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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

D. Manoel Pestana Filho, R.I.P.

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Mesmo com algum atraso, coloco abaixo um texto de Pe. Lodi sobre o falecimento de D. Manoel Pestana Filho. 

Se no Brasil houvesse mais bispos como o falecido D. Pestana, que colocava as coisas de Deus e o bem das almas acima de tudo, provavelmente nossa situação seria bem outra.

O movimento Pró-Vida brasileiro tem muito a agradecer a D. Manoel Pestana Filho, como pode ser lido no texto do padre. Os não-nascidos que aqui sofrem o ataque de uma sociedade que os enxerga apenas como um produto a ser descartado ganharam um grande intercessor no Céu.


***



Sobre a morte de meu Bispo Emérito


Desejo escrever melhor em outra ocasião, mas não quero deixar este momento em branco. No sábado passado, 8 de janeiro, por volta das 9 horas, faleceu Dom Manoel Pestana Filho, em Santos (SP). A Providência Divina quis que ele morresse na mesma cidade onde nascera e fora ordenado Bispo.

Estava lá de viagem, em visita a seus familiares e amigos. Faleceu no convento das irmãs  da Toca de Assis, antes que pudesse retornar a sua casa em Anápolis (GO). O motivo da morte parece ter sido um enfarto.



Bispo Diocesano de Anápolis de 1979 a 2004, Dom Manoel conseguiu atrair a sua diocese do Centro-Oeste brasileiro gente de toda a parte. Ouvia-se dizer que lá havia um Bispo corajoso, fiel ao Magistério, obediente à Igreja. Fora apelidado "um novo Atanásio" por Dom Marcos Barbosa, monge beneditino do Rio de Janeiro.



Da Alemanha, os cônegos regulares da recém-restaurada Ordem da Santa Cruz  vieram para Anápolis onde fundaram o "Institutum Sapientiae", com o carisma específico de se dedicar a formação do clero. Era lá que os seminaristas diocesanos (inclusive eu) tinham suas aulas.

Quanto ao seminário, Dom Manoel empenhou-se pessoalmente em construí-lo. As primeiras instalações foram sua própria residência episcopal. O corpo docente era constituído (quase?) exclusivamente pelo Bispo, até que os cônegos regulares viessem ajudá-lo.

Quando, atraído por sua fama, transferi-me da Arquidiocese do Rio de Janeiro, onde estudava, para a Diocese de Anápolis, em 1989, o seminário Imaculado de Maria funcionava, não mais  na casa episcopal, mas em outro lugar provisório: a "casa do sacerdote e das vocações sacerdotais", projetada para servir de abrigo a padres idosos. Somente bem mais tarde, em 2004, seria inaugurado o prédio definitivo que hoje abriga os seminaristas.



Para falar a verdade, quando cheguei, percebi que a Diocese de Anápolis não tinha nada de mais. Era simplesmente uma diocese católica. No seminário rezava-se o terço, fazia-se adoração eucarística e leitura espiritual. Falava-se de Nossa Senhora com a familiaridade de filhos, sem aquele temor constante de evitar eventuais "exageros". Na faculdade, estudava-se a filosofia tomista e a teologia católica. Grande apreço era dado aos documentos do Concílio Vaticano II, que serviram de base para diversas das disciplinas que estudei. Quanto à liturgia, encorajava-se recitar o "Novus Ordo Missae", do Papa Paulo VI.

Nunca vi uma ordem de Dom Manoel obrigando os padres a vestirem batina. No entanto, nós o imitávamos espontaneamente. Sua mais eloquente pregação era o exemplo.



Ao contrário do que falsamente foi depois atribuído a ele, Dom Manoel tinha um espírito muito aberto. Desejava a unidade, mas não exigia a uniformidade. Respeitava o carisma que o Espírito Santo suscitava em cada pessoa, em cada grupo, em cada movimento, em cada comunidade.



Nunca o vi orando em voz alta e de mãos levantadas. No entanto, ele se dava muito bem com os membros da Renovação Carismática Católica (RCC), desde fossem fiéis a fé e à moral católicas. Quando se falava dos abusos da RCC, ele replicava dizendo que cabia aos padres vigiar para corrigi-los. "Mas - dizia ele sempre - não devemos apagar a mecha que ainda fumega".



Todas as vezes em que presenciei Dom Manoel celebrar, fosse em público, fosse em privado, na capela de sua residência, ele usou o "Novus Ordo Missae" (forma ordinária). No entanto, ela não se importava se em sua Diocese algum sacerdote quisesse celebrar a Missa de São Pio VI (forma extraordinária). Nem recusava algum convite de celebrá-la se alguém lhe pedisse.



Ele gostava de repetir um adágio de autoria, se não me engano, do grande reformador São Carlos Borromeu: "omnia videre, multa tollerare, pauca corrigere" (ver tudo, tolerar muitas coisas, corrigir poucas). As poucas coisas que ele se sentiu obrigado a corrigir custaram-lhe uma violenta perseguição. Uma delas foi a introdução da confissão auricular e individual, tal como prescreve o Direito Canônico. Conta-se que, recém-chegado à Diocese, ao anunciar que na Catedral havia padres prontos para ouvir confissões, ele foi alvo de uma grande vaia. Após essa humilhação pública, os que restaram dirigiram-se aos sacerdote a fim de se confessarem.



Suas refeições eram sempre simples. Bondosamente ele dividia sua mesa com qualquer visitante, até o mais ocasional. Às sextas-feiras, ele dava folga à cozinheira. Era o seu dia de jejum. Certa vez, almoçando em sua casa, fiquei sabendo que ele próprio preparara o  delicioso "estrogonofe de atum" que estava sendo servido.



Sua disponibilidade contínua para com o povo, fazia com que ele não encontrasse tempo para escrever livros. Escreveu numerosos (e inflamados) artigos, entre os quais aquele que em 1987 valeu-lhe o título de "novo Atanásio" dado por Dom Marcos Barbosa. Mas não se dava o direito de concentrar-se para escrever do início ao fim uma obra longa. A única exceção foi seu livro "Igreja doméstica", sobre o matrimônio e a família, publicado em 1980.



Embora sempre estivesse risonho e bem humorado, havia certas coisas que o enchiam daquela ira santa que experimentou Jesus diante dos vendilhões no Templo. Uma delas era o aborto. Outra era o atentado à inocência das crianças. A família era tema recorrente em suas pregações. Não conseguia conceber um apostolado que não fosse centrado na união perpétua de vida e de amor entre um homem e uma mulher, com abertura à geração e educação da prole.



Foi ele que em pessoa resolveu fundar em Anápolis o movimento Pró-Vida em 1989, quando recebeu em sua diocese a visita de um grupo de militantes da "Human Life International" (HLI) dos Estados Unidos, acompanhados de Mons. Ney Sá Earp, grande líder pró-vida do Rio de Janeiro. O Pró-Vida de Anápolis funcionou de início na própria Cúria Diocesana, dirigido pessoalmente por ele, juntamente com alguns leigos. De lá saíam os que iam aconselhar gestantes, dar palestras em escolas e fazer manifestações contra o aborto. Ele próprio introduziu o costume de se fazer, em cada dia 28 de dezembro, a Marcha dos Santos Inocentes, na qual crianças atravessavam as ruas da cidade enquanto adultos falavam ao megafone contra o aborto.



Quando, assustado pelo perigo da iminente legalização do aborto no Brasil, sugeri a Dom Manoel que organizássemos uma caravana a Brasília, a resposta foi um "sim" entusiástico. Em 16 de agosto de 1996, ele se dirigia à Praça dos Três Poderes juntamente com cerca de 3000 pessoas portando faixas e cartazes pró-vida. Naquele ano e no ano seguinte, estava em pauta o perigoso Projeto de Lei 20/91, que pretendia obrigar o SUS a praticar aborto. Quase toda semana tínhamos que ir a Brasília em ônibus fretados para impedir a aprovação do projeto. Conosco estava sempre Dom Manoel, que deixava de lado todos os seus afazeres na Cúria Diocesana.



O grande legado de Dom Manoel foi a criação do Pró-Vida de Anápolis, que foi registrado em cartório, com personalidade jurídica, somente em 1997, e subsiste até hoje. No Estatuto, ele fez questão de incluir a defesa da família ao lado da defesa da vida. E entre os objetivos, colocou a formação para a castidade.



Os que se consideram adeptos do progresso, deveriam ter conhecido a figura desse Bispo. Era fascinado pelas novas tecnologias a serviço da evangelização: rádio, televisão, cinema, Internet. Tinha o sonho de criar uma emissora de rádio e uma de televisão na Diocese. Prestigiou pessoalmente a inauguração da Rede Vida, que ele via como uma grande esperança de penetração do Evangelho nos lares católicos. Mesmo antes que a Internet chegasse ao Brasil, ele já procurava fazer os seminaristas se familiarizarem com o recurso à informática. Em 1996, ele aprovou com entusiasmo o sítio do Pró-Vida de Anápolis, uma das primeiras páginas a entrar no ar em defesa da vida e da família. Tudo que era inovação, desde que não ferisse o imutável depósito da fé, era bem-vindo.



A paixão de Dom Manoel pelos livros se manifesta em sua colossal biblioteca, que foi colecionando ao longo dos anos. Depois de se tornar emérito, em 2004, foi difícil terminar de catalogar toda aquela multidão de obras. Ele, porém, não se dava por satisfeito, e estava sempre comprando "coisas novas e velhas": livros recém-editados ou preciosidades vendidas no "sebo".



Sempre com uma saúde debilitada, há muitos anos ele se dizia "moribundo em precário estado de conservação". Já havia sido levado várias vezes à UTI e recebido outras tantas vezes a Unção dos Enfermos. Ultimamente fora bem sucedido em uma cirurgia nos joelhos, que fez com que pudesse andar (embora com o auxílio de uma bengala) sem necessidade da cadeira de rodas. Não esperávamos que ele morresse no dia 8, antes de retornar a nós. Mas, pensando bem, há muito não deveríamos nos surpreender com uma eventual (embora triste) notícia de sua morte.



Há poucos meses, em visita a sua casa, eu lhe falara do plano de ele terminar seus dias em uma nova sede do Pró-Vida de Anápolis, que seria construída em um terreno a ele doado em 1989. Ele ficou muito entusiasmado. Respondeu sorrindo e batendo as mãos. Deus porém preparava para ele uma casa melhor. E em um prazo menor.



Uma das coisas que deve ter acelerado sua morte foi sua angústia (mortal?) pela situação política do Brasil. Ele se afligia sobremaneira ao ver nosso país ser invadido e dominado pelo terrorismo vermelho, que não poupa o respeito à vida nem à família. Nestas últimas eleições, ele lançou um apelo ardente a seus irmãos no episcopado (http://www.providaanapolis.org.br/apelard.htm). Sua voz encontrou eco em alguns Bispos, em especial os do Regional Sul 1, que se coligaram para denunciar o plano do PT de implantar a cultura da morte no país. Quando foi anunciada a vitória de Dilma, ele se abalou sobremaneira. No entanto, escreveu-me recomendando coragem, uma vez que "uma batalha perdida não é uma guerra desperdiçada". E ainda: "Deus não exige de nós a vitória, mas a luta".



A morte de Dom Manoel está longe de ser um sossego para os promotores do aborto. Ao contrário: à semelhança do grão de trigo, que só dá frutos quando morre, da morte desse Bispo devemos esperar grandes frutos para nossa terra. Ele morreu como vítima, oferecida com Cristo em nosso favor. Agora, ganhamos um intercessor junto ao Pai.



A Dom Manoel, sepultado na Catedral ontem, minha saudade, minha gratidão e minha admiração. Mas sobretudo meu amor.

Lembre-se de nós, que gememos e choramos neste vale de lágrimas.

Permita-me repetir a jaculatória que o senhor mesmo nos ensinou:
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto".


--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
0 Anápolis GO
Caixa Postal 456 75024-9
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

sábado, janeiro 29, 2011

Mais um blog na luta contra o aborto

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Recebi mensagem do blogueiro português Mats, responsável por um dos blogs mais inteligentes em Língua Portuguesa -- o "Darwinismo" -- anunciando a criação de mais um blog contra o aborto: "Aborto em Portugal"

O subtítulo do blog -- "Contra a legalização da matança" -- diz tudo o que vem sendo feito em Portugal, a exemplo de muitos outros países da Europa e mundo afora: uma verdadeira carnificina mascarada sob mil pseudo-argumentos, como bem dito pelos blogueiros portugueses.

Faço votos que os responsáveis pelo blog, o próprio Mats e Jairo Entrecosto (do blog "Paio com Ervilhas") permaneçam firmes neste novo empreendimento, que é muito importante.

Bem vindo às trincheiras e que o Senhor Deus os ajude!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Quando bebês passaram a ser "acidentes"?

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ACIDENTES ACONTECEM
É por isto que temos a pílula do dia seguinte
Esta imagem aparentemente neutra, escolhida a dedo para passar uma idéia de leveza e de naturalidade, esconde uma realidade que não condiz com o sorriso da modelo. 

Continue lendo em:

https://contraoaborto.wordpress.com/2011/01/24/sexo-gera-bebes/

domingo, janeiro 23, 2011

Enquanto uns matam, outros acolhem

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Infelizmente, por absoluta falta de tempo, não pude traduzir e legendar o vídeo abaixo.





Neste é mostrado o caso de um vietnamita, Tuong Phuoc Phuc, que cuida de mais de 50 crianças. Destas, apenas duas são seus filhos de sangue; o restante, não fossem os cuidados deste santo dos nossos dias, teriam o triste destino de tantos bebês abortados.

Tudo começou quando a esposa de Tuong passou por dificuldades no parto. Rezando, Tuong pediu a Deus pela vida de sua esposa e filho e Lhe disse que faria algo de bom pelos outros.

Quando sua esposa estava em recuperação do parto difícil, diz Tuong que viu várias mulheres grávidas entrando na sala de cirurgia e de lá saindo sozinhas. Em seguida ele viu os médicos jogando os bebês no lixo hospitalar.

"Sou católico e respeito o espírito dos seres humanos." -- palavras de Tuong sobre sua motivação. "Então solicitei se eu não podia levá-los comigo."

Isto levou Tuong a usar suas economias para comprar um pequeno terreno onde ele pudesse enterrar os corpos dos bebês abortados. Atualmente, já são mais de 9000 pequeninos túmulos, onde os bebês abortados têm o mínimo de dignidade na morte, a mesma dignidade que lhes foi negada em vida.

Muitas mulheres começaram a ir ao cemitério para rezar e outras, grávidas, começaram a procurar a casa de Tuong buscando abrigo. A partir daí algumas mulheres que não se sentiam, por um motivo ou outro, em condições de criar seus filhos, deixavam-nos com Tuong.

Várias destas crianças, após passarem um período de tempo sob os cuidados de Tuong, são recuperadas por suas mães. Não fosse o abnegado trabalho do vietnamita, sabemos bem o que aconteceria com tais crianças.


quarta-feira, janeiro 19, 2011

Assim é a indústria do aborto...

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Dr. Kermit Gosnell
Embora eu sempre evite principalmente imagens mais fortes aqui no blog e mesmo descrições mais cruas, creio que por vezes isto é necessário para que todos saibam como é e como funciona a indústria do aborto pelo mundo.

sábado, janeiro 15, 2011

Um vídeo sobre Santa Gianna!

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Monica, leitora do blog, enviou o vídeo abaixo e pediu divulgação.

Agradeço de coração o envio. Muito obrigado! Gostei muito.

Salve Santa Gianna!




sexta-feira, janeiro 14, 2011

Eu, um radical

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Sou um radical.

Não deixo meus cabelos crescerem muito -- e eles crescem rápido! -- e minha barba é feita algumas vezes por semana. Quando muito, quando tenho picos desta minha radicalidade insana, minha barba fica por fazer um semana inteira!

Apesar disto, sou um radical!

Meu guarda-roupa não tem nada de vermelho. Nada. Nada mesmo. Simplesmente não gosto da cor. Nem mesmo a devoção por São Sebastião e por São Jorge me fez gostar da cor. Não gosto e pronto.

E, mesmo com esta falha grave, sou um radical.

Não possuo sequer uma camisa com a famosa imagem do Che Guevara. Motivo: não gosto de assassinos estampados em meus trajes. Tampouco tenho frisson quando vejo Fidel Castro como acontece com muitos. Por que eu, afinal, admiraria um ditador sanguinário, que mantém seu povo na miséria por sua única e exclusiva vontade?

E, ainda assim, sou um radical.

De símbolos não gosto de suásticas, pois me lembram mortes e mais mortes. Tampouco gosto de foices e martelos cruzados, pois me lembram de mais mortes ainda, mortes que ainda se vêem hoje em dia. Acho muito curioso que ainda haja aqueles que dizem que a suástica e a foice-e-martelo são lados opostos. Para mim são ambos a mesmíssima face de uma moeda. Mortes e mais mortes, isto é que são.

E sou eu o radical.

Não coloco bombas, não invado propriedades alheias, não mato em nome de uma ideologia. Mato apenas por motivos práticos: o mosquito que me atrapalha o sono, a formiga que me deu uma ferroada, a barata que invade meu lar e deixa a esposa nervosa. Coisas assim.

Sou mesmo um radical.

Pode ser que talvez esta minha radicalidade toda ainda não seja suficiente... E não é que eu me senti um pouco mais radical neste início de 2011? Pois é! Como se isto pudesse acontecer!

Além de um baita radical, eu me vi, do nada, como um baita admirador de um outro gigantesco radical! 

Segundo a página do jornal "O Estado de São Paulo", o Pe. Lodi, uma das maiores lideranças pró-vida do Brasil, é presidente de um "movimento católico dos mais radicais do País". Faltou apenas o jornalista Roldão Arruda, que nada tem de "foca", dizer o que seria a tal radicalidade de Pe. Lodi e seu "movimento". 

Pega mal um jornalista experiente lançar termos desta forma e esperar que eles ganhem vida própria, não é mesmo? Ou será que ele subitamente deixou de ser jornalista e virou mero insinuador? 

Seria porque o padre usa batina? Seria porque ele prega exatamente o que a Igreja ensina em relação ao aborto? Seria o que exatamente que levou o jornalista a destacar a tal radicalidade do padre e seu movimento? 

Vejamos: não deve ser a questão do aborto, pois o que Pe. Lodi faz é exatamente o que a Igreja, o Papa e os bispos e clero que com ele estão em comunhão pregam: que a vida humana tem uma dignidade que lhe é intrínseca que deve ser preservada, jamais estando a mercê de "decisões individuais" como a que defende a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Tampouco o motivo deva ser porque o padre escreveu contra as tentativas de criminalizar o que muitos vêm chamando de "homofobia". Faltou também o jornalista do Estadão dizer o que seria a já famosa "homofobia". Talvez seja este um dos segredos mais bem guardados das redações da grande mídia no Brasil. Convenhamos que não é nada fácil criar um termo que tem um significado absurdo e o expandir até que nele caiba que até mesmo um sacerdote possa ser acusado de crime se ele apenas repetir um ensinamento milenar e que vem mesmo escrito no coração de cada homem.

Mas é claro que a grande mídia não está nessa sozinha... O que não faltou foi ONG multicolorida para fazer pressão e indicar caminhos nada retos para que este rio de enganação desembocasse no que se chama de PNDH-3.

Mas creio que não é por causa disto que jornalista acusou o padre de radical. Afinal, o que o padre faz que não tenha de ser feito por qualquer católico ciente de sua missão sagrada?

Será que é porque o padre, nem bem Dilma teve tempo decorar seu escritório, já começou a alertar a todos sobre o rumo deste governo? Ah, não... Não deve ser por isto. O Pe. Lodi há muito alerta a todos sobre os governos petistas. E nem é preciso trabalhar no Estadão para saber que Dilma no governo é como um Lula no 3o. mandato, não é mesmo? Palocci, Zé Dirceu, Guido Mantega e outros estão bem aí para mostrar a quem quiser enxergar. E só para quem quiser enxergar.

Mas Roldão Arruda deve entender de radicalidade... No início do ano passado, quando Lula, em seu cálculo eleitoreiro, resolveu jogar para a galera que o aborto e outras questões polêmicas ficariam fora de seu PNDH-3, advinhem quem o jornalista foi procurar? As famosas "Católicas pelo Direito de Decidir"!

Para o jornalista, aquele grupo de senhoras, que não guarda do catolicismo sequer um mísero ensinamento, é voz ativa quando o assunto gira em torno de religião católica. Radical é o padre e seu "movimento". Normalidade são as CDDs e sua luta pelo aborto. Impressionante, não?

Mas a verdade é que o jornalista deu um tiro no pé. Ao chamar de "radical" ao Pe. Lodi, Roldão Arruda não se deu conta que isto é como que um elogio para um católico sério como o bom padre. Talvez quem se incomode com o adjetivo "radical" sejam as "Católicas pelo Direito de Decidir".

O Evangelho, caro jornalista mais despreparado que um "foca", vive-se na radicalidade. É exatamente quando o mundo diz "sim" que dizemos "não"; é quando os jornais lançam vãos louvores aos que entram pela porta escancarada que nós nos apertamos para passar pela estreira abertura que nos resta. E o fazemos exatamente por saber que é este o único caminho, e mesmo debaixo dos maiores impropérios que nos são lançados.

É fácil dar de ombros em relação aos milhões de mortes de crianças abortadas por todo o mundo anualmente. Elas não gritam, não aparecem em manchetes, não pautam textos jornalísticos com pesquisas mentirosas, não arrumam verbas federais e internacionais, não fazem lobby... 


De radicalismos um verdadeiro católico entende bastante, pois o vive diariamente. Talvez não seja bem o radicalismo que vai na mente do jornalista Roldão Arruda, mas fazer o que, não é mesmo? Ele acha que as "Católicas pelo Direito de Decidir" têm alguma parte com o catolicismo! Só por isto dá para saber o quanto ele entende do assunto sobre o qual quer escrever...

Nós, os radicais, insistimos para que os gritos das milhões de vozes silenciadas pelo aborto sejam ouvidas. Eu estou muito feliz com o lado que escolhi. Difícil mesmo deve ser para quem tem que justificar centenas de milhões de mortes de seres inocentes e frágeis.

Não há "direito de escolha" que justifique isto. Mas o que sei eu? Sou só um radical...