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quinta-feira, agosto 27, 2009

Mais absurdos sobre o caso de Alagoinha

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A excelente atuação de D. José Cardoso Sobrinho no caso da menina de Alagoinha deu oportunidade de ouro a uma turma que fermenta um ódio infundado pela Igreja aproveitasse os holofotes.

Ao indisfarçado autoritarismo na linguagem de muitos segue-se também a ignorância dos fatos do caso e mesmo em relação aos preceitos católicos. Enfim, a tônica do discurso de muitos é uma mistura de arrogância, de desconhecimento, de empáfia, etc.

Um exemplo puríssimo pode ser lido abaixo, em vermelho. Em azul seguem minhas respostas aos absurdos que o blogueiro tenta passar como argumentação (original aqui).

***


Quem frequenta este blog sabe, mui bien, o que eu penso acerca do aborto (e se não sabe, clique aqui pra descobrir).

No resumo da ópera, vale sintetizar que eu sou contra a maior descriminalização da prática. O termo "maior" não está sobrando: com ele eu quero dizer que sim, sou a favor dos casos que a lei já autoriza a prática, e não, não sou a favor de que outros casos diversos sejam permitidos, como a simples vontade da gestante.


### Para quem quer passar uma idéia de que já refletiu seriamente sobre a questão do aborto, o blogueiro falha feio. E falha porque porque desconhece que a lei brasileira não autoriza a prática do aborto em caso algum. O que há, na verdade, são casos em que a punição devida ao crime não é aplicada, o que é bem diferente de se dizer que o procedimento seja autorizado. ###

É fascista? É radical? Penso que não, já que todos tivemos o exemplo de radicalismo nesses dias, quando o arcebispo de Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, "comunicou" à família de uma menina de 9 anos grávida de gêmeos vindos de um estupro e aos médicos envolvidos no aborto legal a que foi submetida que estavam excomungados da vida na Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.

### Mais erros... A única coisa que D. José fez foi tornar pública a excomunhão tantos dos membros da equipe médica diretamente envolvidos no ato do aborto quanto quem autorizou o aborto. E é sempre oportuno lembrar que D. José não utilizou de sua autoridade episcopal para excomungar ninguém, dado que a excomunhão é automática no caso de aborto. À menina-mãe não cabe punição alguma, pois, devido à sua pouca idade, ela não passível de sanções pelo Código de Direito Canônico. ###

Para quem não sabe, o Catecismo da Igreja Católica (uma espécie de manual do catolicismo) assim diz da excomunhão:

"Alguns pecados particularmente graves são passíveis de excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiais."


Um dos argumentos mais repetidos pelo arcebispo sobre seu polêmico manifesto foi que "Se a lei dos homens é contrária à lei de Deus, então ela não vale nada e deve ser ignorada." Com isso, Dom José quer dizer que, não interessa se o aborto é legal judicialmente. É pegado gravissíssimo, cuja pena é excomunhão (abandonar a religião também é, o que faz de mim um excomungado).


### Apenas antes de se partir para a "argumentação" do blogueiro, é bom que se diga que ele está certo mesmo: se ele apostatou, está excomungado. É triste que ele não se dê conta de seu erro, assim como é triste que ele dê declarações jocosas sobre isto. ###


Pois bem, então vamos por partes: primeiro, alguém precisa avisar ao arcebispo que, desde Pedro II, salvo engano, o Brasil é um país laico. Isso quer dizer que aqui, na República Federativa do Brasil a lei de Deus é apenas uma curiosidade, pois este país não professa uma religião. Outra coisa, todos sabem que a gravidez da menininha, estuprada continuamente pelo padrasto era de alto risco, podendo tirar-lhe a vida. Porém, segundo o bispo, a lei de Deus não permite que se diga que os fins justificam os meios e a matemática não bate: faz mais sentido perder a vida da menina do que dos dois filhos que ela trazia no ventre.

### Aqui o blogueiro mistura ignorância com distorção dos fatos.

Ignora o rapaz que o fato de o Brasil ser um país laico nada mais é que o Estado não professa oficialmente uma religião. Apenas quer dizer que o Estado não deve favorecer uma religião em relação a outras.


Mas o caso é que faltou o autor do blog explicar a conexão lógica entre a a fala de D. José e o ataque ao Estado laico. O então Arcebispo de Olinda e Recife disse uma verdade que em nada fere a laicidade do Estado Brasileiro, mas que talvez fira um bocado o laicismo do blogueiro e de outros que pensam como ele.


Os católicos, e, assim creio, até mesmo crentes de outras denominações, não têm obrigação alguma em se sujeitar a uma lei que vá frontalmente contra a Lei de Deus, na qual acreditam. E tal lei deve mesmo ser ignorada... O que o blogueiro parece desejar é que os católicos fiquem calados quando vêem um aborto ser cometido no prédio vizinho, tudo devido ao Estado Laico. Isto não seria uma saudável laicidade do estado, seria, sim, um opressor laicismo, e, se ele se sente bem em olhar para o lado quando diante de um aborto, que ao menos deixe aos católicos a liberdade de indignar-se contra isto.


Querer que um católico seja obrigado a baixar a cabeça frente a um mal das proporções do aborto é coisa tão autoritária que até mesmo países em que esta cruel prática é legalizada há a figura da objeção de consciência. Ou seja, isto de querer enfiar goela abaixo dos católicos a aceitação do aborto por conta da laicidade do Estado nada mais é que um arroubo totalitário mascarado.


Sobre a distorção dos fatos, o autor do blog faria bem melhor se explicasse em qual manual médico ou qual pesquisa está escrito que gravidez de risco é equivalente a uma pena de morte. O fato é que o blogueiro comprou um peixe podre que lhe venderam; ele acreditou piamente nas notícias plantadas por ONGs abortistas de que a menina-mãe corria risco de vida. Não só não corria, como esta mentira já foi por demais desmascarada.


E, além do mais, uma gravidez de risco é coisa mais do que comum, e, com o avanço da Medicina, é cada vez menor o índice de mortes em tais casos. Ou seja, é muito difícil que alguém argumente que devido a um risco na gravidez o aborto deveria ser liberado, e, basicamente, é isto que o blogueiro tenta fazer... E falha ridiculamente.
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Pra coroar, nas páginas amarelas da VEJA desta semana, Dom José insinuou (e católicos mais cegos têm afirmado) que os pais da menina foram coagidos a assinarem as autorizações para o aborto. Uma afirmação séria, com certeza, muito séria. Mas fico me perguntando: e se eles foram mesmo coagidos? Se eles foram, eu deixo a pergunta: quer dizer que eles estavam na DÚVIDA se deviam salvar a filha (também ela inocente) ou preservar duas crianças fruto de uma barbaridade? Não é atoa que tal desgraça tenha acontecido com esta menina: olha a qualidade de pais que ela tem, que titubearam e tiveram de ser coagidos a salvarem a vida da própria filha! Caralho, eu pensei que depois dos Nardoni eu já tinha visto de tudo...

### Não há qualquer insinuação... O que se sabe de gente que acompanhou o caso de perto é que houve sim o engano dos pais da menina, pessoas humildes.

Mas aqui o blogueiro vai mostrando suas reais motivações. O "e se eles foram mesmo coagidos?" mostra toda a face autoritária de quem se acha melhor que os pais da menina, que, tomando como base suas péssimas palavras, crê mesmo que a coação que levou ao aborto de duas crianças é justificável.

E mesmo esta "justificação" fundamenta-se em uma mentira: que a menina corria risco iminente de vida. Mas o que é uma mentira para quem acha que a coação é um meio válido para atingir um objetivo, não é mesmo? ###

Mas... pode ser que você esteja se perguntando o que eu acho, assim, em palavras e frases curtas, o que eu acho disso tudo. Bem, te digo: eu acho que, sob a presidência de Chico Bento XVI, o catolicismo caminha para trás. Cismando com a existência do Holocausto, ressuscitando a idéia de que a camisinha não serve para nada porque, segundo o Vaticano, "tem poros por onde o vírus do HIV pode passar", excomungando médicos e pais... Qual o próximo passo? Excomungar cientistas ou juntar lenha para as fogueiras?

### Aqui podemos ver toda a má-fé do blogueiro ao argumentar.

Ele pode achar o que quiser de S.S. Bento XVI e de suas ações, pois é livre para ter suas opiniões. Só que para ser levado a sério é preciso que ele consiga sustentar o que opina.

"Cismando com a existência do Holocausto"? Na verdade o autor do blog deve estar se referindo ao infeliz caso das declarações de D. Williamson. O que tem isto a ver com O Papa Bento XVI? Nada, absolutamente nada.

"Ressuscitando a idéia de que a camisinha não serve para nada"? Já que ele deseja atacar a posição católica sobre a questão, seria bem mais honesto se ele a abordasse sobre o ponto de vista moral, que é exatamente o ponto fundamental da proibição de métodos artificiais de contracepção. Mas para que se dar ao trabalho, não é mesmo? É infinitamente mais fácil colocar palavras na boca dos outros e jogar para a galera. Honestidade argumentativa, claro, é coisa para os fracos.

Mas o irônico é que o mesmo rapaz que acredita piamente em mentiras divulgadas, que desconhece a legislação brasileira, que autoritariamente está se lixando para o que realmente queriam os pais da criança, que pensa que pode bradar a laicidade do Estado como forma de forçar os católicos a baixarem a cabeça frente ao aborto, o verdadeiramente irônico é que ele se acha mesmo em posição de dar lições em alguém. E, mais ainda, pensa mesmo que ele e somente ele sabe o que é o certo para os rumos da Igreja.

P
fui... Sempre me surpreendo com os soluços megalômanos de alguns.

Sobre os cientistas, talvez o blogueiro devesse estudar um pouco e procurar saber sob a tutela de quem foram criadas as primeiras universidades. Talvez ele devesse tentar entender a importância de certas ordens religiosas tanto para a preservação do conhecimento quanto do desenvolvimento das ciências, economia e artes.

Quanto à questão das fogueiras... Creio que já podemos criar uma equivalente católica à Lei de Goodwin, que é assim enunciada: "À medida que uma discussão on-line se alonga, a probabilidade de uma comparação envolvendo Hitler ou o nazismo se aproxima de 1".

Seguindo esta linha de pensamento, posso até enunciar a Lei de Murat:
"Quanto menos um interlocutor conhece História da Igreja e quanto mais ele nutre ódio pelo catolicismo, a probabilidade de uma súbita citação da Inquisição aproxima-se de 1."
Citar termos que levam à emoção sem nem mesmo conhecer a realidade histórica na qual estavam inseridos é coisa típica dos tolos e dos intelectualmente desonestos. ###

É o que diz aquele velho ditado: você pode ficar calado e deixar que pensem que é um imbecil. Ou você pode abrir a boca e dar a eles certeza.

### Perfeito! Será que faltou espelho? ###

terça-feira, agosto 25, 2009

A Lei da Igreja é o Amor

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"Somente a ortodoxia católica faz o homem feliz: é como os muros postos ao redor de um precipício onde pode brincar uma porção de crianças" - G.K. Chesterton


A
firmo, sem qualquer sombra de dúvida, e afirmo com muito bom gosto, que a figura de D. José Cardoso Sobrinho é das mais positivas não só para o movimento Pró-Vida brasileiro quanto para o episcopado nacional.

D. José recebeu uma diocese complicadíssima, uma missão das mais espinhosas que poderiam ser dadas a um bispo brasileiro, e, no entanto, apesar de tanta gente torcendo e tomando concretas atitudes contrárias ao bom bispo, ele se houve muitíssimo bem à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife. O que estava perto de ser terra arrasada pelos abusos mil cometidos por gente que apenas instrumentaliza a Igreja para seus fins partidários-ideológicos, foi transformado por D. José em um terreno no qual a normalidade pôde vir à tona.

Falando especificamente de sua atuação Pró-Vida, D. José foi o bispo brasileiro que mais teve contato com a fúria de ONGs e imprensa abortista, principalmente devido ao tristemente famoso caso da menina de Alagoinha. Perde-se a conta de quantos adjetivos pejorativos foram dirigidos ao bispo, assim como incontáveis foram as linhas escritas para censurar-lhe as corajosas atitudes.

E quais foram seus crimes que causaram a fúria de uma turba que procurou desde o primeiro momento seu sumário linchamento moral? Apenas estes: tentar impedir aborto de duas crianças não-nascidas e afirmar a Lei da Igreja.

É um mundo bem triste um mundo em que a procurar a preservação da vida de crianças em estado extremamente frágil ganha ares de ofensa pública. E o mais trágico (ou irônico) é que aqueles que o acusam com o dedo em riste são os mesmos que comemoraram o cruel assassinato das crianças ainda no ventre de sua pequenina mãe. São os mesmos que cobravam uma atitude mais "humana" de D. José, são os mesmos que não hesitavam em afirmar, jocosamente e com indisfarçada satisfação, que era por isto que a Igreja perde fiéis, que são atitudes deste tipo que mostram o quanto a Igreja é "retrógrada", etc.; e isto apenas para ficar no que pode ser publicado...

É fato também que nada disto é surpresa. O caso da menina de Alagoinha, visto pelo ponto de vista abortista -- de ONGs, de imprensa, de anti-católicos, etc. -- foi uma oportunidade vinda das profundezas. Foi uma oportunidade para tentar amolecer os corações e mentes para a questão da liberação do aborto.

O que causa muita surpresa, porém, é a quantidade de gente que se diz católica e acha muito melhor, em casos assim, deixar de lado o que nos ensina a Igreja e ficar com o que vem do mundo. Esta cobrança que o mundo faz à Igreja para que ela se adapte às suas voltas não é nova, é coisa já bem velha e nossa resposta de forma nenhuma deve diferir da primeira vez que esta mesma questão nos foi colocada:

"27. Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
28. Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!

29. Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. " [Atos dos Apóstolos 5, 27-29
As palavras de São Pedro ecoaram durante toda a história da Igreja até serem proclamadas de forma diferente, mas com o exato conteúdo, por D. José Cardoso Sobrinho. A um mundo -- ONGs, imprensa, anti-católicos, "católicos", etc. -- que lhe exigia a capitulação frente ao seu "humanismo" distorcido, que lhe exigia o ajoelhar simbólico ante sua vontade, D. José foi corajoso o suficiente para reafirmar o valor intrínseco da vida humana e o valor da Lei de Deus.

Há gente, e, infelizmente, é forçoso dizer, há até bispos que parecem acreditar que D. José deveria ter agido de forma diferente. Pergunta-se: em quê? E esta pergunta é dirigida exatamente àqueles que se dizem católicos... Como atuar diferentemente do que fez D. José e ainda poder dizer que se obedeceu a Deus? Acaso ele não devia ter atuado intensamente, como fez, para a preservação da vida das crianças assassinadas? Acaso ele devia ter ficado em seu canto, ainda mais que ele já estava perto do término de seu tempo na Arquidiocese?

Parece que há muitos que são céleres em censurar o bispo -- de novo: falo a católicos, pois é destes que mais se exige que entendam a atitude do bom prelado --, mas que têm um vagar irritante ao apresentar soluções para o caso concreto da menina de Alagoinha.

Mas a corajosa atitude de D. José, que até lhe tornou merecedor de uma homenagem dada pela Human Life International -- organização Pró-Vida atuante no mundo inteiro --, não foi coisa que agradou a todos, mesmo aqueles que dizem defender a vida. Eis o que foi escrito em um determinado site:
"E minha principal discordância em relação à “ortodoxia” é exatamente pela forma de enxergar o papel da doutrina como solução para os problemas do mundo. " [grifo no original]
E, mais à frente, justificando tal discordância, escreveram:
"(...) se acreditamos em algo maior, é no Amor. O amor que é maior que tudo, que regras, que doutrinas, que hierarquias… Sabemos que tudo isso, de certa forma, é verdadeiramente necessário – mas a experiência que temos com a pessoa de Jesus é mais do que qualquer cânone. É de um amor que nem sempre se manifesta no que se diz, mas em como se diz. Um amor que cuida. Que constrói aquilo que a lei mata…" [grifos no original]
Basicamente, aí vão os erros de enormes proporções.

Primeiramente, é exatamente a doutrina, a Doutrina Católica, a solução para os problemas do mundo. Se não ela, o que lhe tomaria o lugar como solução? É de surpreender que católicos não assumam isto como o rumo a seguir em sua atuação social e política.

Em segundo lugar, e o mais importante: querer criar uma artificial oposição entre o Amor e a Lei da Igreja é um erro de proporções gigantescas. Compreender a Lei da Igreja como algo sequer vagamente parecido como os legalismos farisaicos é coisa de quem parece compreender bem pouco o que seja a função da Igreja no mundo. Não fosse assim, deveríamos jogar fora o Código Canônico, o Catecismo, as Bulas Papais, as Encíclicas, as Constituições Apostólicas e tudo mais.

O mais curioso é que tais pessoas admitem que "regras, doutrinas e hierarquias" são necessárias, mas que a pessoa de Jesus é "mais do que qualquer cânone"... Pergunta-se: alguém diz algo em contrário? Alguém pensa seriamente que alguma "regra, doutrina ou hierarquia" seja mais do que Nosso Senhor Jesus Cristo? O engano, o gigantesco engano, é achar que as "regras, doutrinas e hierarquias" são fruto da vontade de homens. Imaginar tal absurdo é, na prática, crer que a forma concreta de a Igreja atuar no mundo é obra meramente humana, que as regras são feitas para agradar não a Deus e para melhor servi-Lo e salvar mais almas, mas para satisfazer vontades humanas; é crer que as doutrinas e hierarquias sejam obras humanas somente, que para nada servem quando em contato com a figura amorosa de Jesus.

Muito pelo contrário, a Igreja, Instituição Divina, atua entre nós, simples homens, de forma concreta, através das "regras, doutrinas e hierarquias". Imaginar que exista uma parte da Igreja que é simplesmente "tolerada" por Deus, e que em certos momentos é deixada de lado por que estaria em oposição à vontade de seu Divino Fundador, é coisa que foge em muito de qualquer entendimento católico, é como se Deus desse e tirasse autoridade de Sua Santa Igreja.

E coisa muito triste, também, é ver católicos que simplesmente não conseguem entender o que seja o disciplinar da Igreja e quais são seus objetivos ao utilizar-se destes instrumentos. Talvez acostumados com o mundo, e ainda mais com o que acontece aqui no Brasil, somos levados a pensar que qualquer tipo de pena tem a única função de punir. Não poderíamos estar mais enganados... Mesmo a duríssima pena de excomunhão, contra a qual, ironicamente, até ateus militantes revoltaram-se no caso da menina de Alagoinha, mesmo esta pena tem o objetivo claríssimo de levar-nos a tomar consciência da gravidade de nossos atos contrários à vontade de Deus e, assim, encaminhar-nos a uma reconciliação com Deus.

Mas o que subitamente ocorreu em toda confusão em Alagoinha foi que a simples declaração de D. José Cardoso Sobrinho de que quem autorizou e participou diretamente do crime do aborto das crianças estavam excomungados tornou-se um crime maior do que o próprio estupro, do que o próprio aborto duplo cometido, como agora bem se sabe, através do engano dos responsáveis diretos pela menina-mãe.

E não se enganem os católicos, a pessoa de D. José foi atingida, mas o objetivo de tal campanha difamatória muito bem orquestrada era atingir a Santa Igreja e seus princípios. E é por isto que até hoje pode-se ler os maiores absurdos sobre o caso, como quando muitos escrevem sobre o absurdo de o arcebispo ter excomungado a menina-mãe. Isto jamais aconteceu e é impossível acontecer pelo Código de Direito Canônico, mas jogar esta mentira serve como uma luva para que os objetivos dos detratores da Igreja consigam seus objetivos. E serve, também, para que o foco do caso, que é o assassinato frio e calculado de dois seres humanos, seja deixado de lado e as luzes sejam jogadas sobre D. José e a Igreja.

É triste também perceber que há quem critique a atuação de D. José Cardoso Sobrinho como errônea, pois este teria dado ênfase "no que" se diz, e não no "como" se diz. É bom que não se esqueça que D. José só abordou a questão da excomunhão após o aborto das crianças, antes do fatídico acontecimento, o bom bispo não poupou esforços para preservar as 3 vidas diretamente envolvidas.

O fato, porém, é que cobrar uma forma diferente de atuação de D. José deveria vir junto com a explicação mínima de como deveria ter atuado o bispo. Simplesmente dizer que o prelado atuou de forma equivocada, sem mostrar como deveria ser uma atuação ideal, parece muito mais com um engenheiro que critica uma obra pronta. Pena, pena mesmo, que até mesmo um bispo de alto relevo no Vaticano -- D. Fisichella -- tenha utilizado do mesmo expediente.

E a Lei, a Lei da Igreja, que D. José foi extremamente corajoso em proclamar a um mundo que não lhe dava ouvidos, era a única que se antepunha aos cruéis desejos dos abortistas. Não foram as belas palavras de um padre com discursos melosos de auto-ajuda, não foram magnânimos tapinhas nas costas de quem quer que seja que procuravam preservar as vidas das crianças infelizmente abortadas. Não. O único obstáculo ao objetivos obscuros de tantos era exatamente a Lei da Igreja, a mesma Lei que impulsionou a atitude corajosa de D. José.

E é exatamente por isto que a Lei da Igreja é o Amor, o Amor que luta contra o mal, e é extremamente absurdo que católicos ainda hoje, quando a informação e a formação estão disponíveis a todos que procurem, caiam no fácil discurso de que "a lei mata", como se a Lei da Igreja pudesse sequer ser comparada a qualquer vazio discurso farisaico.

Como Mãe e Mestra, a Igreja ensina, corrige, direciona e até pune quando necessário, mas sempre com o objetivo de direcionar todos para Deus. E este é um trabalho amoroso, feito com o aporte de uma Lei que de forma alguma mata, mas que busca a saúde da alma.

E, me é forçoso dizer, isto de criar uma oposição entre a Lei da Igreja e o Amor com que devemos atuar em todos os momentos, mesmo naqueles mais difíceis, é coisa que não é nova aqui no Brasil. Este é exatamente o método dos adeptos da Teologia da Libertação. Para estes, é corriqueiro vermos em seus discursos duas Igrejas: uma, divina, imaculada, invisível e espiritual; outra, criada pela vontade de homens, carregada de falhas, visível e corrompida. E é com estes argumentos que tais adeptos com a maior sem-cerimônia ignoram a Lei da Igreja, pois, para eles, esta Lei nada mais é que a voz daquela outra Igreja, da corrompida, e que deve ser ignorada. Exemplos não faltam cá entre nós para demonstrar o quanto esta visão é perniciosa e perigosa.

As críticas dirigidas a D. José e à sua atuação, assim como a criação de um falso embate entre o Amor e a Lei da Igreja, como se entre ambos não houvesse uma profunda identidade, necessitavam de um esclarecimento. E é muito chato que ainda hoje tenhamos que ler declarações ao meu ver impensadas sobre a atuação de D. José em um caso dificílimo.

Para terminar, é bom apenas que citemos a íntegra de um versículo que foi citado como forma de justificar uma preponderância do Amor sobre a Lei. A primeira parte do versículo é fundamental para seu real entendimento.
"Portanto, é a lei contrária às promessas de Deus? De nenhum modo. Se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, em verdade a justiça viria pela lei" [Gl 3, 21] [grifos meus]
É necessário apenas que se diga que o grande apóstolo São Paulo falava da lei antes da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, e vejamos que ainda assim esta tinha a função de servir ao projeto de Deus. Será que podemos mesmo imaginar uma oposição entre o Amor e a Lei da Igreja, a mesma Igreja que é assistida e vivificada em todos os momentos pelo Espírito Santo?

No mais, é de lamentar muito que ainda hoje haja gente que sequer compreende minimamente o que seja ortodoxia, como se esta fosse um obstáculo a uma verdadeira espiritualidade. Chesterton, um dos maiores inlectuais católicos do século passado, exprimiu melhor do que ninguém que verdadeira loucura é abandonar a ortodoxia ou não compreendê-la:
"As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco." - G.K. Chesterton

quarta-feira, agosto 19, 2009

Selo "Apóstolo da Vida" - Dom José Cardoso Sobrinho

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"Bonum certamen certavi cursum consummavi fidem servavi." (II ad Tim, 4,7)
["Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé." 2 Tim 4,7]

Estas são as palavras de São Paulo Apóstolo já no final de sua jornada. Após enfrentar obstáculos dificílimos durante toda sua jornada, o grande apóstolo podia, com a Graça de Deus, olhar para trás e dizer que lutou com todas as suas forças a boa luta de levar a Boa Nova ao maior número possível de pessoas.

Mas o "combater o bom combate" não é coisa exclusiva de São Paulo! Esta luta, para a qual é importante não nossa própria força, mas, principalmente, a força que nos vem do alto, é a luta travada pelos bons bispos! E a sucessão apostólica e a Providência Divina nos deu um bispo com a força moral de um São Paulo: Dom José Cardoso Sobrinho.

Também ele, que há poucos dias deixou a Arquidiocese de Olinda e Recife, pode dizer que lutou e continua lutando o bom combate. A força moral de D. José incomoda até hoje tanto os que se autodenominam católicos "progressistas" -- mas que nada mais querem que uma mistura de catolicismo e marxismo que só serve para ser jogada no lixo -- quanto a setores da imprensa e da academia.

D. José sabe das coisas! E sabe também que um catolicismo que se confunda com auto-ajuda barata pode servir para muita coisa, mas não serve para evangelizar. Evangelização se faz com a Verdade, mesmo que ela seja crua e mesmo, ou melhor, principalmente quando ela atinge em cheio as superficialidades do mundo.

Por tudo isto, tenho uma alegria imensa de ter sido indicado pelo meu grande amigo Wagner Moura, editor do fantástico blog O possível e o Extraordinário, a fazer parte da campanha "Apóstolo da Vida", que tem como símbolo a corajosa figura de D. José Cardoso Sobrinho, o grande bispo que enfrentou a fúria de ONGs abortistas, da imprensa local (e até da internacional!) e até mesmo de católicos que estão mais preocupados com o que pensa o mundo do que com a vontade de Deus. E tudo isto porque ele fez o que a Igreja manda e o que é dever de TODO católico: lutar pela vida desde a concepção até seu fim natural.

Enquanto muita gente virava as costas para o drama da menina de Alagoinha-PE, D. José, mesmo estando já no final de seu tempo como Arcebispo de Olinda e Recife, não teve dúvidas de levantar sua voz firme de sucessor dos apóstolos contra a absurda e cruel morte a que foram sentenciadas as crianças inocentes.

Que a santa firmeza de D. José inspire mais e mais católicos a enfrentarem a Cultura da Morte.


Sobre o selo

A iniciativa deste selo partiu do nosso querido Pe. Lodi, do site Provida de Anápolis, e que é um verdadeiro campeão nacional na luta pela defesa da vida.

Como escrevi anteriormente, fui indicado pelo Wagner Moura, que me concedeu a indicação usando palavras exageradamente elogiosas. Fica aqui meu agradecimento de coração! Ele é das pessoas mais bondosas que já conheci, e ser indicado por ele só confirma isto ainda mais.

Como é a regra da campanha, o indicado deve indicar 3 outros blogs ou sites para receberem o selo. Eis os meus indicados:

Blog Palavras Apenas - Editado pelo amigo Fabrício, que é das pessoas mais amáveis com quem já tive contato pela internet, tem como foco principal a família. A defesa pela vida começa exatamente na família; é nela que aprendemos que todos têm este direito e que é de todos a obrigação de lutar para que estes valores não sejam maculados.

Blog Jornada Cristã - A firmeza dos argumentos de meu querido amigo Matheus Cajaíba, editor deste blog, destrói sem dó os pseudo-argumentos de gayzistas, "progressistas" e acadêmicos de meia-pataca que por lá passam. Quanto à defesa da vida, este blog é eficientíssimo em demonstrar a fraqueza do discurso abortista.

Blog Rei Nada - Meu amigo Marcos Ludwig merece, mais do que ninguém, participar de uma campanha destas. Seu blog, o Reinada, é uma mistura que muito me agrada, como já relatei antes. Quanto à defesa da vida, Marcos é radicalmente contrário ao aborto, e seu pensamento não tem nada de emocional, é coisa de quem realmente pensou no assunto, o que pode ser visto nesta excelente exposição.

Blog Ecclesia Una - [Update!] Como vi que o blog do Fabricio já havia sido indicado, tomo a liberdade de escolher mais um, e esta escolha recai sobre o excelente blog editado por Everth Queiroz de Oliveira. Quisera eu, aos 14 anos, a idade de Everth, ter tanto amor pela Igreja como ele demonstra ter. Faço votos que ele permaneça sempre no bom caminho e na luta pela defesa da vida.

Estes são os meus 4 indicados! Eu teria mais blogs a indicar, mas vou seguir (mais ou menos) as regras do selo e ficar torcendo para que outros blogs que admiro muitíssimo pelo trabalho que prestam à defesa da vida sejam indicados e se juntem a nós nesta campanha.

E que todos nós possamos estar sempre dispostos a combater o bom combate, como fez São Paulo e como faz D. José Cardoso Sobrinho.

quarta-feira, julho 29, 2009

Como detectar abortistas

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Um pouco de humor...

Na imagem acima, há uma série de testes que podem ser aplicados a qualquer pessoa para detectar seu nível de abortismo.

Na verdade, como já é convencionado, há abortistas e há pró-vidas. É uma questão preto ou branco, como gostam de dizer os norte-americanos. Não há ninguém que seja mais ou menos pró-vida e também não há os mais ou menos abortistas. A escolha de lado é necessária.

Dito isto, é bom que se diga que entre os abortista há gradações. Há aqueles que se acham piedosos, há aqueles que se acham defensores de direitos individuais (curiosamente "esquecendo" dos direitos do ser mais frágil), há aqueles que pouco se lixam para uma vida que não seja a sua. Em comum todos têm a peculiar capacidade de olhar para o lado quando um bebê será assassinado seja por qual motivo for.

Para detectar e classificar tais tipos de abortistas, vem bem a calhar o teste abaixo. São situações simples, nas quais um simples "sim" ou "não", "bom" ou "mau", resolve a questão. Apesar das situações extremamente simples, foi cientificamente comprovado que abortistas mostram uma incrível incapacidade de respondê-las de forma correta.

terça-feira, julho 21, 2009

A marcha da super-interina

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A cada dia que passa mais parece que a interinidade da Dra. Deborah Duprat não foi acaso. Um jornalista interessado poderia fazer muito bem a este país tentando destrinchar afinal o que aconteceu para que Dra. Duprat assumisse o cargo de Procuradora-Geral da República e iniciasse ações totalmente polêmicas e que, segundo ela, visam a "mudanças na estrutura desta sociedade".

Nunca é demais lembrar que no Brasil pós Constituição de 1988 jamais houve "vácuo" na troca de gestões dos titulares do cargo de Procurador-Geral da República. Isto é coisa que só o Lula faz pela gente.

Desta vez, o pacotão da Dra. Duprat vem com ações junto ao STF que alegam que manifestações a favor das drogas constituem liberdade de expressão e de opinião. E isto mesmo após o Dr. Roberto Gurgel já ter tido sua nomeação ao cargo de titular da Procuradoria-Geral da República publicada no Diário Oficial da União, com posse marcada para amanhã, 22/07/2009. Mas não há tempo ruim com a Dra. Duprat.

Dra. Duprat como Procuradora-Geral Interina podia fazer tanta coisa mais importante... Poderia, quem sabe?, atuar na gravíssima crise que envolve o Senado Federal, tentando impedir que o povo seja lesado pelos inúmeros picaretas de terno e gravata.

Mas que ilusão, não é mesmo? O mais importante mesmo é lutar para que o pessoal que quer o direito de dar um tapinha sossegado, os mesmos que fariam muito bem em ao menos enxergar suas fartas contribuições para o crime organizado, o importante é fazer com que as passeatas deste pessoal não sejam impedidas.

E o que diz Dra. Duprat? Isto aqui:
"O fato de uma ideia ser considerada errada ou mesmo perniciosa pelas autoridades públicas de plantão não é fundamento bastante para justificar que a sua veiculação seja proibida. A liberdade de expressão não protege apenas as ideias aceitas pela maioria, mas também - e sobretudo - aquelas tidas como absurdas e até perigosas. Trata-se, em suma, de um instituto contramajoritário, que garante o direito daqueles que defendem posições minoritárias, que desagradam ao governo ou contrariam os valores hegemônicos da sociedade, de expressarem suas visões alternativas"
Faltou a doutora lembrar que a idéia "considerada errada ou mesmo perniciosa pelas autoridades públicas de plantão" é um crime que tem conseqüências muito graves para a sociedade. Ela, carioca, deveria saber que sua cidade-natal tornou-se refém de traficantes acastelados em morros exatamente porque inúmeros governantes, mais preocupados com votos do que com o bem estar da população, deixaram a situação tornar-se insuportável.

E, para quem defende a "Marcha da Maconha", por que parar por aí? Não poderemos pensar no belíssimo futuro em que teremos uma "Marcha da Cocaína"? Ou quem sabe a "Marcha do LSD"? Ou a "Marcha da Heroína"?

É isto mesmo? Vale tudo, então?

Ah... Mas é claro que não vale tudo. Vá fazer uma marcha pela família, ou contra o avanço da agenda gay. Aí é demais! Não se acharia um procurador para defender tais manifestações.

segunda-feira, julho 20, 2009

A Caixa de Pandora da Dra. Duprat!

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*** Estamos apenas aguardando a união entre aqueles dois cavalheiros e será nossa vez. ***


Dra. Deborah Duprat, a super-interina que se aproveitou da interinidade no cargo de Procuradora Geral para alavancar ações que, segundo ela, "possam trazer mudanças na estrutura da sociedade", está de saída.

Claro que não deixará saudades, pelo menos entre aqueles que valorizam a vida humana, mesmo a vida daqueles seres humanos ainda no ventre de suas mães e que são portadores de graves deficiências. Não deixará saudades também entre aqueles que defendem a família natural, entre homem e mulher.

Mas provavelmente a interina deixará saudades entre aqueles que pouco se importam com a defesa da vida, principalmente daquela vida que encontra-se em estágio mais frágil. Há público para tudo e a interina parece conhecer bem o seu.

Sempre tão afoitas em mostrar o "destemor" da sub-procuradora, o que as manchetes dos jornais não mostraram é que a Dra. Duprat mostrou-se atrapalhada para defender sua reestruturação da sociedade a canetadas.

Os veículos de imprensa, tão preocupados em jogar confete na Dra. Duprat, ignoraram o despacho do Ministro Gilmar Mendes sobre a ADPF 178. Eis o trecho mais contundente do referido despacho:
"A inexistência de objeto específico e delimitado torna necessária a emenda da petição inicial para esclarecer quais atos do poder público violariam os preceitos fundamentais citados"
Pois é... Na pressa de fazer tudo correndo para aproveitar sua "possibilidade única", Dra. Duprat produziu uma ADPF capenga, e por isto mereceu levar uma bela chamada do Ministro Gilmar Mendes.

Mas Dra. Duprat, aquela que jamais deixa escapar uma "possibilidade única", não deixou a bola cair. No mesmo dia em que o STF concede vista à Procuradoria-Geral da República, a interina apresentou sua Emenda. Eficiência jurídica é com a Dra. Duprat! Ainda estou tentando entender: dada a assombrosa eficiência produtiva por que não é ela a titular?

Eis a resposta...

O caso todo é que a interina se enrolou totalmente. Seu temor é de que sua ação não seja acolhida por se tratar de uma ADPF, que não é o tipo de ação a ser usada nestes casos. Vem daí que a interina, em sua Emenda, pede que a ADPF inicialmente produzida e ajuizada seja acolhida como uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade).

Tudo bem, então? Não mesmo... Sobre o absurdo que é este pedido já havíamos comentado em postagem anterior:

"Se a interina quer declarar a inconstitucionalidade do Código Civil, por que não usou a ação própria (a ADI, visto que a ADPF só se pode usar subsidiariamente)? Ocorre que se assim o fizesse a incoerência da ação restaria cristalina. Pois o Código Cívil ao declarar que a união estável está circunscrita às relações entre homem e mulher nada mais faz do que repetir o preceito constitucional (que a Procuradora pretende esconder) estampado no parágrafo terceiro do Art. 226:
"§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento."
Como vai se declarar inconstitucional artigo de lei que se limita a copiar texto da própria constituição?"
E aí? Como é que a interina sai desta sinuca?

Ora, ciente do absurdo do que está pedindo -- a inconstitucionalidade de um texto original da Constituição -- ela faz, em sua Emenda produzida às pressas, uma esdrúxula exegese da Lei:
"Contudo a única interpretação que torna tal preceito compatível com a Lei Maior é a que concebe a expressão "entre homem e mulher", contida em seu texto, como meramente exemplificativa, de forma a admitir a interpretação analógica do dispositivo, para que ele se estenda à união entre pessoas do mesmo sexo (...)"
Ou seja, segundo a Dra. Duprat, parece que os parlamentares constituintes, ao utilizarem a expressão "entre homem e mulher" queriam na verdade apenas dar um exemplo do que estava porvir. Ou então, queriam apenas abreviar o trabalho de escrever "entre homem e mulher, ou entre homem e homem, ou mulher e mulher", pois o texto constitucional já estava grande demais e era necessário abreviá-lo um pouco ao menos, não?

Na verdade, levando a frente o pensamento dupratiano, podemos visualizar toda uma nova realidade. Se "união estável entre o homem e a mulher", conforme está literalmente na Constituição, é apenas um exemplo, então qual é o limite? Depois do "homem e homem" e "mulher e mulher", por que se limitar apenas a estes exemplos? Por que não "homem, homem e mulher" ou "mulher, mulher, homem e homem"?

E será que os exemplos deveriam limitar-se apenas aos seres humanos? Que tal a união entre espécies diferentes? Por que não, já que é apenas uma questão de listar exemplos para relativizar o texto constitucional, imaginar uma união "homem e cachorro" ou "mulher e cavalo" ou "homem, mulher e girafa"? Se a questão é imaginar exemplos para torcer a vontade dos constituintes, por que não imaginar "casamentos" deste tipo?

Dra. Duprat quer abrir a Caixa de Pandora e nem liga para quem terá de fechá-la. O importante, como sempre, é ficar bem com a patota.

É isto que temos, infelizmente.

***

Mas a farra da Dra. Duprat já terminou. Acabaram-se seus dias como interina. Acabou-se sua "possibilidade única". Já foi publicado no Diário Oficial da União a nomeação do novo Procurador-Geral da República, Dr. Roberto Gurgel. A cerimônia de posse está marcada para o próximo dia 22.

Esperemos que o próximo Procurador da Republica se saia melhor que a interina.

Tchau, Dra. Duprat! Hora de partir!

sexta-feira, julho 17, 2009

A quixotesca feminista malufista

2 comentários ###

Pois é... A entediante Senhora Boring -- quem já a leu, sabe que a hipérbole bilíngüe é merecida -- continua enchendo as caixas de correio com seus comentários retirados do mundo de fantasia em que ela resolveu viver. Mais uma vez chegou uma mensagem não solicitada em meu correio, desta vez ela se incomodou com um post sobre ela mesma.

Mas ela é divertidíssima, e, bem ao contrário do que sua fantasia delirante a fez afirmar, pelo menos aqui ela não é persona non grata. É aqui muito bem-vinda! Ajuda a dar um toque de humor em um blog que trata de um tema tão sério. Por enquanto, vamos brincando, Senhora Boring.

Jamais achei que um dia eu seria obrigado a citar Galvão Bueno, que acho um dos caras mais chatos do planeta -- mas que perde de longe para a Senhora Boring --, mas tenho que dar o braço a torcer e afirmar junto com o nauseante locutor: "Eu já sabia!"

Eu já sabia que teria que repetir tudo novamente. Eis a prova, constante na última postagem:
"Dizem que uma das definições de loucura é exatamente uma pessoa fazer a mesma coisa repetidas vezes esperando resultados diferentes. Bem... Estarei esperando a senhora escrever as mesmas asneiras para que eu repita novamente o óbvio. E depois novamente. E novamente... E novamente..."
E não é que ela, em nova mensagem para sua listinha, repete as mesmas asneiras? Quem já teve o prazer cômico de acompanhar os comentários da Senhora Boring em outros blogs sabe que isto já era esperado.

A coisa funciona mais ou menos assim: ela lê algo e, em suas loucas fantasias, fica indignada; vocifera comentários dos tipos que pudemos ler na postagem anterior, um monte de blá-blá-blá que nada tem a ver com o que foi escrito; alguém lhe responde mostrando que suas asneiras só fazem sentido na Ilha da Fantasia que se esconde sob seu couro cabeludo; não satisfeita, ela volta ao ponto inicial, agora mais indignada.

Eu já soube de crianças que, contrariadas, davam cabeçadas na parede. Parece que a diferença entre elas e a Senhora Boring é que elas cresceram e aprenderam.

De qualquer modo vamos a mais uma mensagem da Senhora Boring para sua listinha. A diversão é garantida!

GENTE, OLHE COMO SÃO AS PESSOAS!

QUANTO ÓDIO E QUANTA INTOLERANCIA CABEM DENTRO DE UM SER HUMANO?


O PIOR QUE ESSE TIPO DE PESSOA É O QUE SAI COM BANDEIRAS SE DIZENDO A FAVOR DA VIDA?


COMO ALGUÉM PODE ACREDITAR NA SUA "LUTA PRO VIDA" SE ELE PREGA O ÓDIO E A INTOLERANCIA?


COMO AKGUÉM, QUE ACREDITA ESCREVE ESSA PÉROLA DA SABEDORIA "Aparentemente, para as feministas, quando se fala de estupro, seu lema é, a la Maluf, "estupra mas não mata". " PODE SER LEVADO A SÉRIO?


REITERO O QUE DISSE, NÃO SEI SE ESSA PESSOA TEM MÃE, MULHER, IRMÃ OU FILHAS.


NÃO SEI O QUE ESSA PESSSOA PENSA A RESPEITO DAS MULHERES DE SUA FAMILIA ( SE AS TEM ) E DAS MULHERES EM GERAL.


MAS COM CERTEZA É O TIPO DE HOMEM QUE NÃO RESPEITA A MULHER.


NÓS QUE SOMOS MÃES, ESPOSAS, FILHAS E IRMÃS.


NÓS, MULHERES, QUE NUMA MAIORIA IMENSA, CUIDAMOS ATÉ ECONOMICAMENTE DE NOSSOS FILHOS, POIS MUITAS DE NÓS FOI ABANDONADA PELOS COMPANHEIROS AO SABEREM QUE SERIA PAI, E CUIDA COM AMOR E SACRIFICIO DO FILHO.


XXXXXX


XXXXXX

XXXXXX

XXXXXX

SERÁ QUE O SUBSCRITOR DESSE "MAGNÍFICO" TEXTO É A FAVOR QUE AS MULHERES VIVAM?

OU SERÁ QUE ELAS TÊM QUE SER MORTAS, AO SEREM ATACADAS, POR SERES QUE VIVEM NAS TREVAS, OS QUAIS ME RECUSO A CHAMAR DE HOMEM?


QUE TIPO DE GENTE É ESSA PESSOA?


QUEM É A MULHER PARA ELE?


UMA "IMCUBADEIRA" ? CADÊ O TÃO PROPALADO RESPEITO PELA VIDA?


QUE VERGONHA ESSE TIPO DE PESSOA, AINDA VEM PÚBLICO OFENDER AS MULHERES, E SE ACHA MUITO MAS MUITO INTELIGENTE.


GRAÇAS A DEUS, SOU CONSIDERADA UMA "PERSONA NON GRATA", EM SEU MEIO, POIS AFINAL, QUEM É O "ESTUPRADOR" DAS MULHERES NESSE TEXTO?


QUERO VER SE OS "ALIADOS" DELES DARÃO A DIVULGAÇÃO DA RESPOSTA...


NOSSA SENHORA QUE NOS PROTEJA!


PS. SÃO MAIS DE 500 PESSOAS QUE RECEBERAM ESSA MENSAGEM
Eis aí mais uma "resposta", que é como ela chama seus comentários a interpretações fantasiosas que ela insiste em fazer dos textos alheios. O curioso é que ela evita comentar o real sentido do texto, preferindo muito mais usar de chamadas emocionais baseadas em seus delírios de inverno para incitar uma turba de 500 internautas contra mim.

A mensagem segue como veio, com erros e tudo. A única coisa que alterei -- "XXXXXX" -- é onde a Senhora Boring faz comentários sobre suas relações familiares totalmente desnecessários. A caixa alta é dela mesma, indicando que a raiva da Senhora Boring está acumulando, atingindo ponto de ebulição.

Mas será que há algo para comentar nesta "resposta"? Bem... Resposta não é mesmo, convenhamos. Pois quem é que começa uma resposta assim -- "GENTE, OLHE COMO SÃO AS PESSOAS!"? Ela não responde, muito devido à sua conhecida incapacidade de argumentar, mas também devido a isto não ser seu objetivo, ela quer mesmo é arrumar aliados, mesmo que à custa da verdade, coisa pela qual ela jamais demonstrou qualquer aprêço.

Embora a simples exposição da "resposta" já seja o necessário para suficiente divertimento, há algo a ser comentado. Há trechos que merecem destaque, até mesmo por uma questão de aprofundamento no mundo cômico da Senhora Boring.

Como não rir quando lemos "QUANTO ÓDIO E QUANTA INTOLERANCIA CABEM DENTRO DE UM SER HUMANO?" ? Como não imaginar a Senhora Boring em um palco, bradando tais palavras a uma imaginária multidão delirante? Senhora Boring não responde e não argumenta; a única coisa que ela faz á panfletar, esperando arrumar uma turba de internautas.

Como não gargalhar ao ler "NÓS QUE SOMOS MÃES, ESPOSAS, FILHAS E IRMÃS." E o mais cômico é que a frase termina assim mesmo, sem qualquer complemento do que ela tentava dizer. Até mesmo o Lula, o presidente ilusionista, sabe que ao começar uma frase com o seu conhecido "Companheiros e companheiras" deve continuar e falar alguma besteira. A Senhora Boring, não. Para ela, basta falar "NÓS QUE SOMOS BLÁ-BLÁ-BLÁ" e isto basta para dizer algo.

Ela pensa mesmo estar juntando uma turma do barulho para lutar contra uns tantos moinhos-de-vento. Ela é, digamos assim, uma Dona Quixote do mal. O célebre personagem de Cervantes tinha altos ideais, mas a Senhora Boring os substitui pela baixeza de criar um mundo de fantasia próprio e querer encaixar nele o resto do mundo.

O mundo fantasioso da quixotesca Senhora Boring é tão amalucado que ela é incapaz de escrever uma frase seguida a outra que faça sentido:
"NÃO SEI O QUE ESSA PESSSOA PENSA A RESPEITO DAS MULHERES DE SUA FAMILIA ( SE AS TEM ) E DAS MULHERES EM GERAL.

MAS COM CERTEZA É O TIPO DE HOMEM QUE NÃO RESPEITA A MULHER."
Ou seja, ela não sabe o que eu penso sobre as mulheres, mas ela tem certeza que não as respeito. Quem é que consegue entender uma coisa destas? Ela combate ou não moinhos de vento criados sabe-se lá em qual canto obscuro de sua cabecinha?

Mas o errado sou eu mesmo... Confesso! Estou muito errado em cobrar o mínimo de coerência de um ser que nasceu do cruzamento do pior do malufismo com o melhor do feminismo. Só podia mesmo dar nisto que está aí: uma criatura que não argumenta, panfleta; uma criatura que não pensa, fantasia; uma criatura cuja única coisa que sabe bem fazer é portar-se como uma criança mimada que bate a cabeça na parede quando contrariada.

E ainda tem a capacidade de lançar desafios para que "aliados" -- mais moinhos-de-vento! -- divulguem sua "resposta". Nem preciso de aliados, Senhora Boring, sou em mesmo que publico suas asneiras como um monumento contra a truculência e a ignorância de quem só quer criar confusão e agitar uma patotinha. Talvez isto funcione no jardim-de-infância, mas aqui a coisa é mais séria.

A invocação a Nossa Senhora é providencial! Que Nossa Senhora a proteja, principalmente dela mesma.