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quarta-feira, setembro 09, 2009

Escândalo! Universidade católica aceita propaganda abortista.

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Mais uma vez temos que vir a público denunciar um absurdo que está acontecendo em uma universidade católica.

Recebi mensagem denunciando que na Universidade Católica de Goiás, na Associação de Professores, existe um cartaz pregado fazendo a apologia do "direito" ao aborto de anencéfalos.

Neste cartaz, podemos ler:
"A anencefalia, ou ausência de cérebro, é uma má formação fetal incompatível com a vida. Hoje, os exames de ultrassonografia identificam a anencefalia já no princípio da gestação. Porém, o Código Penal Brasileiro, que foi instituído em 1940, muitos anos antes de existir a ultrassonografia, ainda hoje não permite que a gestante interrompa a gravidez nesta circunstância. Não considera assim, o enorme sofrimento desta mulher e de sua família. A anencefalia é irreversível e incompatível com a vida. Mas as leis são reversíveis e devem ser compatíveis com a dignidade humana.

As mulheres devem ter o direito de decidir pela interrupção da gravidez em casos de anencefalia."
Neste cartaz vemos o logotipo do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão vinculado à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Que esta Secretaria desde o início do governo do presidente Lula busca a legalização do aborto, disto ninguém tem dúvidas. O que nos surpreende é que esta campanha pelo aborto seja feita em uma Universidade Católica.

É fundamental que este verdadeiro escândalo seja interrompido o quanto antes. Os professores da instituição têm todo o direito de terem suas crenças e opiniões, mas uma coisa que não podem é colocar seus interesses e agendas pessoais acima dos princípios que regem as instituições católicas, e um destes princípios fundamentais é exatamente o mandamento "NÃO MATARÁS".

Para reclamar contra este absurdo, o e-mail da Ouvidoria da Universidade é ouvidoria@ucg.br.

Para reclamar com a Associação dos Professores, o e-mail é
apuc@apuc.org.br .

Para reclamar junto à Arquidiocese de Goiânia, o endereço é vicom@arquidiocesegoiania.org.br .

Abaixo, seguem imagens do cartaz.




segunda-feira, setembro 07, 2009

Funeral católico para um político abortista?

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O Senador Edward Kennedy, do partido Democrata dos EUA, faleceu no dia 25 de agosto passado.

O senador, de uma família tradicionalmente católica, teve um pomposo funeral que aconteceu na Catedral de Boston, dedicada à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Tal funeral tornou-se matéria de amplas discussões entre os católicos norte-americanos, devida a carreira política do senador, que atuou diretamente contra os ensinamentos da Igreja em vários e polêmicos assuntos.

O falecido senador era um conhecido militante do "direito" ao aborto, do "casamento gay", de pesquisas com células-tronco embrionárias, etc. Não é difícil imaginar o escândalo que um funeral católico para uma tal controversa figura pública acabou produzindo.

Importantes líderes Pró-Vida norte-americanos deram declarações sobre a inconveniência de tal funeral, pois tal atitude, além do escândalo causado, passa também a mensagem totalmente errada de que políticos e figuras de vida pública podem ostentar durante toda a vida suas atitudes confrontadoras ao que ensina a Igreja e, ainda assim, ter o tratamento devido a um católico que se esforçou para manter a fidelidade.

Embora a legalidade canônica do funeral seja ainda motivo de controvérsias, o fato é que o escândalo entre os fiéis foi causado. Edward Kennedy não foi apenas mais um político que apoiava o aborto, o que por si só já seria motivo de escândalo. O Senador Kennedy foi um dos líderes democratas que mais batalharam pela causa abortista nos EUA. Podemos contar que a atuação do senador foi tão profunda que até mesmo aqui no Brasil, com tantas ONGs tupiniquins funcionando como satélites de congêneres norte-americanas, também sentimos sua nefasta influência.

Em relação às pesquisas com células-tronco embrionárias e outras pesquisas polêmicas, o distanciamento de Edward Kennedy em relação à Igreja era tamanho que até mesmo o banimento da possibilidade de clonagem humana não recebeu seu voto.

Em relação à contracepção, o Senador Kennedy era igualmente um entusiasta. Assim como era do "direito" ao aborto... Um entusiasmo tão grande que Kennedy votou contra o banimento de abortos por nascimento parcial, uma coisa tão horripilante, tão abjeta -- como é qualquer tipo de aborto --, que uma pessoa tem um bocado de dificuldade de diferenciá-la de infanticídio.

Este era o Senador Kennedy... Um perfeito exemplo de tudo o que um político católico não deve ser. E foi por não concordar com um funeral católico para um político que durante toda sua carreira consistentemente se opôs ao que ensina a Igreja que o Padre Enteneuer, presidente Human Life International, dias antes do funeral, divulgou uma declaração na qual pedia que o senador não tivesse a honra de um funeral católico público.

Abaixo vai uma tradução livre desta declaração (original aqui).

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Declaração da Human Life International sobre o falecimento do Senador Edward Kennedy


Nós devemos, por preceito, rezar pela salvação de católicos heréticos como o Senador Edward Kennedy; mas não devemos louvá-lo e tampouco enaltecê-lo com as honras de um funeral católico e toda a atenção que atrai tal evento. Há bem pouco sobre a vida de Ted Kennedy que seja merecedora do ponto de vista moral ou espiritual. Ele foi provavelmente o pior exemplo de católico com atuação política que podemos pensar. Levando tudo em consideração, ele distorceu por completo o que significa ser um católico na vida pública mais do que qualquer outro líder político.


Obviamente, nós não sabemos o estado da alma do Senador Edward Kennedy pouco antes de sua morte. E nem pretendemos saber tal coisa. Ficamos sabendo por sua família que ele teve a oportunidade de confessar seus pecados perante um sacerdote, e seu pároco disse publicamente que ele estava "em paz" quando faleceu. Por isto somos gratos. Porém, uma coisa é a confissão dos pecados de uma pessoa, que é um assunto privado. E outra coisa bem diferente é a abordagem para uma pessoa que publicamente defendia a destruição de seres humanos ainda não nascidos e que não passou pelo repúdio público de tal ponto de vista, que não fez uma confissão pública, por assim dizer.


Cabe a Deus somente julgar a alma do Senador Kennedy. Nós, como pessoas racionais, devemos julgar suas ações, e suas ações não estavam de forma alguma alinhadas com as das pessoas que cuidadosamente aplicam o que a Igreja ensina em matérias importantes. O posicionamento de Ted Kennedy em uma variedade de assuntos têm sido um grave escândalo por décadas, e honrar este campeão "católico" da Cultura da Morte com um funeral católico é injusto para com aqueles que realmente pagam o preço da fidelidade. Sabemos também que o presidente Obama fará uma eulogia ao senador em seu funeral
, uma indignidade que, seguindo o padrão do fiasco de Notre Dame, deixa os fiéis católicos sentindo sua fé ser manchada, profanada e desumanizada por homens que sempre procuram oportunidades de afrontar a Igreja e o fazem com impunidade simplesmente por suas posições de importância.

Não foi suficiente para Kennedy ter sido um "grande cara fora dos holofotes" como o vimos sendo chamado até por seus oponentes políticos. Também não é louvável colocar um retórico verniz católico em suas políticas esquerdistas que nada fizeram para fazer avançar a verdadeira justiça segundo a visão da Igreja ou para avançar a paz de Cristo neste mundo. Todos os pontos da carreira do Senador Kennedy, cada aparição pública, cada atitude relevante mostrava um político acerbo, divisionista e para quem a política partidária era muito mais infalível do que a Doutrina da Igreja. Qualquer que seja a afiliação política de uma pessoa, se tal pessoa é "católica" apena até o limite permitido por seu partido, então seu catolicismo é uma fraude.

Como nos dizem as Sagradas Escrituras, há tempo para tudo debaixo do Sol. Desta forma, agora é o tempo para honestidade sobre nossa Fé e sobre aqueles que são chamados para expressá-la publicamente. Se não lembramos a nós mesmos sobre a necessidade de confissão pública para os pecados públicos tais como os dos quais o Senador Kennedy era culpado, então nós somos negligentes em nossa adesão à Fé e somos também parte do problema. Como o Papa Bento XVI nos lembrou recentemente, caridade sem verdade pode facilmente tornar-se mero sentimentalismo, e nós devemos não cair em tal erro. Um católico, ao mostrar caridade pela família, não deve ofuscar a verdade que é requerida de todos.

O Senador Kennedy deve ter um funeral privado, com a presença de sua família apenas e receber as preces da Igreja pela salvação de sua alma imortal. Sua falta não será sentida pelos não-nascidos, que foram por ele traídos inúmeras vezes, nem mesmo por nós que batalhamos para desfazer o escandaloso exemplo de catolicismo que ele deu para três gerações de norte-americanos.

Rev. Thomas J. Euteneuer

Presidente, Human Life International
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Mas o mal foi feito e, apesar de todo seu histórico como político demonstrar seu total desprezo pelos princípios da Igreja, o senador teve seu funeral católico público. O presidente Obama, que nem católico é, exatamente como previa o Pe. Enteneuer, fez uma eulogia ao senador durante o ritual, numa clara afronta às regras litúrgicas.

E o descaso com a Liturgia continuou até mesmo durante as orações, que se tornaram mais uma oportunidade para discursos políticos do que um momento para rezar pela alma do falecido. Mas talvez seja mesmo pedir muito que os admiradores e partidários do Senador Kennedy mostrassem algum respeito pela Liturgia quando não mostram nem mesmo respeito por seres humanos ainda não nascidos.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Uma espiada no Inferno

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Sir Richard Gardner. Este é o nome de um prestigiado acadêmico da famosa Oxford University. O título de "Sir" aposto ao seu nome indica a relevância de suas contribuições para a Grã-Bretanha.

Continue lendo:

https://contraoaborto.wordpress.com/2009/09/02/uma-espiada-no-inferno/

segunda-feira, agosto 31, 2009

A vida de Thomas

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"Escolhe, pois, a vida"

Durante a 20a. semana de gestação de seu primeiro filho, o casal T.K. e Deidrea Laux, através de uma ultrasonografia, tomou conhecimento de que o pequenino ser era do sexo masculino.


A alegria do pai, T.K., que àquela altura já passava mensagens através do celular para todos os seus contatos sobre a grande novidade, foi interrompida pelas palavra do médico de que havia um problema com a criança. O médico então mostrou-lhes na imagem o lábio fendido do bebê.


Ambos os pais. atônitos nos primeiros instantes, reagiram à péssima notícia. Deidrea, que já havia atuado como missionária na Guatemala, acalmava-se pensando que isto era uma coisa com a qual eles podiam lidar. T.K., que tem um primo que sofre do mesmo problema e que aos 30 anos ainda passa por cirurgias corretivas, sentiu seus olhos ficarem marejados.


Mas a notícia que o médico tinha a lhes dar era pior ainda que o lábio fendido do menino. Ao ver a imagem dos rins da criança, o médico teve a certeza que o problema era mais grave.


As palavras ditas pelos médicos não saíam das cabeças de T.K.: "incompatível com a vida", "geralmente fatal", "optar pelo término da gravidez", etc. Ele pensava que já que seu bebê não sobreviveria, por que deixá-lo sofrer ou colocar sua esposa em risco?


Deidrea não conseguiu dormir naquela noite. De madrugada, ela orava: Por que isto acontecia justo com eles? Por que agora? Como eles, como casal, poderiam passar por isto sem se afastarem?


Ela então balbuciou o nome que já haviam combinado dar ao bebê se ele fosse menino: Thomas Gordon Laux.


Sentiu então em seu ventre um forte movimento. Thomas havia lhe chutado bem forte.


Ela sentiu que suas preces foram ouvidas.


***

A partir daí, a mãe e o bebê em seu ventre passaram por uma bateria de exames para que fosse detectada a gravidade da má formação. Ficou-se sabendo que o bebê era possuidor de Trissomia 13, ou Síndrome de Patau, doença congênita que leva a uma gama de problemas neurológicos, cardíacos e renais, além do palato e lábios fendidos e outras má formações.


Grave e rara, este tipo de Trissomia geralmente leva a uma curta vida após o nascimento, de horas ou dias, embora haja casos na literatura médica de até 10 anos.


Os vídeos que vão abaixo mostram a jornada da família Laux desde o nascimento do pequeno Thomas Gordon. O menino foi para casa junto com seus pais, já completamente cientes de sua grave condição. Mesmo falado em Inglês, os vídeos mostram uma linguagem universal, pois fala direto ao coração de cada um de nós.


Cada pequeno momento e cada diminuto gesto de Thomas foi uma benção para T.K. e Deidrea. O carinho dos pais de Thomas com seu pequeno filho possuidor de uma gravíssima deficiência é arrebatador, é o que nos dá certeza de que o amor sempre vence.


Nascido no dia 29 de junho de 2009, Thomas Gordon Laux faleceu 5 dias após, exatamente no dia 4 de julho de 2009. Esteve entre nós durante 5 dias. Ele faleceu ao lado de seus pais.


Aos que pensam que o casal Laux passou por um sofrimento desnecessário, apenas duas entradas do diário de Deidrea podem mostrar o quanto vai errado tal pensamento:

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29 de junho de 2009 - 21:10

Meu precioso bebê:


Eu não escrevi a você tanto quanto eu havia planejado porque é sempre a mesma história que tenho para contar: estou te amando e já sentindo tua falta.


Mas hoje quero escrever a você uma nova história: uma celebração. Você chegou a este mundo às 08:03. E tantos sonhos meus já foram realizados nestas últimas 13 horas.


-- Eu te ouvi chorar


-- Você mamou em meu peito


-- Nós te demos um banho


-- Eu beijei seu pezinho cheio de dobrinhas


-- Eu olhei sua linda face


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03 de julho de 2009 - 09:09


Feliz 4o. dia de vida, garotão!


Quase não chegamos a este dia. Noite passada você parou de respirar pelo que pareceu uma eternidade. Provavelmente mais do que 5 minutos. Mas você voltou para nós. Creio que você ainda não estava pronto para dizer adeus. Isto foi bom, pois nós também não estávamos prontos. Estamos fazendo o melhor para te manter confortável. A casa está em paz e você está descansando nos braços de papai enquanto ele conta a você histórias sobre amadurecimento. Há até histórias que eu nunca ouvi. Ele te levou até a garagem nesta manhã para te mostrar as ferramentas e, quando ele abriu a porta da garagem, você ouviu o latido de um cão pela primeira vez. Mais tarde, ele te levou para uma caminhada pela rua. Havia um homem passeando com um collie e quando eu olhei pela janela vi seu papai te apresentando a um cachorro pela primeira vez.


Você é tão amado e nós somos tão abençoados. Temos que nos despedir embora não desejemos que você se vá ainda. Amamos tanto a você e te queremos perfeito e em paz, e é assim que você estará quando você dormir e acordar nos braços de Jesus.


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Deidrea Laux assim resumiu o que a curta vida de seu filho lhe ensinou:

- O quanto somos amados


- O quanto é importante a família, os amigos, a religião


- Viver um dia por vez


- Nossa capacidade para amar


- Deu-nos coragem


- Que super-heróis não estão apenas nas revistas


- Fortaleceu nossa família


- Deus cuida dos detalhes de nossas vidas


- Não é a quantidade de dias que conta, é a qualidade


- Deus ainda está fazendo milagres


T.K. e Deidrea Laux poderiam, como muitos podem pensar, enxergar apenas o sofrimento, mas não foi assim. Ao optar pela vida, pelo milagre da vida, eles e seu filho Thomas, nos ensinaram que sofrimento só se supera com amor, com a família, com Deus.


E eles nos ensinaram, principalmente, uma coisa que insistimos em esquecer nos inúmeros afazeres de nosso dia-a-dia: que grande milagre é nossa vida!


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Fontes: Dallas News - Choosing Thomas




A vida de Thomas - Parte 1



A vida de Thomas - Parte 2



A vida de Thomas - Parte 3



sábado, agosto 29, 2009

Marina Silva, PT e o aborto: mais do mesmo

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Recentemente, um amigo perguntou-me sobre o que eu achava da candidatura da senadora Marina Silva à presidência. O meu curto e rápido "Acho péssimo!" creio que o pegou de surpresa. "Mas ela é uma Pró-Vida, William!", replicou meu amigo.

É aqui que as coisas começam a complicar... A defesa da vida não admite nuances, não admite "mas", "no entanto" e outras saídas estratégicas. Se fulano diz-se pró-vida MAS admite o aborto em alguma circunstância, não podemos admiti-lo como verdadeiro pró-vida.

Marina Silva foi uma petista referência, era reconhecida como uma das reservas éticas do PT -- se é que se pode falar de ética e PT na mesma frase. Admitindo-se que Marina Silva seja uma real defensora da vida, o que então ela fazia no meio de toda aquela turma da pesada? Quais foram as brigas que ela comprou para levar a causa pró-vida à frente? Será que ela veio à público -- e olhem que a mídia simplesmente a ADORA! -- para posicionar-se firmemente contra as resoluções petistas que levaram o partido a alavancar a busca pela legalização do aborto no Brasil? Não tive conhecimento de nada disto...

Ou seja, Marina Silva é uma líder internacionalmente reconhecida por suas posições preservacionistas, foi Ministra de Estado, é Senadora da República, e, mesmo assim, jamais pudemos ver algo de relevante que ela tenha feito pela causa pró-vida?

Admiro que ela tenha a coragem de se dizer defensora da vida, mas por que é que ela não dá a prioridade que isto deve ter? Por que, afinal, ela jamais se incomodou com a opção pela Cultura da Morte que o partido que ela tão dramaticamente relutou em deixar sempre fez?

A ex-ministra, atualmente sem partido, deu uma entrevista à revista Veja na qual podemos ver o que vai em sua cabeça. E, após ler suas respostas às perguntas que lhe foram dirigidas, posso afirmar com mais convicção ainda: Marina Silva, se eleita presidente, será péssimo.

Primeiramente, é bom que atentemos para os motivos que finalmente causaram a saída da senadora do PT. Eis o trecho em que tal assunto foi abordado:

Veja - A crise moral que se abateu sobre o PT durante o governo Lula pesou na decisão?
Marina Silva - Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria. Saí do PT, repito, por falta de atenção ao tema da sustentabilidade.
Ou seja, a senadora assistiu de camarote ao espetáculo anti-ético do (des)governo petista e isto a incomodou bem pouco. E ela, que é apontada pela mídia como um baluarte da ética esquerdista, se sai com a mesma desculpa para os métodos criminosos de seus agora antigos correlegionários: as faltas gravíssimas (não são apenas graves...) "estão sendo corrigidas e investigadas".

Tal desculpa poderia ser colocada na boca de Tarso Genro, de José Dirceu ou de Delúbio Soares e ninguém sentiria qualquer diferença.


Causa-me uma profunda estranheza uma pessoa que é apontada como exemplo ético dizer que "Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido", como se tais "tropeços" fossem coisa de pouca monta. As acusações são gravíssimas: compra de votos, quebra de sigilo bancário, etc. E são essas acusações que para a senadora não têm peso algum quando comparados ao tema sustentabilidade?


Daqui a pouco podemos imaginar que, para a senadora, tudo bem comprar votos, tudo bem quebrar sigilo bancário de caseiros, tudo bem carregar dólares nas cuecas, etc. Isto tudo vai muito bem, desde que as matas sejam preservadas? É isto mesmo?
A mim me parece que, para quem é retratada como um símbolo ético da esquerda, a ex-ministra carece de uma profunda falta de prioridades ou mesmo de inversão de valores

E agora vem a parte na qual a senadora tratou diretamente da questão do aborto.


Veja - A senhora é contra todo tipo de aborto, mesmo os previstos em lei, como em casos de estupro?

Marina Silva
- Não julgo quem o faz. Quando uma mulher recorre ao aborto, está em um momento de dor, sofrimento e desamparo. Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé. Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem. Acho apenas que qualquer mudança nessa legislação, por envolver questões éticas e morais, deveria ser objeto de um plebiscito.
Do ponto de vista pró-vida, esta curta resposta da senadora é um desastre completo.

No início de sua resposta, a senadora já cai em uma prática que é comum a muitos políticos ao lidarem com a espinhosa questão do aborto na mídia. Ao responder "Não julgo quem o faz", a ex-ministra não apenas já começa colocando-se na defensiva, como acaba mascarando a questão de que o que se julga são as atitudes.

E Marina Silva vai muito errada ao pensar genericamente que todas as mulheres que recorrem ao aborto estão passando por momentos de "dor, sofrimento e desamparo". A ex-ministra deveria parar um pouco de olhar para a mata e ver o que acontece entre os militantes abortistas, os mesmos militantes que infestaram seu ex-partido; devia tentar ter um pouco de contato que seja com a realidade de um movimento que escondendo-se sob o manto de defesa das mulheres mais humildes -- uma mentira deslavada que só serve para enganar os incautos --, quer na verdade é servir a interesses internacionais para a liberação pura e simples do aborto.

A depravação jocosa de tal militância abortista é tamanha que chegam ao cúmulo de lançar peças de vestuário com slogans abortistas. Ou seja, a senadora deveria procurar se informar mais sobre o assunto antes de ficar papagaindo frases feitas divulgadas pela militância abortista.

Em seguida, em sua péssima resposta, a senadora repetiu uma frase que já ouvimos praticamente igual da boca do presidente Lula: "Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé.". Parece que esta é a senha petista -- e, pelo jeito, ex-petista também -- para logo em seguida jogar uma bomba: "Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem.".

Este é praticamente o mesmo método utilizado por Lula para lidar com a questão do aborto. Começa dizendo-se pessoalmente contrário à cruel prática e acaba lavando as mãos com a desculpa que tem que cumprir a lei.

Todos sabemos bem a importância que tem Lula dizer-se pessoalmente contra o aborto: NENHUMA! Ao dizer-se pessoalmente contrário ao aborto, Lula apenas quer passar uma idéia de que ele é íntegro nesta questão. Só que o avanço que a busca pela legalização do aborto teve em seu governo demonstra claramente que Lula declara-se contrário ao aborto apenas para confundir aos desavisados. Este fato já foi abordado aqui neste blog mais de uma vez.

Voltando a Marina Silva, é de surpreender sua pouca disposição na defesa da vida. Nos EUA, todos políticos que realmente são pró-vida sabem que há a necessidade de mudança da legislação que abriu as portas para a legalização do aborto. Lá não existe isto de se dizer defensor da vida e abaixar a cabeça para uma legislação que promove a morte.

De um político, de um legislador que queira assumir a luta pró-vida, espera-se que ele ou ela tenha disposição para tentar modificar a legislação de forma que a vida seja preservada desde a concepção até seu fim natural. Se é para ficar no imobilismo bovino de que a lei existente deve ser cumprida, o legislador serve à causa bem pouco.

A defesa da vida exige radicalidade e seria muito bom que os políticos tivessem a coragem de assumir tal radicalidade, pois a população brasileira é esmagadoramente contrária ao aborto. Por que, então, tal falta de disposição para a boa luta?

O que fica claro quando lemos a péssima resposta da senadora é que ela, quando o assunto é defesa da vida, fala como uma petista da estirpe de Lula, e isto, para o movimento Pró-Vida é péssimo, é desastroso. De que nos adiantaria outro presidente "pessoalmente" contrário ao aborto, se isto de nada vale tanto para buscar modificar a legislação existente quando para evitar favorecer os avanços da Cultura da Morte?

Quando o assunto é aborto, não precisamos de outro Lula, que teve a cara-de-pau de escrever a bispos reiterando seus "princípios cristãos" enquanto seus comandados atuam com todas as forças pela liberação do aborto.

Por fim, a senadora fala de um plebiscito sobre a questão do aborto. E ela diz que isto deveria ser assim por se tratar de uma questão que envolve ética e moral.

Isto é mais um indício de que Marina Silva está lidando com o tema com extrema ligeireza. É exatamente por ser uma questão que envolve ética e moral que isto não deveria ser tratado em plebiscito. Se determinada coisa é imoral e aética, como é o aborto, não é a vontade da maioria que mudará estes seus péssimos atributos. Não se estará decidindo a forma de governo ou o porte de armas, estaremos decidindo o direito de seres humanos viverem.

A ex-ministra deveria saber bem que moralidade não é assunto para votação popular, mas parece já ser um cacoete esquerdista sul-americano lançar plebiscitos para mascarar o mal de certas ações.

Resumindo, a resposta da senadora Marina Silva foi péssima em todos os sentidos e não consigo ver como uma pessoa que só repete a enganadora fórmula já usada com sucesso por Lula possa contribuir significativamente para a defesa da vida.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Mais absurdos sobre o caso de Alagoinha

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A excelente atuação de D. José Cardoso Sobrinho no caso da menina de Alagoinha deu oportunidade de ouro a uma turma que fermenta um ódio infundado pela Igreja aproveitasse os holofotes.

Ao indisfarçado autoritarismo na linguagem de muitos segue-se também a ignorância dos fatos do caso e mesmo em relação aos preceitos católicos. Enfim, a tônica do discurso de muitos é uma mistura de arrogância, de desconhecimento, de empáfia, etc.

Um exemplo puríssimo pode ser lido abaixo, em vermelho. Em azul seguem minhas respostas aos absurdos que o blogueiro tenta passar como argumentação (original aqui).

***


Quem frequenta este blog sabe, mui bien, o que eu penso acerca do aborto (e se não sabe, clique aqui pra descobrir).

No resumo da ópera, vale sintetizar que eu sou contra a maior descriminalização da prática. O termo "maior" não está sobrando: com ele eu quero dizer que sim, sou a favor dos casos que a lei já autoriza a prática, e não, não sou a favor de que outros casos diversos sejam permitidos, como a simples vontade da gestante.


### Para quem quer passar uma idéia de que já refletiu seriamente sobre a questão do aborto, o blogueiro falha feio. E falha porque porque desconhece que a lei brasileira não autoriza a prática do aborto em caso algum. O que há, na verdade, são casos em que a punição devida ao crime não é aplicada, o que é bem diferente de se dizer que o procedimento seja autorizado. ###

É fascista? É radical? Penso que não, já que todos tivemos o exemplo de radicalismo nesses dias, quando o arcebispo de Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, "comunicou" à família de uma menina de 9 anos grávida de gêmeos vindos de um estupro e aos médicos envolvidos no aborto legal a que foi submetida que estavam excomungados da vida na Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.

### Mais erros... A única coisa que D. José fez foi tornar pública a excomunhão tantos dos membros da equipe médica diretamente envolvidos no ato do aborto quanto quem autorizou o aborto. E é sempre oportuno lembrar que D. José não utilizou de sua autoridade episcopal para excomungar ninguém, dado que a excomunhão é automática no caso de aborto. À menina-mãe não cabe punição alguma, pois, devido à sua pouca idade, ela não passível de sanções pelo Código de Direito Canônico. ###

Para quem não sabe, o Catecismo da Igreja Católica (uma espécie de manual do catolicismo) assim diz da excomunhão:

"Alguns pecados particularmente graves são passíveis de excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiais."


Um dos argumentos mais repetidos pelo arcebispo sobre seu polêmico manifesto foi que "Se a lei dos homens é contrária à lei de Deus, então ela não vale nada e deve ser ignorada." Com isso, Dom José quer dizer que, não interessa se o aborto é legal judicialmente. É pegado gravissíssimo, cuja pena é excomunhão (abandonar a religião também é, o que faz de mim um excomungado).


### Apenas antes de se partir para a "argumentação" do blogueiro, é bom que se diga que ele está certo mesmo: se ele apostatou, está excomungado. É triste que ele não se dê conta de seu erro, assim como é triste que ele dê declarações jocosas sobre isto. ###


Pois bem, então vamos por partes: primeiro, alguém precisa avisar ao arcebispo que, desde Pedro II, salvo engano, o Brasil é um país laico. Isso quer dizer que aqui, na República Federativa do Brasil a lei de Deus é apenas uma curiosidade, pois este país não professa uma religião. Outra coisa, todos sabem que a gravidez da menininha, estuprada continuamente pelo padrasto era de alto risco, podendo tirar-lhe a vida. Porém, segundo o bispo, a lei de Deus não permite que se diga que os fins justificam os meios e a matemática não bate: faz mais sentido perder a vida da menina do que dos dois filhos que ela trazia no ventre.

### Aqui o blogueiro mistura ignorância com distorção dos fatos.

Ignora o rapaz que o fato de o Brasil ser um país laico nada mais é que o Estado não professa oficialmente uma religião. Apenas quer dizer que o Estado não deve favorecer uma religião em relação a outras.


Mas o caso é que faltou o autor do blog explicar a conexão lógica entre a a fala de D. José e o ataque ao Estado laico. O então Arcebispo de Olinda e Recife disse uma verdade que em nada fere a laicidade do Estado Brasileiro, mas que talvez fira um bocado o laicismo do blogueiro e de outros que pensam como ele.


Os católicos, e, assim creio, até mesmo crentes de outras denominações, não têm obrigação alguma em se sujeitar a uma lei que vá frontalmente contra a Lei de Deus, na qual acreditam. E tal lei deve mesmo ser ignorada... O que o blogueiro parece desejar é que os católicos fiquem calados quando vêem um aborto ser cometido no prédio vizinho, tudo devido ao Estado Laico. Isto não seria uma saudável laicidade do estado, seria, sim, um opressor laicismo, e, se ele se sente bem em olhar para o lado quando diante de um aborto, que ao menos deixe aos católicos a liberdade de indignar-se contra isto.


Querer que um católico seja obrigado a baixar a cabeça frente a um mal das proporções do aborto é coisa tão autoritária que até mesmo países em que esta cruel prática é legalizada há a figura da objeção de consciência. Ou seja, isto de querer enfiar goela abaixo dos católicos a aceitação do aborto por conta da laicidade do Estado nada mais é que um arroubo totalitário mascarado.


Sobre a distorção dos fatos, o autor do blog faria bem melhor se explicasse em qual manual médico ou qual pesquisa está escrito que gravidez de risco é equivalente a uma pena de morte. O fato é que o blogueiro comprou um peixe podre que lhe venderam; ele acreditou piamente nas notícias plantadas por ONGs abortistas de que a menina-mãe corria risco de vida. Não só não corria, como esta mentira já foi por demais desmascarada.


E, além do mais, uma gravidez de risco é coisa mais do que comum, e, com o avanço da Medicina, é cada vez menor o índice de mortes em tais casos. Ou seja, é muito difícil que alguém argumente que devido a um risco na gravidez o aborto deveria ser liberado, e, basicamente, é isto que o blogueiro tenta fazer... E falha ridiculamente.
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Pra coroar, nas páginas amarelas da VEJA desta semana, Dom José insinuou (e católicos mais cegos têm afirmado) que os pais da menina foram coagidos a assinarem as autorizações para o aborto. Uma afirmação séria, com certeza, muito séria. Mas fico me perguntando: e se eles foram mesmo coagidos? Se eles foram, eu deixo a pergunta: quer dizer que eles estavam na DÚVIDA se deviam salvar a filha (também ela inocente) ou preservar duas crianças fruto de uma barbaridade? Não é atoa que tal desgraça tenha acontecido com esta menina: olha a qualidade de pais que ela tem, que titubearam e tiveram de ser coagidos a salvarem a vida da própria filha! Caralho, eu pensei que depois dos Nardoni eu já tinha visto de tudo...

### Não há qualquer insinuação... O que se sabe de gente que acompanhou o caso de perto é que houve sim o engano dos pais da menina, pessoas humildes.

Mas aqui o blogueiro vai mostrando suas reais motivações. O "e se eles foram mesmo coagidos?" mostra toda a face autoritária de quem se acha melhor que os pais da menina, que, tomando como base suas péssimas palavras, crê mesmo que a coação que levou ao aborto de duas crianças é justificável.

E mesmo esta "justificação" fundamenta-se em uma mentira: que a menina corria risco iminente de vida. Mas o que é uma mentira para quem acha que a coação é um meio válido para atingir um objetivo, não é mesmo? ###

Mas... pode ser que você esteja se perguntando o que eu acho, assim, em palavras e frases curtas, o que eu acho disso tudo. Bem, te digo: eu acho que, sob a presidência de Chico Bento XVI, o catolicismo caminha para trás. Cismando com a existência do Holocausto, ressuscitando a idéia de que a camisinha não serve para nada porque, segundo o Vaticano, "tem poros por onde o vírus do HIV pode passar", excomungando médicos e pais... Qual o próximo passo? Excomungar cientistas ou juntar lenha para as fogueiras?

### Aqui podemos ver toda a má-fé do blogueiro ao argumentar.

Ele pode achar o que quiser de S.S. Bento XVI e de suas ações, pois é livre para ter suas opiniões. Só que para ser levado a sério é preciso que ele consiga sustentar o que opina.

"Cismando com a existência do Holocausto"? Na verdade o autor do blog deve estar se referindo ao infeliz caso das declarações de D. Williamson. O que tem isto a ver com O Papa Bento XVI? Nada, absolutamente nada.

"Ressuscitando a idéia de que a camisinha não serve para nada"? Já que ele deseja atacar a posição católica sobre a questão, seria bem mais honesto se ele a abordasse sobre o ponto de vista moral, que é exatamente o ponto fundamental da proibição de métodos artificiais de contracepção. Mas para que se dar ao trabalho, não é mesmo? É infinitamente mais fácil colocar palavras na boca dos outros e jogar para a galera. Honestidade argumentativa, claro, é coisa para os fracos.

Mas o irônico é que o mesmo rapaz que acredita piamente em mentiras divulgadas, que desconhece a legislação brasileira, que autoritariamente está se lixando para o que realmente queriam os pais da criança, que pensa que pode bradar a laicidade do Estado como forma de forçar os católicos a baixarem a cabeça frente ao aborto, o verdadeiramente irônico é que ele se acha mesmo em posição de dar lições em alguém. E, mais ainda, pensa mesmo que ele e somente ele sabe o que é o certo para os rumos da Igreja.

P
fui... Sempre me surpreendo com os soluços megalômanos de alguns.

Sobre os cientistas, talvez o blogueiro devesse estudar um pouco e procurar saber sob a tutela de quem foram criadas as primeiras universidades. Talvez ele devesse tentar entender a importância de certas ordens religiosas tanto para a preservação do conhecimento quanto do desenvolvimento das ciências, economia e artes.

Quanto à questão das fogueiras... Creio que já podemos criar uma equivalente católica à Lei de Goodwin, que é assim enunciada: "À medida que uma discussão on-line se alonga, a probabilidade de uma comparação envolvendo Hitler ou o nazismo se aproxima de 1".

Seguindo esta linha de pensamento, posso até enunciar a Lei de Murat:
"Quanto menos um interlocutor conhece História da Igreja e quanto mais ele nutre ódio pelo catolicismo, a probabilidade de uma súbita citação da Inquisição aproxima-se de 1."
Citar termos que levam à emoção sem nem mesmo conhecer a realidade histórica na qual estavam inseridos é coisa típica dos tolos e dos intelectualmente desonestos. ###

É o que diz aquele velho ditado: você pode ficar calado e deixar que pensem que é um imbecil. Ou você pode abrir a boca e dar a eles certeza.

### Perfeito! Será que faltou espelho? ###

terça-feira, agosto 25, 2009

A Lei da Igreja é o Amor

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"Somente a ortodoxia católica faz o homem feliz: é como os muros postos ao redor de um precipício onde pode brincar uma porção de crianças" - G.K. Chesterton


A
firmo, sem qualquer sombra de dúvida, e afirmo com muito bom gosto, que a figura de D. José Cardoso Sobrinho é das mais positivas não só para o movimento Pró-Vida brasileiro quanto para o episcopado nacional.

D. José recebeu uma diocese complicadíssima, uma missão das mais espinhosas que poderiam ser dadas a um bispo brasileiro, e, no entanto, apesar de tanta gente torcendo e tomando concretas atitudes contrárias ao bom bispo, ele se houve muitíssimo bem à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife. O que estava perto de ser terra arrasada pelos abusos mil cometidos por gente que apenas instrumentaliza a Igreja para seus fins partidários-ideológicos, foi transformado por D. José em um terreno no qual a normalidade pôde vir à tona.

Falando especificamente de sua atuação Pró-Vida, D. José foi o bispo brasileiro que mais teve contato com a fúria de ONGs e imprensa abortista, principalmente devido ao tristemente famoso caso da menina de Alagoinha. Perde-se a conta de quantos adjetivos pejorativos foram dirigidos ao bispo, assim como incontáveis foram as linhas escritas para censurar-lhe as corajosas atitudes.

E quais foram seus crimes que causaram a fúria de uma turba que procurou desde o primeiro momento seu sumário linchamento moral? Apenas estes: tentar impedir aborto de duas crianças não-nascidas e afirmar a Lei da Igreja.

É um mundo bem triste um mundo em que a procurar a preservação da vida de crianças em estado extremamente frágil ganha ares de ofensa pública. E o mais trágico (ou irônico) é que aqueles que o acusam com o dedo em riste são os mesmos que comemoraram o cruel assassinato das crianças ainda no ventre de sua pequenina mãe. São os mesmos que cobravam uma atitude mais "humana" de D. José, são os mesmos que não hesitavam em afirmar, jocosamente e com indisfarçada satisfação, que era por isto que a Igreja perde fiéis, que são atitudes deste tipo que mostram o quanto a Igreja é "retrógrada", etc.; e isto apenas para ficar no que pode ser publicado...

É fato também que nada disto é surpresa. O caso da menina de Alagoinha, visto pelo ponto de vista abortista -- de ONGs, de imprensa, de anti-católicos, etc. -- foi uma oportunidade vinda das profundezas. Foi uma oportunidade para tentar amolecer os corações e mentes para a questão da liberação do aborto.

O que causa muita surpresa, porém, é a quantidade de gente que se diz católica e acha muito melhor, em casos assim, deixar de lado o que nos ensina a Igreja e ficar com o que vem do mundo. Esta cobrança que o mundo faz à Igreja para que ela se adapte às suas voltas não é nova, é coisa já bem velha e nossa resposta de forma nenhuma deve diferir da primeira vez que esta mesma questão nos foi colocada:

"27. Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
28. Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!

29. Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. " [Atos dos Apóstolos 5, 27-29
As palavras de São Pedro ecoaram durante toda a história da Igreja até serem proclamadas de forma diferente, mas com o exato conteúdo, por D. José Cardoso Sobrinho. A um mundo -- ONGs, imprensa, anti-católicos, "católicos", etc. -- que lhe exigia a capitulação frente ao seu "humanismo" distorcido, que lhe exigia o ajoelhar simbólico ante sua vontade, D. José foi corajoso o suficiente para reafirmar o valor intrínseco da vida humana e o valor da Lei de Deus.

Há gente, e, infelizmente, é forçoso dizer, há até bispos que parecem acreditar que D. José deveria ter agido de forma diferente. Pergunta-se: em quê? E esta pergunta é dirigida exatamente àqueles que se dizem católicos... Como atuar diferentemente do que fez D. José e ainda poder dizer que se obedeceu a Deus? Acaso ele não devia ter atuado intensamente, como fez, para a preservação da vida das crianças assassinadas? Acaso ele devia ter ficado em seu canto, ainda mais que ele já estava perto do término de seu tempo na Arquidiocese?

Parece que há muitos que são céleres em censurar o bispo -- de novo: falo a católicos, pois é destes que mais se exige que entendam a atitude do bom prelado --, mas que têm um vagar irritante ao apresentar soluções para o caso concreto da menina de Alagoinha.

Mas a corajosa atitude de D. José, que até lhe tornou merecedor de uma homenagem dada pela Human Life International -- organização Pró-Vida atuante no mundo inteiro --, não foi coisa que agradou a todos, mesmo aqueles que dizem defender a vida. Eis o que foi escrito em um determinado site:
"E minha principal discordância em relação à “ortodoxia” é exatamente pela forma de enxergar o papel da doutrina como solução para os problemas do mundo. " [grifo no original]
E, mais à frente, justificando tal discordância, escreveram:
"(...) se acreditamos em algo maior, é no Amor. O amor que é maior que tudo, que regras, que doutrinas, que hierarquias… Sabemos que tudo isso, de certa forma, é verdadeiramente necessário – mas a experiência que temos com a pessoa de Jesus é mais do que qualquer cânone. É de um amor que nem sempre se manifesta no que se diz, mas em como se diz. Um amor que cuida. Que constrói aquilo que a lei mata…" [grifos no original]
Basicamente, aí vão os erros de enormes proporções.

Primeiramente, é exatamente a doutrina, a Doutrina Católica, a solução para os problemas do mundo. Se não ela, o que lhe tomaria o lugar como solução? É de surpreender que católicos não assumam isto como o rumo a seguir em sua atuação social e política.

Em segundo lugar, e o mais importante: querer criar uma artificial oposição entre o Amor e a Lei da Igreja é um erro de proporções gigantescas. Compreender a Lei da Igreja como algo sequer vagamente parecido como os legalismos farisaicos é coisa de quem parece compreender bem pouco o que seja a função da Igreja no mundo. Não fosse assim, deveríamos jogar fora o Código Canônico, o Catecismo, as Bulas Papais, as Encíclicas, as Constituições Apostólicas e tudo mais.

O mais curioso é que tais pessoas admitem que "regras, doutrinas e hierarquias" são necessárias, mas que a pessoa de Jesus é "mais do que qualquer cânone"... Pergunta-se: alguém diz algo em contrário? Alguém pensa seriamente que alguma "regra, doutrina ou hierarquia" seja mais do que Nosso Senhor Jesus Cristo? O engano, o gigantesco engano, é achar que as "regras, doutrinas e hierarquias" são fruto da vontade de homens. Imaginar tal absurdo é, na prática, crer que a forma concreta de a Igreja atuar no mundo é obra meramente humana, que as regras são feitas para agradar não a Deus e para melhor servi-Lo e salvar mais almas, mas para satisfazer vontades humanas; é crer que as doutrinas e hierarquias sejam obras humanas somente, que para nada servem quando em contato com a figura amorosa de Jesus.

Muito pelo contrário, a Igreja, Instituição Divina, atua entre nós, simples homens, de forma concreta, através das "regras, doutrinas e hierarquias". Imaginar que exista uma parte da Igreja que é simplesmente "tolerada" por Deus, e que em certos momentos é deixada de lado por que estaria em oposição à vontade de seu Divino Fundador, é coisa que foge em muito de qualquer entendimento católico, é como se Deus desse e tirasse autoridade de Sua Santa Igreja.

E coisa muito triste, também, é ver católicos que simplesmente não conseguem entender o que seja o disciplinar da Igreja e quais são seus objetivos ao utilizar-se destes instrumentos. Talvez acostumados com o mundo, e ainda mais com o que acontece aqui no Brasil, somos levados a pensar que qualquer tipo de pena tem a única função de punir. Não poderíamos estar mais enganados... Mesmo a duríssima pena de excomunhão, contra a qual, ironicamente, até ateus militantes revoltaram-se no caso da menina de Alagoinha, mesmo esta pena tem o objetivo claríssimo de levar-nos a tomar consciência da gravidade de nossos atos contrários à vontade de Deus e, assim, encaminhar-nos a uma reconciliação com Deus.

Mas o que subitamente ocorreu em toda confusão em Alagoinha foi que a simples declaração de D. José Cardoso Sobrinho de que quem autorizou e participou diretamente do crime do aborto das crianças estavam excomungados tornou-se um crime maior do que o próprio estupro, do que o próprio aborto duplo cometido, como agora bem se sabe, através do engano dos responsáveis diretos pela menina-mãe.

E não se enganem os católicos, a pessoa de D. José foi atingida, mas o objetivo de tal campanha difamatória muito bem orquestrada era atingir a Santa Igreja e seus princípios. E é por isto que até hoje pode-se ler os maiores absurdos sobre o caso, como quando muitos escrevem sobre o absurdo de o arcebispo ter excomungado a menina-mãe. Isto jamais aconteceu e é impossível acontecer pelo Código de Direito Canônico, mas jogar esta mentira serve como uma luva para que os objetivos dos detratores da Igreja consigam seus objetivos. E serve, também, para que o foco do caso, que é o assassinato frio e calculado de dois seres humanos, seja deixado de lado e as luzes sejam jogadas sobre D. José e a Igreja.

É triste também perceber que há quem critique a atuação de D. José Cardoso Sobrinho como errônea, pois este teria dado ênfase "no que" se diz, e não no "como" se diz. É bom que não se esqueça que D. José só abordou a questão da excomunhão após o aborto das crianças, antes do fatídico acontecimento, o bom bispo não poupou esforços para preservar as 3 vidas diretamente envolvidas.

O fato, porém, é que cobrar uma forma diferente de atuação de D. José deveria vir junto com a explicação mínima de como deveria ter atuado o bispo. Simplesmente dizer que o prelado atuou de forma equivocada, sem mostrar como deveria ser uma atuação ideal, parece muito mais com um engenheiro que critica uma obra pronta. Pena, pena mesmo, que até mesmo um bispo de alto relevo no Vaticano -- D. Fisichella -- tenha utilizado do mesmo expediente.

E a Lei, a Lei da Igreja, que D. José foi extremamente corajoso em proclamar a um mundo que não lhe dava ouvidos, era a única que se antepunha aos cruéis desejos dos abortistas. Não foram as belas palavras de um padre com discursos melosos de auto-ajuda, não foram magnânimos tapinhas nas costas de quem quer que seja que procuravam preservar as vidas das crianças infelizmente abortadas. Não. O único obstáculo ao objetivos obscuros de tantos era exatamente a Lei da Igreja, a mesma Lei que impulsionou a atitude corajosa de D. José.

E é exatamente por isto que a Lei da Igreja é o Amor, o Amor que luta contra o mal, e é extremamente absurdo que católicos ainda hoje, quando a informação e a formação estão disponíveis a todos que procurem, caiam no fácil discurso de que "a lei mata", como se a Lei da Igreja pudesse sequer ser comparada a qualquer vazio discurso farisaico.

Como Mãe e Mestra, a Igreja ensina, corrige, direciona e até pune quando necessário, mas sempre com o objetivo de direcionar todos para Deus. E este é um trabalho amoroso, feito com o aporte de uma Lei que de forma alguma mata, mas que busca a saúde da alma.

E, me é forçoso dizer, isto de criar uma oposição entre a Lei da Igreja e o Amor com que devemos atuar em todos os momentos, mesmo naqueles mais difíceis, é coisa que não é nova aqui no Brasil. Este é exatamente o método dos adeptos da Teologia da Libertação. Para estes, é corriqueiro vermos em seus discursos duas Igrejas: uma, divina, imaculada, invisível e espiritual; outra, criada pela vontade de homens, carregada de falhas, visível e corrompida. E é com estes argumentos que tais adeptos com a maior sem-cerimônia ignoram a Lei da Igreja, pois, para eles, esta Lei nada mais é que a voz daquela outra Igreja, da corrompida, e que deve ser ignorada. Exemplos não faltam cá entre nós para demonstrar o quanto esta visão é perniciosa e perigosa.

As críticas dirigidas a D. José e à sua atuação, assim como a criação de um falso embate entre o Amor e a Lei da Igreja, como se entre ambos não houvesse uma profunda identidade, necessitavam de um esclarecimento. E é muito chato que ainda hoje tenhamos que ler declarações ao meu ver impensadas sobre a atuação de D. José em um caso dificílimo.

Para terminar, é bom apenas que citemos a íntegra de um versículo que foi citado como forma de justificar uma preponderância do Amor sobre a Lei. A primeira parte do versículo é fundamental para seu real entendimento.
"Portanto, é a lei contrária às promessas de Deus? De nenhum modo. Se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, em verdade a justiça viria pela lei" [Gl 3, 21] [grifos meus]
É necessário apenas que se diga que o grande apóstolo São Paulo falava da lei antes da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, e vejamos que ainda assim esta tinha a função de servir ao projeto de Deus. Será que podemos mesmo imaginar uma oposição entre o Amor e a Lei da Igreja, a mesma Igreja que é assistida e vivificada em todos os momentos pelo Espírito Santo?

No mais, é de lamentar muito que ainda hoje haja gente que sequer compreende minimamente o que seja ortodoxia, como se esta fosse um obstáculo a uma verdadeira espiritualidade. Chesterton, um dos maiores inlectuais católicos do século passado, exprimiu melhor do que ninguém que verdadeira loucura é abandonar a ortodoxia ou não compreendê-la:
"As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco." - G.K. Chesterton