foram ajudadas a passar por este momento de crise dando-lhes o necessário apoio, educação e aconselhamento para a nova realidade de suas vidas.

Não dá para saber ainda se este filme chegará ao Brasil, mas é de imaginar que se depender de certos críticos de cinema isto não vá mesmo acontecer. De qualquer modo, um filme como "Gimme Shelter" e o tocante exemplo de Kathy DiFiore mostra que o que muitos chamam de "escolha" é na verdade, na maioria das vezes, uma mulher que se vê pressionada por pessoas ou circunstâncias a tomar uma atitude que a marcará por toda a vida e da qual poderá ser tão vítima quanto seu filho abortado.