/* Google Analytics */ /* Google Analytics */

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Parabéns, CNBB!

6 comentários ###

No dia 3 de fevereiro passado, completou 1 ano que foram divulgadas pelo jornal "O Estado de São Paulo" as declarações da senhora Bernadete Aparecida Ferreira, coordenadora nacional da PMM - Pastoral da Mulher Marginalizada, dizendo-se favorável à descriminalização do aborto.

Este lamentável escândalo, que causou um profundo desgosto e desânimo entre os pró-vidas brasileiros, foi tema de várias mensagens neste blog:
E isto foi apenas quando o escândalo estava "quente". Durante quatro meses ficamos esperando que aqueles que têm poder e autoridade para tanto tomassem as devidas atitudes, pois não parece conveniente a ninguém que uma pessoa com um cargo de coordenadora nacional de uma Pastoral da CNBB possa achar que é normal ser católica e dar declarações favoráveis à descriminalização do aborto. No mínimo, uma situação destas causa escândalo entre os fiéis.

Na mesma reportagem em que a senhora Bernadete jogava mais esta bomba no colo da Igreja, o bispo presidente da comissão à qual a PMM está subordinada, D. Pedro Luiz Stringhini, deu a seguinte declaração:
“O mandato da atual coordenação termina em março e a nova coordenadora terá de ser afinada com a CNBB”
Fica difícil entender porque D. Stringhini não tomou imediatamente as medidas cabíveis para que a senhora Bernadete ou revisse totalmente seus posicionamentos em relação ao aborto ou fosse afastada do cargo e da pastoral o quanto antes.

Mesmo botando na conta da prudência, virtude que é mais do que necessária a um bom pastor, após quatro meses, como dito anteriormente, o fato é que nada aconteceu e a senhora Bernadete continuou tranqüilamente em seu cargo de coordenadora, o que foi tema de outra mensagem neste blog:
E, como todos os indícios indicavam que o escândalo cairia no esquecimento, resolvi dar uma olhada mais apurada no site da PMM, o que resultou em 4 mensagens neste blog sobre a PMM e seus parceiros de atividades:
É isto aí! Passou-se 1 ano inteirinho e um escândalo destes não foi equacionado. A mensagem que se passa em casos assim é claríssima: até mesmo quem defende a descriminalização do aborto tem espaço nas pastorais da CNBB.

Dúvidas? É só checar o site da PMM e ver que Bernadete Aparecida Ferreira ainda é coordenadora nacional.

Parabéns, CNBB!

Papa dá lição em importante deputada abortista norte-americana

4 comentários ###

Esta notícia é excelente para homens e mulheres de vida pública, que pensam que podem posar como católicos e ao mesmo tempo atuar para a expansão da Cultura da Morte em nossa sociedade.

Continue lendo

https://contraoaborto.wordpress.com/2009/02/26/papa-da-licao-em-deputada-catolica-que-apoia-aborto/

domingo, fevereiro 22, 2009

"Um Blog de Ouro"

4 comentários ###

Amigos blogueiros indicaram este humilde blog para o prêmio "Um Blog de Ouro". Agradeço de coração a este incentivo e o que mais me deixa feliz é que é cada vez maior o número de pessoas que se conscientizam da urgência e da importância em sermos verdadeiros defensores da vida.

", Ciência e Etc...", "Ecclesiae Una", "Borboletas ao Luar" e "Meus Pensamentos, Minhas Reflexões" foram os que indicaram o "Contra o Aborto". A todos o meu sincero agradecimento.

Como critério, resolvi escolher outros blogs que não sejam os indicantes, principalmente para ajudar a divulgar outros blogs.

Segue aqui a minha lista de indicados, na qual a ordem é aleatória.

1) Biodireito Medicina - Este é o blog do Dr. Celso Galli Coimbra. Quando o assunto é Defesa da Vida, Dr. Galli Coimbra é quem devemos procurar no Brasil. Pena que os Pró-Vidas não o escutam o quanto deveriam.

2) Cultura da Vida - Blog do Silvio Medeiros, voltado para o combate aos avanços da Cultura da Morte em nossa sociedade.

3) Erguei-vos, Senhor - Excelente blog de Gustavo Souza, muito bem escrito e sempre com uma visão que prima pela ortodoxia.

4) Deus lo Vult! - Um dos melhores (provavelmente, o melhor) blogs católicos brasileiros. A visão aguçada e perspicaz de Jorge Ferraz dá tratamento especial a qualquer assunto que ele aborde. A área de comentários tornou-se um dos maiores atrativos deste blog, com discussões de altíssimo nível.

5) Verdade, Vida e Fé - Uma das minhas mais recentes descobertas na rede e das que mais gosto. Ler o testemunho de Juliana Fragetti Ribeiro Lima é de aquecer o coração e agradecer a Deus por Ele se mostrar aos que O buscam com sinceridade.

6) Verdadeira Igreja Católica - Una e Santa - Um fantástico blog tradicional católico. A aguda análise de Danilo Augusto é das que mais aprecio na blogosfera brasileira quando o assunto é tradição. Vale a pena lê-lo.

7) Blogocop Versão 3.0 - O autor, Christiano Pereira, aborda vários assuntos sempre lançando um olhar novo. Aprecio muito seu estilo.

8) O Cavaleiro do Templo - Conservadorismo é a alma, o sangue e a carne deste blog. Comunistas, socialistas, facistas, nazistas e assemelhados: tremei!

9) Desafiando a Nomenklatura Científica - Em tempos de incensação explícita de Charles Darwin, nada como a leitura deste excelente blog, de autoria do Prof. Enézio E. de Almeida Filho. Sem se importar em nadar contra a corrente, o que até mesmo parece lhe dar um certo prazer, o professor mostra diariamente os furos deste verdadeiro dogma moderno que é a Teoria da Evolução e se diverte mostrando como a academia e a mídia engolem coisas para lá de absurdas quando o assunto é ciência.

10) O Possível e o Extraordinário - Se há alguém que entende bem em como deve ser a linguagem de um blog, este é Wagner Moura. É um dos blogs que sempre fico esperando a próxima mensagem

Estes são apenas dez, mas poderiam aparecer aqui vários outros que leio com muito prazer.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Já rezou pelo Papa hoje?

5 comentários ###

Você já rezou pelo Santo Padre hoje? Não? Reze agora!

Rezou recentemente? Reze novamente o quanto antes!

Já rezou hoje? Reze de novo!


Rezou agora há pouco? Reze neste exato momento!


É este o sentido de urgência pelo qual passamos atualmente. Nosso querido Papa é atacado por todos os lados e até mesmo por aqueles que deveriam ser os primeiros a cerrar fileiras em sua defesa, conforme podemos ler no blog "Verdadeira Igreja Católica - Una e Santa".

Todos necessitamos de orações, mas S. S. Bento XVI precisa de muito mais que todos nós. Se os inimigos atacam o Vigário de Cristo, façamos o que Nosso Senhor Jesus Cristo espera de todos nós, que lutemos com nossa poderosa arma: a oração.

***

V. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.

R. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. [Ps 40:3]

PATER NOSTER, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

AVE MARIA, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc, et in hora mortis nostrae. Amen.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedicto, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Veja e o aborto: os malabarismos de Reinaldo Azevedo

3 comentários ###

Quando o assunto é aborto, a revista "Veja", conforme já foi dito neste blog, tem lado: o dos abortistas. Propositadamente (conforme mostrado aqui), esta publicação divulga dados fantasiosos sobre o aborto, e, neste particular, segue a antiga prática dos meios abortistas de exagerar nos números sobre o aborto como tática para flexibilizar a opinião pública contrária a este ato abominável. Da mesma forma, "Veja" chama especialistas que têm isenção nenhuma sobre o assunto para pautar sua reportagem.

Não podemos dizer que haja qualquer surpresa nesta linha editorial de "Veja". Mas há outras supresas... Não na revista impressa pelo menos. A grande surpresa veio de um blog que é hospedado pelo site de "Veja": o blog de Reinaldo Azevedo.

Quando da publicação da edição com a matéria de capa sobre aborto, eis o que escreveu o famoso jornalista(original aqui):

"Vocês sabem o que penso sobre o aborto, opinião expressa em dezenas de posts. O tema está na capa da VEJA desta semana. Embora a prática seja proibida no país — a não ser em caso de risco de vida da mãe ou de estupro —, não é segredo que milhares de intervenções são feitas todos os anos. Há quem diga que pode chegar a um milhão, número impossível de provar em razão da clandestinidade da maioria das intervenções. Muitos médicos, informa Adriana Dias Lopes, têm visto a questão segundo a chamada “política de redução de danos”: não estimulam ou facilitam a interrupção da gravidez, mas prestam a suas pacientes o devido socorro. A reportagem resulta equilibrada, informando as vertentes do debate sobre o assunto e todos os óbices de consciência que o envolvem, driblando o risco do proselitismo. Neste ano, o STF tomará uma decisão sobre a legalidade do aborto em caso de má-formação fetal. É dada como certa uma decisão favorável à interrupção da gravidez."
Talvez nos quase três anos de seu blog não possamos ver um parágrafo tão descuidado quanto este. Primeiramente, ao contrário do que deixa a entender Reinaldo Azevedo, o aborto não é permitido nem em caso de estupro e nem em caso de risco de vida para a mãe. Como já foi bem explicado, o aborto nestes dois casos não é punível, o que é bem diferente de classificá-lo como permitido ou, para ficar mais próximo do que escreveu o articulista, não-proibido.

Ao falar sobre os médicos que aparecem dando depoimento na reportagem, Reinaldo Azevedo foi, digamos, econômico. Quem já teve a oportunidade de lê-lo em polêmica anterior sobre política de redução de danos aplicadas ao problema de consumo de drogas, certamente estranhou sua placidez ao novamente se deparar com esta política, agora relacionada ao término de vidas humanas. Bem ao contrário do que parece crer o jornalista, o papel dos médicos entrevistados por "Veja" segue por caminhos diferentes do que o simples "prestam a suas pacientes o devido socorro". Segundo podemos ler na reportagem, há médicos que admitem conversar com suas pacientes sobre os métodos mais seguros de abortar. Logicamente, que a segurança, no caso, refere-se apenas à mãe, pois para o filho ou filha que vai em seu ventre a única segurança que se dá é que sua vida será interrompida.

Quando da polêmica sobre redução de danos relacionados às drogas, Reinaldo Azevedo criticou fortemente -- e com justiça! -- um editorial da "Folha de São Paulo". Eis um pequeno trecho (original aqui):
"Não sou cientista, como bem sabe o editorial. Mas não reconheço a especial autoridade de psicólogas para tratar de temas que dizem respeito a escolhas que também são morais. Elas podem opinar. Mas eu também posso. A Folha, como se vê, também pode."
É no mínimo curioso que o mesmo jornalista nada tenha a dizer sobre médicos que assumem sem qualquer nomeação o tratamento do tema do aborto. Afinal, não é este também uma escolha moral? Por que o tema, que outrora lhe havia sido tão caro, agora rendeu apenas um mísero parágrafo, e, mesmo este, eivado de erros e omissões?

Mas o jornalista continua a varrer a sujeira de "Veja" para debaixo do tapete... Diz ele que a reportagem é equilibrada. Talvez seja o caso de Reinaldo Azevedo reajustar sua balança, pois é muitíssimo complicado chamar de "equilibrada" uma reportagem com números fantasiosos sobre o aborto no Brasil. Números, aliás, que vem sendo ano após ano repetidos por grupos abortistas e pessoas a eles ligados. Números que foram repetidos por ministros do Governo Lula envolvidos com a flexibilização da legislação penal que pune o aborto em nosso país. Números, aliás, que o próprio Reinaldo Azevedo contestou fortemente em seu blog há alguns meses (original aqui):
"(...) Se esses números fossem verdadeiros, já não quereriam dizer grande coisa. Como são uma fantasia, não passam de fetiche de quem, sendo favorável ao aborto, busca algum conforto numa estatística, qualquer uma, mesmo que furada.

(...)


Esse número é um fantasia e, como argumento, não passa de uma falcatrua. Acho perfeitamente legítimo que um defensor do aborto venha a púbico para dizer que feto não é vida, não tem terminações nervosas ou sei lá o quê. Mas que arque com o peso de sua opinião. O que não dá é para se esconder em falsas estatísticas, como habitualmente faz o ministro da Saúde (...).


(...)


Assim, não me venham com esses números sem dizer a fonte. E, se disserem que é o Ministério da Saúde, ainda não se resolveu o problema. Porque vou querer saber se ele tem ao menos um impresso a notificação médica ou um 0800 para que os abortos sejam comunicados. Como não tem, isso é pura picaretagem. (...)"
Lamentavelmente, o tom de Reinaldo Azevedo frente à mesma "picaretagem" foi bem diferente?

Como pode-se falar em "equilíbrio" se na reportagem há apenas um único profissional da área médica que se mostrou contrário à abordagem da "redução de danos" e, mesmo assim, cometeu um erro, ainda que inadvertidamente, ao declarar que não podia ser "juiz de uma vida em potencial". Um embrião tem a vida da mesma forma que qualquer um de nós. "Vida em potencial" é mais um dos folclores criados por abortistas para tentar fazer com que os desavisados creiam que esta seria um estágio anterior à "vida". Que "equilíbrio" é este?

Do mesmo modo, não se entende que Reinaldo Azevedo escreva que a reportagem informou "as vertentes do debate sobre o assunto e todos os óbices de consciência que o envolvem, driblando o risco do proselitismo". Tal afirmação ou é uma completa distorção do texto da reportagem ou é fruto da pena de quem não leu o que foi escrito. A quem leu a reportagem de "Veja" fica claríssimo tanto a tomada de posição -- posição abortista -- quanto a falta de espaço para divulgação dos argumentos contrários ao aborto. Reinaldo Azevedo, que tem por hábito ir ao fundo de questões polêmicas, esquivou-se por completo do assunto.

Beira a comédia pastelão o articulista escrever que a revista driblou o risco de proselitismo. Não seria exagero afirmar que, após a leitura da reportagem, uma mulher estaria bem mais segura de conseguir um profissional para cuidar de seu "problema". "Veja" em uma só tacada forneceu o nome de uma ONG abortista, os nomes dos remédios para abortar, "denunciou" a facilidade para conseguir tais remédios controlados e ainda pudemos ler médicos informando que estes remédios podem ser comprados pela internet.

Pois é... Enquanto Reinaldo Azevedo gasta as pontas de seus dedos para absurdamente declarar que a revista para qual trabalha não fez proselitismo, podemos imaginar meninas e meninos menores de idade digitando no Google as informações dadas em "Veja" e conseguindo livremente comprar os produtos necessários para matar seus filhos.

Resumindo: o texto do jornalista foi um completo desastre. O desastre só aumenta quando ele se diz contrário ao aborto.

***

Infelizmente, por mais que eu tenha admiração por Reinaldo Azevedo, principalmente por ele ser um crítico ferrenho do petismo, sua atuação quando o assunto é a Defesa da Vida é, para dizer o mínimo, equivocada. Exemplos não faltam.

Quando no primeiro semestre de 2008 o STF julgava a ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que liberaria ou não a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas (CTEH), Reinaldo Azevedo começou a dar pistas sobre a superficialidade com que trata do assunto. Já próximo do início do julgamento, a revista "Veja" entrevistou em suas páginas amarelas a bióloga Mayana Zatz, conhecida militante pró-pesquisas com CTEH e que é colega de Reinaldo Azevedo no site da revista.

Para quem lê Reinaldo Azevedo, foi surpreendente vê-lo escrever em seu blog praticamente um panegírico à dra. Zatz e aos seus dotes como cientista. O jornalista escreveu coisas como:
"Vocês querem uma opinião inteligente, fundamentada — não coisa de chicaneiro que não perde uma chance de atacar a Igreja Católica?" (original aqui)
Enquanto que a Dra. Zatz, na entrevista, declarava isto:
"Veja – Quais são os principais oponentes da pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil?

Mayana –
A oposição vem basicamente da Igreja Católica. (...)" (original aqui
)
Mayana Zatz nunca perde uma chance de atacar a Igreja? Só Reinaldo Azevedo não enxerga isto ou não quer enxergar. Se houve alguém que tudo fez para criar uma falsa oposição entre religião -- no caso, caracterizada pela Igreja Católica -- e ciência, este alguém foi Mayana Zatz.

E não, esta declaração da doutora, a que não é chicaneira, não foi única. Segue uma outra:
"(...) A Igreja Católica tem o direito de expor suas opiniões, mas não pode impor isso a toda a sociedade. (...) " (original aqui)
E há mais... Vejamos um trecho de uma entrevista da Dra. Zatz concedida ao midiático Dr. Dráuzio Varella, que, aliás, defende o aborto até os 3 meses de gestação (aqui):

"Drauzio – Considerar que um óvulo fecundado por um espermatozóide num tubo de ensaio, depois de três ou quatro divisões, é uma vida com o mesmo direito da criança que está na cadeira de rodas, sentindo-se cada vez mais incapacitada, é revoltante. Nesse caso, não seria exagero encarar a masturbação masculina como um genocídio em potencial.

Mayana Zatz
– Nesse sentido, toda a vez que a mulher menstrua também perde a chance de ter um óvulo fecundado e está desperdiçando uma vida naquele momento.


Drauzio
– Além da ignorância, o que move as forças contra esse tipo de trabalho? São interesses políticos, religiosos ou de que outro tipo?


Mayana Zatz
– Nessa votação que houve na Câmara dos Deputados, parece que a oposição foi feita por grupos religiosos motivados pela idéia de que mexer no embrião é destruir uma vida." (original aqui)


Aqui, a cientista renomada, que segundo Reinaldo Azevedo em nada se assemelha a chicaneiros, concorda com o Dr. Dráuzio Varella em sua patética tentativa de ridicularizar que não concorda com suas posições.

Ambos os doutores, queridinhos da mídia, sabem muito bem que os que são contrários às pesquisas com CTEH o fazem por entender que, após a fecundação, o que ali existe é uma vida humana. E, notemos e atentemos bem para este ponto, é a própria ciência que assim o diz. Chamar de genocídio a simples emissão de sêmen resultante de masturbação ou dizer que ao menstruar uma mulher desperdiça uma vida serve apenas para tentar desqualificar a parte contrária tomando como base fatos que ninguém trouxe à discussão. Tanto Dra. Zatz quanto o Dr. Dráuzio bem sabem disto, mas para ambos é bem mais confortável evitar a argumentação de bom nível. E, claro, faz mais efeito para a galera.

Ah, sim, e ela não é chicaneira! Ok, Reinaldo Azevedo.

E, na segunda "pergunta" de Dr. Dráuzio, ele levanta a bola na medida para a doutora praticar o que mais gosta: produzir uma oposição entre a Igreja Católica e a ciência.

E é desta doutora, que não é chicaneira, segundo Reinaldo Azevedo, que este jornalista, ainda no seu panegírico, escreveu o seguinte:
"Ponderada, Mayana não faz esse jogo estúpido, pueril, coisa de militantes imbecis contra a Igreja Católica (e qualquer forma de religião), entre iluministas e obscurantistas. (...)"
Reinaldo Azevedo sabe do que fala, não é mesmo? Talvez ele não soubesse do abaixo-assinado online que varreu a internet em apoio à Dra. Mayana Zatz e suas pesquisas. Nada contra o apoio, mas segundo o texto deste abaixo-assinado, o que motivou a corrente de um monte de gente foi a seguinte declaração do ex-Procurador Geral da República, Dr. Claudio Fonteles:
"A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar"
Qual o problema da fala do Dr. Fonteles? É assim tão ofensivo que um dos componentes da visão de mundo de um cientista seja sua religião ou, mesmo se ateu, que seu contato com princípios religiosos tenha influência em uma pequena parte nesta visão? No caso da Dra. Zatz, sua "visão científica" serviu como um terninho sob medida para a "visão judaica" sobre quando inicia a vida (mais detalhe aqui, no blog do Wagner Moura - "O possível e o extraordinário").

Mas o pessoal que não pensou assim e que criou ou assinou o tal abaixo-assinado viu muito mais coisas na fala do Dr. Fonteles. Viram coisas tais como:
"A luta pela vida está acima dos credos. Logo, não se pode misturar ciência com religião, sob o risco de se voltar ao obscurantismo da Idade Média – a idade das trevas."
Ou ainda:
"O Estado brasileiro é laico. Assim, a tentativa de desqualificar os argumentos científicos de Mayana com insinuações anti-semitas é lamentável. No mínimo, contraria a tradição brasileira de tolerância e respeito à diversidade religiosa."
E ainda:
"Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim. Ao obscurantismo, não."
Pois é... Dra. Zatz foi defendida por gente que viu na fala do Dr. Fonteles até mesmo anti-semitismo! Beira o ridículo quem lê a fala do ex-Procurador e entende tal coisa de suas palavras. E o mais impressionante é que o ex-Procurador falava sobre a necessidade de ser respeitada uma posição religiosa contrária -- no caso, a judaica -- para que a dele também fosse respeitada. E foi nisto que os produtores do abaixo-assinado enxergaram "insinuações anti-semitas"?

Talvez seja a primeira vez na história em que um homem defende que as várias posições religiosas sejam respeitadas -- inclusive a judaica -- e, mesmo assim, seja taxado de "anti-semita".

Obscurantismo? Idade das trevas? Ora, obscurantismo é o método de quem dá interpretações esdrúxulas a uma fala claríssima, como a do Dr. Fonteles, apenas para que o que fantasiam sirva-lhes de munição para suas teorias conspiratórias de fundo de quintal. Estes, sim, são os obscurantistas.

E será que Mayana Zatz deu alguma entrevista repudiando tal interpretação claramente equivocada da fala de Dr. Fonteles? Não... A doutora não deu um pio sequer sobre o assunto, apesar de a tal petição ter sido postada na íntegra até mesmo em um dos blogs políticos mais visitados no Brasil, o Blog do Noblat, sem contar inúmeros outros sites que ajudaram na corrente de assinaturas do abaixo-assinado.

Ou seja, é quase impossível que a Dra. Zatz desconhecesse o texto que chegava ao absurdo de acusar Dr. Fonteles de anti-semitismo. Apesar de tudo isto, Dra. Mayana Zatz em momento algum deu declarações contra esta campanha baixíssima que tinha como alvo Dr. Claudio Fonteles, ou, como os subscritores do abaixo-assinado preferiram, "o franciscano Fonteles".

Mas, para Reinaldo Azevedo, a Dra. Mayana Zatz é ponderada, nem faz jogo estúpido e pueril, que, segundo ele, é coisa de militantes anti-católicos. Então, tá.

***

Reinaldo Azevedo conhece a fundo Dra. Mayana Zatz, tanto que, segundo ele, da fala da doutora ele tira até mesmo uma contrariedade ao aborto. Vejamos:
"Leiam o que ela diz: “(...) é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. Quem procura as clínicas de fertilização são os casais que não conseguem procriar pelo método convencional. Só há junção do espermatozóide com o óvulo por intervenção humana. E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero.” O trecho que assinalei em vermelho, queira Mayana ou não, é um argumento absolutamente consistente contra o aborto. E a honestidade intelectual me obriga a considerar que ela demonstra, sim, que se trata de coisas diferentes." (destaque do autor)
O jornalista sempre olha Dra. Zatz do ângulo que lhe convém, infelizmente.

Ele, que orgulha-se de sua lógica, que realmente funciona como um relógio suiço na maioria das vezes, escorrega feio mais uma vez... Escreve ele que se sente obrigado a aceitar que ela demonstra que um aborto é diferente da utilização de CTEH em pesquisas. Será mesmo?

O fato é o seguinte: o jornalista, se quer mesmo se sentir obrigado a acreditar na "demonstração" da Dra. Zatz, deveria acreditar que a junção do espermatozóide com o óvulo é outra coisa que não a geração de uma nova vida. Pouco importa onde este encontro se dá, se dentro do corpo da mulher ou na proveta da cientista, o fato é que a partir da fecundação há uma nova vida, bastando apenas que haja o ambiente mínimo para que ela se desenvolva. Negar este ambiente, seja através de uma pílula abortiva, seja através do fórceps de um abortista ou através de suas destruição para pesquisas, é, sim, um aborto.

Mas parece que Reinaldo Azevedo, no seu afã de elevar Mayana Zatz ao paraíso científico, esquece-se até mesmo do que ele próprio escreveu:
"Negar o princípio da inviolabilidade da vida já na concepção transfere a necessidade de um marco definidor para algum momento da trajetória humana. Quando? Que homem se sente à vontade para substituir a inspiração do Deus que consideram tão ditatorial e imperfeito?" (original aqui)
Ou ele admite que a Dra. Zatz é o tal ser que substituirá Deus ou ele admite que a doutora demonstrou coisa nenhuma.

Reinaldo Azevedo ainda tenta forçar a barra como se as declarações da Dra. Zatz, querendo ela ou não, serviriam como uma forte base contrária ao aborto.

Mas o jornalista está muito enganado sobre o que realmente pensa a Dra. Mayana Zatz. Talvez ele não saiba, mas ela às vezes dá uma idéia do que realmente pensa:
"Quando começa a vida?

Mayana Zatz
- Nunca chegaremos a um consenso. (...) Formou-se o consenso de que a vida termina quando pára a atividade nervosa. Para muitos, esse é o fim da vida. Acham até que podem desligar os aparelhos e fazer um transplante de órgãos. Já que o fim da vida é determinado quando pára o sistema nervoso, por que não instituir que o início seja aquele em que começa o sistema nervoso?


E quando isso acontece?


Mayana Zatz
- A partir de 14 dias de gestação.
Mas vou além: acho que a vida começa quando o feto tem condições de viver fora do útero, independente da mãe. Antes disso, não." (destaques meus - original aqui )
Eis o pensamento zatziano em estado puro! Esta história de 14 dias é balela, coisa para boi dormir mesmo. O que ela realmente pensa sobre o assunto é o que está na penúltima frase. E é desta cientista que Reinaldo Azevedo quer tirar argumentos contrários ao aborto? Só mesmo em sua cabeça existe tal possibilidade.

***

Em matéria de política, Reinaldo Azevedo é realmente uma referência nacional. Já quando o assunto é vida, ele deixa muito a desejar. E por isto mesmo são patéticos suas pseudo-lições sobre o assunto. Eis um exemplo:
"E, à diferença do que disse dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), não creio que a decisão possa ser um ensaio para o aborto. Bem pensado, pode é ser o contrário. E Mayana nos fornece um argumento e tanto." (original aqui)
Contar com argumentos de Mayana Zatz contra o aborto é coisa para fazer rir. O desenrolar dos fatos mostrou que D. Dimas estava mais do que certo.

Mas ele não se dava satisfeito... Ante a gritaria geral, escreveu um texto tentando explicar melhor seu ponto de vista. E saiu-se com esta:
"A firmeza tem de ser serena, não paranóica. Comparar os embriões congelados ao aborto corresponde a recorrer a um mecanismo que vejo muitas vezes em juízos da esquerda a mais tosca: "é tudo a mesma coisa". Para que fosse, seria forçoso admitir que o ventre materno — e talvez eu não precise me alongar sobre a condição sagrada deste lugar — é dispensável nas precondições que tornam a vida do homem inviolável, porque divina. Não interfira na concepção, e ali está o humano. Pode-se dizer o mesmo dos embriões congelados de três ou quatro dias que estão congelados? Dilemas éticos supõem desdobramentos práticos: alguém, por acaso, lhes dará honras fúnebres cristãs quando forem descartados." (original aqui)
Para manter a posição em que se meteu ao concordar com os argumentos de Mayana Zatz, Reinaldo Azevedo afunda mais ainda. Seu "Não interfira na concepção, e ali está o humano" leva ao pensamento absurdo de que fertilizações in vitro geram não-humanos, dado que houve interferência na concepção. Onde é que foi parar sua lógica?

E o articulista, impávido em sua posição, e sempre crente que havia agarrado Mayana Zatz em algum imaginário nó lógico, dava aulas a pessoas que se debruçam sobre o assunto há anos:
"(...) reitero que os católicos estão perdendo uma oportunidade histórica de proclamar uma vitória na sua posição sobre o aborto — e agora referendada pela ciência." (original aqui)
Mas Reinaldo Azevedo caiu do cavalo, qual um Saulo indo à Damasco. E, depois, finalmente as escamas caíram-lhe dos olhos:
"Ayres de Britto, o relator, já havia dito que a Constituição protegia a vida a partir do nascimento apenas. Foi o ponto de partida de outras considerações sobre, então, quando começa a vida.

Celso de Mello foi quem mais avançou na questão, lembrando a pluralidade de visões a respeito. Para ele, a idéia de que a vida começa na concepção é uma tese da Igreja Católica, definida no século 19. E lembrou o que dizem outras tantas religiões. Mais: afirmou que os próprios cientistas têm divergências a respeito.


COMO VOCÊS SABEM, RESISTI MUITO A LIGAR UMA COISA A OUTRA. PARA MIM, NO PRÓPRIO VOTO DE BRITTO HAVIA UMA MANIFESTAÇÃO ANTIABORTO, QUANDO ELE LEMBROU QUE O EMBRIÃO, NO ÚTERO, SEM INTERVENÇÃO, RESULTA NUM NOVO SER.
EU ESTAVA ERRADO. O ABORTO, PARA ALGUNS, ESTÁ EM VOTAÇÃO.

Foram os próprios ministros contrários à ação de inconstitucionalidade a citar, de forma reiterada, a questão do aborto, lembrando, de forma clara, as muitas divergências sobre o início da vida." (destaques do autor - original
aqui)
Sim, Reinaldo, você estava errado. Muito errado. Errado em querer dar lições em bispos que lidam com a questão há muito tempo. Errado em querer ridiculamente domar o pensamento de Mayana Zatz. Errado em deixar tua lógica de lado para, sabe-se lá por qual motivo, aderir a um pensamento que tenta retirar do momento da concepção o início da vida, vida esta que deve ser protegida. E errado principalmente porque, sendo católico, deixou de dar ouvidos a quem tem autoridade sobre questões de Fé e de Moral:

"60. Alguns tentam justificar o aborto, defendendo que o fruto da concepção, pelo menos até um certo número de dias, não pode ainda ser considerado uma vida humana pessoal. Na realidade, porém, « a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca mais se tornaria humana, se não o fosse já desde então. A esta evidência de sempre (...) a ciência genética moderna fornece preciosas confirmações. Demonstrou que, desde o primeiro instante, se encontra fixado o programa daquilo que será este ser vivo: uma pessoa, esta pessoa individual, com as suas notas características já bem determinadas. Desde a fecundação, tem início a aventura de uma vida humana, cujas grandes capacidades, já presentes cada uma delas, apenas exigem tempo para se organizar e encontrar prontas a agir ». Não podendo a presença de uma alma espiritual ser assinalada através da observação de qualquer dado experimental, são as próprias conclusões da ciência sobre o embrião humano a fornecer « uma indicação valiosa para discernir racionalmente uma presença pessoal já a partir desta primeira aparição de uma vida humana: como poderia um indivíduo humano não ser uma pessoa humana? »" (Papa João Paulo II - Encíclica Evangelium Vitae - destaques meus)
Entendeu, Reinaldo?

---

ATUALIZAÇÃO: Como deixa claro Jorge Ferraz no seu excelente blog "Deus lo vult!", Reinaldo Azevedo escreve sobre o que não sabe e do que nem procura saber até mesmo em relação a assuntos delicadíssimos para a Igreja. Sua abordagem de assuntos disciplinares da Igreja é a mesma em relação à defesa da vida: desastrosa.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Veja e o aborto: a Ética flexível

0 comentários ###

Era uma vez um advogado famoso... Seu nome era Dr. Bastos. Ético, eficiente, sempre voltado aos interesses de seus clientes, ela era reconhecido por seus pares como um exemplo a ser seguido. Dr. Bastos era tão bom no que fazia que até mesmo dava aulas na universidade federal de seu estado. Resumindo: Dr. Bastos era um profissional competentíssimo e que era procurado por clientes das mais diversas parcelas da população para ajudá-los com os mais variados problemas.

Um dia, porém, Dr. Bastos viu-se diante de uma situação inusitada. Um conhecido cliente seu, a quem ele já havia representado em outros casos, e com quem até mesmo tinha uma relação de amizade, entrou em seu escritório com o semblante pesado, o que era o indicativo de problema grave. Dr. Bastos, advogado competente, manteve a calma que sempre o caracterizou, fez seu cliente sentar-se e indagou o que o estava transtornando.

"Estou com um grave problema, Bastos" -- disse o amigo/cliente. Dr. Bastos, tranqüilo, pediu-lhe que se acalmasse e começasse a contar o problema desde o início.

O desconforte de seu amigo era nítido, mas, após algumas hesitações, ele foi direto ao ponto. "Bastos, o negócio é o seguinte... Venho aqui muito mais como cliente do que como amigo. Meu problema... É... Meu problema é que meu filho, a quem você bem conhece, tem causado muitos problemas a mim e à minha mulher. Muitos mesmo! Não tenho mais agüentado!".

Dr. Bastos, compreensivo como só os bons advogados sabem ser, fez um gesto para que seu amigo continuasse a desabafar. E seu amigo continuou: "E é por isto que eu venho aqui te pedir que me ajude a me livrar deste problema."

Dr. Bastos fitou seu amigo durante um longo minuto, esperando que ele continuasse. Mas seu amigo não continuou. Dr. Bastos então perguntou-lhe como lhe poderia ser útil. "Bastos, você é testemunha de que nestes 15 anos eu tentei de tudo com aquele menino. Mas nada dá certo... Nada!"

Dr. Bastos ficava mais ansioso a cada momento, em parte pelo desespero do amigo e em parte porque gostaria de saber em que poderia ajudá-lo.

Após, respirar fundo, como que para tomar coragem, seu amigo continuou: "Bastos... Vou ser direto: quero que você me ajude a acabar com este problema. Eu preciso que você me indique os métodos mais eficientes resolvê-lo."

Então Dr. Bastos, sentiu que deveria falar algo. "Veja bem... Você poderia enviá-lo para estudar em algum colégio interno, de preferência um bem longe. Quem sabe fora do país? Assim vocês apenas se encontrariam em feriados, férias..."

Mas ele foi interrompido por seu amigo. "Não! Isto não é suficiente! Já pensamos nisto lá em casa e não nos satisfaz coisa assim. Queremos algo como isto aqui, veja!" E ele tirou do bolso interno de seu paletó um exemplar da revista "Veja". Folheou algumas páginas e indicou ao Dr. Bastos um trecho, marcado a caneta, em que um médico, Dr. Osmar Ribeiro Colás dava o seguinte depoimento sobre o que ele entendia ser seu dever ético para com suas pacientes:
"Não posso interromper uma gestação, mas tenho o dever ético de explicar a minha paciente quais são os métodos abortivos e, depois, se necessário, acudi-la"
Dr. Bastos leu e releu. Meditou alguns minutos e voltou a encarar seu amigo/cliente.

"Mas... Mas não estou entendendo..." -- foi o que conseguiu falar Dr. Bastos. "O que você quer que eu faça?"

"Não quero que você efetivamente faça nada! Quero apenas teu conselho sobre o modo mais eficiente em "abortar" meu filho". E fez o gesto com as mãos como se estivesse colocando haspas na palavra abortar.

Estupefato, Dr. Bastos levantou-se da cadeira, como se tivesse tomado um choque. "Como assim "abortar"? Matar teu filho? É isto que você quer que eu faça?"

"Não, não, não! Bastos, entenda bem o que eu quero que você faça. Quero que você faça como este Dr. Colás e apenas me diga quais métodos seriam mais eficientes para que eu pudesse resolver este meu problema. Apenas isto e nada mais que isto!"

Ainda em pé e cada vez menos crédulo no que ouvia, Dr. Bastos não conseguia colocar os pensamentos em ordem.

"E, claro," -- continuou seu amigo -- "quero também que, assim como o Dr. Colás, você também me acuda caso haja alguma complicação depois do "procedimento"."

Dr. Bastos começou então a andar de um lado para outro em seu escritório, pensando em tudo o que ouvira. Pensava e pensava e não conseguia compreender o que estava acontecendo.

"Você tem consciência do que está me pedindo? Quer que eu seja cúmplice em um crime?"

"Claro que não, Bastos! Eu mesmo farei o "aborto" ou arrumarei quem o faça!"

Dr. Bastos continuava a andar sem parar, tentando acalmar os nervos. Ele jamais havia, em seus anos de prática, passado por tal situação.

Seu amigo, vendo a ansiedade do bom advogado, resolveu tentar convencê-lo mais ainda: mostrou-lhe um outro trecho, igualmente destacado à caneta, na mesma edição de "Veja". Neste trecho, o Dr. Malcolm Montgomery assim se pronunciava:
"Quando uma mulher está decidida a fazer um aborto, não há quem a faça mudar de ideia. É uma decisão muito pessoal. E, ao longo da carreira, aprendi que não posso ser médico apenas nas horas boas. Se minha paciente não quer levar a gestação adiante, eu devo orientá-la sobre a maneira mais segura de fazer isso. Não posso deixá-la desamparada, sob o risco de sofrer as conseqüências de um aborto malfeito."
"Você não pode querer ser meu advogado apenas nas horas boas, Bastos. Por que você não faz como estes médicos e, em vez de ficar andando de um lado para o outro, que de nada adianta, não me ajuda logo com isto?" E continuou logo em seguida: "Também eu e minha mulher não queremos sofrer as conseqüências de um "aborto" malfeito! E eu estou decidido a fazer isto! Não quero que este meu problema vá a frente, exatamente como as pacientes do Dr. Montgomery. Por que você não me ajuda? Sou teu cliente e é tua obrigação ética me ajudar! Por que não faz como estes médicos? Eles não vêem problema algum em ajudar suas pacientes no que for preciso."

Dr. Bastos, tomando um pouco de fôlego, tentou ser racional. "Veja... Eu sou um profissional respeitado!".

"Mas eles também são!" -- retrucou, impaciente, o pai desesperado.

"Sou professor universitário!"

"Dr. Colás também é!" -- bradou o amigo, batendo com a ponta do dedo no trecho da revista.

"Eu sigo um Código de Ética!"

"E você acha, Bastos, que este médicos também não seguem? Seguem! E não viram problema algum em orientar às suas pacientes que querem abortar, mesmo que o aborto seja crime em nosso país. O próprio Dr. Colás deixa uma dica e tanto para quem quer abortar. Veja! Veja!" E apontou para um outro trecho da reportagem:
"Há inúmeros sites na internet que vendem o remédio"
"Foi uma dica meio genérica, eu sei, mas, de qualquer forma, bem válida! Garanto que quem não sabia disto foi procurar no momento seguinte os tais sites. Claro que ajudou muito a revista colocar o nome do medicamento que deveria ser procurado... Sem contar que ainda dão o nome da ONG que os vende pelo correio! É mais ajuda que o necessário!"

Nada convencia seu amigo do absurdo de seu pedido, convenceu-se Dr. Bastos. Ele começou então a pensar que até seria interessante testar os limites da Lei desta forma, que seria um bom caso a ser demonstrado perante seus alunos, etc. Pensou que seu nome seria bem visto entre um pessoal que se dizia "progressista". Pensou também que, quem sabe?, um dia ele pudesse estar nas páginas de "Veja" como o advogado que jamais deixa seus clientes na mão. Afinal, pensou ele, não é para isto que ele resolveu ser advogado?

"Tá bom! Tá bom! Você me convenceu. Em alguns dias eu te passarei os métodos para você "abortar" teu filho." -- disse Dr. Bastos, já pensando no reconhecimento nacional que viria através das páginas da revista e também fazendo o gesto com as mãos desenhando haspas imaginárias.

E despediu seu cliente/amigo. Ele sabia que quanto menos envolvimento melhor.

Passados alguns dias, Dr. Bastos recebeu a visita de um outro advogado. Ele apresentou-se como representante legal do filho de seu amigo e disse que estava ali para impedir de todas as formas que Dr. Bastos e o pai de seu cliente levassem à frente suas intenções.

E impediu mesmo! Dr. Bastos foi expulso da Ordem do Advogados e teve também que abandonar seu posto na universidade. Seu escritório, devido ao escândalo, perdeu a maioria dos clientes, que jamais entenderam a ambição de Dr. Bastos ser tamanha ao ponto de indicar os métodos para um pai matar seu filho. Para seus clientes, não havia capa de revista que justificasse o que eles queriam fazer.

Ao final, Dr. Bastos aprendeu a lição. Os pais do menino, que está vivo até hoje, parece que se arrependeram também.

Tudo graças ao advogado que deu ouvidos ao menino quando este entrou em seu escritório contando a mirabolante história de que ouvira seus pais conversando sobre como abortá-lo, e que, para isto, estavam até mesmo utilizando os serviços de um advogado. Não fosse este advogado, o final seria certamente outro. Talvez até mesmo com uma capa em "Veja".

O lamentável é que os filhos das pacientes dos doutores que aparecem dando depoimentos em "Veja" não tenham voz para também se defenderem das intenções de seus pais e nem para sequer reclarmar daqueles que acham que têm como dever ético orientar sobre a forma mais eficiente para terminar com suas vidas.

O tal "dever ético", para estes filhos, é apenas a senha de entrada para a lixeira de uma clínica abortista ou para a privada da casa de seus pais.

Veja e o aborto: números fictícios

1 comentários ###

A revista "Veja" desta semana trouxe como matéria principal uma reportagem sobre o aborto. Desnecessário que se cobre isenção de "Veja" nesta questão, pois, como fica claro sempre que este veículo aborda a questão -- assim como a esmagadora maioria da mídia brasileira --, "Veja" tem lado: o lado dos abortistas.

Continue lendo

https://contraoaborto.wordpress.com/2009/01/28/veja-e-o-aborto-numeros-ficticios/