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sexta-feira, outubro 08, 2010

"Profetização do fim da Canção Nova" - por Emanuelle Carvalho Moura

1 comentários ###

Profetização do fim da Canção Nova

O envolvimento do PT com políticas pró-aborto e as tentativas de legalização desse crime hediondo, tornando-o um direito das mães de matarem a prole é fato conhecido e notificado com todas as provas documentais que se possa imaginar. Um exemplo notório é o PL 1135/91 que prevê a legalização do aborto até o fim da gestação e que foi elaborado por COMISSÃO DO GOVERNO DO PT.

Além de tudo, o Partidão está prevendo censura e outras aberrações em um pacote chamado “Plano de Direitos Humanos”.

Isso tudo foi denunciado pelo Pe. José Augusto. Em link retirado do ar pela Canção Nova, porque esta fez questão de dizer que suas opiniões não manifestavam a opinião da instituição. As opiniões do bravo Pe. José Augusto eram contra o aborto, contra a união civil de homossexuais, contra a censura à imprensa, contra a legalização das drogas e contra a covardia dos católicos que, acomodados, não se preocupam em lutar pela cristianização da sociedade com um voto consciente sobre o quê está sendo planejando para o Brasil com o Plano de Direitos Humanos do PT subscrito por Dilma:

Veja algumas palavras do Pe. José Augusto:

“Chega de sermos católicos mornos, frios e medrosos! [...] Como é que nós ficamos assim, como se nada tivesse acontecendo, numa boa, com medo de perder isso, medo de perder aquilo… que perca tudo! Nós só não podemos perder é Jesus Cristo nessa vida. E a nação brasileira tem que ser uma nação cujo Deus é o Senhor!”.

Mas as opiniões do Pe. José Augusto não manifestam a opinião da Canção Nova. Isso não soa sombrio? A coisa está tão feia que o Pe. Joãozinho da Canção Nova ainda faz apelo contra os bispos de Cristo e insinua claramente ser um cabo eleitoreiro da Dilma:

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/10/07/o-momento-politico-e-a-religiao/

O caso clínico Gabriel Chalita

Gabriel Chalita foi eleito porque tinha 4 anos de propagandas eleitorais gratuitas fornecidas pela Canção Nova através de um programa que ele coordenava no canal. Hoje, Chalita zomba dos Bispos fiéis ao Magistério da Igreja, chamando-os de “boateiros”, esse vídeo do Chalita é o mais nojento que eu já vi, o mais asqueroso dos seus pronunciamentos contra a verdade:

http://www.youtube.com/watch?v=xS2pv2z8BP4

O que a Canção Nova fez? Não deu um pronunciamento sobre toda a contra propaganda do atual deputado federal Chalita à Igreja de Cristo, que lhe deu abrigo e acolhimento para que pudesse se eleger no Estado de São Paulo. Mas e quanto ao Pe. José Augusto? A Canção Nova lhe deu a palma da censura. Realmente, deduz-se muito tristemente qual a verdadeira opinião da Canção Nova. Ela varia segundo a quantidade de dinheiro que lhe prometem pagar. Está prostituída, vendida e idolatra o bezerro de ouro. Ela confia nos homens (e em um homem como Gabriel Chalita que já provou ser um traidor da pior espécie). Canção Nova perdeu o temor de Deus para confiar seus porcos centavos a homens. A providência divina lhe fez perder a paciência, Canção Nova quer um cachê generoso do Chalita e da Dilma.

Canção Nova e Padre Antônio Vieira

Mas qual a diferença entre o que a Canção Nova fez e o que os judeus fizeram quando escolheram que se crucificasse o filho do Deus Vivo em troca de um sossego com o governo que comandava sua terra? Pe. Antônio Vieira explica:

“Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos.”

“Pois morra Cristo, para que não nos percamos todos”: é isso o que a Canção Nova pensa em fazer? Esconder a morte de inocentes, esconder os planos maquiavélicos de imoralidade previstos pelo Governo do PT? Para que a Canção Nova continue fazendo seu programa de TV diário com segurança e sobretudo dinheiro, e sobretudo com Gabriel Chalita mostrando sua cara cínica na TV? Isso tudo para que morra o Cristo? Crucificando o Cristo? Desfigurando a Igreja de Deus?

Pe. Vieira explica em que resulta política tão obtusa:

“Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra. Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo.”

Eu não profetizo que a Canção Nova vai cair, quem o profetiza é o Pai do Brasil, Pe. Antônio Vieira, ela vai afundar como assim ocorreu com a Jerusalém dos judeus da época da morte de Cristo. A Canção Nova está sob maldição. E isso basta ver, pensar e refletir porque Deus fala conosco através da consciência. E se “a consciência” da Canção Nova ainda não está pesada, vai ficar em breve. Digo mais: se Dilma ganhar, a primeira instituição que comerá da bolota dos porcos vai ser a Canção Nova. E eu não vou rir disso, mas vou lamentar um desfecho tão óbvio. Porque não me rio da desgraça de nenhum irmão:

“E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.”

Convertei-vos enquanto existe tempo. Porque a verdadeira política é o temor de Deus:

“Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei.”

Emanuelle Carvalho Moura


***


Sermão da 6a Sexta-Feira da Quaresma de 1662

Padre Antônio Vieira

parte VII

Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos. Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra. Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo. Santo Agostinho: In contrarium eis vertit malum consilium: Vede, diz Agostinho, o mau conselho como se converteu contra os mesmos que o tinham tomado: Ut possiderent, occiderunt, et quia occiderunt, perdiderunt: para conservarem a república, mataram a Cristo, e porque mataram a Cristo, perderam a república. — Oh! quantas vezes se perdem as repúblicas, porque se tomam por meios de sua conservação ofensas de Cristo! Quem aconselha contra Deus, aconselha contra si. E os meios que os homens tomam para se conservar, se são contra Deus, esses mesmos tomam Deus contra eles, para os destruir.

Muitas vezes castigou Deus a República Hebréia, em todos os estados e em todas as idades, por diferentes nações. Deixo os cativeiros particulares no tempo dos Juízes pelos madianitas, e no tempo dos reis pelos filisteus. Vamos aos cativeiros gerais. O primeiro cativeiro geral, em tempo de Moisés, foi pelos egípcios; o segundo cativeiro geral, em tempo de Oséias, foi pelos assírios; o terceiro cativeiro geral, em tempo de Jeconias, foi pelos babilônios; o último cativeiro geral, depois de Cristo, que é o presente, foi pelos romanos. E por que ordenou Deus que os executores deste último cativeiro fossem os romanos, e não por outra nação? Não estavam ainda aí os mesmos egípcios, os etíopes, os árabes, os persas, os gregos e os macedônios, que eram as nações confinantes? Pois por que não ordenou Deus que os executores deste cativeiro fossem estas, ou outra nação, senão os romanos? Para que visse o mundo todo que a causa deste castigo foram as políticas deste conselho. Ora vede.

Três resoluções tomaram estes conselheiros para conservação da sua república, todas três fundadas no temor, no respeito, na dependência e na amizade dos romanos. A primeira notou S. Gregório, a segunda S. Basílio, a terceira Santo Ambrósio. Deixo as palavras por não fazer o discurso mais largo. A primeira resolução foi que, se Cristo continuasse com aquele séquito e aplauso e com as aclamações de rei que lhe dava o povo, viriam os romanos sobre Jerusalém: Si dimittimus eum sic, venient romani (Jo 11,48). A segunda resolução foi entregarem a Cristo aos soldados romanos, porque eles foram os que o

prenderam no Horto e o crucificaram: Judas vero, cum accepisset cohortem (Jo 18,3), que era uma das coortes romanas. A terceira resolução foi persuadirem a Pilatos, governador de Judéia posto pelos romanos, que, se livrava a Cristo, perdia a amizade do César: Si hunc dimittus, non es amicus Caesaris (Jo 19,12). Ah! sim! E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.

Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei. Os políticos antigos estudavam pelos preceitos de Aristóteles e Xenofonte; os políticos modernos estudam pelas malícias de Tácito, e de outros indignos de se pronunciarem seus nomes neste lugar. A verdadeira política, e única, é a Lei de Deus. Ouvi umas palavras de Deus no capítulo 17 do Deuteronômio, que todos os príncipes deviam trazer gravadas no coração: Cum sederit rex in solio regni sui, describet sibi Deuteronomium legis hujus, legetque illud omnibus diebus vitae suae, ut discat timere Deum, neque declinet in partem dexteram, vel sinistram, ut longo tempore regnet ipse, et filii ejus (Dt. 17,18 ss). Tanto que o rei, diz Deus, se assentar no trono do seu reino, a primeira coisa que fará, será escrever por sua própria mão esta minha Lei, e a lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer a Deus, e não se apartará dela um ponto, nem para a mão direita, nem para a esquerda, e deste modo conservará o seu reino para si e para seus descendentes. — Pois, Senhor, esta é a arte de reinar, este são os documentos políticos, e estas são as razões de estado que dais ao rei do vosso povo para sua conservação e para perpetuidade e estabelecimento de seu império? Sim. Estas são, e nenhumas outras. Saber a Lei de Deus, temer a Deus, guardar a Lei de Deus, e não se apartar um ponto dela. Se Aristóteles sabe mais que Deus, sigam-se as políticas de Aristóteles. Se Xenofonte sabe mais que Deus, imitem-se as idéias de Xenofonte. Se Tácito fala mais certo que Deus, estudem-se as agudezas e sentenças de Tácito. Mas se Deus sabe mais que eles, e é a verdadeira e única sabedoria; estudem-se, aprendam-se, e sigam-se as razões de estado de Deus.

Não digo que se não leiam os livros, mas toda a política sem a Lei de Deus é ignorância, é engano, é desacerto,

é erro, é desgoverno, é ruína. Pelo contrário, a Lei de Deus só, sem nenhuma outra política, é política, é ciência, é acerto, é governo, é conservação, é seguridade. Toda a política de um rei cristão se reduz a quatro partes e a quatro respeitos: do rei para com Deus, do rei para consigo, do rei para com os vassalos, do rei para com os estranhos. Tudo isto achará o rei na Lei de Deus. De si para com Deus, a religião; de si para consigo, a temperança; de si para com os vassalos, a justiça; de si para com os estranhos a prudência. Para todos estes quatro rumos navegará segura a monarquia, se os seus conselhos levarem sempre por norte a Deus, e por leme a sua Lei: Consiliorum gubernaculum lex divina, disse S. Cipriano. Os conselhos são o governo da república, e a Lei de Deus há de ser o governo dos conselhos. Conselho e república que se não governa pela Lei de Deus, é nau sem leme. Por isso o reino de Jeroboão, de Bassa, de Jeú, e de tantos outros, fizeram tão miseráveis naufrágios.

O mais político e o mais prudente rei que lemos nas Histórias Sagradas foi Davi. E qual era o seu conselho? Ele o disse: Consilium meum justificationes tuae (Sl. 118,24): O meu conselho, Senhor, são os vossos mandamentos. — Oh! que autorizado conselho! Oh! que prudentes conselheiros! O conselho: a Lei de Deus, os conselheiros: os dez mandamentos. De Aquitofel, aquele famosíssimo conselheiro, diz o texto que eram os seus conselhos como oráculos e respostas de Deus: Tanquam si quis consuleret Dominum (2Sam 16,23). Os Mandamentos de Deus, que eram os conselheiros de Davi, não são como oráculos, senão, verdadeiramente oráculos de Deus. E quem se governar pelos oráculos de Deus, como pode errar? Quando Cristo apareceu a el-rei D. Afonso Henriques, e lhe certificou que queria fundar e estabelecer nele e na sua descendência um novo império, assim como disse a Moisés: Ego sum qui sum: Eu sou o que sou — assim o disse àquele primeiro rei: Eu sou o que edifico os reinos e os dissipo: Ego edificator, et dissipator regnorum sum. Nestas duas máximas resumiu Cristo todas as razões de estado por onde queria se governasse um rei de Portugal. Deus é o que dá os reinos, e Deus é o que os tira. O fim de toda a política é a conservação e aumento dos reinos. Como se hão de conservar os reinos, se tiverem contra si a Deus, que os tira, e como se hão de aumentar os reinos, se não tiverem por si a Deus, que os dá? Se não tivermos contra nós a Deus, segura está a conservação; se tivermos por nós a Deus, seguro está o aumento: Pone me juxta te, et cujusvis manus pugnet contra me (Jó 17,3), dizia Jó, que também era rei: Ponha-me Deus junto a si, e venha todo o mundo contra mim.Se tivermos de nossa parte a Deus, ainda que tenhamos contra nós todo o mundo, todo o mundo não nos poderá ofender; mas se tivermos a Deus contra nós, ainda que tenhamos todo o mundo da nossa parte, não nos poderá defender todo o mundo. Fazer liga com Deus ostensiva e defensiva, e estamos seguros. Eis aqui o erro fatal deste mal-aconselhado conselho dos pontífices e fariseus: por se ligarem com os romanos, apartaram-se de Deus, e porque não repararam em perder a Deus, por conservar a república, perderam a república e mais a Deus. Iste homo multa signa facit (Jo 11,47): Este homem, diziam, faz muitos sinais. — Chamavam sinais aos milagres de Cristo, e, ainda que acertaram o número aos milagres, erraram a conta aos sinais. Os milagres eram muitos, mas os sinais não eram mais que dois. Se seguissem a Cristo, sinal de sua conservação: se o não seguissem, sinal de sua ruína. Cada milagre daqueles era um cometa que ameaçava mortalmente a República Hebréia, se não cresse, e ofendesse a Cristo. E assim foi.

Príncipes, reis, monarcas do mundo, se vos quereis conservar, e a vossos estados, se não quereis perder vossos reinos e monarquias, seja o vosso conselho supremo a Lei de Deus. Todos os outros conselhos se reduzam a este conselho, e estejam sujeitos e subordinados a ele. Tudo o que vos consultarem vossos conselhos e vossos conselheiros, ou como necessário à conservação, ou como útil ao aumento, ou como honroso ao decoro, à grandeza e à majestade de vossas coroas, seja debaixo desta condição infalível: se for conforme à Lei de Deus, aprove-se, confirme-se, decrete-se e execute-se logo; mas se contiver coisa alguma contra Deus e sua Lei, reprove-se, deteste-se, abomine-se, e de nenhum modo se admita nem consinta, ainda que dele dependesse a vida, a coroa, a monarquia. O rei em cuja consciência e em cuja estimação não pesa mais um pecado venial que todo o mundo, não é rei cristão. Quid prodest homini, si universum mundum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur. Que lhe aproveitará a qualquer homem, e que lhe aproveitou a Alexandre ser senhor do mundo, se perdeu a sua alma? Perca-se o mundo, e não se arrisque a alma; perca-se a coroa e o cetro, e não se manche a consciência; perca-se o reino da terra, e não se ponha em contingência o reino do céu. Mas o rei, que por não pôr em contingência o reino do céu, não reparar nas contingências do reino da terra, é certo e infalível que por esta resolução, por este valor, por esta verdade, por este zelo, por esta razão e por esta cristandade, segurará o reino da terra e mais o do céu, porque Deus, que é o supremo senhor do céu e da terra, nesta vida o estabelecerá no reino da terra, pela firmeza da graça, e na outra vida o perpetuará no reino do céu, pela eternidade da glória.

terça-feira, outubro 05, 2010

Tiririca é um palhaço. E qual é tua desculpa, Gabriel Chalita?

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Seguido ao palhaço Tiririca, o "católico" Gabriel Chalita foi o 2o. deputado federal mais votado no estado de São Paulo.

Se Tiririca ganhou sendo palhaço, Chalita tentou ganhar sendo sério, e católico sério! Se o primeiro teve sucesso, Chalita naufragou exatamente por causa de suas piadas de mau gosto, tais como esta:
"A crítica é boa quando baseada em fatos. Mas essa tentativa de desconstruir pessoas com boatos é muito ruim. Dilma nunca disse ser a favor do aborto."
Se Tiririca arranca risadas ao mostrar o fundo do poço da política nacional, Chalita só traz lágrimas aos olhos de muitos católicos que vêem um homem que poderia ser um bom líder aceitar perverter os princípios católicos por um punhado de votos e talvez por algum cargo em um eventual governo Dilma.

Negar que Dilma seja a favor do aborto é como negar a Lei da Gravidade. Só os palhaços aceitariam fazer tal coisa… Tiririca teria desculpa pronta para tanto, mas e Chalita?

Como trouxe o blogueiro Wagner Moura, eis uma fala recente da fantoche Dilma Rousseff:
"Não haver descriminalização do aborto, no Brasil, é um absurdo!"
Esta é a palavra de Dilma e qualquer coisa além disto é palhaçada de quem quer manipular.

Chalita não concorda com desconstruções baseadas em boatos. Concordo com ele. E será que ele concorda comigo sobre desconstruções baseadas em fatos? Se Dilma acha que é um absurdo que o aborto não seja descriminalizado, contra o aborto é que ela não é. Se não é contra, só pode ser a favor.

A um palhaço como Tiririca, este fato deve bastar. A outros palhaços, pode ser que não... Afinal, há palhaços e palhaços, não é mesmo?

Tão triste quanto ver um católico de fachada, daqueles que deixam de lado os ensinamentos da Igreja pelo canto de sereia do mundo, é ver um palhaço que queira ser levado a sério.

sábado, outubro 02, 2010

Para a feminista Marta Suplicy, pancada de esquerdista não dói

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Não é só o cristianismo de fachada de muita gente que mostra a verdadeira cara em época de eleições. Cristão que vota em abortista é gente que dá uma ajuda e tanto a Satanás ao mostrar uma indiferença ímpar em relação ao destino de bebês não-nascidos.

Mas uma coisa que fica claro a todo mundo é como esquerdistas não têm qualquer pudor quando o assunto é angariar votos e enganar a população.

Se aqui no Rio temos Alessandro Molon, candidato a deputado federal, que adora panfletar em saídas de Missa, mas que não sai do PT, o partido mais abortista do Brasil, em São Paulo temos Marta Suplicy e Netinho.

Se Netinho, Tiririca e outros tipos bizarros demonstram o deserto que se tornou nossa cena política, Marta Suplicy, símbolo do feminismo brasileiro, ao aceitar numa boa fazer campanha ao lado de um cara que batia na mulher, fica demonstrado a quem tem olhos e quer enxergar a terra devastada que é o feminismo/abortismo.

A única bandeira que resta às feministas é o abortismo puro e simples. "Violência contra as mulheres"? Ora, o pós-feminismo suplyciano deixa bem claro que isto é coisa do passado. O importante é arrumar uns votinhos entre um pastel e outro com o peso-pesado Netinho.

"Lei Maria da Penha"? Que nada! Vale mais sambar ao som do pagode "Chave-de-Braço da Paixão". O que vale mesmo é enganar a população, mesmo que seja desafinando. Esta é a história do esquerdismo, não é mesmo? Molon, Suplicy, Netinho, Frei Betto, etc., são todos farinha do mesmo saco.

O surpreendente é que na aliança entre Netinho Vale-Tudo e a botoxizada Marta Suplicy seja esta última que tenha que esquecer suas lutas. Bem, na verdade o que fica bem nítido é que a luta contra a violência era apenas uma fachada, que caiu ao primeiro sopro de Netinho Lobo Mau.

Ele permaneceu o mesmo, já Dona Marta mostrou que ou não tem princípios ou nem está aí quando o assunto é enganar. O errado deve mesmo ser eu, que estou esperando coerência de abortista.

Mal posso esperar para vê-la na tribuna do Senado defendendo mais empenho contra a violência direcionada às mulheres e seu companheiro Netinho aplaudindo, com aquele sorrisão no rosto, pois sabe bem do que ela está falando. Bem mesmo!

E seus eleitores em casa, todos com cara de pastel.


sexta-feira, setembro 24, 2010

Resposta a um eleitor de Marina Silva

2 comentários ###


Um eleitor de Marina Silva escreveu um comentário sobre um post que escrevi há mais de 1 ano: "Marina Silva, o PT e o aborto: mais do mesmo".

Eis o comentário, exatamente como aqui chegou:

"CAríssimo,
gostaria de colocar aqui que embora Marina pareça "em cima do muro"!,Serra e Dilma são a favor da lei sem reformas em seu texto e isso para mim é pior do que o "não julgo quem o faz" de Marina, até porque ela segue algo que o próprio Jesus no ensina. Acredito nela como nossa futura presidente. Espero que esse comentário não fiqeue censurado pelo moderador do blog."

Eis a minha resposta:
"Meu caro anônimo:

Sinceramente? Você vai muito enganado ao utilizar as palavras de Nosso Senhor para justificar uma atitude omissa da candidata Marina. O teu "não julgar" levaria a sociedade a não prender assassinos, seqüestradores, ladrões, corruptos, etc.

É este teu modelo de sociedade? Você acha mesmo que era isto que Nosso Senhor tinham em mente ao nos dar este ensinamento? Creio que você deve meditar um pouco mais sobre o trecho em vez de utilizá-lo de forma tão leviana para tentar justificar a omissão da candidata Marina Silva sobre a questão do aborto.

Se o aborto é errado para Marina, por que ela não tem a coragem de ser contra ele de peito aberto? Ou será que ela aceita reverter seus princípios em uma causa fundamental como o direito à vida se uma maioria assim impuser? Isto é lá atitude de uma cristã?

Marina, Serra ou Dilma? Não confio em nenhum dos três! Seja pelo histórico, pelo abortismo declarado ou pela omissão.

[]'s "

***

Não tenho a menor idéia de a qual interesses Marina Silva quer agradar ao se dizer favorável a um plebiscito sobre o aborto. Se o aborto é errado para ela, a última coisa que ela deveria fazer é aceitar que uma maioria lhe imponha que isto é aceitável.

Não estamos falando de escolha de sistema de governo, de desarmamento ou da criação de novos estados, etc. Estamos falando de vidas humanas! Vidas que poderiam ser, segunda o desejo da candidata Marina Silva, eliminadas caso a maioria fosse favorável ao aborto.

E o que ela diria diante dos corpos de crianças trucidadas após uma eventual vitória do abortismo? "É, perdemos o plebiscito e agora vocês têm que pagar com a própria vida!"

Isto é omissão, pura e simples. Cristão digno de suas raízes não aceita negociar a vida humana!

Tampouco sei se as pessoas são ou se fazem de ingênuas sobre plebiscito. Já esqueceram o que aconteceu em Portugal? Lá foram tentados vários plebiscitos até que o aborto fosse liberado. Tornou-se simples tática para ir aos poucos flexibilizando a questão do aborto junto à população. Deu no que deu.

E que fique claro:

-- Não confio em Dilma porque é membro de um partido abortista e serviu/serve a um governo que alavancou o abortismo mais do que nenhum outro;

-- Não confio em Serra porque seu histórico como ministro mostrou a todos que ele, quando chegou a hora da decisão, deu de ombros em relação à vida de crianças não nascidas. Até que se arrependa publicamente, é minha opção -- e acho a mais aceitável -- não aceitar suas atuais afirmações, que para mim não passam de retórica de campanha;

-- Não confio em Marina Silva porque acho a omissão sobre uma matéria importante como o aborto tão grave quanto o abortismo em si. Se ela se diz contra o aborto, mais um motivo para não aceitar que seu princípio seja posto em votação. Este é o método de Pilatos, não de Nosso Senhor Jesus Cristo.


sexta-feira, setembro 17, 2010

O (triste) resultado das eleições

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Eleições são tempos complicados. Para os católicos, mais ainda, pois é difícil achar entre os participantes deste circo de horrores alguém que valha o voto. Aliás, já é complicado mesmo acharmos que voto valha alguma coisa... Mas isto é outra história.

O que mais me incomoda mesmo é que para os católicos brasileiros as eleições vêm se tornando ocasiões para pecar ou, para dizer o mínimo, uma oportunidade de muitos mostrarem a fraqueza de seus princípios católicos.

Vem à minha mente o Plebiscito do Desarmamento, pois este é um exemplo claro do quanto nós, católicos, nos deixamos levar por forças outras que não as que vêm do Céu.

Quantos foram os padres, bispos e leigos "engajados" que aderiram à tristemente famosa campanha pelo desarmamento? Quantos de nós que não caímos no canto da sereia não ouvimos palavras acusatórias de que nós desejávamos na verdade um mundo mais violento? Quantos foram os que se iludiram, achando mesmo que o plebiscito era como uma prova sobre quem era bonzinho ou mauzão?

Em ambientes católicos, dizer-se contrário ao desarmamento compulsório equivalia quase a um "desbatismo", quase uma excomunhão. Um verdadeiro absurdo! Este é o resultado quando colocamos nossa fé em coisa à parte de Deus... Cai-se no absurdo de achar que eleição é um pseudo-sacramento que nos levará a um pseudo-Paraíso.

Não leva. Nunca levou. Nunca levará.

Assim como o Carnaval tornou-se de uma simples festa popular em um dragão demoníaco criando hiatos morais na vida de muitos, parece que nas eleições vai o mesmo acontecendo, já que há muitos eleitores católicos que acham que podem guardar o seu catolicismo no armário enquanto militam pelo partido ou por um candidato.

É uma gente parecida com o próprio presidente Lula, que acredita que pode comungar um dia e, no outro, distribuir preservativos. Nao é à tôa que ele acha que pode ser católico e permitir que o abortismo avance em seu governo.

O problema de Lula é o problema de muitos: achar que o catolicismo é um botão liga/desliga, que é acionado quando conveniente. Ainda não entenderam que se É católico e não simplesmente se ESTÁ católico. É uma identidade divina e não um simples estado humano.

Muitos católicos, advertidos de que não se pode ser bom católico e comunista (ou o termo mais abrangente: "esquerdista"), segundo as palavras mesmo de um Papa, dão de ombros, guardam o glorioso estandarte católico na gaveta e saem por aí empunhando uma bandeira vermelha qualquer.

Talvez não saibam que o esquerdismo é responsável direto pela morte de milhares de católicos... Ou talvez dêem de ombros para o testemunho do sangue de mártires.

Mas o mais chocante atualmente é que o desespero e o deserto de nossa cena política vem dando margem para atitudes altamente questionáveis, vindas mesmo de quem jamais imaginaríamos.

Foi com extrema surpresa que soube que o querido Pe. Lodi, o maior profeta Pró-Vida do Brasil, teceu comentários atenuantes sobre José Serra, que quando ministro assinou Norma Técnica abrindo as portas dos hospitais públicos para o erroneamente chamado "Aborto Legal".

Em seu blog, o bom padre assim escreveu:
"Entre os debatedores, o único pertencente a um partido não abortista foi José Serra (PSDB). Manifestou-se contra o aborto, não concordou com um plebiscito sobre o tema e achou conveniente a não erotização dos jovens como meio de combater a AIDS. Serra tem, porém, contra si o fato de ter assinado em novembro de 1998, quando era Ministro da Saúde, uma Norma Técnica que introduziu a prática do aborto em nível federal nos hospital públicos. Embora não se possa desculpar essa atitude, ela encontra os seguintes atenuantes:

1. Serra não foi autor da Norma Técnica abortista. Ele já a encontrou em sua mesa, quando tomou posse em lugar de seu antecessor Carlos Albuquerque.

2. Ele foi enganado, como boa parte da população, pela farsa de que existe algum caso de aborto "legal" no direito brasileiro, e que em tais casos o Estado teria o dever de financiá-lo.

3. Como senador da República e como Ministro da Saúde, ele nunca foi um militante pró-aborto.

Serra está longe de ser o candidato ideal. Mas neste cenário sombrio pelo qual passamos, ele parece ser o único capaz de evitar - Deus nos livre - a vitória de Dilma Rousseff neste país."
Li e reli a mensagem de Pe. Lodi para acreditar no que eu estava lendo. A única saída possível para um texto assim é que ele se sinta desesperado. E é lamentável que este desespero esteja sendo utilizado já por gente para pintar José Serra como a única alternativa de voto católico.

Serra é alternativa coisa nenhuma, sinto dizer. Se podemos dizer que o PSDB não tem em seus estatutos o abortismo que existe no PT, também podemos dizer que entre Serra e Dilma quem mais contribuiu CONCRETAMENTE para o abortismo até o momento foi José Serra e sua Norma Técnica favorável ao aborto de crianças concebidas em estupros.

Se Serra nunca foi militante pró-aborto, o mesmo se pode dizer de Dilma, se entendermos que militância significa uma real proximidade à causa abortista. Já se entendermos que militante abortista é aquele que contribui para a causa de alguma forma -- e é desta maneira que eu entendo --, tanto Serra, quanto Dilma, quanto Lula, todos são militantes abortistas e, sobre este assunto ao menos, são sim farinha do mesmo saco.

Serra não ser o autor da Norma Técnica é coisa que tem bem pouco valor na discussão. O que importa mesmo é que ele a assinou. É mais inocente aquele que a produziu que aquele que a colocou em prática, exatamente o papel de Serra.

Acho também muito difícil sustentar que Serra tenha sido enganado sobre um assunto como o "Aborto Legal". Acaso ele não sabe ler? Aliás, é digno de ser presidente alguém que se deixa enganar de tal forma em um assunto que mexe diretamente com vidas humanas?

A verdade mesmo é que o PSDB, apesar de não ter o abortismo impresso em seus estatudos, o tem presente em seu sangue. E principalmente o PSDB paulista! O trecho abaixo mostra bem isto.
"Em 1996 tramitava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados o PL 20/91 que, a título de regulamentar os abortos nos casos de estupro e risco de vida da mãe, abria a possibilidade de aborto em qualquer situação a pedido da gestante. Nos casos de estupro o aborto seria realizado mediante uma simples declaração da mulher de que fora estuprada e que seu filho era fruto de estupro. Designado relator, o deputado Hélio Bicudo, PT/SP, apresentou um substitutivo pelo qual o Estado assumiria as crianças geradas de um estupro. Hélio Bicudo foi substituído na relatoria pela deputada Zulaiê Cobra. Quando da votação (20.08.1997) Hélio Bicudo, presente na decisiva sessão que aprovaria o PL 20/91 na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, fez um grande discurso em defesa da vida. No entanto, na hora da votação, quando seu nome foi chamado para votação nominal, não estava presente. Era membro substituto daquela Comissão e os titulares estavam presentes. Entretanto, ausentando-se o membro permanente foi chamado um outro deputado do PT (no caso Marta Suplicy), também suplente, para votar. Como a votação empatou (23 x 23 votos) a Relatora deputada Zulaiê Cobra, do PSDB, desempatou pela aprovação do projeto. Teria o deputado Hélio Bicudo se ausentado porque era suplente e os titulares estavam presentes, ou foi “aconselhado “ a se ausentar para que outro seu companheiro de partido, favorável ao aborto, desse seu voto a favor do projeto? Por que o deputado Helio Bicudo foi substituído pela Deputada Zulaiê Cobra, na Relatoria do PL 20/91? Fica a interrogação." [original]
A Deputada Zulaiê Cobra era do PSDB paulista! E foi ela que foi escolhida para substituir Helio Bicudo, um petista conhecido por ser contrário ao aborto! Moral da história: um petista contrário ao aborto será sempre substituído quando necessário e quem o pode substituir é até mesmo um tucano!

Muito difícil imaginar que Serra, sempre envolvido em grandes questões nacionais, fosse enganado sobre um assunto como este. Ele se diz contra o aborto, mas quando estava com a caneta na mão no momento que importava resolveu trocar de lado? E querem que eu acredite que ele foi enganado?

Reservo-me o direito de não acreditar neste Conto da Carochinha até que ele próprio venha a público dizer que errou e que vai reverter o mal que causou sua canetada de ministro. Até lá, para mim ao menos, suas palavras são simples retórica de campanha. Não lhe devo voto de confiança exatamente porque ele já o traiu a priori.

Há também os que argumentam que o aborto tem que ser encarado como uma questão entre outras, que o que está em jogo é algo maior. Na minha opinião erra muito quem pensa assim, pois o aborto não é UMA simples questão entre outras, o aborto é A questão. Todas as outras questões vêm depois do Direito à Vida. Economia, Política, Liberdades Individuais, etc., tudo isto vem após nosso Direito à Vida ser preservado, e se todos tivessem consciência deste direito o abortismo seria o equivalente a um suicídio político para seus militantes.

Uma das coisas que mais fortalece o abortismo é exatamente nos deixarmos levar pelo papo de que o aborto é uma questão dentre outras. Foi exatamente este discurso que impulsionou o voto de católicos dissidentes ao presidente dos EUA, Barack Obama, o mais radical abortista que já chegou à presidência por lá. Cá entre nós o mesmo discurso vai fazendo estragos junto aos católicos, lamentavelmente.

Ao final o que temos é que mais uma eleição vem e passará deixando atrás de si uma confusão dos diabos (literalmente...) entre os católicos. É gente que não aprende o que já foi dito pelo Papa Bento XVI: a defesa da vida é um valor inegociável! É gente que não aprende com a palavra do Papa Pio XI, que não se pode ser bom católico e socialista ao mesmo tempo. É uma gente, enfim, que acha mesmo que pode ser católico só às vezes e que tudo vai bem assim.

Infelizmente no meio de toda esta confusão entre os católicos, e que fica mais nítida a cada eleição, há gente que acha boa alternativa pular da frigideira ardente para o caldeirão fervente.

Mil desculpas, mas eu não me iludo com isto.

domingo, julho 25, 2010

Católico que vota em abortista não é eleitor, é cúmplice

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Recomendo a leitura de duas postagens do excelente blog "En Garde", editado por Taiguara Fernandes e Mateus Mota.

Na primeira, é mostrado como o discurso de José Serra sobre o aborto é mutante conforme a situação. Quando Ministro da Saúde do governo FHC, ele foi responsável pela edição da tristemente famosa Norma Técnica que permitiu que o aborto em gravidez motivada por estupro.

O mesmo Serra que hoje se diz contrário ao aborto foi o mesmo que no passado recente ajudou a difundir Brasil afora a falsa idéia de "aborto legal", uma contradição em termos, pois o aborto no Brasil permanece ilegal.

Eis um pequeno trecho:
"Para aqueles que não sabem, o abortismo não é particularidade da Dilma e do PT: o grupo pessedebista de FHC-Serra, formado também nas esteiras do comunismo, guarda largas simpatias com o abortismo e já tomou atitudes concretas em prol da bandeira, como a Norma Técnica do Aborto, aprovada pelo então Ministro da Saúde, José Serra." (destaque no original)
Já na segunda postagem, o blogueiro desmonta as promessas da candidata do PT, Dilma Roussef, que agora se diz contrária ao aborto. Seu partido, embora tenha recentemente recuado e retirado do PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos) referências ao aborto, voltou com nova carga favorável ao aborto, fato que foi praticamente ignorado pela grande mídia.

Assim relata o blogueiro do "En Garde":
"O tal Consenso de Brasília - o Consenso do Aborto - foi assinado pelo Governo Lula e propõe a todos os países da América Latina que revisem suas leis proibitivas ao aborto, visando a sua legalização geral e irrestrita. Foi aprovado no último dia 16 de julho, por ocasião da conclusão da XIª Conferencia Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, realizada em Brasília entre os dias 12 e 16 de julho, promovida pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU) em conjunto com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Lula." (destaque no original)
Enquanto Dilma percorre o Brasil enganando líderes religiosos com um discurso falso sobre o aborto, a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, fala oficialmente pelo governo petista e confirma suas intenções abortistas.

E é exatamente por isto que o blogueiro desabafa ao final de sua postagem:
"Mais que burro e estúpido, quem acredita e vota no PT é cúmplice de suas práticas criminosas e será cúmplice do assassínio de crianças se este Partido da Morte - que Deus nos livre - conseguir aprovar o aborto no Brasil. Pronto, falei." (destaque no original)

Concordo!

quinta-feira, julho 22, 2010

Mais D. Bergonzini sobre o aborto e o PT (e não adianta apagar, CNBB!)

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Como parece que a CNBB agora está com o péssimo hábito de retirar de seu site artigos que não se encaixam no ideário que por lá dá as cartas, achei por bem reproduzir abaixo um outro artigo de D. Luiz Gonzaga Bergonzini sobre o aborto e o PT, o partido do aborto, e que foi publicado originalmente na Folha Diocesana, jornal da Diocese de Guarulhos e que consta no site da CNBB Regional Sul I.

Dom Bergonzini, ao contrário de alguns de seus irmãos no episcopado nacional, não tem papas na língua para denunciar o abortismo do PT ou de outros candidatos. E nem adianta a CNBB retirar ou censurar artigos dos bispos, pois o que não vai faltar é blog para publicar artigos como o abaixo.





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O PT e o Aborto

No site do PT (http://www.pt.org.br/site/secretarias) pode-se ler a moção apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres e aprovada pela maioria dos delegados e delegadas do 13° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (08-05-06).

Se é justo que todos tenhamos um “posicionamento firme contra todas as injustiças e discriminações a que estão submetidas às mulheres na sociedade”, o que corresponde também às exigências de justiça do Evangelho, fazer disso um pretexto para levantar a bandeira da descriminalização do aborto é absurdo, incoerente e não corresponde à realidade.

Absurdo, porque, em nome da defesa da vida das mulheres que morrem por causa do aborto clandestino, se esquece completamente que o feto e o embrião, sacrificados no aborto, são também indivíduos humanos merecedores de todo o nosso respeito a começar pelo respeito à vida. Todas as vidas têm igual valor. Não existem vidas mais dignas e menos dignas. Aceitar esta distinção seria aceitar uma tremenda discriminação, contra a qual justamente o movimento feminista se insurge.


Incoerente, por dois motivos. O primeiro: pelo fato que fetos e embriões são também homens e mulheres já sexualmente definidos e a metade dos fetos e embriões abortados são de mulheres. Daí a incoerência desta moção que em nome do feminismo vai contra as próprias mulheres, a não ser que segundo as feministas, mulher é só quem seja adulta e sexualmente ativa, introduzindo assim uma discriminação a mais, que elas dizem combater. Segundo motivo: em nome da liberdade de decisão da mulher prejudica-se as próprias mulheres que praticam o aborto. O aborto, mesmo em caso de violência sexual e praticado nas melhores condições de assistência médica, é sempre prejudicial para a saúde psíquica da mulher, constituindo-se numa derrota de sua auto-estima, e ela carregará este trauma pelo resto da vida. Estatísticas de atestados de óbito mostram como, dentro do prazo de um ano do parto ou do aborto provocado, o número de suicídios das mulheres que provocaram o aborto é sete vezes maior do que o número de suicídios de mulheres que deram à luz. Que ajuda é esta que as feministas querem dar às mulheres, quando a própria psiquiatria moderna, alemã e italiana, aconselha para o bem estar psíquico da mulher a não interromper a gravidez, mesmo em caso de violência sexual?


Não corresponde à verdade. De fato se fala de milhares de mulheres que morrem em conseqüência do aborto mal feito, quando o Ministério da Saúde registrou nos últimos anos uma diminuição constante destas mortes, de 198 em 1995 descendo para 115 em 2002 [Nota do Blog: Na verdade, este número é ainda menor, o que pode ser visto aqui]. Não é verdade que a descriminalização do aborto é causa direta da diminuição das mortes maternas. Causa direta desta diminuição é a assistência à gravidez ao parto e ao puerpério. De fato, Chile, Costa Rica e Uruguai, onde o aborto é proibido, tem uma mortalidade materna inferior à de Cuba, onde morrem 33 mulheres a cada 100.000 nascidos vivos e onde o aborto é legalizado há mais de trinta anos. Assim também Portugal, Irlanda e Polônia, onde o aborto é proibido, tem mortalidade materna inferior à dos EUA e da Inglaterra, onde o aborto é legalizado há muitos anos.


Mas a parte pior da moção em questão é que se exige que os parlamentares do PT (ao todo 14), que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto, retirem seu nome desse movimento. Aí aparece o rosto autoritário do PT, que respeita a liberdade de consciência quando esta não vai contra os planos do partido (pode-se votar contra o aborto quando o voto não muda os projetos do partido mas nunca quando este voto poderia prejudicar os planos partidários). De fato, nenhum membro do PT ousou apresentar, até hoje, um projeto de lei que proíba o aborto ou que fortaleça a família. Concluindo, fazemos nossas as considerações que apareceram num estudo publicado em 2002 no site do Providafamília de Brasília: abortistas encontramos em todos os partidos da direita e da esquerda... A diferença é que os demais partidos têm abortistas, enquanto o PT é abortista. Sendo esta a posição do PT, é bom lembrar a recomendação do Apocalipse aos cristãos que moravam em Babilônia (ou seja em Roma): “Saí dela (no nosso caso dele), ó meu povo, para que não sejais cúmplices dos seus pecados (no nosso caso do desrespeito à vida e aos direitos humanos fundamentais, entre os quais o respeito à liberdade de consciência)” (Ap 18,4).


Fazemos votos que, em se tratando de uma moção, a direção do partido corrija os absurdos nela contidos e, de qualquer forma, parabenizamos os 14 deputados petistas, que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Contra o Aborto, pela sua coerência e coragem.


Dom Luiz Gonzaga Bergonzin

Bispo Diocesano de Guarulhos, SP


sexta-feira, julho 02, 2010

Muitos aplausos e uma correção necessária

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Só tenho aplausos para o texto que D. Aloísio Roque Oppermann, bispo de Uberada, publicou no site da CNBB sobre a questão do aborto. Dando nome aos bois -- Lula, Dilma, Temporão -- e falando o que muitos evitam falar às claras -- "O presidente Lula (...) é decididamente a favor do aborto" --, o texto é um exemplo de como deve se portar a hierarquia da Igreja frente ao processo eleitoral brasileiro e frente às forças da Cultura da Morte que envolvem nossa sociedade.

Não escreveu o prelado sobre em quem devemos ou não votar, limitando-se a dizer as verdades com a única intenção de alertar aos fiéis sobre os lobos que continuam, ano após ano, misturados às ovelhas. E muitas vezes com o assentimento de muitos pastores, mas isto é outra história...

Fez muito bem também o bom bispo em denunciar a nova investida capitaneada pela Rede Globo de Televisão para alavancar a agenda abortista em ano de eleição. Tudo, claro, sob o mantra criado por ONGs abortistas, de que o aborto seria um problema de Saúde Pública.

E é neste ponto que até mesmo o texto de D. Aloísio se equivoca. Eis o trecho em que o número do abortos no Brasil é referido:
"É bom saber que existe muita manipulação de estatísticas, ao se falar sobre a taxa anual de abortos. Sobretudo são falsas as notícias sobre o número de mulheres mortas em decorrência de “abortos inseguros”. Segundo informações do DATASUS (2006), o número de mortes maternas em decorrência dessa prática, nunca passou de 163 por ano.(Ver “Faça alguma coisa pela vida” N. 96) Por isso diz-se falsamente que a legalização, “evitaria milhões de mortes maternas”. "
Na verdade, o número de mortes maternas em decorrência de tentativas de aborto anuais fica bem longe até mesmo do número divulgado pelo bispo e que pode ser conferido no site do DATASUS. O máximo que este número já alcançou anualmente é de 22 mortes, que ocorreram em 2005.

O número que provavelmente confundiu até mesmo D. Aloísio é o somatório de mortes maternas devidas a fatores variados, tais como gravidez ectópica, abortos espontâneos, etc. Um destes fatores é exatamente a morte materna devido a uma tentativa de aborto. Estes números podem ser vistos no quadro abaixo (clicar para expandir) e em textos já publicados neste blog (
aqui e aqui).


Evidentemente que este erro não tira a importância do texto de D. Aloísio Roque Oppermann, mais ainda por ele ter sido publicado no site da CNBB, um espaço que há muito vem sendo ocupado para coisas que mais confundem que ajudam os fiéis que ali buscam orientação.

Neste ambiente, ver um bispo dizendo com todas as letras que Lula e sua fantoche Dilma são favoráveis ao aborto é muitíssimo bem-vindo.

Parabéns D. Aloísio!

sábado, agosto 29, 2009

Marina Silva, PT e o aborto: mais do mesmo

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Recentemente, um amigo perguntou-me sobre o que eu achava da candidatura da senadora Marina Silva à presidência. O meu curto e rápido "Acho péssimo!" creio que o pegou de surpresa. "Mas ela é uma Pró-Vida, William!", replicou meu amigo.

É aqui que as coisas começam a complicar... A defesa da vida não admite nuances, não admite "mas", "no entanto" e outras saídas estratégicas. Se fulano diz-se pró-vida MAS admite o aborto em alguma circunstância, não podemos admiti-lo como verdadeiro pró-vida.

Marina Silva foi uma petista referência, era reconhecida como uma das reservas éticas do PT -- se é que se pode falar de ética e PT na mesma frase. Admitindo-se que Marina Silva seja uma real defensora da vida, o que então ela fazia no meio de toda aquela turma da pesada? Quais foram as brigas que ela comprou para levar a causa pró-vida à frente? Será que ela veio à público -- e olhem que a mídia simplesmente a ADORA! -- para posicionar-se firmemente contra as resoluções petistas que levaram o partido a alavancar a busca pela legalização do aborto no Brasil? Não tive conhecimento de nada disto...

Ou seja, Marina Silva é uma líder internacionalmente reconhecida por suas posições preservacionistas, foi Ministra de Estado, é Senadora da República, e, mesmo assim, jamais pudemos ver algo de relevante que ela tenha feito pela causa pró-vida?

Admiro que ela tenha a coragem de se dizer defensora da vida, mas por que é que ela não dá a prioridade que isto deve ter? Por que, afinal, ela jamais se incomodou com a opção pela Cultura da Morte que o partido que ela tão dramaticamente relutou em deixar sempre fez?

A ex-ministra, atualmente sem partido, deu uma entrevista à revista Veja na qual podemos ver o que vai em sua cabeça. E, após ler suas respostas às perguntas que lhe foram dirigidas, posso afirmar com mais convicção ainda: Marina Silva, se eleita presidente, será péssimo.

Primeiramente, é bom que atentemos para os motivos que finalmente causaram a saída da senadora do PT. Eis o trecho em que tal assunto foi abordado:

Veja - A crise moral que se abateu sobre o PT durante o governo Lula pesou na decisão?
Marina Silva - Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria. Saí do PT, repito, por falta de atenção ao tema da sustentabilidade.
Ou seja, a senadora assistiu de camarote ao espetáculo anti-ético do (des)governo petista e isto a incomodou bem pouco. E ela, que é apontada pela mídia como um baluarte da ética esquerdista, se sai com a mesma desculpa para os métodos criminosos de seus agora antigos correlegionários: as faltas gravíssimas (não são apenas graves...) "estão sendo corrigidas e investigadas".

Tal desculpa poderia ser colocada na boca de Tarso Genro, de José Dirceu ou de Delúbio Soares e ninguém sentiria qualquer diferença.


Causa-me uma profunda estranheza uma pessoa que é apontada como exemplo ético dizer que "Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido", como se tais "tropeços" fossem coisa de pouca monta. As acusações são gravíssimas: compra de votos, quebra de sigilo bancário, etc. E são essas acusações que para a senadora não têm peso algum quando comparados ao tema sustentabilidade?


Daqui a pouco podemos imaginar que, para a senadora, tudo bem comprar votos, tudo bem quebrar sigilo bancário de caseiros, tudo bem carregar dólares nas cuecas, etc. Isto tudo vai muito bem, desde que as matas sejam preservadas? É isto mesmo?
A mim me parece que, para quem é retratada como um símbolo ético da esquerda, a ex-ministra carece de uma profunda falta de prioridades ou mesmo de inversão de valores

E agora vem a parte na qual a senadora tratou diretamente da questão do aborto.


Veja - A senhora é contra todo tipo de aborto, mesmo os previstos em lei, como em casos de estupro?

Marina Silva
- Não julgo quem o faz. Quando uma mulher recorre ao aborto, está em um momento de dor, sofrimento e desamparo. Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé. Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem. Acho apenas que qualquer mudança nessa legislação, por envolver questões éticas e morais, deveria ser objeto de um plebiscito.
Do ponto de vista pró-vida, esta curta resposta da senadora é um desastre completo.

No início de sua resposta, a senadora já cai em uma prática que é comum a muitos políticos ao lidarem com a espinhosa questão do aborto na mídia. Ao responder "Não julgo quem o faz", a ex-ministra não apenas já começa colocando-se na defensiva, como acaba mascarando a questão de que o que se julga são as atitudes.

E Marina Silva vai muito errada ao pensar genericamente que todas as mulheres que recorrem ao aborto estão passando por momentos de "dor, sofrimento e desamparo". A ex-ministra deveria parar um pouco de olhar para a mata e ver o que acontece entre os militantes abortistas, os mesmos militantes que infestaram seu ex-partido; devia tentar ter um pouco de contato que seja com a realidade de um movimento que escondendo-se sob o manto de defesa das mulheres mais humildes -- uma mentira deslavada que só serve para enganar os incautos --, quer na verdade é servir a interesses internacionais para a liberação pura e simples do aborto.

A depravação jocosa de tal militância abortista é tamanha que chegam ao cúmulo de lançar peças de vestuário com slogans abortistas. Ou seja, a senadora deveria procurar se informar mais sobre o assunto antes de ficar papagaindo frases feitas divulgadas pela militância abortista.

Em seguida, em sua péssima resposta, a senadora repetiu uma frase que já ouvimos praticamente igual da boca do presidente Lula: "Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé.". Parece que esta é a senha petista -- e, pelo jeito, ex-petista também -- para logo em seguida jogar uma bomba: "Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem.".

Este é praticamente o mesmo método utilizado por Lula para lidar com a questão do aborto. Começa dizendo-se pessoalmente contrário à cruel prática e acaba lavando as mãos com a desculpa que tem que cumprir a lei.

Todos sabemos bem a importância que tem Lula dizer-se pessoalmente contra o aborto: NENHUMA! Ao dizer-se pessoalmente contrário ao aborto, Lula apenas quer passar uma idéia de que ele é íntegro nesta questão. Só que o avanço que a busca pela legalização do aborto teve em seu governo demonstra claramente que Lula declara-se contrário ao aborto apenas para confundir aos desavisados. Este fato já foi abordado aqui neste blog mais de uma vez.

Voltando a Marina Silva, é de surpreender sua pouca disposição na defesa da vida. Nos EUA, todos políticos que realmente são pró-vida sabem que há a necessidade de mudança da legislação que abriu as portas para a legalização do aborto. Lá não existe isto de se dizer defensor da vida e abaixar a cabeça para uma legislação que promove a morte.

De um político, de um legislador que queira assumir a luta pró-vida, espera-se que ele ou ela tenha disposição para tentar modificar a legislação de forma que a vida seja preservada desde a concepção até seu fim natural. Se é para ficar no imobilismo bovino de que a lei existente deve ser cumprida, o legislador serve à causa bem pouco.

A defesa da vida exige radicalidade e seria muito bom que os políticos tivessem a coragem de assumir tal radicalidade, pois a população brasileira é esmagadoramente contrária ao aborto. Por que, então, tal falta de disposição para a boa luta?

O que fica claro quando lemos a péssima resposta da senadora é que ela, quando o assunto é defesa da vida, fala como uma petista da estirpe de Lula, e isto, para o movimento Pró-Vida é péssimo, é desastroso. De que nos adiantaria outro presidente "pessoalmente" contrário ao aborto, se isto de nada vale tanto para buscar modificar a legislação existente quando para evitar favorecer os avanços da Cultura da Morte?

Quando o assunto é aborto, não precisamos de outro Lula, que teve a cara-de-pau de escrever a bispos reiterando seus "princípios cristãos" enquanto seus comandados atuam com todas as forças pela liberação do aborto.

Por fim, a senadora fala de um plebiscito sobre a questão do aborto. E ela diz que isto deveria ser assim por se tratar de uma questão que envolve ética e moral.

Isto é mais um indício de que Marina Silva está lidando com o tema com extrema ligeireza. É exatamente por ser uma questão que envolve ética e moral que isto não deveria ser tratado em plebiscito. Se determinada coisa é imoral e aética, como é o aborto, não é a vontade da maioria que mudará estes seus péssimos atributos. Não se estará decidindo a forma de governo ou o porte de armas, estaremos decidindo o direito de seres humanos viverem.

A ex-ministra deveria saber bem que moralidade não é assunto para votação popular, mas parece já ser um cacoete esquerdista sul-americano lançar plebiscitos para mascarar o mal de certas ações.

Resumindo, a resposta da senadora Marina Silva foi péssima em todos os sentidos e não consigo ver como uma pessoa que só repete a enganadora fórmula já usada com sucesso por Lula possa contribuir significativamente para a defesa da vida.

terça-feira, setembro 23, 2008

Brasil ... sem aborto?

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Nos últimos meses o movimento Pró-Vida no Brasil sofreu graves golpes. A liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias foi o primeiro passo. O julgamento da constitucionalidade do aborto de fetos anencéfalos será o próximo. Não necessitamos de muita imaginação para saber o que virá pela frente.

Mas, afinal, o que há com o movimento Pró-Vida no Brasil? Há pesquisas que mostram a ampla rejeição do aborto no Brasil, e, no entanto, vemos os movimentos abortistas cada vez mais e mais ousados, atropelando a vontade do povo. O drama torna-se maior ainda porque nosso ordenamento jurídico protege a vida desde a concepção. O que acontece, então?


A denúncia que segue abaixo, escrita pelo Dr. Celso Galli Coimbra, responsável pelo excelente site Biodireito-Medicina e um dos quadros Pró-Vida mais bem preparados, traz um pouco de luz sobre o que vem acontecendo no meio Pró-Vida e que é desconhecido da maioria.


Há os que chamam Dr. Celso de agressivo, de criador de divisões, de autoritário... Há os que admiram sua capacidade combativa em prol da vida, sua prontidão e disposição contra forças que não têm limites em buscar seus objetivos, há os que
principalmente admiram sua capacidade jurídica. Incluo-me entre seus admiradores.

Há anos Dr. Celso vem alertando sobre a infiltração de petistas nos movimentos Pró-Vida. Atualmente, ficamos assim: o PT é o maior promotor da liberação do aborto no Brasil e, para completar, muitos de seus militantes integram movimentos Pró-Vida. Ou seja, o PT promove a doença e promete o remédio.


Desnecessário que eu me alongue mais. Segue a mensagem-denúncia.


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"Brasil Sem Aborto" diz, em outubro de 2006, para proteger a candidatura de Lula: "Não se pode colocar uma questão pontual como o aborto acima de todo um projeto de governo" (o projeto de governo de lula).

***
Desde 1992, o Brasil é signatário da Convenção Americana de Direitos Humanos,
que protege a vida humana desde a concepção expressamente.
Isto significa, inclusive, que direito à vida desde a concepção
não depende de perspectiva menor ou maior de tempo de vida!

***

(a livre circulação deste texto está autorizada por seu autor)


Esta frase no título é do petista Jaime Ferreira Lopes de "Brasil Sem Aborto", então Presidente de "Brasil Sem Aborto" e hoje seu vice, que foi dirigida pessoalmente a mim quando ele inviabilizou a eficácia da notificação dos candidatos à Presidência da República, em outubro de 2006 (notificação que fora decidida em votação do Comitês por proposição minha na Plenária de agosto de 2006, representando o Comitê do Rio Grande do Sul, em Brasília), para não prejudicar lula com perdas de votos no segundo turno das eleições naquele ano. Na notificação com fundamentação jurídica elaborada por mim, era oposto a ambos os candidatos a pergunta chave sob o ponto de vista da competência jurídica privativa de quem fosse eleito Presidente: "se eleito, ele sancionaria uma legislação abortista vinda do Congresso?"

O texto da notificação está no endereço:

http://www.biodireito-medicina.com.br/website/internas/noticias.asp?idNoticia=124


O petista Jaime Ferreira Lopes de "Brasil sem Aborto" promoveu vários pretextos para retardar ao máximo o protocolo destas notificações no Comitê de cada candidato para não desencadear o prazo de resposta dos candidatos, com o objetivo de impedir que houvesse tempo suficiente para veiculação na mídia nacional e estrangeira da resposta ou ausência de resposta ao questionamento levantado. Pelos termos da notificação, a ausência de resposta entender-se-ia como concordante com a sanção à legislação abortista também.

Jaime Ferreira Lopes de "Brasil Sem Aborto", que se apresentava como "suprapartidário", apenas liberou a resposta oficial de "Brasil Sem Aborto" na noite da última sexta-feira antes das eleições presidenciais, quando já seria impossível ter tempo de haver qualquer repercussão em qualquer mídia e prejudicar os votos de seu candidato lula por causa de ser ele um candidato abortista que pedia votos para um povo em sua maioria contra a legalização do aborto. Pois, com a pergunta feita com técnica jurídica adequada, lula não poderia incorrer na demagogia de dizer que "como cidadão ele é contra o aborto" como já tinha feito na Folha de São Paulo naquele mês de outubro, uma vez que, o que estava lhe sendo perguntado é o que faria dentro de sua privativa competência jurídica como Presidente da República, se fosse eleito!

Há mais:
no intercorrer destes acontecimentos, no mês de outubro de 2006, Jaime Ferreira Lopes de "Brasil Sem Aborto", em razão desta notificação elaborada por mim no segundo turno das eleições de 2006, entrou ele próprio em contato com o Coordenador da campanha de lula com o objetivo de avisá-lo desta providência potencialmente perigosa e, ainda, pediu-me que fizesse o mesmo, enviando-me a mensagem que ele dirigiu a este Coordenador de campanha eleitoral e seu endereço eletrônico reservado para que eu tivesse idéia do que "escrever".

Não aceitei participar deste jogo duplo.

Comuniquei tudo que vinha acontecendo, mostrando documentos, para o Comitê de "Brasil Sem Aborto" do Rio Grande do Sul, na época composto por Marcos Vinicius Severo da Silva, Jerson Garcia e Gilson Roberto. Como a reação deste Comitê, que eu solicitara, foi fraca e dirigida ao velho e conhecido "vamos deixar tudo como está", passei a denunciar publicamente o que tinha acontecido e revelava qual era a face verdadeira de "Brasil Sem Aborto": envolver a sociedade civil em uma aparência de ação para que se esvaziassem todas as ações eficazes, muito em especial as ações jurídicas. Nunca mais foi colocada em prática qualquer providência jurídica provida de eficácia! A tal ponto chegou esta conduta, que mesmo defesas e providências óbvias do ponto de vista jurídico, jamais foram instrumentalizadas, por mais fáceis que fossem. Afinal, não parecia que "tudo" já estava sendo feito em "defesa da vida"?

"Brasil Sem Aborto" foi organizado por petistas para procurar "organizar" a sociedade civil em torno de ações ineficazes contra a legalização do aborto no Brasil. O objetivo, portanto, era apenas parecer que algo estava sendo feito, quando o que estava sendo feito de fato não tinha eficiência alguma diante do quadro que se apresentava na evolução do projeto abortista para o Brasil. A comprovação disto está na inviabilização da única providência jurídica direcionada de forma técnica perigosa e, posteriormente, pela completa ausência da fundamental presença jurídica em meios jurídicos por excelência, o que foi fatal para que via STF o aborto esteja praticamente legalizado no Brasil.

A partir dai, houve a promoção de perda de tempo maior possível para reter o PL abortista na CSSF sob a escusa de que ele poderia decidir tudo e seríamos "derrotados", apelando-se para o medo e, sobretudo, conduzindo para o desvio de atenção sobre a fonte óbvia de onde saíriam as decisões em favor do aborto (que não seria o Congresso, e sim o notoriamente o STF), e procurou-se vender a idéia imposta pelo STF de que o único esclarecimento necessário era científico, quando o esclarecimento científico desacompanhado da mais importante fundamentação jurídica (o Art. 4, inciso I, da Convenção Americana de Direitos Humanos), insistentemente cobrada sustentar dos meios ditos pró-vida http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=748) de nada serviriam, pois o interesse do STF em promover "audiências públicas" era veicular a idéia de "dúvida", via mídia perante à sociedade quanto ao momento em que o constitucionalismo brasileiro protegia o início da vida humana: Art. 4o. inciso I do Pacto de São José da Costa Rica, o momento da concepção expressamente!

O Min. Ayres Britto, no Relatório da ADIN das CTEHs disse textualmente fato falso: "na Constituição Federal nada dispõe sobre o momento da proteção do início da vida humana". Não é verdade! E ninguém que pôde se manifestar dentro do STF o contraditou!
Este empenho em não permitir a sustentação jurídica eficaz levou a CNEF a abrir mão do espaço de 15 minutos na audiência do STF, inicialmente marcado para o dia 28 de agosto (e, depois transferida para o dia 04 de setembro já com a composição dos sustentadores reconfigurada no "politicamente correto"), para a sustentação jurídica, em função do que já tinha sido feito contato comigo nesse sentido a pessoa que em Brasília a estava redigindo. A defesa jurídica foi excluída intencionalmente na ADPF dos anencáfalos e, depois, foi alegado que o STF não "permitiria defesa jurídica". Não é verdade: os profissionais do direito sabem que o STF nunca poderia dizer qual poderia ser o teor da sustentação de um advogado, como relação a quem não existe hierarquia para que a defesa não seja comprometida em hipóteses alguma.

A Constituição Federal estabelece como cláusula pétrea -- que não pode ser alterada senão por nova Assembléia Constituinte -- que os tratados de direitos humanos aprovados no Brasil passam automaticamente a integrar o rol de direitos e garantias individuais, onde está a proteção da vida humana. Desde 1992, o Brasil é signatário da Convenção Americana de Direitos Humanos, que protege a vida humana desde a concepção expressamente.
Isto significa inclusive que direito à vida desde a concepção não depende de perspectiva menor ou maior de tempo de vida!

Logo, o manifesto e intencional descaso com a defesa jurídica cabível em priorização apenas do científico, permitiu no caso da ADIN das CTEHs e na ADPF dos anencéfalos, que não fosse suscitado o desrespeito à Convenção Americana de Direitos Humanos por parte do STF, o que passa a praticamente inviabilizar o recurso de suas decisões sobre esta Convenção para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que é a Corte que tem a palavra final sobre seu conteúdo e interpretação. Para este recurso ser viabilizado,
era indispensável que esta matéria especifica sobre a Convenção Americana de Direitos Humanos, quando desrespeitado o momento de tutela do início da vida humana desde a concepção, fosse arguida desde logo dentro do STF como desrespeito seu a essa Convenção, para que não ficasse ausente no recurso à Corte Interamericana o requisito do pré-questionamento.

Pergunta-se: quem é mesmo que fez o único trabalho em favor da legalização do aborto que os próprios abortistas não poderiam fazer?

[]'s

Celso Galli Coimbra
c.galli@terra.com.br
OABRS 11352
www.biodireito-medicina.com.br

terça-feira, abril 03, 2007

Quem é hipócrita, Presidente?

1 comentários ###
Em recente lançamento de um plano de combate a doenças sexualmente transmissíveis (DST), o Presidente Lula, mais uma vez falando para seu público, achou por bem misturar hipocrisia, Igreja, sexo na adolescência, educação sexual e outros assuntos em um discurso bem ao seu estilo: cambaleante e confuso.

Na boca de uma pessoa qualquer do povo em uma discussão de botequim ou em uma corrida de táxi, um discurso destes tem o efeito de evidenciar desconhecimento de assuntos que são extremamente delicados, mas as conseqüências de tal ato são bem reduzidas devido tanto à limitação de público quanto à ligeireza característica de tais conversas. Ninguém levará a sério um barbeiro que, finalizando um corte, falasse uma besteira aqui ou acolá.

Na boca de um presidente da república, que discursava frente ao povo e à imprensa quando do lançamento de uma política pública, fica evidente tanto o desconhecimento sobre assuntos importantíssimos quanto a falta de decoro para com instituições caras à maior parte da população brasileira. Em casos assim, a gravidade das conseqüências acompanham a importância da figura pública que deu tais declarações. Neste caso, esta figura era a do chefe do Poder Executivo. Apesar de este governo já ter deixado por inúmeras vezes claro que seriedade e honestidade não é o seu forte, tais declarações são para serem levadas bem a sério.

Que mais uma vez o presidente demonstrou que é um inconseqüente -- para se dizer o mínimo --, não resta dúvidas. Porém, é importante que nos atenhamos não somente às palavras escolhidas, mas também ao momento em que foram proferidas.

Ao acusar de "hipócritas" aos que não compartilham de seus distorcidos ideais sobre como combater a gravidez precoce ou a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, faltou ao presidente o bom hábito de fundamentar o que diz, coisa, aliás, a que ele não é lá muito chegado. Tomando-se a Igreja como exemplo segundo a visão de "hipocrisia" de Lula, cabia ao presidente provar que esta instituição prega hoje em dia algo diferente do que fez no passado, ou então que esta simula ou falseia seus ensinamentos enquanto tem uma prática bem diferente.

Rechaçando totalmente tal acusação, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da CNBB, Dom Rafael LLano Cifuentes, divulgou uma declaração 2 dias após o discurso do presidente. Nesta podemos ler:

"(...)

A posição da Igreja é clara. Sempre o foi. Não mudou, nem mudará.

(...)

Não somos hipócritas. Nem o fomos. Nem o seremos. Somos coerentes."



Há a possibilidade de que o presidente não saiba o que é hipocrisia... Isto não é para ser descartado, mas para ter uma real idéia do que é hipocrisia bastava ao presidente olhar para os lados, para aqueles que o cercam. Tivesse feito isto, o presidente poderia ter visto seu partido e seus correlegionários serem eleitos sob um discurso moralista e, quando chegados ao poder, darem-se a práticas corruptas que deixaram casos passados parecendo pequenos delitos.

Isto é hipocrisia, presidente.

Um outro exemplo de hipocrisia, o presidente poderia buscar em suas próprias atitudes em relação ao aborto. Se puxasse um pouco pela memória, o presidente veria que ele próprio lançou, em dezembro de 2004, um "Plano Nacional de Política para as Mulheres", que, em seu item 3.6, coloca como prioridade

"3.6. Revisar a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez."

Isto, traduzido em linguagem clara e direta, o que é evitado por muitos, quer dizer o seguinte: "procuraremos a liberação do aborto".

Para atingir esta prioridade, o presidente deixou a cargo do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres a criação da Comissão Tripartite que seria responsável pela elaboração de proposta para revisão da legislação punitiva do aborto. Esta comissão atuou de 1/04/2005 a 1/08/2005. Em um surpreendente caso de eficiência governamental, os trabalhos da comissão atingiram seu objetivo de produzir um documento que faria o aborto mudar de status legal: de crime passaria a direito.

E é aqui que é importante a atenção para o momento em que certas ações foram tomadas: no dia 7 de junho de 2005, a bombástica entrevista do ex-deputado Roberto Jefferson dá novo rumo à crise iniciada com um caso de corrupção nos Correios e mergulha o país em sua mais grave crise de corrupção já vista, o escândalo do "Mensalão". Ou seja, o início e desenvolvimento da crise dos Correios e do Mensalão se deu concomitantemente aos trabalhos da Comissão Tripartite.

Findos os trabalhos, a Comissão deveria entregar suas propostas para o trâmite normal junto ao Poder Legislativo. Surpreendentemente a entrega entrou em compasso de espera. O que haveria acontecido?

Pode-se ter a resposta a esta indagação ao tomarmos conhecimento do conteúdo de carta, datada de 08/08/2005, enviada pelo Presidente Lula a Dom Geraldo Majella, Presidente da CNBB. Nesta, podemos ler:

"Nesse sentido quero, pela minha identificação com os valores éticos do Evangelho, e pela fé que recebi de minha mãe, reafirmar minha posição em defesa da vida em todos os seus aspectos e em todo o seu alcance. Os debates que a sociedade brasileira realiza, em sua pluralidade cultural e religiosa, são acompanhados e estimulados pelo nosso governo, que, no entanto, não tomará nenhuma iniciativa que contradiga os princípios cristãos, como expressamente mencionei quando tive a honra de receber a direção da CNBB no Palácio do Planalto."

A decepção entre os que lutam pela liberação do aborto em nosso país foi tanta que o colunista Xico Vargas, escrevendo para a revista eletrônica "No Mínimo", relatava um telefonema da Ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, à então deputada Jandira Feghali. O colunista, em um artigo de tom acusatório à Igreja, escreve sobre a voz embargada da ministra em conversa com a deputada. A ministra estava decepcionada, sentia-se derrotada em sua luta.

Para a ministra, aquilo era hipocrisia, presidente.

Mas... No dia 27 de setembro do mesmo ano, menos de 2 meses após enviar carta a Dom Geraldo Majella afirmando seus "princípios cristãos" e sua "identificação com o Evangelho", o presidente Lula deu aval à Ministra Nilcéia Freire para que entregasse a proposta elaborada pela Comissão Tripartite para a descriminalização do aborto.

Naquele momento, presidente, os bispos brasileiros souberam o que era hipocrisia.

Durante o ano de 2006, ano eleitoral, o tema do aborto ficou de lado. Apesar disto, no final do mês de abril, entre as diretrizes a serem seguidas em caso de Lula ser reeleito, estava a descriminalização do aborto. Nenhuma surpresa quanto a isto... Porém, em seu "Programa Setorial para as Mulheres", no qual estavam listadas as propostas para o mandato de 2007 a 2010, curiosamente a palavra aborto é referida apenas por 2 vezes em todo o documento. E, destas 2 vezes, em nenhuma é feita referência à descriminalização do aborto.

Ao lerem o seu Programa de Governo, presidente, seus correligionários souberam o que era hipocrisia.

Passadas as eleições, nas quais o aborto de forma alguma foi tema de relevância, e passados os primeiros percalços e escolha do ministério, o novo governo resolveu começar a governar. Como dito acima, apesar de em seu programa de governo não constar qualquer referência à descriminalização do aborto, no dia 28/03/2007 o Ministro da Saúde veio a público defender a idéia da liberação do aborto. O presidente Lula não o desautorizou, não o destituiu do cargo e nem enviou carta a algum bispo reafirmando seus "princípios cristãos" e sua "identificação com o Evangelho".

Para os eleitores, presidente, isto é hipocrisia.

Em contraste a essas indas e vindas características dos hipócritas, na Doutrina Católica podemos ler:

-- "(...) Não matarás criança por aborto nem criança já nascida." - Didaqué - primeiro Catecismo Católico, datado entre os anos de 90 a 100.

-- "[A vida] deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis." - Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 1965.

-- "O Magistério (...) reafirma de maneira constante a condenação moral de qualquer aborto provocado. Este ensinamento não mudou e é imutável." - Congregação para Doutrina da Fé - Instrução sobre o respeito à vida humana recente e a dignidade da procriação, 1987.

-- "2270. A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta desde o momento da concepção." - Catecismo da Igreja Católica, 1992.

-- "Dentre todos os crimes que o homem pode realizar contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente grave e abjurável." - Encíclica Evangelium Vitae, 1995.

-- "A Tradição cristã (...) é clara e unânime, desde as suas origens até aos nossos dias, em classificar o aborto como desordem moral particularmente grave." - Encíclica Evangelium Vitae, 1995.


Isto, presidente, é coerência. É como Dom Rafael Llano Cifuentes escreveu: " Não somos hipócritas. Nem o fomos. Nem o seremos. Somos coerentes."

Também coerente com sua Fé foi São Policarpo. No ano de 156, ante a insistência para que renegasse Jesus Cristo, o Bispo de Esmirna assim respondeu:

"Faz 86 anos que sirvo a Deus e nunca Ele me fez mal algum. Como poderia blasfemar o meu Redentor?"

Por esta firmeza demonstrada ante o perigo iminente, o santo bispo sofreu o martírio.

Isto é manter os "princípios cristãos". Isto é "identificar-se com o Evangelho". Isto é coerência, presidente.

E agora podemos perguntar: quem é hipócrita, presidente?