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quinta-feira, junho 12, 2008

PMM e suas ligações obscuras - II

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Abaixo, continuo com a exposição da agenda das entidades que apóiam a PMM - Pastoral da Mulher Marginalizada.

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2) CFSS - Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde

Esta entidade também não fica atrás quando o tema é o aborto. Há artigos em que o histórico da luta abortista é contado:

"A primeira iniciativa para a implantação do serviço de atendimento aos casos de aborto previsto por lei partiu da deputada Lúcia Arruda (PT/RJ). O projeto de lei foi sancionado pelo então governador do Estado de Rio do Janeiro, Leonel Brizola, que posteriormente recuou diante da forte pressão da Igreja Católica.

Em 1988, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Saturnino Braga, regulamentou a Lei nº 1.042, de 28/07/1987, estabelecendo a obrigatoriedade do atendimento médico pela rede de serviços de saúde para a prática do aborto nos casos previstos pelo Código Penal (Seminário Nacional Aborto, Cidadania e Justiça Social - São Paulo, maio/95).

Na cidade de São Paulo, em 1989 o governo da prefeita Luiza Erundina criou este serviço por meio da Portaria nº 629/89, de 26/04/89, que dispõe a "obrigatoriedade da rede hospitalar do município, do atendimento médico para o procedimento de abortamento nos casos de exclusão de anti-juricidade, previstos no Código Penal"." (original aqui)

Em outros, o movimento petista em direção à legalização do aborto é louvado:

"Nesse sentido é relevante a instalação da Comissão Tripartite para revisar a legislação punitiva do aborto, no sentido, espera-se, de promover a sua descriminalização e legalização. O movimento tem a sua frente o desafio de acompanhar e influenciar fortemente esse processo, com o fim de buscar alcançar o máximo de êxito na garantia de inclusão de suas propostas no sentido de que, finalmente, neste país, tenhamos a dignidade de deixar de punir as mulheres que praticam abortos ilegais, conforme preceituam os acordos firmados nas Conferencias Internacionais do qual o Brasil é signatário." (original aqui)

Também na página desta entidade feminista, há um livro, com o título de "SAÚDE DAS MULHERES: EXPERIÊNCIA E PRÁTICA DO COLETIVO FEMINSTA SEXUALIDADE E SAÚDE". Há um capítulo inteiro dedicado ao aborto, no qual enormes MENTIRAS sobre a Igreja são divulgadas.

Podemos ler trecho no qual é dito que "
A Igreja Católica tem mudado sua atitude [em relação ao aborto] conforme o Papa que se encontra no poder". Nada mais mentiroso, um parágrafo produzido para enganar católicas ingênuas e, provavelmente, desesperadas. Nada, porém, que possa surpreender quem tem o mínimo contato com o modus operandi de entidades feministas quando o assunto é aborto.

O fato é que houve durante um bom tempo discussão sobre o momento em que a alma é infundida no fruto da concepção, se no exato momento da concepção -- animação imediata --, ou se em momento posterior -- animação mediata. Porém, e isto é para ficar bem claro, a Igreja jamais deixou de condenar o aborto como prática abominável, mesmo que em determinados momentos tal pecado gravíssimo tivesse a punição mais branda devido a certas posições não considerarem o concepto já portador de alma humana.


Mas as senhoras do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde pouco se importam em trazer uma informação de qualidade sobre a real posição da Igreja em relação ao aborto no decorrer dos séculos. O que vale é desinformar.

É por isto que podemos ler tal trecho:
"No século VI, com o Código de Justiniano, passou-se a considerar que o momento da infusão da alma só ocorreria quando o feto adquirisse forma humana. O que significaria que, enquanto a alma não estivesse infundida no novo ser, o aborto não poderia ser proibido."

É uma grossa MENTIRA que o aborto não pudesse ser proibido. Era e sempre foi proibido, apesar de em certos momentos na história haver dúvidas quanto à gravidade do pecado em virtude do debate se a animação era mediata ou imediata. A conclusão de que "o aborto não poderia ser proibido" é de lavra exclusivamente feminista e que lhes serve como uma luva. Só há um problema: carece de fundamento.

Para melhor esclarecer toda esta questão, há um excelente artigo do saudose e venerável Dom Estêvão Bittencourt e que pode ser lido aqui.

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No post seguinte, darei continuidade a esta série em que é abordado as ligações mais do que inconvenientes da PMM - Pastoral da Mulher Marginalizada.

quarta-feira, junho 11, 2008

PMM e suas ligações obscuras - I

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Qual ligação deveria haver entre uma Pastoral da Igreja com organizações que defendem o "direito" ao aborto, este crime abominável, segundo o Concílio Vaticano II? "Nenhuma, óbvio! -- poderia dizer qualquer criancinha antes mesmo de qualquer aula de catecismo. Mas não é que a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), vinculada à CNBB, resolveu inovar?

Em sua página na internet, a Pastoral lista algumas entidades que lhe dão apoio. O texto original pode ser lido aqui. Para não termos problemas com links que desaparecem de repente, abaixo segue uma imagem da página.

Destacado em vermelho estão 3 entidades feministas que prestam apoio à Pastoral. Qual tipo de apoio? Não é dito. Na verdade, isto nem importa. Digamos que tais entidades dessem um rio de dinheiro à PMM... E daí? Isto não tornaria sua agenda mais palatável a uma Pastoral da Igreja. Uma tal "ajuda" seria totalmente dispensável.

O grande apóstolo São Paulo já nos ensinava: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém". Claro está que tais apoios em nada convém a qualquer pastoral.

Abaixo será mostrado o teor da agenda de tais entidades.


1) SOF – Sempreviva Organização Feminista

Em seus boletins e nas notícias divulgadas em sua página, a luta pela "direito" ao aborto é constante. Podemos ler coisas como as que seguem abaixo.

Aqui, ao convocar as companheiras para o dia "Dia de luta pela descriminalização do aborto", explicam:

"(...) a influência das igrejas nos diversos países é a principal responsável pela manutenção da proibição ao aborto. Só para ilustrar, essa confusão entre Igreja e Estado impõe à toda sociedade uma legislação equivocada, que insiste em ignorar os 1,4 milhão de abortos clandestinos feitos anualmente no Brasil." (original aqui)

Aqui, reproduzem notícia veiculada em jornais e vibram com a vitória em um festical de cinema de um filme que foi criticado -- segundo elas -- pelo Vaticano:

"
É uma grande honra”, declarou Mullan ao receber o prêmio. “O filme não é somente como a Igreja Católica e sobre como ela reprimiu jovens mulheres na Irlanda, é sobre todas as fés que pensam que têm o direito de pressionar mulheres”
(...)
O Vaticano, no entanto, foi duro. Um artigo do jornal L’Osservatore Romano, descreve The Magdalene Sisters como uma “provocação irada e rancorosa” que desvirtua os líderes religiosos." (original aqui)

Em seu boletim informativo, a "Folha Feminista", a luta pelo aborto é uma constante. Vejamos alguns trechos:

"Por concretizar a separação entre sexualidade e imposição da maternidade, a luta feminista pelo direito ao aborto é fundamental para a emancipação das mulheres."

"A tentativa de proibir a distribuição gratuita do contraceptivo de emergência, as articulações contra a legalização do aborto, a perda de estrutura e poder de alguns organismos voltados à construção de políticas de igualdade são exemplos de ataques aos direitos das mulheres."
"A comunidade religiosa presente no ato, especialmente da Igreja Católica Romana, apontou o papel da Igreja em usar sua influência para silenciar políticos pró-aborto, incluindo o candidato presidencial John Kerry.
Em 14 de maio, o bispo dos EUA Michael Sheridan, do estado do Colorado, anunciou que católicos pró-aborto em sua arquidiocese seriam proibidos de comungar. Francês Kissling, presidente da organização Católicas pela Escolha Livre, afirma que “o Vaticano usa a sua influência e autoridade para impedir que hospitais católicos por todo o mundo propiciem educação e serviços que previnem o HIV/AIDS e a perda de vidas de mulheres durante o parto. Eles negam acesso ao aborto e à contracepção de emergência.”"

E estes são apenas alguns poucos trechos... Nota-se, claramente, presente todo o discurso abortista-feminista no qual a Igreja é sempre o inimigo principal a ser combatido quando se trata da luta pelo "direito" ao aborto.

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No post seguinte, será dado seguimento à exposição das entidades que apóiam a PMM - Pastoral da Mulher Marginalizada.



terça-feira, junho 10, 2008

Escândalo interminável

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"Recordar é viver!"
? Não no Brasil dos dias atuais. Não mesmo! Entre nós, recordar, mesmo que o passado recente, é morrer um pouco a cada dia; é comer o pão amargo de uma realidade que ou piora ou permanece a mesma; é testemunhar a passividade dos que poderiam mudar o que deve ser mudado.

Infelizmente, teremos que recordar um escândalo que há vários anos vem acontecendo sem que nada seja feito.

Lembremos de Bernadete Aparecida Ferreira, coordenadora nacional da Pastoral da Mulher Marginalizada. Em fevereiro deste ano, a sra. Bernadete foi protagonista de um escândalo que gerou algumas mensagens neste blog.

Estávamos, então, às portas da Campanha da Fraternidade de 2008, cujo tema foi "Escolhe, pois, a vida", referência direta à luta contra os crimes do aborto e da eutanásia, crimes que certos setores querem que os brasileiros engulam como "direito".

Foi neste ambiente que a sra. Bernadete escreveu e distribuiu depoimento dizendo-se favorável à descriminalização do aborto. Sim, é verdade: uma coordenadora nacional de Pastoral achou por bem mandar o ensinamento da Igreja às favas, destilando o veneno de seu humanismo torto e mesquinho.

Mas isto ainda não é tudo...

O depoimento da sra. Bernadete não foi a primeira vez em que ela aproveitou a oportunidade para dizer-se favorável à descriminalização do aborto. Também conforme já divulgado em mensagem anterior neste blog, eis o que declarou em 2003 a sra. Bernadete:

"Bernadete Aparecida Ferreira, presidente da Organização Não Governamental (ONG) Casa da Mulher 8 de Março, diz que a criminalização do aborto não evita o ato. “Apenas gera clandestinidade e dá dinheiro a pessoas sem qualificação, que provocam danos à mulher”. Segundo ela, o aborto deve ser descriminalizado. “Para que as mulheres tenham serviços de qualidade”.

E foi esta senhora que em 2008, no ano de uma Campanha da Fraternidade dedicada a combater o aborto, declarou-se favorável à descriminalização desta abominável e hedionda prática. E é esta senhora que era então coordenadora nacional de uma pastoral.

Precisamos de mais?

Não, não precisamos... Mas há mais ainda. Infelizmente.

Quando este escândalo veio à tona a partir de uma reportagem do jornal "O Estado de São Paulo",
D. Pedro Luiz Stringhini, presidente da Comissão Episcopal para a Caridade, Justiça e Paz da CNBB, à qual está vinculada a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), deu a seguinte declaração:

"O mandato da atual coordenação termina em março e a nova coordenadora terá de ser afinada com a CNBB."


Mais uma vez em mensagem neste blog, era expressada a estranheza de uma tal declaração do bispo, pois é de se imaginar que é altamente inconveniente para a Igreja e para o bem das almas que alguém que publicamente dê mostras de estar frontalmente em desacordo ao ensinamento da Igreja em assunto gravíssimo como o aborto tenha qualquer tipo de participação em uma Pastoral. O mínimo que deveria acontecer é que tal pessoa fosse afastada sumariamente de suas funções.

Na verdade, conforme demonstrado, já há muito deveria ter ocorrido tal afastamento, pois já em 2003 a sra. Bernadete mostrava a todos seu pensamento em relação ao aborto. Mas o que acabou acontecendo é que D.
Pedro Luiz Stringhini apenas deu a esperança de que ela seria afastada em março.

Passou março. Passou abril. Passou maio. Chegamos em junho, e o que temos? Temos o seguinte, retirado da página da Pastoral da Mulher Marginalizada:


(original pode ser visto clicando-se aqui)

Sim, é isto mesmo... Passaram-se vários meses e a sra. Bernadete Aparecida Ferreira, que é a favor de que o aborto não mais seja encarado como um crime, continua na coordenação nacional de uma Pastoral da Igreja.

Pergunta-se: é conveniente isto? Qual o motivo da paciência no trato com pessoas que há vários anos mostram-se contrárias ao ensinamento da Igreja em matéria gravíssima? Não se está falando de pessoas que pedem perdão ou que vivem em dúvidas por determinada situação. Não mesmo! Estamos falando de pessoas que não perdem a oportunidade de divulgar seu apoio à descriminalização do aborto.

Em outro escândalo, envolvendo a participação de uma feminista a favor do aborto em um DVD produzido para a Campanha da Fraternidade de 2008 (ver mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), achamos por bem lembrar o que foi declarado no Concílio Vaticano II sobre o aborto e que alguns setores na Igreja que insistem em esquecer. Lembremos:

"Com efeito, Deus, senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis. (...)" - Gaudium et Spes, 51.

Curioso é que tais setores são os mesmos que bem gostam de instrumentalizar o CVII para justificar os mais absurdos abusos ao ensinamento tradicional da Igreja em matéria disciplinar, litúrgica, moral, etc.; e são estes mesmos que parecem ignorar as fortíssimas e claríssimas palavras do CVII sobre o aborto.

Por aí bem se vê a que agenda tais pessoas servem e quais são seus objetivos. Uma coisa salta aos olhos: isto nada tem que ver com a missão sagrada da Igreja.

Que tal, respeitosamente, escrevermos ao bispo sobre isto?

sexta-feira, maio 30, 2008

O cético embasbacado

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Que a África é o "paraíso" da AIDS, ninguém duvida. Um misto de falta de educação, crendices, desmandos governamentais, falta de ajuda externa, etc. etc. etc., ajudou e ajuda a criar o flagelo que corrói aquele continente já tão esgotado por inúmeros e gravíssimos problemas.

E não é que é de lá que vem uma importantíssima lição sobre como lidar com esta doença?

quarta-feira, abril 16, 2008

Mayana Zatz perde de lavada!

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Cena 1

Entra no palco o Dr. David A. Prentice, PhD da Universidade de Kansas, e começa a declamar em voz clara as inúmeras enfermidades nas quais já foram empregados tratamento com células-tronco adultas.

Dr. David A. Prentice - Brain Cancer, Retinoblastoma, Ovarian Cancer, Skin Cancer: Merkel Cell Carcinoma, Testicular Cancer, Tumors abdominal organs Lymphoma, Non-Hodgkin’s lymphoma, Hodgkin’s Lymphoma, Acute Lymphoblastic Leukemia, Acute Myelogenous Leukemia, Chronic Myelogenous Leukemia, Juvenile Myelomonocytic Leukemia, Chronic Myelomonocytic Leukemia, Cancer of the lymph nodes: Angioimmunoblastic Lymphadenopathy, Multiple Myeloma, Myelodysplasia, Breast Cancer, Neuroblastoma, Renal Cell Carcinoma, Various Solid Tumors, Soft Tissue Sarcoma, Ewing’s Sarcoma, Waldenstrom’s macroglobulinemia, Hemophagocytic lymphohistiocytosis, POEMS syndrome, Myelofibrosis, Diabetes Type I (Juvenile), Systemic Lupus, Sjogren’s Syndrome, Myasthenia, Autoimmune Cytopenia, Scleromyxedema, Scleroderma, Crohn’s Disease, Behcet’s Disease, Rheumatoid Arthritis, Juvenile Arthritis, Multiple Sclerosis, Polychondritis, Systemic Vasculitis, Alopecia Universalis, Buerger’s Disease, Acute Heart Damage, Chronic Coronary Artery Disease, Corneal regeneration,Severe Combined Immunodeficiency Syndrome, X-linked Lymphoproliferative Syndrome, X-linked Hyper immunoglobulin M Syndrome, Parkinson’s Disease, Spinal Cord Injury, Stroke Damage, Sickle Cell Anemia, Sideroblastic Anemia, Aplastic Anemia, Red Cell Aplasia, Amegakaryocytic Thrombocytopenia, Thalassemia, Primary Amyloidosis, Diamond Blackfan Anemia, Fanconi’s Anemia, Chronic Epstein-Barr Infection, Limb Gangrene, Surface Wound Healing, Jawbone Replacement, Skull Bone Repair, Hurler’s Syndrome, Osteogenesis Imperfecta, Krabbe Leukodystrophy, Osteopetrosis, Cerebral X-Linked Adrenoleukodystrophy, Chronic Liver Failure, Liver Cirrhosis, End-Stage Bladder Disease.

A platéia fica boquiaberta! Como pode ser isto? Como o pesquisador conseguiu falar o nome de 73 patologias em apenas um fôlego? Sim: 73 é o número de patologias nas quais já foram empregadas algum tipo de tratamento com células-tronco adultas.

A platéia, extasiada com a performance do Dr. Prentice, levanta-se e aplaude de pé por finalmente alguém vir ao palco não para apenas aparecer, mas para trazer algum conteúdo concreto sobre esta importantíssima questão.


Cena 2

Entra a Dra. Mayana Zatz, com um enorme chapéu na cabeça bem ao estilo Carmem Miranda. Sua roupa branca e esvoaçante chama a atenção de todos. Seus balangandâs balançam quando seus firmes passos cruzam o palco. Seus inúmeros colares de miçangas fazem barulho. Não há quem da platéia fique indiferente à figura da doutora! Sua maquiagem impecável apenas aumenta a admiração de todos. Seu sorrisinho enigmático deixa em todos uma expectativa, um não-sei-o-quê está no ar.

A platéia faz silêncio. Não se ouve um suspiro. Nem mesmo algum celular tocando. Nada! Todos esperam por Mayana, a diva.

Ela sente toda a atenção voltada a si, capricha mais um pouco no sorrisinho, abre a boca e...

Dra. Mayana Zatz - ...

A platéia até mesmo pára de respirar. Mayana abre mais a boca e...

Dra. Mayana Zatz - ...

Nada! Nem um som sai.

Ela enrubesce. Abre os braços como a dizer que não entende o que está acontecendo. Ouve-se um zunzunzum entre os espectadores. A tensão vai aumentando e nada de Mayana conseguir produzir algum som.

Alguém da platéia se levanta e passa um pito nos outros espectadores.

Espectador 1 - Vocês deviam ter vergonha de ficarem pressionando a doutora. Ela é famosíssima! Seu cabelo é impecável! Sua maquiagem é perfeita, parece que ela nasceu assim de tão natural que lhe cai. Seu talento é reconhecido internacionalmente!

Mas alguém o contesta.

Espectador 2 - Qual talento? Viemos aqui para ouví-la e nada sai de sua boca.

Os outros concordam entre si. Todos querem ouví-la. E agora até mesmo o espectador que lhe havia defendido. Ele é o que lhe dirige o pedido.

Espectador 1 - Fale Mayana. Mostre a todos o teu talento. Encante-nos a todos com sua ciência. Faça-nos esquecer do Dr. Prentice!

Mayana sente que chegou a sua hora. Sente os olhos de todos grudados em seu rosto perfeitamente maquiado. Ela sente sua auto-confiança mais uma vez se inflando, tomando conta de seu ser. Mentalmente, ela repete para si o que os inúmeros livros de auto-ajuda lhe ensinaram: "Você é sábia! Você é bela! Você é poderosa!".

Foi o que bastou. Ela abriu os olhos e encarou a todos. A multidão lhe esperava.

Mayana inspirou tanto ar quanto lhe foi possível, e...

Dra. Mayana Zatz - ... ... ...

Nada saiu. Nem uma palavra. Nem um pio. Nem um sussurro. Nadinha.

Pano! Rápido!

***

Esta seria a história de Mayana Zatz se ela se metesse a fazer teatro com o conteúdo do que ela tem a mostrar. Pena que o palco dela é bem outro: são os tribunais, os programas de entrevistas, as revistas de grande circulação, os grandes jornais. Todos ficam magnetizados com sua figura, com sua destreza no palco. Ela é uma baita atriz, tem boa figura, fala bem e, para arrematar, o sorrisinho condescendente dos seres superiores.

Pena que à sua personagem falta o principal: conteúdo.

Peçamos que ela indique o número de patologias nas quais já foi possível utilizar algum tipo de tratamento relacionado a células-tronco embrionárias.

Não existe. Nenhum. Zero.

Ela sabe disto. Assim como sabe que a fala do Dr. Prentice corresponde à realidade.

Mayana pode aparecer em quantas capas de revista quiser, pode dar milhões de entrevistas, pode receber prêmios mil, pode sapatear, pode dançar ou até mesmo entrar para o Cirque du Soleil que nada disto mudará o fato de que o conteúdo do que ela tem a mostrar é um saco de vento.

Mayana sabe vender como ninguém, só não entrega o produto. O Dr. Prentice entrega, e é por isto que ele dá uma lavada em Mayana Zatz. Uma lavada de 73 a 0.


terça-feira, abril 15, 2008

Não, não é tudo verdade

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A senhora Ruth de Aquino, redatora-chefe da revista Época, utiliza dados fantasiosos para tentar argumentar sobre aborto. Tentativa vã e desastrada, como de costume entre aqueles que se prestam ao papel de defender o aborto, este verdadeiro holocausto silencioso de nosso tempo.

Aos que lhe alertaram para o erro de utilizar tais dados, ela não teve dúvidas e respondeu que tais dados são, sim, uma estimativa, mas que a fonte é o próprio Ministério da Saúde e da OMS. Para ela, isto basta. Se vem do Ministério da Saúde e da OMS, para a jornalista, então deve ser verdade.

Jornalismo bem chinfirim este da senhora Ruth, pois ela nem mesmo se dá ao trabalho de checar suas fontes. Muito melhor fez a estimada Dra. Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, que entrou em contato com a OMS e soube, da própria fonte, que a OMS jamais fez tal estimativa no Brasil. Ou seja, os dados que a jornalista colocou em seu artigo sobre aborto são tão verdadeiros quanto uma nota de 3 dólares.

Na verdade, verdade mesmo, é tudo mentira.

Em casos assim, é para perguntarmos o que faltou à jornalista. Faltou tempo para pegar um telefone e checar os tais dados? Dificilmente. Imaginamos que uma redatora-chefe tenha alguma secretária ou secretário à sua disposição para fazer um trabalho tão simples como este. Faltou o que, então? Disposição? Provavelmente, pois tirar da cartola os tais mais de 1 milhão de abortos cometidos (sim, crime se comete!) e seguir a onda de ONGs abortistas é bem mais fácil que fazer um trabalho jornalístico digno de tal nome. Faltou boa vontade? Provavelmente, pois os dados inchados que ela quis utilizar em seu artigozinho serviram como uma luva em sua tentativa de argumentação.

A senhora Ruth de Aquino tomou como deixa para seu artigo a exibição de um filme sobre o aborto no Festival "É tudo verdade". Ah... A doce Zona Sul do Rio! Com seus festivais de cinema que abordam questões importantes e fazem as pessoas capazes de tudo absorver sobre uma questão em apenas 72 minutos! Uma hora e pouco de projeção seguido de um papo-cabeça e todos os lados de uma questão são pesados e o veredito está pronto: aborto é um direito! Nada como um bom filme -- nacional, é claro -- para que nossa visão de mundo seja colocada no caminho certo.

Na telona, uma menina estuprada que vai abortar. Apelação? Claro que não! A diretora queria mostrar a crueza da vida, aquela coisa orgânica, que só é totalmente compreendida pela elite cultural paulista ou pelos dândis da Zona Sul carioca. Curioso que estas mesmas pessoas foram os que chamaram o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz de "fundamentalista", "fanático", "carola", "falso moralista" e outros adjetivos impublicáveis quando ele teve a petulância de levar ao Congresso Nacional filhos concebidos em estupros. Ué, mas isto também não é realidade? Não mesmo! Para este pessoal, a realidade é apenas aquilo que eles querem que seja.O resto é apelação de reacionários, conservadores.

Um bom jornalista denunciaria esta diferença na pesagem e na medida. A senhora Ruth de Aquino prefere calar-se e dar voz aos descolados. Afinal, eles têm uma causa. O aborto é uma causa para tais pessoas, uma causa inconseqüente, uma causa hedionda, mas uma causa. Causa errada.

Um bom jornalista não escreveria a besteira que a senhora Ruth de Aquino escreveu: "No Brasil, o aborto só é legal em casos de estupro ou risco de morte da mãe". Não, o aborto, no Brasil, jamais é legal. Há diferenças entre algo ser legal e algo não ser punido. Mas isto provavelmente não importa à jornalista, pois estes preciosismos jurídicos só atrapalham a causa, não é mesmo?

Ou seja, o artigo da senhora Ruth de Aquino é apenas um emaranhado de dados fictícios com descrições de cenas de efeito emotivo pinçadas de um filme. Não há nada de jornalismo nisto, pelo menos não de jornalismo sério.

Aos que lhe inquiriram sobre o teor do artigo e seus erros, ela escreveu declarando que sua coluna não se prestava a ser um jornalismo objetivo e nem imparcial, que era apenas a expressão de sua opinião. Ok, sem problemas, podemos partir daí.

Na verdade, a jornalista nem precisava declarar tal coisa. Os dados de seu artigo e a superficialidade com que a questão do aborto é tratada deixa bem claro a todos que a objetividade passa bem longe de seu texto. Isto é óbvio a quem a lê. Que ela é parcial, é mais do que claro. Desnecessário que ela esclareça isto também. Mas, se seu texto parte de dados fantasiosos e sua (pseudo-)argumentação é parcial, a senhora Ruth de Aquino quer mesmo ser levada a sério? E por que a levaríamos a sério? Apenas porque ela se emocionou com o drama de tantas mulheres demonstrado no filme? Ok, partamos disto também.

A única coisa que a jornalista deseja é emocionar quem a lê com as histórias deveras dramáticas de mulheres que passam pelo drama do aborto. E, aproveitando desta emoção que é trazida à tona, angariar apoio à causa do aborto. Para ela, mostrar uma menina estuprada e grávida abortando é um caminho válido para criar uma consciência abortista. Mostrar uma mulher humilde que foi denunciada por abortar e esteve algemada é também um caminho que serve à causa.

São cenas emocionantes? Com certeza que sim. E quem há de negar? Mas será que a questão do aborto será mesmo resolvida com a veiculação de imagens que causam emoção? Conhece a jornalista um filme chamado "O grito silencioso" ("The silent scream")? Merecerá ele também um artigo? Ou a cena de um feto lutando por sua vida é apelativa? E um filme como "Juno", será que merece um artigo da jornalista também? A história de uma adolescente que decide levar sua gravidez ao final é apelativa para os parâmetros da patota?

Os números agigantados e fictícios da jornalista falam em mais de 1 milhão de abortos por ano no Brasil. Segundo os números oficiais do SUS, os números totais de mortes decorrentes de todo tipo de complicações em aborto provocados foram 6, 7 e 11 em 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Repetindo, são dados do SUS, disponíveis para consulta a qualquer pessoa com acesso à internet.

Nós, pró-vidas, lamentamos cada uma destas mortes, mortes que em sua maioria poderiam ser evitadas se a sociedade resolvesse que tais mães são dignas de serem amparadas durante a gravidez e na criação de seus filhos. Mas a fina nata da sociedade, aquela que vai a festivais de cinema na Zona Sul do Rio, só quer saber de dar o tal "direito" de cometer um crime a estas mulheres. Isto rende filmes, rende festivais, rende pontos na turma.

E será que a jornalista lamenta -- utilizando-se seus números fictícios -- os mais de 1 milhão de mortes causadas anualmente? Ou será que ela imagina que o fruto de um aborto é o que? Mas lamentar o que, não é mesmo? Se ela nem mesmo aborda o ponto principal da questão do aborto em seu artigo: que este é e sempre será a eliminação de uma vida humana.

E se algum pró-vida resolvesse fazer um filme no qual uma pilha imensa de crianças abortadas nas mais diversas fases da gravidez aparecesse? Seria muito apelativo para a patota? Causaria frisson em jornalistas? E, no entanto, tudo isto seria verdade. Uma cruel e dura verdade a que tantos querem virar o rosto. Tomando-se os números da senhora Ruth de Aquino, em 10 anos a pilha de mortos seria de fazer inveja aos carrascos de Auschwitz e Treblinka. Isto só no Brasil.

Há quem chame defender este holocausto de direito à opinião, de democracia. Eu chamo de crueldade, de covardia.

segunda-feira, março 24, 2008

Charge dedicada ao Ministro Ayres Britto

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"Sei como você se sente! Quando fui um escravo lá embaixo, os tribunais também não entendiam que eu era completamente humano!"