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quinta-feira, agosto 05, 2010

Abortistas: eternos oportunistas

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A revoltante história da francesa Dominique Cottrez que matou oito filhos recém-nascidos é muito mais que apenas mais uma história triste acontecida nestes nossos difíceis tempos. É mais do que claro que tal ato é fruto de uma mente doente, necessitada de urgente tratamento psicológico, mas igualmente impressionante é a reação da sociedade diante do fato.

É de enojar as tentativas de desvio da atenção para problemas diferentes, como que buscando capitalizar o drama da morte destas crianças. Esta instrumentalização do drama alheio é dos vícios mais horrendos de nossa época, coisa de quem vê uma tragédia não com compaixão pelas vítimas, mas com os frios olhos do oportunismo.

Abortistas são mestres neste tipo de manipulação baixa, cujo alvo é a flexibilização junto à opinião pública da natural rejeição ao aborto. Um documentário produzido recentemente pelo IPAS-Brasil é um exemplo pronto e acabado deste tipo de tática sem vergonha, que apenas mostra mais claramente o quão baixo tais pessoas conseguem ir.

Um exemplo de reação estranha ao drama ocorrido na França são as palavras de uma vizinha do casal Cottrez, Janique Kaszynski:

"É revoltante. É mostruoso. Para mim, eles [o casal] não são seres humanos. É monstruoso terem matado oito bebês viáveis."
Para quem não sabe, a "viabilidade" de um bebê é um termo que indica quantidade de semanas de gestação a partir da qual um bebê poderia sobreviver fora do útero da mãe. Atualmente o número de semanas é por volta de 23.

Mas o que salta aos olhos na frase da vizinha é a naturalidade com que ela assume um discurso abortista mesmo diante de uma tragédia que sinceramente a revolta. Não é assassinato de bebês que lhe causa asco, é o assassinato de bebês "viáveis".

Segundo a viabilidade atual, esta vizinha não se importaria se a sra. Cottrez fosse a uma clínica de abortos para matar seus oito filhos se estes tivessem apenas 22 semanas. Que coisa, não? O que a incomoda é que ela tenha matado bebês viáveis. Ao final o que se tem é que a vizinha
Janique Kaszynski valoriza não a vida, mas a vida valorada por um critério subjetivo como a tal "viabilidade".

E é aqui que está o real problema: ao se diminuir o valor intrínseco que tem uma vida humana, deixando-a à mercê de critérios subjetivos tais como a viabilidade fora do útero da mãe, ou se o nascituro já sente dor, ou a simples escolha da mãe, o que se cria é a porta de entrada para que uma pessoa como a vizinha da sra. Cottrez horrorize-se com a morte de 8 crianças que eram "viáveis" enquanto nem liga para as milhões que são estraçalhadas em clínicas de aborto ou que vão parar na rede de esgoto vítimas de medicamentos que tornam o aborto cada vez mais invisível à sociedade, mas nem por isto menos nocivo.

Quem como a vizinha da assassina sra. Cottrez dá importância a estes critérios para decidir com o que vai se horrorizar, corre o risco de ficar como alguns médicos ingleses, que foram capazes de deixar morrer sem quaisquer cuidados um bebê com 21 semanas e 5 dias de gestação apenas porque o protocolo médico afirma que somente nascituros de 22 semanas em diante devem ser tratados.

É isto mesmo... Por causa de 2 dias médicos de um país de primeiro mundo forçaram uma mãe assistir à morte do próprio filho sem que houvesse uma mísera tentativa de dar ao pequeno e extremamente frágil bebê um mínimo de conforto.

Talvez estes mesmos médicos que cometeram este ato de inominável crueldade estejam também, assim como a vizinha da sra. Cottrez, revoltadíssimos com o assassinato de 8 bebês. Afinal, para eles a coisa é diferente quando os bebês são "viáveis", não é mesmo? Ao menos deve ser assim que justificam para si seus atos...

É esta a Cultura da Morte que tudo vai dominando em nossos dias. E engana-se quem pensa que a vizinha da sra. Cottrez está sozinha ao reverberar um discurso abortista, ainda que velado.

Na área de comentários na página do Portal Terra que divulgou a notícia do ocorrido na França, podemos ler o seguinte, com erros e tudo:
"E A DESGRAÇA AINDA NÃO QUERIA USAR MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS!!! OU É MUITO IGNORANTE OU É DOMINADA POR ESSAS IGREJAS QUE PROIBEM A INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ POIS É 'PECADO'.

O pior pecado é criar crianças sem amor e transformá-las em futuros psicopatas,
ou interromper a gravidez indesejada ?????"
Pois é, o comentarista, que assina como "Verdade Liberta", dá um giro na questão e instrumentaliza a morte dos 8 bebês para vociferar contra quem é desfavorável aos métodos artificiais de controle da natalidade.

O valor que o comentarista dá às crianças em geral pode ser bem visto no segundo e último parágrafo de seu curto comentário, onde ele diz que maior pecado que matar uma criança ainda no ventre de sua mãe é criar uma criança sem amor. Ele talvez não perceba, mas, assim como outros. ele também criou um critério extremamente vago para decidir quem deve ou não viver.

E se crianças já crescidas perderem seus pais e tiverem de ir para um orfanato? Será que o "Verdade Liberta" defenderia a sumária execução das crianças? Afinal, já que o critério é o "amor", se este for perdido...

É patético mesmo o determinismo do "Verdade Liberta" ao dizer que quem é criado sem amor torna-se um psicopata, sustentando que só isto já basta para mostrar a necessidade do aborto, que ele, como todo bom abortista, evita chamar pelo nome, preferindo muito mais o insosso e acadêmico "interrupção da gravidez".

Ele parece até pau-mandado do governador Sérgio Cabral -- que provavelmente será re-eleito --, para quem ser favelado é sinônimo de ser marginal, e que é outro ilustre defensor do aborto.

Enfim, é isto que temos tanto no Brasil quanto na França: uma penca de gente que se diz revoltada com a morte de oito crianças, o que é realmente revoltante, mas que incentiva ou se omite frente às milhões de mortes ocorridas mundo afora, que fica arrumando qualquer critério falso para aceitar a morte de bebês não-nascidos e ainda dizer que isto é pelo melhor da sociedade, das mães e até dos próprios bebês assassinados.

Quem é a favor do aborto e fica vertendo lágrimas por oito bebês friamente assassinados por sua mãe ou é uma pessoa confusa ou trata-se apenas de um mau ator que pensa que seu falso chôro vai enganar a audiência.

Mas não só não conseguem enganar ninguém como ainda mostram que abortistas são capazes de buscar oportunidades para encaixar sua distorcida visão da realidade
até mesmo diante de tamanho drama.

Com abortistas é assim mesmo... Quanto maior o drama, melhor é a oportunidade para que o aborto ganhe espaço. Seja no Congresso, no interior de Pernambuco ou até mesmo na França, o que vale é utilizar todos os meios possíveis para que a Cultura da Morte avance. Onde há dor e desespero há sempre um abortista querendo aproveitar para divulgar sua solução final.

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Fontes:
BBC
The Huffington Post


quarta-feira, agosto 04, 2010

Aborto: vai lavar as mãos, Marina Silva?

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Se Marina Silva é mesmo contra o aborto, esta história de plebiscito deveria ser enterrada, pois um plebiscito deve decidir entre dois caminhos possíveis e não entre uma coisa certa e outra errada.
A evolução lógica do pensamento é que ela, como presidente, jamais vetaria uma legislação pró-aborto, pois seria a vontade da maioria do Congresso.
A ex-senadora pode ter saído do PT, mas na essência continua petista.

quinta-feira, julho 29, 2010

Sim ou não, Serra?

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Hora de parar com a enrolação e falar a verdade sobre o que pensa mesmo sobre o aborto.

quarta-feira, julho 28, 2010

Aborto: passado e presente se encontram

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Precisa dizer mais?


domingo, julho 25, 2010

Católico que vota em abortista não é eleitor, é cúmplice

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Recomendo a leitura de duas postagens do excelente blog "En Garde", editado por Taiguara Fernandes e Mateus Mota.

Na primeira, é mostrado como o discurso de José Serra sobre o aborto é mutante conforme a situação. Quando Ministro da Saúde do governo FHC, ele foi responsável pela edição da tristemente famosa Norma Técnica que permitiu que o aborto em gravidez motivada por estupro.

O mesmo Serra que hoje se diz contrário ao aborto foi o mesmo que no passado recente ajudou a difundir Brasil afora a falsa idéia de "aborto legal", uma contradição em termos, pois o aborto no Brasil permanece ilegal.

Eis um pequeno trecho:
"Para aqueles que não sabem, o abortismo não é particularidade da Dilma e do PT: o grupo pessedebista de FHC-Serra, formado também nas esteiras do comunismo, guarda largas simpatias com o abortismo e já tomou atitudes concretas em prol da bandeira, como a Norma Técnica do Aborto, aprovada pelo então Ministro da Saúde, José Serra." (destaque no original)
Já na segunda postagem, o blogueiro desmonta as promessas da candidata do PT, Dilma Roussef, que agora se diz contrária ao aborto. Seu partido, embora tenha recentemente recuado e retirado do PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos) referências ao aborto, voltou com nova carga favorável ao aborto, fato que foi praticamente ignorado pela grande mídia.

Assim relata o blogueiro do "En Garde":
"O tal Consenso de Brasília - o Consenso do Aborto - foi assinado pelo Governo Lula e propõe a todos os países da América Latina que revisem suas leis proibitivas ao aborto, visando a sua legalização geral e irrestrita. Foi aprovado no último dia 16 de julho, por ocasião da conclusão da XIª Conferencia Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, realizada em Brasília entre os dias 12 e 16 de julho, promovida pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU) em conjunto com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Lula." (destaque no original)
Enquanto Dilma percorre o Brasil enganando líderes religiosos com um discurso falso sobre o aborto, a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, fala oficialmente pelo governo petista e confirma suas intenções abortistas.

E é exatamente por isto que o blogueiro desabafa ao final de sua postagem:
"Mais que burro e estúpido, quem acredita e vota no PT é cúmplice de suas práticas criminosas e será cúmplice do assassínio de crianças se este Partido da Morte - que Deus nos livre - conseguir aprovar o aborto no Brasil. Pronto, falei." (destaque no original)

Concordo!

sábado, julho 24, 2010

PMM-BH se pronuncia. E novamente faz besteira...

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Pressionada, a Pastoral da Mulher Marginalizada Arquidiocese de Belo Horizonte (PMM-BH) retirou a postagem em seu blog que reverberava a opinião emitida pela Secretaria de Política para as Mulheres, órgão do Governo Federal envolvido na luta pela liberação do aborto no Brasil.

Claro está que divulgar uma peça deste teor equivale a concordar com o que vai ali escrito. A PMM-BH começa sua "explicação" do ocorrido com as seguintes palavras:
"A respeito da repercussão sobre o texto que aborda o Projeto de Lei que dispõe sobre a proteção do nascituro e retira o direito da mulher, hoje garantido por lei, de abortar em caso de estupro (...)
Não há o tal "direito" da mulher de abortar um bebê que foi concebido em um estupro. Isto, basicamente, é retórica de militância pró-aborto. O que existe na legislação atual, e que é completamente errada sob o ponto de vista moral, é que não há punição em abortos feitos por médicos em casos desta natureza. Tirar daí que existe um "direito" de matar uma criança gerada por estupro quando ainda está no ventre de sua mãe não tem qualquer fundamento no ensinamento católico e era de se esperar que uma Pastoral Católica -- é isto, certo? -- soubesse deste "pequeno" detalhe.

Em seguida a esta introdução desastrosa, a PMM-BH chega ao ponto de divulgar o link para o texto no qual a postagem retirada ajudava a divulgar. Esperteza pouca é bobagem, não é mesmo?

Tomando a todos como idiotas, a PMM-BH retira do ar o texto e deixa em seu lugar um link para continuar divulgando o mesmíssimo texto. Que coisa edificante é ver uma Pastoral Católica -- é católica mesmo? -- tripudiando daqueles que estranharam que uma entidade católica gaste tempo e esforços para divulgar mensagens da militância pró-aborto.

Querendo sair bem do imbróglio, a PMM-BH tenta justificar sua postagem anterior escrevendo que o acontecido era apenas uma informação e foi devido à sua disposição para o debate.

Para responder a mais esta esperteza da PMM-BH, primeiramente devemos dizer que é desnecessário que a militância pró-aborto tenha mais ajuda para levar sua mensagem à população, pois a grande mídia faz isto muito bem. E é absurdo que uma Pastoral Católica -- é disto mesmo que estamos falando? -- ache que tenha que fazer parte desta turma.

Em segundo lugar, já que a PMM-BH quer contribuir para o debate, talvez ela pudesse indicar quando foi que em seu blog houve divulgação de um evento Pró-Vida. Se a PMM-BH quisesse mesmo contribuir para o tal debate, seria natural que ela desse atenção aos dois lados da questão. Como não dá, é natural que se pense que ela tem sim um posicionamento já definido por um dos lados do debate, e este lado é justamente o que vai contra os ensinamentos católicos.

Em terceiro e último lugar, a PMM-BH acha mesmo que o aborto, seja por qual motivo for, é alvo de debate na Igreja? Se acha isto, talvez a PMM-BH devesse dar aulas a nossos bispos, que em 2006, durante a Semana Nacional da Vida, divulgaram a seguinte mensagem:

"(...) De modo especial salientamos o valor sagrado da Vida Humana, sem nos esquecermos de todas as demais dimensões que esta abrange. Diante de tantos ataques que a Vida vem sofrendo em nossos dias é nossa missão reafirmar sua importância inalienável e inegociável. Ela é o fundamento sobre o qual se apóiam todos os demais valores. Desejamos que todos se empenhem nestes dias nesse sentido."

"Inalienável e inegociável"! Será preciso dizer mais? Será mesmo que alguém, ao ler tais palavras de nossos bispos, que seguem exatamente palavras já emitidas pelo Papa Bento XVI, pode dizer que há abertura para debate em relação à proteção da vida humana?

Por fim, a PMM-BH diz que as pessoas que teceram comentários "abusivos e ofensivos" em relação à entidade poderiam ter dialogado e apresentado críticas construtivas.

Pois bem, parece que a PMM-BH prefere coar um mosquito e engolir um camelo, pois lança uma nota explicativa tentando justificar o injustificável e ainda diz que os críticos foram "abusivos e ofensivos".

"Abusivo e ofensivo" é imaginarmos que uma entidade católica mostre-se aberta ao debate sobre coisa que o Papa e os bispos em comunhão com ele já disseram que é um ponto inegociável. "Abusivo e ofensivo" é chamar de "direito" que uma mãe possa fazer o aborto de uma criança concebida em um estupro, pois não se elimina uma violência cometendo outra violência.

Eu chamo de "abusivo e ofensivo", beirando mesmo a tripudiação com a inteligência de gente séria, que a PMM-BH lance uma nota explicativa sobre a postagem que havia anteriormente indicando um link para que o mesmo texto possa ser lido em outra página. Qual a necessidade disto?

E se a PMM-BH quer mesmo uma crítica construtiva, poderia começar retirando de seu blog a divulgação que foi feita em 23/09/2009 de um evento da militância pró-aborto, exatamente como já mostrado aqui neste blog em postagem anterior.

Se a PMM-BH quiser mais críticas construtivas, que tal começar retirando de seu blog os links para páginas de conhecidas entidades pró-aborto, tais como a Marcha Mundial das Mulheres e IPAS-Brasil, entre outros. O curioso é que não há sequer um link para qualquer entidade Pró-Vida do Brasil ou de fora.

A PMM-BH termina sua nota assim:
"Estamos na batalha pela justiça social, em busca de um mundo mais humano, sem violência contra a mulher, sem exploração. Vamos unir forças, nos manifestar e denunciar as estruturas injustas e tudo que atenta contra a vida."
É bom então a PMM-BH saber que justiça social alguma será alcançada se a morte de bebês ainda no ventre de suas mães for chamada de "direito", pois o direito à vida é o primeiro de todos os direitos. E dentro do "tudo que atenta contra a vida", o primeiro atentado dos dias atuais é exatamente o que é feito contra a vida humana ainda frágil e inocente, a vida do nascituro.

É esta "estrutura injusta" que devemos denunciar em primeiro lugar, mas parece que tem gente que não quer compreender isto.

quinta-feira, julho 22, 2010

Mais D. Bergonzini sobre o aborto e o PT (e não adianta apagar, CNBB!)

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Como parece que a CNBB agora está com o péssimo hábito de retirar de seu site artigos que não se encaixam no ideário que por lá dá as cartas, achei por bem reproduzir abaixo um outro artigo de D. Luiz Gonzaga Bergonzini sobre o aborto e o PT, o partido do aborto, e que foi publicado originalmente na Folha Diocesana, jornal da Diocese de Guarulhos e que consta no site da CNBB Regional Sul I.

Dom Bergonzini, ao contrário de alguns de seus irmãos no episcopado nacional, não tem papas na língua para denunciar o abortismo do PT ou de outros candidatos. E nem adianta a CNBB retirar ou censurar artigos dos bispos, pois o que não vai faltar é blog para publicar artigos como o abaixo.





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O PT e o Aborto

No site do PT (http://www.pt.org.br/site/secretarias) pode-se ler a moção apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres e aprovada pela maioria dos delegados e delegadas do 13° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (08-05-06).

Se é justo que todos tenhamos um “posicionamento firme contra todas as injustiças e discriminações a que estão submetidas às mulheres na sociedade”, o que corresponde também às exigências de justiça do Evangelho, fazer disso um pretexto para levantar a bandeira da descriminalização do aborto é absurdo, incoerente e não corresponde à realidade.

Absurdo, porque, em nome da defesa da vida das mulheres que morrem por causa do aborto clandestino, se esquece completamente que o feto e o embrião, sacrificados no aborto, são também indivíduos humanos merecedores de todo o nosso respeito a começar pelo respeito à vida. Todas as vidas têm igual valor. Não existem vidas mais dignas e menos dignas. Aceitar esta distinção seria aceitar uma tremenda discriminação, contra a qual justamente o movimento feminista se insurge.


Incoerente, por dois motivos. O primeiro: pelo fato que fetos e embriões são também homens e mulheres já sexualmente definidos e a metade dos fetos e embriões abortados são de mulheres. Daí a incoerência desta moção que em nome do feminismo vai contra as próprias mulheres, a não ser que segundo as feministas, mulher é só quem seja adulta e sexualmente ativa, introduzindo assim uma discriminação a mais, que elas dizem combater. Segundo motivo: em nome da liberdade de decisão da mulher prejudica-se as próprias mulheres que praticam o aborto. O aborto, mesmo em caso de violência sexual e praticado nas melhores condições de assistência médica, é sempre prejudicial para a saúde psíquica da mulher, constituindo-se numa derrota de sua auto-estima, e ela carregará este trauma pelo resto da vida. Estatísticas de atestados de óbito mostram como, dentro do prazo de um ano do parto ou do aborto provocado, o número de suicídios das mulheres que provocaram o aborto é sete vezes maior do que o número de suicídios de mulheres que deram à luz. Que ajuda é esta que as feministas querem dar às mulheres, quando a própria psiquiatria moderna, alemã e italiana, aconselha para o bem estar psíquico da mulher a não interromper a gravidez, mesmo em caso de violência sexual?


Não corresponde à verdade. De fato se fala de milhares de mulheres que morrem em conseqüência do aborto mal feito, quando o Ministério da Saúde registrou nos últimos anos uma diminuição constante destas mortes, de 198 em 1995 descendo para 115 em 2002 [Nota do Blog: Na verdade, este número é ainda menor, o que pode ser visto aqui]. Não é verdade que a descriminalização do aborto é causa direta da diminuição das mortes maternas. Causa direta desta diminuição é a assistência à gravidez ao parto e ao puerpério. De fato, Chile, Costa Rica e Uruguai, onde o aborto é proibido, tem uma mortalidade materna inferior à de Cuba, onde morrem 33 mulheres a cada 100.000 nascidos vivos e onde o aborto é legalizado há mais de trinta anos. Assim também Portugal, Irlanda e Polônia, onde o aborto é proibido, tem mortalidade materna inferior à dos EUA e da Inglaterra, onde o aborto é legalizado há muitos anos.


Mas a parte pior da moção em questão é que se exige que os parlamentares do PT (ao todo 14), que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto, retirem seu nome desse movimento. Aí aparece o rosto autoritário do PT, que respeita a liberdade de consciência quando esta não vai contra os planos do partido (pode-se votar contra o aborto quando o voto não muda os projetos do partido mas nunca quando este voto poderia prejudicar os planos partidários). De fato, nenhum membro do PT ousou apresentar, até hoje, um projeto de lei que proíba o aborto ou que fortaleça a família. Concluindo, fazemos nossas as considerações que apareceram num estudo publicado em 2002 no site do Providafamília de Brasília: abortistas encontramos em todos os partidos da direita e da esquerda... A diferença é que os demais partidos têm abortistas, enquanto o PT é abortista. Sendo esta a posição do PT, é bom lembrar a recomendação do Apocalipse aos cristãos que moravam em Babilônia (ou seja em Roma): “Saí dela (no nosso caso dele), ó meu povo, para que não sejais cúmplices dos seus pecados (no nosso caso do desrespeito à vida e aos direitos humanos fundamentais, entre os quais o respeito à liberdade de consciência)” (Ap 18,4).


Fazemos votos que, em se tratando de uma moção, a direção do partido corrija os absurdos nela contidos e, de qualquer forma, parabenizamos os 14 deputados petistas, que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Contra o Aborto, pela sua coerência e coragem.


Dom Luiz Gonzaga Bergonzin

Bispo Diocesano de Guarulhos, SP