/* Google Analytics */ /* Google Analytics */

quinta-feira, outubro 25, 2007

Sérgio Cabral Filho e o aborto - II

0 comentários ###
3) "Sou favorável ao direito da mulher de interromper uma gravidez indesejada. Sou cristão, católico, mas que visão é essa? Esses atrasos são muito graves."

Esta visão é a da Igreja em sua milenar existência na Terra. Ou bem o governador é favorável ao aborto, ou é cristão católico. Uma coisa exclui a outra, necessariamente. Se o governador é católico, então deve conhecer o que o saudoso Papa João Paulo II escreveu na Encíclica "Evangelium Vitae":

"
A vida humana é sagrada e inviolável em cada momento da sua existência, inclusive na fase inicial que precede o nascimento."

Onde está o atraso? Onde está a visão errada? Onde a gravidade desta posição? Talvez Sérgio Cabral Filho se ache mais católico que o Papa...

O falecido Papa João Paulo II escreveu também um outro trecho que se encaixa perfeitamente no "católico" Sérgio Cabral Filho:

"Uma responsabilidade geral, mas não menos grave, cabe a todos aqueles que favoreceram a difusão de uma mentalidade de permissivismo sexual e de menosprezo pela maternidade, como também àqueles que deveriam ter assegurado — e não o fizeram — válidas políticas familiares e sociais de apoio às famílias, especialmente às mais numerosas ou com particulares dificuldades económicas e educativas."

O governador dizer-se católico é muito fácil... Muitos fazem o mesmo: estão aí as "Católicas pelo Direito de Decidir" como exemplo clássico de propaganda enganosa. O governador vai pelo mesmo caminho; no caso, quer ir abertamente contra o 5o. mandamento -- "Não matar" -- e ainda posar de católico.

Se ele quer tentar enganar a si mesmo dizendo-se católico, fique à vontade Só não espere que alguém acredite em uma asneira destas.

***

Resumindo, a fala do governador do Rio de Janeiro é um desastre completo, do início ao fim. Nada se salva. É o discurso botequinesco de quem está mais acostumado a soltar bravatas do que a refletir. É o estilo Lula de pensar nos problemas.

Sérgio Cabral Filho e o aborto - I

0 comentários ###
O governador do RJ, Sérgio Cabral, concedeu entrevista ao portal G1, na qual podemos ler o seguinte trecho:

"G1 – Mas o Brasil não consegue dar conta do mosquito da dengue. Teremos condições de resolver essa questão das drogas?
Cabral - O Brasil não dá conta do câncer. Não dá conta dos que necessitam de CTIs. Não dá conta de um monte de coisas. Se for partir para isso... São duas questões que têm a ver com violência: uma é a questão das drogas que é mais internacional. O Brasil deve contribuir. A outra, é um tema que, infelizmente, não se tem coragem de discutir. É o aborto. A questão da interrupção da gravidez tem tudo a ver com a violência pública. Quem diz isso não sou eu, são os autores do livro "Freakonomics" (Steven Levitt e Stephen J. Dubner). Eles mostram que a redução da violência nos EUA na década de 90 está intrinsecamente ligada à legalização do aborto em 1975 pela suprema corte americana. Porque uma filha da classe média se quiser interromper a gravidez tem dinheiro e estrutura familiar, todo mundo sabe onde fica. Não sei por que não é fechado. Leva na Barra da Tijuca, não sei onde. Agora, a filha do favelado vai levar para onde, se o Miguel Couto não atende? Se o Rocha Faria não atende? Aí, tenta desesperadamente uma interrupção, o que provoca situação gravíssima. Sou favorável ao direito da mulher de interromper uma gravidez indesejada. Sou cristão, católico, mas que visão é essa? Esses atrasos são muito graves. Não vejo a classe política discutir isso. Fico muito aflito. Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal. Estado não dá conta. Não tem oferta da rede pública para que essas meninas possam interromper a gravidez. Isso é uma maluquice só."

A quantidade de besteiras apenas nesta resposta indica a mediocridade do governador para tratar grandes questões. O primarismo de Cabral Filho é parecido com o que se espera de quem tente lidar com este tema em um botequim, no qual a seriedade das opiniões é inversamente proporcional à quantidade de álcool ingerido. A rasterice de seus pseudo-argumentos não se sustentam à mais leve brisa.

Apesar da superficialidade com que trata o tema, o governador parece ter particular gosto pelo mesmo. Logo no início de seu governo, ele abordou o tema, merecendo o elogio do jornalista Gilberto Dimenstein, e que já foi abordado neste blog (clique aqui). Dimenstein, então, chamou Sérgio Cabral Filho de "corajoso". Ah, a mútua atração dos medíocres...

A verdade é que a resposta de Cabral Filho é um emaranhado de idéias pessimamente fundamentadas e que têm em comum apenas a superficialidade, coisa que parece ser a marca registrada do governador. Mas o governador pode ficar tranqüilo, pois mediocridade, superficialidade, rasteirice faz parte do pacote básico de um bom abortista.

Seu discurso é tão trôpego que dificulta sobremaneira uma análise. Salta aos olhos de quem o lê a falta de unidade mínima nas idéias. É o discurso bêbedo de quem não gastou 2 segundos no tema.

O governador merece ser respondido por partes.

1) "A questão da interrupção da gravidez tem tudo a ver com a violência pública. Quem diz isso não sou eu, são os autores do livro "Freakonomics" (Steven Levitt e Stephen J. Dubner). Eles mostram que a redução da violência nos EUA na década de 90 está intrinsecamente ligada à legalização do aborto em 1975 pela suprema corte americana."

Aparentemente o governador fez uma boa argumentação, citando a fonte e tudo mais. Coisa de nível acadêmico mesmo. A tese de Steven Levitt vai muito citada aqui no Brasil e muitos imaginam que o norte-americano demonstrou sem quaisquer sombras de dúvida a íntima relação entre aborto e violência.

Nada mais enganoso... Quem compra o peixe que Levitt quer vender sem procurar saber mais sobre sua procedência, corre o risco de ficar com um best-seller na mão e pensar que ali estão todas as respostas para os problemas atuais. Saiba o governador que a tese de Levitt não é a unanimidade que ele pensa que é. Cientistas de renome já torceram o nariz para suas conclusões e alguns até mesmo criticaram fortemente a metodologia utilizada no "paper" que serviu de base para o texto que apareceu em "Freakonomics".

Em um post antigo neste blog (clique aqui), no qual um "mestre" também citou a tese de Levitt, escrevi assim:

"Sr. Kappaun, o "mestre", "esqueceu-se" de ir atrás de outras fontes que contestam a tal demonstração de Steven Levitt. Fizesse ele um pouquinho de esforço, uma simples pesquisa no Google ou coisa parecida, ele saberia que vários pesquisadores contestaram as afirmações do Sr. Levitt e não acharam a tal relação entre aborto e criminalidade. Alguns outros pesquisadores apontaram para o fato de a queda da criminalidade coincidir com o domínio das autoridades policiais sobre a praga do "crack", que grassou entre os jovens nas maiores cidades norte-americanas. Cientistas como Theodore Joyce (National Bureau of Economic Research) e Alfred Blumstein (Criminologista - Carnegie Mellon University) vêem nenhuma ou bem pouca influência da legalização do aborto. O Sr. Kappaun, o "mestre", não deu pelota para outros pesquisadores que têm pensamento contrário ao de Steven Levitt. Talvez ele pense que um autor de best-seller, diga o que disser, deva estar certo de qualquer maneira."

O governador Cabral Filho fez como o tal "mestre" e parece também acreditar que se está impresso em um best-seller deve mesmo ser coisa verdadeira.

Mais uma coisa, a legalização do aborto nos E.U.A. aconteceu em 1973, e não em 1975. Infelizmente o governador está errado... Digo infelizmente porque se ele estivesse certo, uma legalização ocorrida 2 anos mais tarde significaria milhares de vidas salvas de terminarem como lixo biológico, pois é disto que estamos tratando - do fim indigno de uma vida humana. É disto que estamos falando, governador, de vidas humanas que merecem ser tratadas com dignidade e não terem seus destinos decididos com pseudo-argumentos coletados em algum best-seller da moda.

2) "Porque uma filha da classe média se quiser interromper a gravidez tem dinheiro e estrutura familiar, todo mundo sabe onde fica. Não sei por que não é fechado. Leva na Barra da Tijuca, não sei onde. Agora, a filha do favelado vai levar para onde, se o Miguel Couto não atende? Se o Rocha Faria não atende? Aí, tenta desesperadamente uma interrupção, o que provoca situação gravíssima."

Agora o governador tenta uma linha de argumentação apelativa ao social, ao velho tema de "os-ricos-podem-então-os-pobres-também-devem-poder". É a luta de classes invadindo o tema do aborto.

O governador, ao menos, é coerente. Coerente em sua mediocridade, mas, ainda assim, coerente. Na mesma entrevista ele defendeu a legalização das drogas. Parece que o governador não pode ver uma ilegalidade que, em vez de tratar do problemas com os instrumentos de que dispõe, ele prefere mesmo é lutar para que o delito passe a ser legal. Dá bem menos trabalho, não é, governador?

Então os pobres também devem ter o "direito" de abortar já que os mais abastados o podem? É por demais curioso o método de resolução de problemas do governador...

Aliás, beira o surreal a frase "Não sei por que não é fechado" saída da boca de um governador, que tem a polícia sob seu comando. Como assim não sabe? É simples: é devido à sua incompetência, governador! É a sua ligeireza ao tratar do tema que o leva a até mesmo a deixar de reconhecer o escopo de seu trabalho. O aborto é crime no Brasil, mas a polícia de Sérgio Cabral Filho escolhe os crimes que deve combater. Parece que Sérgio Cabral Filho, que torna-se a cada dia mais próximo do presidente Lula, está absorvendo o método deste último de abordar questões complicadas: "não sei", "não vi", "não é comigo".

Se Sérgio Cabral Filho vira para o lado quando ciente de um crime, não se surpreenda quando a população de seu estado também deixá-lo de lado nas próximas eleições.

[Continua no próximo post.]


quinta-feira, outubro 18, 2007

Recado ao ministro Temporão: vá matar mosquitos!

0 comentários ###
Ministro Temporão e seu chefe, o presidente Lula

No dia 29 de março de 2007, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assim declarou à "Folha de São Paulo" (clique aqui):

“Existe uma ferida aberta na sociedade brasileira. São milhares de mulheres que morrem todos os anos por fazerem abortos em situações inseguras. É um problema de saúde pública. Como meu objeto de trabalho é a saúde do povo, com certeza essa questão me interessa. Mas o que eu acho mais saudável é que a gente abra essa discussão, para que a sociedade opine e o país possa encaminhar uma solução adequada“

Na verdade, senhor Ministro, a ferida aberta na sociedade brasileira tem outra causa: as inúmeras mentiras de tantos homens investidos de cargos públicos. Falar em "milhares" de mortes anuais devidas a abortos é uma mentira deslavada e nem mesmo qualquer liberdade retórica pode servir de desculpa.

Pior ainda: o ministro mentiu consciente de sua mentira. Os dados disponíveis no DATASUS, indicam que as mortes por aborto provocado no Brasil nos anos de 2002 a 2005, foram, respectivamente 7, 6, 11, 22. Já que o ministro usa a quantificação de mortes como forma de alavancar sua agenda, talvez ele pudesse explicar qual matemática utiliza para que os números, que na média ficam apenas em pouco mais de uma dezena, tornem-se milhares em suas declarações.


Na verdade, as declarações do ministro passam longe de erro: trata-se de um método. O método em questão, esta prática de inflar números quando o assunto é aborto, foi utilizado em inúmeros países onde este crime hediondo foi liberado. No Brasil, este método vem sendo posto em prática com maestria sem par.

Quem já não ouviu um ministro dando declarações de que o número de abortos no Brasil bate na casa de 1,5 milhão? Quem nunca leu um jornalista escrever exatamente este mesmo número? Quem jamais viu uma "feminista" bradando este número enquanto queima um sutien? Mas qual a fonte destes números? De onde vem este valor expressivo? Se tais pessoas querem que a questão do aborto seja uma questão de números - evitando, maliciosamente, o espinhoso caminho de ter que justificar a eliminação de uma vida, pois é isto que o aborto é, eles bem o sabem -, se eles fazem mesmo questão de seguir pelo caminho quantitativo mesmo quando o que está em jogo são vidas humanas, por que não trazem os números corretos?

Note-se que os membros do governo Lula conhecem muito bem os números do DATASUS. A Ministra Nilcéia Freire e sua equipe em resposta ao CEDAW (Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women - Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, um braço da ONU que acha que negar o "direito" de matar fetos é uma forma de discriminação contra as mulheres) declarou: "Entre 2002 e 2004 houve 115, 152 e 156 mortes provocadas por abortos, o que faz o aborto a quarta causa de mortalidade materna no Brasil". A declaração da ministra bate com os dados do DATASUS, mas, curiosamente, ela esqueceu de desagregá-los. Tivesse feito isto, ela poderia declarar que as mortes por aborto provocado nos anos referidos foram 7, 6 e 11. O que a ministra fez foi juntar todos os números de mortes por aborto no período, sejam eles abortos espontâneos, abortos por gravidez ectópica ou outros.

Para quem está interessado em discutir o aborto apenas como um problema de saúde pública, que é como este governo e todos os que lhe dão razão pretendem desqualificar os discursos contrários, é no mínimo curioso como os números ou são fantasiosos, no caso do Ministro Temporão, ou são extremamente agregados até o ponto em que sirvam apenas para reforçar a luta pela liberação do aborto, como no caso da Ministra Nilcéia Freire.

Mas parece que a mágica matemática do Ministro Temporão só funciona para aumentar. Em notícia veiculada no jornal "O Estado de São Paulo" (clique aqui), o Ministro reconheceu que o país passa por uma epidemia de Dengue. Apenas este ano, segundo a reportagem, ocorreram 121 mortes em virtude da doença. Notemos que no caso da Dengue não temos que nos debater com argumentos jurídicos, demográficos, religiosos ou filosóficos. Nada disto se aplica; as mortes por Dengue tem apenas um aspecto, aspecto este tão ao gosto do ministro e da ministra: é realmente um problema de saúde pública. E só! Neste caso, o mago dos números não conseguiu baixar a contagem de mortes.

Digamos assim, se o ministro em vez de perder tempo dando entrevistas sobre aborto o tivesse utilizado para matar mosquitos, este tempo teria sido bem melhor utilizado e ele teria a certeza de que o problema diz respeito apenas à alçada de seu ministério. Já que seu "objeto de trabalho é a saúde do povo", como ele declarou à "Folha de São Paulo", é bom que ele saiba que o povo está morrendo de Dengue. Mas, pelo jeito, para o ministro e para o governo Lula, alguns problemas de saúde pública são mais interessantes que outros.

Um conselho para o ministro: deixe as crianças no ventre de suas mães e vá matar mosquitos.

segunda-feira, outubro 15, 2007

O aborto e a Teologia do Ódio de Edir Macedo

2 comentários ###

Com o devido respeito às pessoas de boa-fé que se aproximaram da Igreja Universal do Reino de Deus e que imagino que sejam a maioria de seu contingente, a defesa da liberação do aborto por parte de Edir Macedo com a utilização da Bíblia ultrapassa quaisquer limites aceitáveis. Sua utilização de trecho das Sagradas Escrituras para justificar a hedionda prática de extermínio de crianças não nascidas é um emblema da Teologia do Ódio que ele pratica. Jamais vi uma pessoa de referência, como ele infelizmente é, utilizar-se de trecho da Bíblia para justificar o aborto de uma forma tão desonesta e tão baixa.