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segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Caso João Hélio: e não fizemos nada...

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Há exatos 4 anos, o menino João Hélio foi trucidado, destroçado por bandidos no subúrbio do Rio de Janeiro. A comoção que se seguiu ao bárbaro assassinato foi enorme. E justificada. E, pode-se dizer, até muito positiva, pois em uma cidade e em um país que se acostumou já com crianças mortas por balas perdidas, com mulheres assassinadas em cruzamentos, com passageiros de ônibus queimados vivos, é positivo que ainda haja barbaridade que cause indignação. Sinal de que nossa sociedade não está morta. Ainda…

Mas uma coisa que estes 4 anos mostraram é que essa capacidade de se indignar vai diminuindo cada vez mais.

A capa do número da revista Veja que se seguiu à morte do menino vinha com o seguinte título em destaque: "… NÃO VAMOS FAZER NADA?"

E o que fizemos, afinal? Houve alguma mudança estrutural considerável para que a população sentisse que casos como o de João Hélio não vão mais acontecer? Uma das medidas que foi muito discutida à época do crime foi a diminuição da maioridade penal, e inúmeros políticos aproveitaram a onda, mas deu em nada. Que é ridiculamente absurdo que jovens possam votar a partir de 16 anos, mas que não possam arcar criminalmente com suas atitudes erradas, só um idiota o negaria.

Ou seja, um rapazote serve bem para votar no candidato que seus professores de Filosofia e Sociologia (sim, isto está no currículo agora) pintam em cores lindas e brilhantes durante suas "aulas", mas, caso ele resolva arrastar de carro pelas ruas um menino de 6 anos preso pelo cinto de segurança, ele deve poder fazê-lo sem que seja punido de acordo com seu crime.

Um dos assassinos, o "menor" Ezequiel, após 3 anos em uma instituição para jovens infratores, quase entrou em um programa para proteção de adolescentes ameaçados de morte. Não fosse a gritaria popular, Ezequiel estaria soltinho e mamando nas tetas do Estado.

Atualmente, segundo informações, ele está cumprindo medida sócio-educativa em regime semi-aberto por 2 anos. Ou seja, por volta de 2012 ele estará livre! Isto é Brasil.

Mas o que mais revolta é o que tivemos de ouvir e ler nos dias seguintes ao bárbaro crime. Não faltou gente, os de sempre, a falar que o crime foi cometido por todos nós, ou que devemos atacar as causas que levam a isto, ou que não devíamos buscar soluções fáceis no calor da emoção, etc. Um blablablá que faz muito sucesso nas salas de aula da UERJ ou da USP, mas que não traz de volta o menino João Hélio de volta e nem lhe faz justiça.

Um exemplo deste papo-cabeça enrolador pode ser a declaração do sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, que chamado pelo portal G1 para dar sua opinião de especialista sobre o clamor público que pedia, entre outras coisas, a redução da maioridade penal, saiu-se com esta:

"Isso seria uma resposta bárbara a um crime bárbaro que só faria aumentar a espiral da barbárie. Vejo nisso uma repercussão excessiva, apesar do caráter extremamente perturbador do crime, um raciocínio primitivo porque as pessoas estão reagindo emocionalmente. Tentar extrair políticas públicas de um caso extremo como esse é demais.”
Pois é… Gente como o sociólogo Ignacio Cano achava, e provavelmente acha ainda, que o caso de um menino de 6 anos arrastado por 7 Km, tendo seu corpo destroçado na via pública, teve "repercussão excessiva". Querer que a sociedade seja protegida ou ao menos tenha como punir exemplarmente quem comete crimes de tal porte, para o sociólogo, é uma "resposta bárbara".

Talvez fosse o caso de se perguntar ao sociólogo se agora, passados já 4 anos, já é ou não o tempo de se buscar soluções. Talvez devêssemos perguntar a ele se seu radar civilizatório já permite que ao menos discutamos a redução da maioridade penal. Ou será que isto ainda é classificado por ele como barbaridade?

Nossa sociedade, principalmente a sociedade carioca com seus dândis politicamente corretos metidos a cosmopolitas e antenados com o progressismo mais retrógrado, há 4 anos achou por bem homenagear o menino recém falecido com uma faixa durante desfile de uma escola de samba; outra escola chegou ao máximo da benevolência ao fazer sua comissão de frente mostrar seu nome em uma coreografia.

Lindo, não? A um menino despedaçado por frios criminosos, nada como homenagear seu nome em meio a uma festa com muita gente nua, regada a muito chope, com todo mundo afetando alegria e deixando de lado qualquer limite moral. Isto, na minha opinião de não-sociólogo, é que é barbaridade!

O fato é que, passados 4 anos, Sergio Cabral foi reeleito, Lula foi reeleito (ah, sim… Dilma…) e o Rio de Janeiro continua com seus carnavais pomposos e luxuriantes. E nós aqui continuamos esperando um novo caso João Hélio acontecer. 

E quando isto ocorrer, bastará um bando de foliões gritando o nome da vítima da vez e um monte de especialistas a dizer que temos que nos acalmar. Afinal, o importante é o samba jamais parar, não é mesmo?

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Aborto: Lições para o Brasil

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O caso do médico aborteiro Dr. Kermit Gosnell que tinha uma verdadeira casa de horrores na cidade de Philadelphia, nos EUA, continua enojando a todos por lá. E não é para menos... Eis uma breve descrição constante no relatório anexo à denúncia feita contra Dr. Gosnell:

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https://contraoaborto.wordpress.com/2011/02/04/aborto-licoes-para-o-brasil/

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Pastoral da Mulher de BH continua tripudiando sobre aborto

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Em julho do ano passado, aqui no blog foi denunciado que a Pastoral da Mulher Marginalizada de Belo Horizonte (PMM-BH) postou em seu blog um texto, produzido pela Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), em que há um alerta para a "ameaça" que a tramitação do chamado Estatuto do Nascituro (Projeto de Lei 478/2007) era para o "direito ao aborto em caso de estupro".

Por ir frontalmente contra o que ensina a Santa Igreja, tal fato causou estranheza e indignação em muitos católicos. Sentindo a pressão, a PMM-BH retirou de seu site a íntegra do texto da SPM, mas, curiosamente (espertamente?), manteve o link para o texto.

Passaram alguns meses e a PMM-BH volta às suas. Agora a coisa foi feita de forma mais velada, mais, digamos, intelectualizada.

No dia 08/11/2010, a PMM-BH publicou em seu blog um texto de Ivone Gebara, conhecida "teóloga feminista", seja lá o que isto signifique. Com o sugestivo título de "Direito a decidir: algumas reflexões filosóficas e teológicas", o texto da teóloga atinge níveis abissais de chatice, mesmo se tormarmos como padrão o que vai na academia brasileira.

Quem tiver saco e estômago para ler ao menos o início de seu texto, poderá se deparar com frases que mais parecem produzidas para alguma Cartilha das Obviedades a ser produzida pelo Ministério da Educação. São frases tais como:
"Em outros termos não há vida sem morte. Não há morte sem vida."
"Os cadáveres nos mostram o que é a morte."
"A vida não é algo abstrato. A vida é uma vida."
Mas nem só de obviedades vive uma "teóloga feminista"! Podemos ler passagens que, se não caem no comum abismo de obviedades exemplificado acima, contentam-se em comer o pó do chão que é pisado por nós, pobres mortais. São frases que não atingem a altura de uma criança de 2 anos. É, digamos assim, uma linguagem que fica no nível dos répteis, arrastando-se pelo chão.

Há teólogos que atingem os Céus, como São Tomás de Aquino ou Santo Afonso de Ligório, e outros que ficam por aqui mesmo, comendo o pó da terra. Comendo e gostando, claro. Este é o caso de Ivone Gebara.

A escrita reptilina da sra. Gebara pode ser vista em alguns trechos bem peculiares:
"Olho-me no espelho ou me percebo de muitas formas e digo: essa sou eu e eu sou minha vida e minha circunstância. Deixo-me olhar pelo outro ou olho o outro e o reconheço como um outro, meu semelhante, uma outra vida."
Uau! Tivessem mãos, as cobras, também acostumadas a comer o pó, aplaudiriam tal escrito.

Mas Ivone Gebara vai mais longe. Mostrando-se multifacetada, ela tira da cartola uma metáfora com bordados:
"Às vezes, tentamos desmanchar algo para bordar novos traços com novas cores. Mas, nem sempre o bordado inicial desaparece. Ficam traços e às vezes até cores meio desbotadas que não conseguem sair da tela como se fossem manchas indeléveis. Há alguns bordados poderosos, sobretudo aqueles que nos vêm da educação familiar e das instituições da religião. São resistentes, agarram-se à tela da vida e até podemos rasgar a tela se tentamos arrancá-los à força. Mesmo quando conseguimos desfazê-los eles parecem voltar em forma de culpas, arrepios, emoções angustiantes."
Quem conhece o pouco que seja do que anda escrevendo Ivone Gebara compreende um pouco o que vai por trás do traçado...

Dúvidas? Basta ver o que ela escreveu antes de começar a se enrolar em linhas e bordados;
"Aliás, é bom dizer que a palavra "vida", como é empregada hoje, num sentido genérico e abstrato é relativamente recente. A Igreja Católica Romana, por exemplo, tem usado esse termo de forma reducionista, sobretudo quando se refere ao feto. O nome que dão ao feto agora é VIDA e, reduzem o direito à VIDA a proibição de interromper uma gravidez nas primeiras semanas de gestação. Esse emprego indevido corre o risco de levar-nos a abstrações e generalizações que nos distanciam das dores e carências reais de nossos corpos."
Neste ponto é bom avisar ao que não sabem que Ivone Gebara é freira. Pois é! Quem diria, não? Pelo trecho acima alguém pode pensar que a sra. Gebara é outra coisa, algo que não tenha nada a ver com a Santa Igreja.

Mas a teóloga feminista, após pó e bordados, e um bom trecho em que ela fala de "decisões" de uma forma genérica e despistadora, começa a dizer mais claramente a que veio.
"Há muitas outras decisões que podemos enumerar, mas creio que existe uma que está em nossa mente, pois tem a ver com uma das razões da convocação desse encontro.
Trata-se do direito a decidir sobre nosso corpo, sobre nossa vida sexual, sobre um possível aborto ou interrupção da gravidez. (...)"
E aí a coisa começa a esquentar. Ao menos é bom que vá ficando claro o que pensa a freira. E o que ela pensa, fica bem longe até do pó, é coisa que vai bem fundo na terra. Exemplo:
"(...) A partir de um registro cristão, costumamos pensar que abortar um feto é tirar a vida ou a possibilidade de vida e que, portanto, é uma decisão pecaminosa independentemente, muitas vezes, de uma opção religiosa precisa e das circunstâncias de vida de cada mulher. (...)"
Se neste trecho a linguagem da freira/teóloga não afirma claramente que abortar não é tirar uma vida, utilizando com maestria a generalização do plural ("costumamos") de forma a evitar encarar de frente a questão, a opção pelo famoso "direito a decidir" -- o mais famoso eufemismo do ato de abortar --, não deixa margem à dúvidas.

Todo o restante do texto da "teóloga feminista" (aliás, existe "Teologia Machista" também?) é um blablablá interminável que serve apenas para confundir, enganar, manipular quem a leva a sério. E sim, tais pessoas existem, e a PMM-BH está aí para não me deixar mentir.

Que tal ver o que diz a freira sobre o que é a religião? Vejamos:
"Viver é difícil. O ser humano é capaz de criar uma porção de coisas para ajudá-lo a viver. A religião é uma delas. Ao criar a religião cria poderes sobre si mesmo, poderes que para ajudá-lo são imaginados como absolutamente superiores e diferentes dele mesmo."
Sim, é uma freira mesmo que escreveu isto. A religião virou na pena da sra. Gebara coisa meramente humana, praticamente uma criação mesquinha criada pelo homem para o ajudar viver com as dificuldades que o cercam. E os tais "poderes" são a pedra de toque para que ela possa seguir sua enganação fantasiada de teologia. 

Nem é necessário muita imaginação para saber que esta caracterização da religião como coisa meramente humana é feita unicamente para esvaziar qualquer sentido dos "poderes". Dona Gebara entende de bordado como ninguém.

Querem ver como a "teóloga feminista", debaixo daquela chatice que para ela faz as vezes de teologia, tem uma agenda que faria delirar qualquer esquerdista anti-católico (e qual não é?)? Retiradas as frases de uma obviedade pueril, retiradas as tediosas frases de efeito, retiradas as preparações sorrateiras e enganosas, retirado tudo isto, eis um trecho que resume tudo o que Ivone Gebara quer dizer:
"A crença religiosa não pode ser lei válida para todas as situações. Por exemplo, as testemunhas de Jeová não admitem transfusão de sangue, mas em situações especiais o crente pode decidir de não acolher esta norma. Com isso, estou querendo permitir a cada uma de nós o direito de decidir sem a intervenção de crenças promulgadas muitas vezes pela elite sacerdotal religiosa vigente ou crenças fruto de uma história passada que já não é mais significativa nos dias de hoje. A fé religiosa é sempre maior do que a crença imposta por uma elite que se afirma representante de Deus."
Está tudo aí! A relativização da religião como fundamento moral para o homem em primeiro lugar é a preparação para uma "libertação" dos limites morais explicitados e formalizados pela religião.

Em seguida vem o segundo golpe: a "libertação" das mulheres-mães da intervenção da hierarquia ("elite sacerdotal") ou da Tradição ("crenças fruto de uma história passada") que para ela é obsoleta ("já não é mais significativa nos dias de hoje"). 

E Ivone Gebara, em sua fúria destruidora de tudo que atrapalha sua sanha libertária não tem problema algum em afirmar seu credo na frase final, na qual sua fé relativista deita por terra a hierarquia, o Magistério. Afinal, claro está, para ela o Magistério apenas "se afirma" representante de Deus, mas efetivamente não o é.

Este é o pensamento de uma freira, de uma religiosa... Bem, na verdade não é. Se alguém se dispõe a escrever as asneiras que Ivone Gebara escreve, há muito que já deixou de ser freira. Ou isto ou ela vive em uma situação de constante contradição, o que pode até ser um caso patológico.

Seu texto é puro orgulho, sem qualquer argumento que preste. A hierarquia católica atrapalha sua agenda? Então ela vem e afirma que a hierarquia não tem qualquer fundamento. A própria religião aparece em seu caminho? Pronto, ela afirma que a religião é obra meramente humana. A Tradição a limita? Ela diz que os tempos são outros, ora!

Em que ela se fundamenta? Em si própria, claro. A medida de Ivone Gebara é ela própria. Isto lhe basta. Quanto orgulho...

***

Mas, passada a chatice gebariana, é para se perguntar novamente: o que um texto destes, que nada mais é que uma defesa do tal "direito ao aborto", faz em uma página de uma pastoral católica? O que um lixo destes tem a ver com o catolicismo?

Um texto cuja única função é relativizar a religião, enxovalhar a hierarquia e a tradição, e tudo com o único objetivo de alçar o aborto a um direito. O que este troço faz no blog da PMM-BH?

Como coloquei no início desta postagem, a PMM-BH já tem histórico de usar seu blog para dar voz a abortistas. Pressionada, a pastoral resolveu tripudiar com os que se indignaram contra o absurdo: retirou o texto da Secretaria de Política para as Mulheres, mas colocou um link para o texto. Ok!

E não é que agora, poucos meses depois, a PMM-BH resolve tripudiar mais um pouco com os católicos que encaram seriamente sua fé? Pois como classificar de outra forma que a PMM-BH divulgue em seu blog um texto que a pretexto de defender o "direito ao próprio corpo" (e para os nascituros resta o lixo, certo?) rebaixa a religião a coisa meramente humana, desautoriza a hierarquia, chama a Tradição -- um dos pilares da Fé Católica -- de coisa ultrapassada, isto e outras coisas mais. 

O que este lixo travestido de Teologia faz em uma página de entidade católica?

Quando retirou o texto da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a PMM-BH dizia que o texto nada mais era que uma tentativa de informar. Fora isto, a PMM-BH, afetando uma indignação que não lhe cabia de forma alguma, assim se pronunciou:
"As pessoas que teceram comentários ofensivos e abusivos em relação ao trabalho da Pastoral da Mulher, poderiam ter usado do diálogo e terem apresentado críticas construtivas, que viessem contribuir. Nosso trabalho é sério, idôneo e está totalmente de acordo com a Pedagogia de Jesus. Nossas portas estão abertas para o diálogo e para quem desejar conhecer a entidade e a realidade que enfrentamos."
A chamada ao diálogo é simples jogada para a galera. Na postagem houve dois comentários feitos por leitores no dia 02/08/2010, e ambos ficaram sem resposta por parte da PMM-BH. Um dos comentaristas até mesmo pergunta claramente qual é, afinal, o posicionamento da PMM-BH em relação ao aborto, se a entidade está com a Igreja ou não.

Resposta? Nada. "Diálogo"? Zero.

Parece que a divulgação do lixo saído da pena de Ivone Gebara serve bem como resposta ao comentarista que cobrava posicionamento da PMM-BH, não?

É de se estranhar, também, que o tal desejo de informar da PMM-BH jamais deu uma linha de espaço em seu blog para qualquer manifestação Pró-Vida. 

Que coisa, não? A tal informação só parte de quem vê o aborto como um direito.

E agora, para finalizar, uma informação que diz muito: a fonte do texto de Ivone Gebara publicado no blog da PMM-BH é o site ADITAL, um antro de escritos esquerdistas. Mas o que mais mostra o fundo do poço que a PMM-BH se meteu é quando vemos que o texto da "teóloga feminista" foi produzido para um seminário de multiplicadoras das Católicas pelo Direito de Decidir ocorrido em São Paulo.

Desnecessário dizer qualquer coisa sobre esta entidade... Sua luta pela legalização do aborto é notória a qualquer um e a PMM-BH, ao reproduzir um lixo produzido na medida para ajudar na luta pela liberação do aborto, mostra a quantas vai sua disposição de tripudiar com a Fé que deveria seguir.


quarta-feira, fevereiro 02, 2011

D. Manoel Pestana Filho, R.I.P.

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Mesmo com algum atraso, coloco abaixo um texto de Pe. Lodi sobre o falecimento de D. Manoel Pestana Filho. 

Se no Brasil houvesse mais bispos como o falecido D. Pestana, que colocava as coisas de Deus e o bem das almas acima de tudo, provavelmente nossa situação seria bem outra.

O movimento Pró-Vida brasileiro tem muito a agradecer a D. Manoel Pestana Filho, como pode ser lido no texto do padre. Os não-nascidos que aqui sofrem o ataque de uma sociedade que os enxerga apenas como um produto a ser descartado ganharam um grande intercessor no Céu.


***



Sobre a morte de meu Bispo Emérito


Desejo escrever melhor em outra ocasião, mas não quero deixar este momento em branco. No sábado passado, 8 de janeiro, por volta das 9 horas, faleceu Dom Manoel Pestana Filho, em Santos (SP). A Providência Divina quis que ele morresse na mesma cidade onde nascera e fora ordenado Bispo.

Estava lá de viagem, em visita a seus familiares e amigos. Faleceu no convento das irmãs  da Toca de Assis, antes que pudesse retornar a sua casa em Anápolis (GO). O motivo da morte parece ter sido um enfarto.



Bispo Diocesano de Anápolis de 1979 a 2004, Dom Manoel conseguiu atrair a sua diocese do Centro-Oeste brasileiro gente de toda a parte. Ouvia-se dizer que lá havia um Bispo corajoso, fiel ao Magistério, obediente à Igreja. Fora apelidado "um novo Atanásio" por Dom Marcos Barbosa, monge beneditino do Rio de Janeiro.



Da Alemanha, os cônegos regulares da recém-restaurada Ordem da Santa Cruz  vieram para Anápolis onde fundaram o "Institutum Sapientiae", com o carisma específico de se dedicar a formação do clero. Era lá que os seminaristas diocesanos (inclusive eu) tinham suas aulas.

Quanto ao seminário, Dom Manoel empenhou-se pessoalmente em construí-lo. As primeiras instalações foram sua própria residência episcopal. O corpo docente era constituído (quase?) exclusivamente pelo Bispo, até que os cônegos regulares viessem ajudá-lo.

Quando, atraído por sua fama, transferi-me da Arquidiocese do Rio de Janeiro, onde estudava, para a Diocese de Anápolis, em 1989, o seminário Imaculado de Maria funcionava, não mais  na casa episcopal, mas em outro lugar provisório: a "casa do sacerdote e das vocações sacerdotais", projetada para servir de abrigo a padres idosos. Somente bem mais tarde, em 2004, seria inaugurado o prédio definitivo que hoje abriga os seminaristas.



Para falar a verdade, quando cheguei, percebi que a Diocese de Anápolis não tinha nada de mais. Era simplesmente uma diocese católica. No seminário rezava-se o terço, fazia-se adoração eucarística e leitura espiritual. Falava-se de Nossa Senhora com a familiaridade de filhos, sem aquele temor constante de evitar eventuais "exageros". Na faculdade, estudava-se a filosofia tomista e a teologia católica. Grande apreço era dado aos documentos do Concílio Vaticano II, que serviram de base para diversas das disciplinas que estudei. Quanto à liturgia, encorajava-se recitar o "Novus Ordo Missae", do Papa Paulo VI.

Nunca vi uma ordem de Dom Manoel obrigando os padres a vestirem batina. No entanto, nós o imitávamos espontaneamente. Sua mais eloquente pregação era o exemplo.



Ao contrário do que falsamente foi depois atribuído a ele, Dom Manoel tinha um espírito muito aberto. Desejava a unidade, mas não exigia a uniformidade. Respeitava o carisma que o Espírito Santo suscitava em cada pessoa, em cada grupo, em cada movimento, em cada comunidade.



Nunca o vi orando em voz alta e de mãos levantadas. No entanto, ele se dava muito bem com os membros da Renovação Carismática Católica (RCC), desde fossem fiéis a fé e à moral católicas. Quando se falava dos abusos da RCC, ele replicava dizendo que cabia aos padres vigiar para corrigi-los. "Mas - dizia ele sempre - não devemos apagar a mecha que ainda fumega".



Todas as vezes em que presenciei Dom Manoel celebrar, fosse em público, fosse em privado, na capela de sua residência, ele usou o "Novus Ordo Missae" (forma ordinária). No entanto, ela não se importava se em sua Diocese algum sacerdote quisesse celebrar a Missa de São Pio VI (forma extraordinária). Nem recusava algum convite de celebrá-la se alguém lhe pedisse.



Ele gostava de repetir um adágio de autoria, se não me engano, do grande reformador São Carlos Borromeu: "omnia videre, multa tollerare, pauca corrigere" (ver tudo, tolerar muitas coisas, corrigir poucas). As poucas coisas que ele se sentiu obrigado a corrigir custaram-lhe uma violenta perseguição. Uma delas foi a introdução da confissão auricular e individual, tal como prescreve o Direito Canônico. Conta-se que, recém-chegado à Diocese, ao anunciar que na Catedral havia padres prontos para ouvir confissões, ele foi alvo de uma grande vaia. Após essa humilhação pública, os que restaram dirigiram-se aos sacerdote a fim de se confessarem.



Suas refeições eram sempre simples. Bondosamente ele dividia sua mesa com qualquer visitante, até o mais ocasional. Às sextas-feiras, ele dava folga à cozinheira. Era o seu dia de jejum. Certa vez, almoçando em sua casa, fiquei sabendo que ele próprio preparara o  delicioso "estrogonofe de atum" que estava sendo servido.



Sua disponibilidade contínua para com o povo, fazia com que ele não encontrasse tempo para escrever livros. Escreveu numerosos (e inflamados) artigos, entre os quais aquele que em 1987 valeu-lhe o título de "novo Atanásio" dado por Dom Marcos Barbosa. Mas não se dava o direito de concentrar-se para escrever do início ao fim uma obra longa. A única exceção foi seu livro "Igreja doméstica", sobre o matrimônio e a família, publicado em 1980.



Embora sempre estivesse risonho e bem humorado, havia certas coisas que o enchiam daquela ira santa que experimentou Jesus diante dos vendilhões no Templo. Uma delas era o aborto. Outra era o atentado à inocência das crianças. A família era tema recorrente em suas pregações. Não conseguia conceber um apostolado que não fosse centrado na união perpétua de vida e de amor entre um homem e uma mulher, com abertura à geração e educação da prole.



Foi ele que em pessoa resolveu fundar em Anápolis o movimento Pró-Vida em 1989, quando recebeu em sua diocese a visita de um grupo de militantes da "Human Life International" (HLI) dos Estados Unidos, acompanhados de Mons. Ney Sá Earp, grande líder pró-vida do Rio de Janeiro. O Pró-Vida de Anápolis funcionou de início na própria Cúria Diocesana, dirigido pessoalmente por ele, juntamente com alguns leigos. De lá saíam os que iam aconselhar gestantes, dar palestras em escolas e fazer manifestações contra o aborto. Ele próprio introduziu o costume de se fazer, em cada dia 28 de dezembro, a Marcha dos Santos Inocentes, na qual crianças atravessavam as ruas da cidade enquanto adultos falavam ao megafone contra o aborto.



Quando, assustado pelo perigo da iminente legalização do aborto no Brasil, sugeri a Dom Manoel que organizássemos uma caravana a Brasília, a resposta foi um "sim" entusiástico. Em 16 de agosto de 1996, ele se dirigia à Praça dos Três Poderes juntamente com cerca de 3000 pessoas portando faixas e cartazes pró-vida. Naquele ano e no ano seguinte, estava em pauta o perigoso Projeto de Lei 20/91, que pretendia obrigar o SUS a praticar aborto. Quase toda semana tínhamos que ir a Brasília em ônibus fretados para impedir a aprovação do projeto. Conosco estava sempre Dom Manoel, que deixava de lado todos os seus afazeres na Cúria Diocesana.



O grande legado de Dom Manoel foi a criação do Pró-Vida de Anápolis, que foi registrado em cartório, com personalidade jurídica, somente em 1997, e subsiste até hoje. No Estatuto, ele fez questão de incluir a defesa da família ao lado da defesa da vida. E entre os objetivos, colocou a formação para a castidade.



Os que se consideram adeptos do progresso, deveriam ter conhecido a figura desse Bispo. Era fascinado pelas novas tecnologias a serviço da evangelização: rádio, televisão, cinema, Internet. Tinha o sonho de criar uma emissora de rádio e uma de televisão na Diocese. Prestigiou pessoalmente a inauguração da Rede Vida, que ele via como uma grande esperança de penetração do Evangelho nos lares católicos. Mesmo antes que a Internet chegasse ao Brasil, ele já procurava fazer os seminaristas se familiarizarem com o recurso à informática. Em 1996, ele aprovou com entusiasmo o sítio do Pró-Vida de Anápolis, uma das primeiras páginas a entrar no ar em defesa da vida e da família. Tudo que era inovação, desde que não ferisse o imutável depósito da fé, era bem-vindo.



A paixão de Dom Manoel pelos livros se manifesta em sua colossal biblioteca, que foi colecionando ao longo dos anos. Depois de se tornar emérito, em 2004, foi difícil terminar de catalogar toda aquela multidão de obras. Ele, porém, não se dava por satisfeito, e estava sempre comprando "coisas novas e velhas": livros recém-editados ou preciosidades vendidas no "sebo".



Sempre com uma saúde debilitada, há muitos anos ele se dizia "moribundo em precário estado de conservação". Já havia sido levado várias vezes à UTI e recebido outras tantas vezes a Unção dos Enfermos. Ultimamente fora bem sucedido em uma cirurgia nos joelhos, que fez com que pudesse andar (embora com o auxílio de uma bengala) sem necessidade da cadeira de rodas. Não esperávamos que ele morresse no dia 8, antes de retornar a nós. Mas, pensando bem, há muito não deveríamos nos surpreender com uma eventual (embora triste) notícia de sua morte.



Há poucos meses, em visita a sua casa, eu lhe falara do plano de ele terminar seus dias em uma nova sede do Pró-Vida de Anápolis, que seria construída em um terreno a ele doado em 1989. Ele ficou muito entusiasmado. Respondeu sorrindo e batendo as mãos. Deus porém preparava para ele uma casa melhor. E em um prazo menor.



Uma das coisas que deve ter acelerado sua morte foi sua angústia (mortal?) pela situação política do Brasil. Ele se afligia sobremaneira ao ver nosso país ser invadido e dominado pelo terrorismo vermelho, que não poupa o respeito à vida nem à família. Nestas últimas eleições, ele lançou um apelo ardente a seus irmãos no episcopado (http://www.providaanapolis.org.br/apelard.htm). Sua voz encontrou eco em alguns Bispos, em especial os do Regional Sul 1, que se coligaram para denunciar o plano do PT de implantar a cultura da morte no país. Quando foi anunciada a vitória de Dilma, ele se abalou sobremaneira. No entanto, escreveu-me recomendando coragem, uma vez que "uma batalha perdida não é uma guerra desperdiçada". E ainda: "Deus não exige de nós a vitória, mas a luta".



A morte de Dom Manoel está longe de ser um sossego para os promotores do aborto. Ao contrário: à semelhança do grão de trigo, que só dá frutos quando morre, da morte desse Bispo devemos esperar grandes frutos para nossa terra. Ele morreu como vítima, oferecida com Cristo em nosso favor. Agora, ganhamos um intercessor junto ao Pai.



A Dom Manoel, sepultado na Catedral ontem, minha saudade, minha gratidão e minha admiração. Mas sobretudo meu amor.

Lembre-se de nós, que gememos e choramos neste vale de lágrimas.

Permita-me repetir a jaculatória que o senhor mesmo nos ensinou:
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto".


--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
0 Anápolis GO
Caixa Postal 456 75024-9
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

sábado, janeiro 29, 2011

Mais um blog na luta contra o aborto

1 comentários ###
Recebi mensagem do blogueiro português Mats, responsável por um dos blogs mais inteligentes em Língua Portuguesa -- o "Darwinismo" -- anunciando a criação de mais um blog contra o aborto: "Aborto em Portugal"

O subtítulo do blog -- "Contra a legalização da matança" -- diz tudo o que vem sendo feito em Portugal, a exemplo de muitos outros países da Europa e mundo afora: uma verdadeira carnificina mascarada sob mil pseudo-argumentos, como bem dito pelos blogueiros portugueses.

Faço votos que os responsáveis pelo blog, o próprio Mats e Jairo Entrecosto (do blog "Paio com Ervilhas") permaneçam firmes neste novo empreendimento, que é muito importante.

Bem vindo às trincheiras e que o Senhor Deus os ajude!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Quando bebês passaram a ser "acidentes"?

2 comentários ###
ACIDENTES ACONTECEM
É por isto que temos a pílula do dia seguinte
Esta imagem aparentemente neutra, escolhida a dedo para passar uma idéia de leveza e de naturalidade, esconde uma realidade que não condiz com o sorriso da modelo. 

Continue lendo em:

https://contraoaborto.wordpress.com/2011/01/24/sexo-gera-bebes/

domingo, janeiro 23, 2011

Enquanto uns matam, outros acolhem

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Infelizmente, por absoluta falta de tempo, não pude traduzir e legendar o vídeo abaixo.





Neste é mostrado o caso de um vietnamita, Tuong Phuoc Phuc, que cuida de mais de 50 crianças. Destas, apenas duas são seus filhos de sangue; o restante, não fossem os cuidados deste santo dos nossos dias, teriam o triste destino de tantos bebês abortados.

Tudo começou quando a esposa de Tuong passou por dificuldades no parto. Rezando, Tuong pediu a Deus pela vida de sua esposa e filho e Lhe disse que faria algo de bom pelos outros.

Quando sua esposa estava em recuperação do parto difícil, diz Tuong que viu várias mulheres grávidas entrando na sala de cirurgia e de lá saindo sozinhas. Em seguida ele viu os médicos jogando os bebês no lixo hospitalar.

"Sou católico e respeito o espírito dos seres humanos." -- palavras de Tuong sobre sua motivação. "Então solicitei se eu não podia levá-los comigo."

Isto levou Tuong a usar suas economias para comprar um pequeno terreno onde ele pudesse enterrar os corpos dos bebês abortados. Atualmente, já são mais de 9000 pequeninos túmulos, onde os bebês abortados têm o mínimo de dignidade na morte, a mesma dignidade que lhes foi negada em vida.

Muitas mulheres começaram a ir ao cemitério para rezar e outras, grávidas, começaram a procurar a casa de Tuong buscando abrigo. A partir daí algumas mulheres que não se sentiam, por um motivo ou outro, em condições de criar seus filhos, deixavam-nos com Tuong.

Várias destas crianças, após passarem um período de tempo sob os cuidados de Tuong, são recuperadas por suas mães. Não fosse o abnegado trabalho do vietnamita, sabemos bem o que aconteceria com tais crianças.