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sexta-feira, outubro 15, 2010

A sombra de Dilma

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Do excelente chargista Emerson de Oliveira, em seu blog.

Pois que falem as pedras!

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Apesar de tudo o que vem acontecendo nos últimos dias, apesar da tristeza em ver tanta confusão nos últimos meses entre os católicos brasileiros, penso que se algo de bom podemos tirar destas eleições no Brasil é o fato de que estamos assistindo tanto a queda de muitas máscaras quanto ao despertar de muitos outros para a urgência da questão da defesa da vida.

Independentemente de quem seja eleito, a causa pró-vida ganhará força, pois só temos a ganhar quando nosso campo de batalha fica livre da cortina de fumaça que há muito vem nos prejudicando.

Se por um lado temos bispos e padres que em momento delicadíssimo levantam suas vozes como verdadeiros profetas, por outro, infelizmente há religiosos que querem servir de auto-falante de forças que não pouparam jamais esforços a favor do aborto e da Cultura da Morte em geral.

Ao ler uma peça com o pomposo título de "Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da vida em Abundância!", o que pode ser dito?

Que dizer quando bispos católicos, verdadeiros Sucessores dos Apóstolos, resolvem deixar sua sagrada missão para participar da suja política partidária? Que dizer quando estes bispos ajudam, seja por qual motivo for, a enganar o eleitorado, principalmente aos fiéis católicos? Que dizer quando estes bispos servem não à Santa Igreja, mas aos interesses de um partido, de uma ideologia?

Que dizer de padres, de Sacerdotes do Altíssimo, que se prestam ao papel de divulgadores de mentiras, de acobertadores do mal, de verdadeiros cúmplices de gente que nada mais faz que instrumentalizar a fé?

Mentem tais bispos e padres, e mentem conscientes, pois a própria candidata Dilma Rousseff já declarou que acha absurdo que o aborto não seja descriminalizado no Brasil. Se ela recentemente declarou-se contra o aborto isto é mais esclarecedor ainda do tipo de pessoa que ela é. Isto se o simples fato de ela ser uma terrorista impenitente não fosse já mais do que suficiente.

Já que tais religiosos afirmam que se sentem no dever de falar tais mentiras, e que para tanto até mesmo utilizam de trecho das Sagradas Escrituras ("Se nos calarmos, até as pedras gritarão!" - São Lucas 19, 40), digo eu que prefiro muito mais ouvir as pedras do que dar ouvidos a religiosos que mancham suas ordens sagradas com a mentira.

É uma desfaçatez que tais religiosos venham enganar o povo com uma definição torta do que seja defender a vida, desejando com isto que sua escolha pelo obscurantismo totalitário de uma ideologia assassina ganhe ares de preocupação com os mais necessitados.

Os não-nascidos, aqueles que são implacavelmente perseguidos por todos governos esquerdistas (Espanha, Portugal, Itália, antiga URSS, Alemanha Nazista, etc.), são os que mais necessitam de vozes que lhes defendam o direito à vida. Por isto que clama aos céus a mentira de que "defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam".

Não! Defender a vida é lutar para que o ser humano tenha assegurado o primeiro de todos os seus direitos que é o direito à existência desde o momento de sua concepção até seu fim natural.

Querer juntar a este direito claro e evidente fatores tais como lazer, cultura, trabalho, etc. é típico de quem procura confundir a questão para juntar uma agenda que passa bem longe da defesa da vida. E é este exatamente o caso do PT e de outras correntes esquerdistas.

É realmente triste para o povo católico ver bispos, padres e outros religiosos que viram o rosto para o lado ao clamor de inúmeros não-nascidos, emprobrecidos até mesmo de suas vidas, perseguidos até no útero de suas mães e até por estas, injustiçados muitas vezes pela culpa de um pai criminoso, e caluniados por muitos como se fossem a causa de males aos que já gozam de seu direito à vida.

Pois que falem as pedras e não estes bispos, padres e freiras, que covardemente esquecem-se dos mais excluídos dentre todos. Elas, as pedras, no papel silencioso que a criação divina lhes deu, mostram-se muito mais eloqüentes que bispos e outros religiosos que procuram diluir o direito à vida para que este caiba na retórica político-partidária-esquerdista, retórica esta que já arrastou milhões para a morte, seja em campos de concentração, seja em gulags, seja pela fome ou, como é procurado pelos favoráveis ao aborto, através do holocausto intra-uterino.

Quão vergonhoso é ver bispos e padres ignorando até mesmo a palavra de um Papa, que ensina que é INEGOCIÁVEL o direito à vida e a proteção da família. Que vergonha é vê-los permitindo que o direito à vida seja de tal forma distorcido para que ele se ajuste às vontades de partidos políticos. Quão lamentável é vê-los chafurdar na lama de simples dispensadores de mentiras, de simples entregadores de falsidades.

Quem diria que o silêncio frio das pedras serviria mais aos católicos que as palavras de tais bispos e padres? Como imaginaríamos que a tinta das paredes de suas catedrais e paróquias teriam mais a ensinar aos fiéis do que a tinta que lhes sai da pena?

Entre o ensino de tais bispos e padres e o das pedras, esperarei pelas palavras das últimas o quanto for preciso.

domingo, outubro 10, 2010

Aviso aos petistas

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Nos últimos dias nota-se claramente que há petistas rondando este e inúmeros outros blogs católicos e blogs defensores da vida querendo "esclarecer e alertar" aos eleitores católicos sobre o poscionamento de Dilma Rousseff em relação ao aborto.

Aqui neste blog, podem esperar sentados, pois não terão vez e nem voz. Por anos a fio os verdadeiros católicos foram rotulados por petistas com uma infindável quantidade de termos pejorativos, e agora estes mesmos petistas vêm por aqui querendo ensinar algo?

Se ganharem esta eleição, pois que ganhem sem nós, católicos. Ganhem com os "católicos" do naipe de Lula, Dilma, Frei Betto e assemelhados. Há os que aceitam se vender e há os que não aceitam. Procurem os primeiros, vocês se merecem!

Não percam seu tempo! Criem seus blogs ou publiquem suas mentiras junto àqueles que fazem parte de seu jogo sujo. Não lhes devo nada, somente um pé no traseiro.

Não compactuo com aqueles que chamam de "direito humano" o assassinato de crianças e não aceito turba que aqui venha a mando do maior partido abortista do Brasil.


Obrigado, Chalita!

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O que vai acima é uma mensagem do twitter de Gabriel Chalita. Nesta, o deputado eleito pelo estado de São Paulo informa a seus seguidores sobre a liturgia deste Domingo, no qual um leproso é curado por Nosso Senhor Jesus Cristo e mostra sua gratidão.

Pois eu acho que temos muito o que agradecer a Gabriel Chalita. Acho mesmo que todos os católicos têm que ser eternamente gratos a ele!

Quando a candidatura de Dilma Rousseff começou a fazer água entre outras coisas por causa da questão do aborto, Gabriel Chalita foi convocado para ajudar a remendar a canoa. O remendo dado por Chalita ficou tão meia-boca que ele chegou ao cúmulo de chamar Lula de "católico fervoroso".

Se as palavras de Chalita têm um efeito inebriante para suas e seus chalitetes, para os católicos conscientes de sua missão, que testemunham há anos o ataque sistemático de Lula e seus comparsas aos valores da família e à vida humana, o efeito é totalmente contrário.

Lula, com o passar dos anos, já deu muitas provas de seu "fervoroso" catolicismo. Afinal, para um homem que já se disse sem pecados, o fervor é coisa por demais básica, não é mesmo? Aqui mesmo neste blog já tivemos a oportunidade de ver o fervor de Lula em pleno êxtase, como fica nítido na imagem abaixo, na qual Lula, o imaculado, distribui preservativos para foliões no Carnaval carioca.


Eu chamo isto de imoralidade e, para quem se diz católico, de hipocrisia. Chalita chama de fervor. Então tá.

Temos mesmo muito o que agradecer a Chalita! Como deixar de agradecer-lhe por ele aceitar fazer o papel de ir a TV Record, a TV de Edir Macedo, o mesmo que sempre que pode usa até mesmo a Bíblia Sagrada para defender o aborto? Como deixar de agradecer a Chalita por ele estar ao lado de Dilma Rousseff, uma senhora que é uma nulidade política, mas que aceitou o cargo de fantoche lulista?

Aliás, é esta mesma Dilma que, agora que o assunto veio à tona, diz-se catolicíssima e contra o aborto, mas até pouco tempo atrás ela dizia-se favorável ao aborto e chegou ao absurdo de chamar Nossa Senhora de "deusa", uma besteira tamanha que nem criancinhas aprendendo o catecismo dizem.

Devemos ou não ser gratos a Chalita por ele se prestar a chamar de "boataria" os vídeos e entrevistas nos quais a candidata-fantoche ao ponto de falar que é um "absurdo que o aborto não seja descriminalizado no Brasil"?

E também devemos ser gratos a Chalita quando ele, na mesma entrevista na TV Record, fala em abortos feitos com agulhas de crochê. Esta imagem forte e mentirosa, faz parte do imaginário terrorista/abortista que é sempre utilizado quando os pseudo-argumentos por eles utilizados são postos ao chão. Mas temos muito a agradecer a Chalita por trazer este clássico "argumento" abortista, uma tática produzida nos porões de ONGs para impressionar a opinião pública.

Valeu, Chalita!

Mas o que mais devemos agradecer a Gabriel Chalita é por ele ter a capacidade de exprimir estas palavras:
"(...) acho que é fundamental que a gente tenha essa maturidade de não jogar pedras… Aliás, a base… o Brasil é um país cristão… e a base do cristianismo que é Jesus Cristo, foi um homem que não jogou pedras, foi um homem que fez pontes, que ensinou a amar, que não saiu destruindo as outras pessoas. Então, eu acho que é uma infelicidade às vezes quando uma parte dos cristãos acredita nisso e sai desconstruindo essas imagens, né…"
Nosso Senhor Jesus Cristo realmente não jogou pedras, mas Chalita "esquece" que ele deu boas chicotadas nos vendilhões do Templo. Por que? Por que Nosso Senhor não admitia quem tenta misturar às coisas de Deus algo que lhe é contrário. É preciso desenhar?

Se Nosso Senhor fez "pontes" -- para utilizar um termo ao gosto de Chalita --, faltou o deputado dizer que as tais "pontes" em momento algum passaram perto de uma contemporização com o pecado.

Faltou também o deputado dizer onde é que se está destruindo qualquer pessoa... São as próprias palavras de Dilma Rousseff e dos estatudos do PT que são destrutivas, principalmente para os bebês ainda no ventre de suas mães. Estes é que, na verdade, correm o maior risco de destruição se o programa petista for implantado. Com a defesa de Chalita, claro.

Defesa, aliás, que chegou até mesmo ao ponto de tentar explicar o insustentável, que é a posição de Dilma Rousseff sobre o aborto:
"Ela diz assim: Quando eu afirmo que é uma questão de saúde pública, isso está ligado a cuidar dessa mulher que fez o aborto. Na verdade, cuidar das pessoas, a gente tem que cuidar de todas, mesmo daquele que matou, para que ele se recupere e volte pra sociedade, né?! Aí o que nós colocamos pra ela, inclusive isso foi muito discutido, ela teve um momento com várias lideranças religiosas…"
Querem "cuidar" daquele que matou, mas deixam de lado quem morreu? Isto encaixa direitinho no em entrevistas anteriores de Dilma, nas quais ela diz que o aborto é "uma violência contra a mulher", deixando de lado qualquer compaixão com o bebê que foi trucidado.

É isto mesmo, Chalita? É um discurso destes que você vai à TV defender? E o que acontece com os bebês que nunca poderão "voltar para a sociedade" exatamente porque lhes foi cruelmente negado que pudessem fazer parte dela? É contra a desconstrução de tais discursos que Chalita se incomoda? Então, tá bom.

Por tudo isto só podemos dizer: Muito obrigado, Chalita!

sábado, outubro 09, 2010

Afinal, onde se meteram os favoráveis ao aborto?

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A força com que o tema do aborto tomou de assalto esta eleição presidencial demonstra que, ao contrário do que deseja o PT e assemelhados e boa parte da grande mídia, a população brasileira está muito preocupada com questões morais.

Elio Gaspari, ao chamar de "baixaria" que tal tema apareça e que se mostre decisivo, demonstra o total descolamento de muitos formadores de opinião sobre o pensamento do brasileiro médio. Além, é claro, de mostrar uma tentativa idiota de direcionar o debate.

Da mesma forma, causa surpresa a muitos que inúmeros brasileiros não caiam nas armadilhas de marqueteiros que pintam o Brasil como país de primeiro mundo, varrendo para debaixo do tapete o aumento geometricamente progressivo da corrupção, as tentativas de cerceamento de liberdade de expressão, a demonização da oposição, etc.

Mas no meio de todo este barulho e versões sobre tais e tais fatos que inundam a imprensa, é de se notar o completo silêncio de feministas e abortistas.

Durante anos e anos, sempre que o tema aborto vinha à tona, invariavelmente aparecia uma feminista "católica" falando as maiores besteiras em sua vã tentativa de combinar cristianismo e abortismo. Durante muito tempo, inúmeras ONGs revezavam-se nas revistas e jornais defendendo o aborto e mostrando-se preocupadíssimas com o -- como elas fazem questão de enfatizar -- "destino das mulheres mais humildes".

Onde está esta patota agora? Será que seus números de telefone subitamente desapareceram das agendas de tantos jornalistas que sempre lhes procuravam? Será que seus endereços de e-mail foram desativados? Qual será, afinal, o motivo para não haver atualmente um único abortista que apareça em revistas e jornais?

Onde está o ubíquo Dr. Thomaz Gollop, sempre tão presente em reportagens favoráveis à descriminalização do aborto?

Onde está a ongueira Dulce Xavier, da ONG "Católicas pelo Direito de Decidir", que não dá uma declaraçãozinha para defender a "catolicidade fervorosa" (by Gabriel Chalita) de Dilma Rousseff?

Quem deu uma olhada no último editorial do site das senhoras decididas sabe bem que elas têm muito o que falar sobre a questão, que estão engolindo um sapo-boi por dia a seco. Por que os jornais e revistas estão negando-lhes espaço desta vez?

Durante anos tivemos de ouvir e ler de feministas e abortistas que o aborto deveria ser discutido pela sociedade. Era um blablablá interminável. Por que será que agora não aparece um acadêmico, uma feminista/abortista para enfrentar a opinião pública, que se mostra esmagadoramente contrária ao aborto, e defender Dilma Rousseff?

Onde estão as "Católicas pelo Direito de Decidir" para reclamar de Dilma e seus marqueteiros, que chegaram ao cúmulo de divulgar uma foto do batizado do neto da candidata para mostrar seu "catolicismo fervoroso"?

Quem lê o site das senhoras confusas nota um samba de uma nota só: laicismo do Estado. Por que atualmente não aparece uma delas para, de peito aberto, dizer que é um absurdo que Dilma tente se fantasiar de católica para angariar votos?

Eis um pequeno trecho do que vai no site das senhoras:
"De toda forma, o que está em jogo de fato no atual debate não é o aborto e sim a democracia. Não está havendo um debate social sobre o aborto, mas sim uma utilização escusa do tema, que está sendo realizada de forma maliciosa, astuta e eleitoreira. Trata-se de um jogo sujo, no qual mais uma vez a vida das mulheres serve como moeda de troca!"
Uau! Será que uma tamanha indignação não encontra espaço na mídia? Que tal um jornalista ir lá perguntar a elas se elas acham mesmo se Dilma Rousseff é contra o aborto? Ou melhor: que tal perguntar o que elas acham de Dilma Rousseff ser contra o aborto? Seria fantástico ler a resposta a esta pergunta!

A verdade é que os abortistas saíram de cena porque é de seu interesse. Eles toleram bem a construção de uma Dilma "católica fervorosa" feita por Gabriel Chalita e pelo PT porque isto lhes trará dividendos no futuro. Sabem bem que o momento é delicado e que uma declaração de que Dilma e PT sempre apoiaram sua causa poderia pôr muita coisa a perder.

É por isto que petistas como a professora Marilena Chauí, como trazido pelo jornalista Reinaldo Azevedo, ao invés de defender que Dilma Rousseff sempre se declarou favorável ao aborto (esta é a verdade!) houve por bem atacar que o tema seja debatido durante a campanha. Se a verdade lhes é desfavorável, eles pegam um outro caminho, não é mesmo?

A verdade é que este pessoal está nem aí para a população. Só lhes importa ganhar votos e nada mais. É exatamente por isto que a revolta de feministas como as "Católicas pelo Direito de Decidir" ficarão bem guardadas em seus sites, para só saírem ou na marcha da vitória ou para atacar um eventual governo de José Serra.

Enquanto nada está decidido, os abortistas aceitam uma posição que lhes é praticamente desconhecida, que é a de ficar longe dos jornais e das revistas. Aceitam, sim, mas vão rangendo os dentes, afiando as garras, destilando o veneno, esperando a oportunidade que lhes será dada no futuro.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Comissão Episcopal para Caridade, Justiça e Paz é o núcleo vermelho da CNBB

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A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à CNBB, reagiu com nota aos desdobramentos que o corajoso posicionamento contrário de alguns bispos frente a partidos e candidatos favoráveis ao aborto. Já era mesmo de se esperar tal reação. Demorou, até. Com toda certeza podemos dizer que somente o advento do 2o. turno nesta eleição presidencial é que fez o pessoal da CBJP se movimentar. Quando Lula e sua fantoche plastificada Dilma Rousseff estavam navegando por mares que lhes eram favoráveis, apesar de mostrarem um total afastamento em relação ao que prega a Igreja, a CBJP não movia uma palha.

Onde estava a CBJP quando o escândalo do Mensalão estourou? Onde estava a CBJP quando Lula espertamente enviou carta a bispos dizendo-se cristão enquanto seu governo fazia o possível em favor do aborto? Onde se escondia a CBJP quando padres da cidade de São Paulo faziam abertamente campanha para Marta Suplicy na sua tentativa de ser prefeita daquela cidade?

Existem vários outros exemplos que poderiam ser aqui elencados e em todos o único ponto em comum que teríamos seria a completa omissão da CBJP. Parece que a CBJP escolhe a dedo as brigas que quer brigar, não é mesmo?

Quem já teve a infeliz oportunidade de ler uma de suas "Análises de Cojuntura" pode bem facilmente notar o vocabulário típico de autores esquerdistas, com temas que são muito caros ao PT e partidos assemelhados. Alguém pode mesmo estranhar que agora eles sintam-se no dever de intervir?

Quando o assunto é corrupção no governo petista ou propaganda de padres a candidatos petistas, a CBJP acha melhor olhar para o outro lado. Já quando bispos dizem o óbvio -- que católicos não devem dar voto a abortistas --, aí a CBJP rasga as vestes indignada?

Toda a nota da CBJP é um desastre. Podemos ler trechos como:
"Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias."
Certo. AGORA a CBJP preocupa-se com o afastamento de muitos católicos? E que "afastamento" é este? De qual tipo de católicos estamos falando? De "católicos" como Dilma, como Lula? "Católicos" abortistas como ambos? Ora, se são deste tipo, a porta da rua é a serventia. De uma coisa que não necessita a Santa Igreja é de gente que bata palma ou que facilite o assassinato de crianças ainda no ventre de suas mães.

Lamentável mesmo é a omissão de quem diz que luta por Justiça e Paz. Que Justiça, que Paz podem ser alcançadas quando é tolerado ou incentivado o assassinato de bebês?

E na nota vemos trechos mesmo que beiram a desonestidade mais pusilânime:
"Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial."
É impressionante como quem fica tecendo louvores à "maturidade" de nossa democracia é quem fecha os olhos para a corrupção institucionalizada pelo PT, quem ignora o assalto sistemático feito às nossas instituições nos últimos tempos, quem pouco se importa com os destinos de crianças que serão abortadas. O "constrangimento" da CBJP parece ter mão única. Questões morais, como o aborto, não lhe parecem fazer corar o mínimo que seja. E é este mesmo pessoal que tem a cara-de-pau de vir falar em "comunhão eclesial"?

Mas o discurso da CBJP é tão caduco, tão sem propósito que é capaz até mesmo de se enrolar. Veja-se este trecho:
"Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos."
"Defesa da dignidade da pessoa humana"! É impressionante como quem produziu tal nota não consegue ignorar este ponto, mas, mesmo assim, prefere ficar enrolando, sacrificando o que é moralmente certo diante do altar de suas prioridades distorcidas.

Os referenciais éticos e da Doutrina da Igreja estão sendo defendidos pelos bispos que são contra o voto em abortistas, não pela CBJP e seu discurso cambaleante. Se é a ética e a DSI que servem de referência ao voto dos católicos, os senhores bispos fizeram muito bem em advertir aos fiéis sobre a impossibilidade de voto em partidos e candidatos comprometidos com a aprovação do aborto.

A CBJP deveria então responder se existe alguém mais excluído neste mundo do que um bebê ao qual foi negado o direito de vir à luz? Existe ser mais empobrecido do que os pequeninos que vão parar em latas de lixo hospitalar? Do que aqueles que vão parar nas redes de esgoto após abortos do dia seguinte?

E é contra quem levanta sua voz para impedir que se dê votos a quem é favorável a esta violência que a CBJP vem a público? Faria a CBJP muito melhor se se juntasse ao côro dos bipos.

Mas quem compreende ao menos um pouco o que se passa lá pela CBJP sabe muito bem que o catolicismo tem nada a ver com o que por lá vai. Como já mostrou o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog, o Secretário-Executivo da CBJP é um petista de carteirinha, ou seja, tem credibilidade zero ao tratar do tema e ao dar conselhos a cristãos.

Mas se a coisa vai feia na CBJP, na qual um petista acha por bem que deve divulgar nota espinafrando bispos que não seguem sua cartilha petista, a coisa fica mais feia ainda quando olhamos cria de quem é a CBJP.

A CBJP é ligada à Comissão Episcopal para o serviço da Caridade, Justiça e Paz, que por sua vez é presidida por D. Pedro Luiz Stringhini, que no caso dos padres que faziam campanha para Marta Suplicy achou que deveria apenas "aconselhar" seus padres a não fazerem tal papel. Deu no que deu.

D. Pedro Luiz Stringhini esteve presente em outra polêmica, na qual uma coordenadra de pastoral deu declarações a favor da descriminalização do aborto. Pois bem, à época, quando confrontado com o fato, D. Pedro disse apenas que o mandato da coordenadora estava por terminar.

Um outro bispo, também bem conhecido aqui neste blog, D. Demétrio Valentini, deu declarações na época da polêmica, já que a coordenadora era de uma pastoral sob sua responsabilidade. O posicionamento de D. Demétrio à época é no mínimo estranho vindo de um bispo católico.

Recentemente, D. Demétrio também entrou na atual polêmica envolvendo a questão do voto católico nestas eleições. Evidentemente, mais um vez ele estava do lado errado, o que pode bem ser visto em uma postagem recente aqui neste blog.

Enfim o que fica claríssimo a todos que estão um pouco atentos a estes fatos é que a Comissão Episcopal para Caridade, Justiça e Paz é o núcleo vermelho da CNBB. Quando temos polêmicas relacionadas ao aborto, é de pastorais ligadas a esta Comissão que elas vêm. Quando o PT e assemelhados precisam de gente de dentro da Igreja para passar pito e tentar desautorizar até mesmo bispos, é de gente subordinada a esta Comissão que saem notas à imprensa, como foi o caso da Nota da CBJP.

E isto é só o que atinge a luz do dia... Imaginemos o que por lá acontece na calada da noite.

"Profetização do fim da Canção Nova" - por Emanuelle Carvalho Moura

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Profetização do fim da Canção Nova

O envolvimento do PT com políticas pró-aborto e as tentativas de legalização desse crime hediondo, tornando-o um direito das mães de matarem a prole é fato conhecido e notificado com todas as provas documentais que se possa imaginar. Um exemplo notório é o PL 1135/91 que prevê a legalização do aborto até o fim da gestação e que foi elaborado por COMISSÃO DO GOVERNO DO PT.

Além de tudo, o Partidão está prevendo censura e outras aberrações em um pacote chamado “Plano de Direitos Humanos”.

Isso tudo foi denunciado pelo Pe. José Augusto. Em link retirado do ar pela Canção Nova, porque esta fez questão de dizer que suas opiniões não manifestavam a opinião da instituição. As opiniões do bravo Pe. José Augusto eram contra o aborto, contra a união civil de homossexuais, contra a censura à imprensa, contra a legalização das drogas e contra a covardia dos católicos que, acomodados, não se preocupam em lutar pela cristianização da sociedade com um voto consciente sobre o quê está sendo planejando para o Brasil com o Plano de Direitos Humanos do PT subscrito por Dilma:

Veja algumas palavras do Pe. José Augusto:

“Chega de sermos católicos mornos, frios e medrosos! [...] Como é que nós ficamos assim, como se nada tivesse acontecendo, numa boa, com medo de perder isso, medo de perder aquilo… que perca tudo! Nós só não podemos perder é Jesus Cristo nessa vida. E a nação brasileira tem que ser uma nação cujo Deus é o Senhor!”.

Mas as opiniões do Pe. José Augusto não manifestam a opinião da Canção Nova. Isso não soa sombrio? A coisa está tão feia que o Pe. Joãozinho da Canção Nova ainda faz apelo contra os bispos de Cristo e insinua claramente ser um cabo eleitoreiro da Dilma:

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/10/07/o-momento-politico-e-a-religiao/

O caso clínico Gabriel Chalita

Gabriel Chalita foi eleito porque tinha 4 anos de propagandas eleitorais gratuitas fornecidas pela Canção Nova através de um programa que ele coordenava no canal. Hoje, Chalita zomba dos Bispos fiéis ao Magistério da Igreja, chamando-os de “boateiros”, esse vídeo do Chalita é o mais nojento que eu já vi, o mais asqueroso dos seus pronunciamentos contra a verdade:

http://www.youtube.com/watch?v=xS2pv2z8BP4

O que a Canção Nova fez? Não deu um pronunciamento sobre toda a contra propaganda do atual deputado federal Chalita à Igreja de Cristo, que lhe deu abrigo e acolhimento para que pudesse se eleger no Estado de São Paulo. Mas e quanto ao Pe. José Augusto? A Canção Nova lhe deu a palma da censura. Realmente, deduz-se muito tristemente qual a verdadeira opinião da Canção Nova. Ela varia segundo a quantidade de dinheiro que lhe prometem pagar. Está prostituída, vendida e idolatra o bezerro de ouro. Ela confia nos homens (e em um homem como Gabriel Chalita que já provou ser um traidor da pior espécie). Canção Nova perdeu o temor de Deus para confiar seus porcos centavos a homens. A providência divina lhe fez perder a paciência, Canção Nova quer um cachê generoso do Chalita e da Dilma.

Canção Nova e Padre Antônio Vieira

Mas qual a diferença entre o que a Canção Nova fez e o que os judeus fizeram quando escolheram que se crucificasse o filho do Deus Vivo em troca de um sossego com o governo que comandava sua terra? Pe. Antônio Vieira explica:

“Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos.”

“Pois morra Cristo, para que não nos percamos todos”: é isso o que a Canção Nova pensa em fazer? Esconder a morte de inocentes, esconder os planos maquiavélicos de imoralidade previstos pelo Governo do PT? Para que a Canção Nova continue fazendo seu programa de TV diário com segurança e sobretudo dinheiro, e sobretudo com Gabriel Chalita mostrando sua cara cínica na TV? Isso tudo para que morra o Cristo? Crucificando o Cristo? Desfigurando a Igreja de Deus?

Pe. Vieira explica em que resulta política tão obtusa:

“Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra. Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo.”

Eu não profetizo que a Canção Nova vai cair, quem o profetiza é o Pai do Brasil, Pe. Antônio Vieira, ela vai afundar como assim ocorreu com a Jerusalém dos judeus da época da morte de Cristo. A Canção Nova está sob maldição. E isso basta ver, pensar e refletir porque Deus fala conosco através da consciência. E se “a consciência” da Canção Nova ainda não está pesada, vai ficar em breve. Digo mais: se Dilma ganhar, a primeira instituição que comerá da bolota dos porcos vai ser a Canção Nova. E eu não vou rir disso, mas vou lamentar um desfecho tão óbvio. Porque não me rio da desgraça de nenhum irmão:

“E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.”

Convertei-vos enquanto existe tempo. Porque a verdadeira política é o temor de Deus:

“Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei.”

Emanuelle Carvalho Moura


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Sermão da 6a Sexta-Feira da Quaresma de 1662

Padre Antônio Vieira

parte VII

Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos. Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra. Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo. Santo Agostinho: In contrarium eis vertit malum consilium: Vede, diz Agostinho, o mau conselho como se converteu contra os mesmos que o tinham tomado: Ut possiderent, occiderunt, et quia occiderunt, perdiderunt: para conservarem a república, mataram a Cristo, e porque mataram a Cristo, perderam a república. — Oh! quantas vezes se perdem as repúblicas, porque se tomam por meios de sua conservação ofensas de Cristo! Quem aconselha contra Deus, aconselha contra si. E os meios que os homens tomam para se conservar, se são contra Deus, esses mesmos tomam Deus contra eles, para os destruir.

Muitas vezes castigou Deus a República Hebréia, em todos os estados e em todas as idades, por diferentes nações. Deixo os cativeiros particulares no tempo dos Juízes pelos madianitas, e no tempo dos reis pelos filisteus. Vamos aos cativeiros gerais. O primeiro cativeiro geral, em tempo de Moisés, foi pelos egípcios; o segundo cativeiro geral, em tempo de Oséias, foi pelos assírios; o terceiro cativeiro geral, em tempo de Jeconias, foi pelos babilônios; o último cativeiro geral, depois de Cristo, que é o presente, foi pelos romanos. E por que ordenou Deus que os executores deste último cativeiro fossem os romanos, e não por outra nação? Não estavam ainda aí os mesmos egípcios, os etíopes, os árabes, os persas, os gregos e os macedônios, que eram as nações confinantes? Pois por que não ordenou Deus que os executores deste cativeiro fossem estas, ou outra nação, senão os romanos? Para que visse o mundo todo que a causa deste castigo foram as políticas deste conselho. Ora vede.

Três resoluções tomaram estes conselheiros para conservação da sua república, todas três fundadas no temor, no respeito, na dependência e na amizade dos romanos. A primeira notou S. Gregório, a segunda S. Basílio, a terceira Santo Ambrósio. Deixo as palavras por não fazer o discurso mais largo. A primeira resolução foi que, se Cristo continuasse com aquele séquito e aplauso e com as aclamações de rei que lhe dava o povo, viriam os romanos sobre Jerusalém: Si dimittimus eum sic, venient romani (Jo 11,48). A segunda resolução foi entregarem a Cristo aos soldados romanos, porque eles foram os que o

prenderam no Horto e o crucificaram: Judas vero, cum accepisset cohortem (Jo 18,3), que era uma das coortes romanas. A terceira resolução foi persuadirem a Pilatos, governador de Judéia posto pelos romanos, que, se livrava a Cristo, perdia a amizade do César: Si hunc dimittus, non es amicus Caesaris (Jo 19,12). Ah! sim! E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.

Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei. Os políticos antigos estudavam pelos preceitos de Aristóteles e Xenofonte; os políticos modernos estudam pelas malícias de Tácito, e de outros indignos de se pronunciarem seus nomes neste lugar. A verdadeira política, e única, é a Lei de Deus. Ouvi umas palavras de Deus no capítulo 17 do Deuteronômio, que todos os príncipes deviam trazer gravadas no coração: Cum sederit rex in solio regni sui, describet sibi Deuteronomium legis hujus, legetque illud omnibus diebus vitae suae, ut discat timere Deum, neque declinet in partem dexteram, vel sinistram, ut longo tempore regnet ipse, et filii ejus (Dt. 17,18 ss). Tanto que o rei, diz Deus, se assentar no trono do seu reino, a primeira coisa que fará, será escrever por sua própria mão esta minha Lei, e a lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer a Deus, e não se apartará dela um ponto, nem para a mão direita, nem para a esquerda, e deste modo conservará o seu reino para si e para seus descendentes. — Pois, Senhor, esta é a arte de reinar, este são os documentos políticos, e estas são as razões de estado que dais ao rei do vosso povo para sua conservação e para perpetuidade e estabelecimento de seu império? Sim. Estas são, e nenhumas outras. Saber a Lei de Deus, temer a Deus, guardar a Lei de Deus, e não se apartar um ponto dela. Se Aristóteles sabe mais que Deus, sigam-se as políticas de Aristóteles. Se Xenofonte sabe mais que Deus, imitem-se as idéias de Xenofonte. Se Tácito fala mais certo que Deus, estudem-se as agudezas e sentenças de Tácito. Mas se Deus sabe mais que eles, e é a verdadeira e única sabedoria; estudem-se, aprendam-se, e sigam-se as razões de estado de Deus.

Não digo que se não leiam os livros, mas toda a política sem a Lei de Deus é ignorância, é engano, é desacerto,

é erro, é desgoverno, é ruína. Pelo contrário, a Lei de Deus só, sem nenhuma outra política, é política, é ciência, é acerto, é governo, é conservação, é seguridade. Toda a política de um rei cristão se reduz a quatro partes e a quatro respeitos: do rei para com Deus, do rei para consigo, do rei para com os vassalos, do rei para com os estranhos. Tudo isto achará o rei na Lei de Deus. De si para com Deus, a religião; de si para consigo, a temperança; de si para com os vassalos, a justiça; de si para com os estranhos a prudência. Para todos estes quatro rumos navegará segura a monarquia, se os seus conselhos levarem sempre por norte a Deus, e por leme a sua Lei: Consiliorum gubernaculum lex divina, disse S. Cipriano. Os conselhos são o governo da república, e a Lei de Deus há de ser o governo dos conselhos. Conselho e república que se não governa pela Lei de Deus, é nau sem leme. Por isso o reino de Jeroboão, de Bassa, de Jeú, e de tantos outros, fizeram tão miseráveis naufrágios.

O mais político e o mais prudente rei que lemos nas Histórias Sagradas foi Davi. E qual era o seu conselho? Ele o disse: Consilium meum justificationes tuae (Sl. 118,24): O meu conselho, Senhor, são os vossos mandamentos. — Oh! que autorizado conselho! Oh! que prudentes conselheiros! O conselho: a Lei de Deus, os conselheiros: os dez mandamentos. De Aquitofel, aquele famosíssimo conselheiro, diz o texto que eram os seus conselhos como oráculos e respostas de Deus: Tanquam si quis consuleret Dominum (2Sam 16,23). Os Mandamentos de Deus, que eram os conselheiros de Davi, não são como oráculos, senão, verdadeiramente oráculos de Deus. E quem se governar pelos oráculos de Deus, como pode errar? Quando Cristo apareceu a el-rei D. Afonso Henriques, e lhe certificou que queria fundar e estabelecer nele e na sua descendência um novo império, assim como disse a Moisés: Ego sum qui sum: Eu sou o que sou — assim o disse àquele primeiro rei: Eu sou o que edifico os reinos e os dissipo: Ego edificator, et dissipator regnorum sum. Nestas duas máximas resumiu Cristo todas as razões de estado por onde queria se governasse um rei de Portugal. Deus é o que dá os reinos, e Deus é o que os tira. O fim de toda a política é a conservação e aumento dos reinos. Como se hão de conservar os reinos, se tiverem contra si a Deus, que os tira, e como se hão de aumentar os reinos, se não tiverem por si a Deus, que os dá? Se não tivermos contra nós a Deus, segura está a conservação; se tivermos por nós a Deus, seguro está o aumento: Pone me juxta te, et cujusvis manus pugnet contra me (Jó 17,3), dizia Jó, que também era rei: Ponha-me Deus junto a si, e venha todo o mundo contra mim.Se tivermos de nossa parte a Deus, ainda que tenhamos contra nós todo o mundo, todo o mundo não nos poderá ofender; mas se tivermos a Deus contra nós, ainda que tenhamos todo o mundo da nossa parte, não nos poderá defender todo o mundo. Fazer liga com Deus ostensiva e defensiva, e estamos seguros. Eis aqui o erro fatal deste mal-aconselhado conselho dos pontífices e fariseus: por se ligarem com os romanos, apartaram-se de Deus, e porque não repararam em perder a Deus, por conservar a república, perderam a república e mais a Deus. Iste homo multa signa facit (Jo 11,47): Este homem, diziam, faz muitos sinais. — Chamavam sinais aos milagres de Cristo, e, ainda que acertaram o número aos milagres, erraram a conta aos sinais. Os milagres eram muitos, mas os sinais não eram mais que dois. Se seguissem a Cristo, sinal de sua conservação: se o não seguissem, sinal de sua ruína. Cada milagre daqueles era um cometa que ameaçava mortalmente a República Hebréia, se não cresse, e ofendesse a Cristo. E assim foi.

Príncipes, reis, monarcas do mundo, se vos quereis conservar, e a vossos estados, se não quereis perder vossos reinos e monarquias, seja o vosso conselho supremo a Lei de Deus. Todos os outros conselhos se reduzam a este conselho, e estejam sujeitos e subordinados a ele. Tudo o que vos consultarem vossos conselhos e vossos conselheiros, ou como necessário à conservação, ou como útil ao aumento, ou como honroso ao decoro, à grandeza e à majestade de vossas coroas, seja debaixo desta condição infalível: se for conforme à Lei de Deus, aprove-se, confirme-se, decrete-se e execute-se logo; mas se contiver coisa alguma contra Deus e sua Lei, reprove-se, deteste-se, abomine-se, e de nenhum modo se admita nem consinta, ainda que dele dependesse a vida, a coroa, a monarquia. O rei em cuja consciência e em cuja estimação não pesa mais um pecado venial que todo o mundo, não é rei cristão. Quid prodest homini, si universum mundum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur. Que lhe aproveitará a qualquer homem, e que lhe aproveitou a Alexandre ser senhor do mundo, se perdeu a sua alma? Perca-se o mundo, e não se arrisque a alma; perca-se a coroa e o cetro, e não se manche a consciência; perca-se o reino da terra, e não se ponha em contingência o reino do céu. Mas o rei, que por não pôr em contingência o reino do céu, não reparar nas contingências do reino da terra, é certo e infalível que por esta resolução, por este valor, por esta verdade, por este zelo, por esta razão e por esta cristandade, segurará o reino da terra e mais o do céu, porque Deus, que é o supremo senhor do céu e da terra, nesta vida o estabelecerá no reino da terra, pela firmeza da graça, e na outra vida o perpetuará no reino do céu, pela eternidade da glória.